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domingo, 9 de junho de 2019

ENVELHECER



                        Dedicado a quem já envelheceu,
                        A quem está envelhecendo
                        E a quem envelhecerá.









Minha mãe, pegando um pouco de sol. Proibida a reprodução desta foto. Direitos reservados.

Perguntei a uma jovem: o que é envelhecer?
- É falar de dores, de remédios, de médicos,
Dos filhos, dos netos,
“no meu tempo”....
“não esqueça o casaco e o guarda-chuva...”
“está frio...”

Sob a ótica da juventude,
E de acordo com as vivências observadas,
Talvez seja este um ponto de vista válido.

Mas...reflitamos:
O passear pela vida,
Quando não se parte mais cedo,
Pode ser entendido
Como algo sem medo.

Ao invés da pressa, a calma;
Ao invés da arrogância, a afabilidade;
Ao invés de decisões irrefletidas, a ponderação;
Ao invés de instigar, pacificar;
Ao invés da parcialidade, a imparcialidade;
Ao invés do desperdício, a parcimônia;
Ao invés do sofrimento, o contentamento;
Ao invés da vingança, o perdão;
Ao invés da temeridade, a prudência.

Tiremos a audácia, substituindo pela pusilanimidade;
A quimera, pela realidade;
A insensatez, pela razão;
A afoiteza, pela moderação;
A crueldade, pela misericórdia...

Envelhecer nos deixa mais leves
Nos leva a reconhecer as faltas cometidas
E a aprendermos a nos absolver
E a relevar os erros que cometeram contra nós.

Nos deixa mais cuidadosos
Conosco e com os outros.
Vamos nos purificando lentamente,
Nos despindo do desnecessário,
Da tralha toda que carregamos, pesadamente,
E alimentamos durante nossas vidas.



Lorení/14/10/2018.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

PULSAÇÃO


 
 
Foto da autora
 
 O fenômeno da vida me encanta,
fico deslumbrada!
Consegui recolocar no ninho
um passarinho faminto e ferido.
Creio ter caído dele ao nascer.
Abria, desesperado, seu biquinho,
piando dor, frio, sede, fome.

Era feio,
mas era uma vidinha,
um corpinho que pulsava,
mas que ia ficar bonito,
e cantar manhãs e sóis e primaveras...
 
 
 
 

 


 
(Imagem: https://animais.umcomo.com.br/artigo/como-cuidar-de-filhote-de-bem-te-vi-21328.html )
 

FONTE



  
Busquei-te, sedenta.
Lábios secos,
verifiquei que secaras.

Gretada, estorroada:
lancei mãos ao trabalho:
abri valetas
fendi pedras
alimentei-te, fonte, com meu esforço.
                Suei
                escutei
                sofri
                chorei

Aos poucos
luminosamente
vejo brilhar teu sorriso.
Pérolas verdes
brotando água
para saciar, alegremente, minha sede.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

CICATRIZ

Houve um tempo em que eu tinha certezas.
Houve um tempo em que eu sabia o que queria.
Olhava o mundo de frente
Olhava nos olhos das pessoas
Agredia com expressões fisionômicas.
Era sincera, agressiva,
não media as palavras, que jorravam como verdades
indiscutíveis, sôfregas.
Eu discutia com meu Deus.

Houve um tempo, logo depois,
em que eu tinha dúvidas.
Dúvidas, angústias, incertezas,
sofrimentos atrozes, análises espezinhantes...
Medo. O grande, o terrível, o enfadonho, o abominável medo.
Da vida, de não conseguir, de não obter, de não conquistar,
de não ser.
As profundezas, o precipício, a agonia de tentar compreender.
A cabeça pendeu.
Deixei-o de lado.

Hoje...é tempo de buscar, de amenizar.
É tempo de não sofrer, de cicatrizar.
É tempo de soltar, fluir e usufruir.
É tempo de aceitar, de admitir, de ouvir, de levantar a cabeça.
Viver, amar, olhar os olhos novamente.
Ele é meu amigo.



Final de 1985.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Desafio Literário - Círculo de Escritores de Ijuí lança Antologia


A antologia com Artigos, Cartas, Contos, Crônicas e Poemas de escritores de Ijuí/RS que fazem parte do Círculo de Escritores de Ijuí - Letra fora da gaveta, foi lançada em novembro de 2017, na Praça da República, durante a Feira do Livro.
Além dos Autores, estiveram presentes autoridades, o público leitor - crianças, jovens, adultos, idosos - além de amigos e familiares dos escritores.
O livro pode ser adquirido com os Autores, sendo esta blogueira uma delas.

domingo, 29 de outubro de 2017

DIA NACIONAL DO LIVRO



Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro - Brasil



 (Imagem:http://www1.folha.uol.com.br/turismo/956875-biblioteca-nacional-do-rio-de-janeiro-tem-recorde-de-publico-em-2011.shtml

Hoje, no Brasil, comemoramos o dia Nacional do Livro. 
Em vários lugares iniciam-se as Feiras do Livro, onde podemos comprar livros, olhar, folhear, sentir seu cheiro e, às vezes, conversar com seus autores.
Em Ijuí, começará no dia 16 de novembro, indo até o dia 19.  
Passei a fazer parte, a partir de setembro, do Círculo de Escritores de Ijuí Letra Fora da Gaveta.
É uma entidade que agrega as pessoas que têm o dom de escrever, seja no estilo que for, e tem a intenção de instigar a cultura e, principalmente, a leitura na comunidade e na região.
Publicaremos uma antologia com escritores e convidados, cada um no seu estilo: poesia, crônica, conto, memórias, história e afins.
Esperamos que a comunidade local e regional se faça presente.

A par disso, e para comemorar à altura o dia do livro, comento abaixo minhas últimas leituras:


Há muito  aguardava em minha estante As flores do mal de Charles Baudelaire.
Confesso que, inicialmente fiquei um pouco chocada com os versos em que ele invoca a morte, satã e outros entes do mal.  Mas não fiquei tão escandalizada como a comunidade francesa do século XIX com esse poeta simbolista que deu origem aos "poetas malditos".  Alguns dos versos do livro foram julgados imorais, e despertaram polêmica e hostilidades na imprensa.  Baudelaire e seu editor foram processados e tiveram que pagar multa, além de fazer nova edição excluindo os versos malditos.

Esta publicação a que tenho acesso contém todos os versos, inclusive os proibidos.  Ele critica muito a religião, Deus e muitos hábitos e costumes da sociedade da época.  Não gostei de todos, mas de alguns, sim. 

A maioria dos poemas contém rimas, às vezes interna e às vezes externa.  Mas, inegavelmente, é um poeta de categoria.
Destaco alguns poemas que gostei:

"CIV - A alma do vinho 

A alma do vinho, à noite, cantava em garrafas:
"Homem, a ti eu mando, amigo na orfandade,
Desta prisão de vidro e cera em que me abafas,
Um cântico de luz e de fraternidade.

Eu sei quanto é preciso, na colina em chama,
De pena, de suor e de sol abrasado,
Para gerar-me a vida e para dar-me a alma;
Mas não serei ingrato, tampouco malvado,

Pois sinto, ao penetrar, uma alegria pura,
Na garganta de um homem das lidas cansado,
E esse seu peito quente é doce sepultura
Onde fico melhor que em porão resfriado.

Ouves repercutir, aos domingos, baladas
E a esperança a cantar em meu seio dolente?
Cotovelos na mesa, mangas enroladas,
Tu vais glorificar-me e ficarás contente;

Farei brilhar o olhar de tua mulher querida;
A teu filho darei a sua força e cores
E serei pra esse frágil atleta da vida
O óleo que refaz membros de lutadores.

Em ti eu cairei, vegetal ambrosia,
Grão precioso dom do eterno Semeador
Pra que do nosso amor nasça a poesia
Que a Deus se lançará como uma rara flor!" 

Outro:

"XVII - A voz

Meu berço se encostava na biblioteca,
Onde romance, ciência, contos, sombria Babel,
Tudo, cinza latina com poeira grega,
Se mesclava.  Eu tinha a altura de um papel.
Duas vozes me falavam. Uma, firme e traidora,
Dizia: "A terra é um bolo cheio de doçura;
Eu posso (e tua delícia seria de durar!)
Dar-te um apetite com a mesma estatura".
E a outra: "Vem! Oh! vem! Nos sonhos viajar;
Para além do possível, e do conhecido!"
E aquela outra qual vento pela praia ouvido,
Um fantasma a vagir, em lugar não sabido,
Que acaricia o ouvido e que entanto intimida.
E eu te respondi: "Sim! doce voz! É de então
Que data o que chamar se pode de ferida
E minha triste sina.  Por trás da ilusão
Da existência imensa, no negro abismada,
Vejo distintamente mundos singulares,
E, da clarividência vítima extasiada,
Cobras arrasto que mordem meus calcanhares
E é também desde então que, assim como os profetas,
Amo com tal ternura desertos e mares;
Que rio nos velórios e que choro nas festas,
E encontro um sabor doce no mau vinho que tomo;
Que muitas vezes fatos às mentiras somo,
E que, de olhos no céu, caio em buracos ocos.
Mas a voz me consola e diz: "Guarda os teus sonhos;
Os sábios não os têm tão belos como os loucos!"

Baudelaire, Charles, 1821-1867. As flores do mal; trad. Mário Laranjeira.-SP:Martin Claret, 2011.- (Coleção a obra-prima de cada autor.)

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

VALORES




pinups gordinhas (3)
                                           

As alterações no corpo:
quando jovem, magrinha, elegante, carnes rijas.
Após a maternidade, 
o organismo altera-se.
São as vicissitudes sobre as quais
a mulher não tem poder de esquivar-se.

A alteração é lenta, gradual.
Não sei se faz parte da biologia,
ou se é decorrente do cultural.
Com as gerações anteriores ocorreu o mesmo:
avó, mãe, ela...

Barriga ('peito caído', dizem eles) de 'executivo'.
"Charme".
Careca (é deles que elas gostam mais, já dizia a marchinha, antiga, de carnaval)
Grisalho.  Meia-idade. 

Dois pesos, duas medidas. 
Valores.
Para a mulher, o processo do corpo pela vida
é considerado ruim, anormal.
Para o homem, a transformação é bela, digna, impõe respeito.
Segundo eles, excita as mulheres jovens.

São séculos e séculos de afronta, 
de manipulação,
de imposição de ideias,
de eles dizerem como as mulheres devem ser.

Está na hora de mudar as cabeças levianas e espevitadas.
A fêmea humana deve tomar as rédeas do seu corpo e da sua mente.
A plástica para os dois, ou para nenhum.

Amadurecer. Que lindo!
Aceitação.
Viver é isto.


Resultado de imagem para desenho homem barrigudo



Lorení Dalla Corte
18/04/1988. 

(Imagens: http://novovillarejo.blogspot.com.br/2011/09/sketches-1.html
http://belezasemtamanho.com/pinups-gordinhas-calendario-2016/ )

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Miopia do mundo

Sócrates disse:
"eu só sei que nada sei".

Eu digo:
eu nem sei se "só sei que nada sei"

Eu digo
palpito
respiro
pulso
vejo ou entrevejo

há névoas

há véu
que é espesso.

Lentes,
para suprir 
a miopia do mundo.

Lorení Dalla Corte 
19/06/1989

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

INFÂNCIA





Jogo de caçador ou queimada


Meu pai levantava-se cedo.
Fazia suas abluções matinais, na bacia sobre o tripé.
A toalha era feita em casa, tecido fino, bordado, com franjas.
Seu rosto era magro e moreno. 
A Prefeitura o aguardava com suas obras.

Minha mãe acordava-me cedo, mais cedo ainda,
Passando o pano por debaixo da minha cama, nossas camas.
Ela gostava de trabalhar de manhã.
No forno de barro,
as brasas já brilhavam, avermelhadas,
acendiam
meio se apagavam.
E o calor já antevia 
as cucas, os pães deliciosos, enormes, macios
amassados por suas belas mãos
na noite anterior.
A roupa já no varal.
O que era branco, ardia nos olhos de tão branco:
panos de prato, lençóis, fronhas, uniformes escolares.
O feijão chiando na panela de pressão.

Levantávamos correndo, meus irmãos e eu.
O café, passado no saco, com leite, gostoso, 
deixava no ar o seu aroma chamativo;
pão com schmier e manteiga caseiras.
Corrida lépida para a escola, a duas quadras de casa.
O mano mais novo dormia, privilégio de ser o bebê.

Na escola, D. Helena preparava
a sopa mais gostosa do lugar.
Meu irmão mais velho e eu, sagazes...
entrávamos duas vezes na fila da merenda.
Não era fome.
Era a delícia da sopa. As serventes faziam de conta que não notavam,
piscavam o olho.
Grupo Escolar Nossa Senhora da Penha.

Meio-dia todos ao redor da mesa.
Oração - cada dia um que fazia -
e todos não queriam...
criança quer comer, tem uma fome infinda,
sem esperar formalidades religiosas.

Lembro... com carinho e saudade
o brilho do arroz
a batata pulando, ainda, na panela,
ensopada, dividindo espaço com o guisado.
O feijão fazia bolhas em seu caldo grosso.
E as verduras, sempre renegadas por nós, crianças,
estavam lá, no seu prato.
Sobremesa: doce de abóbora, delícia gaúcha.

À tarde...ah, à tarde...
mãe descansava com o bebê,
irmãos fugiam para a sanga,
e eu já lidava com meus alunos imaginários.
No quadro, presente de Natal,
repassava toda a matéria do dia.
Imitava minha professora, Santa Edy Nehring:
seus gestos
seu tom de voz
sua letra...
explicava tudinho.
Não sabia, àquele tempo,
que estava estudando,
reforçando o que aprendera no dia.

Tardinha,
após o lanche: batida de banana com leite,
pão feito de manhãzinha,
era a hora de reunir a gurizada da rua, na rua de chão batido.
Guris e gurias da vizinhança:
jogo de sapata, passar o anel, diabo rengo, 
jogar caçador (eu era sempre a que morria primeiro...)
brincar de letz, de se esconder...

Infância, infância!
Estás tão lonnnnnngeeeeeeeee...

E tinha um tempo em que as formigas de asas
nos perseguiam, perseguiam, perseguiam...
ficavam voando ao nosso redor, nos mandando embora.

Escurecendo...
a mãe chamava:
-Hora do banho e da janta!

Entrávamos, não sem, primeiro, titubear, empurrar a hora.

Meu pai mateava, dividindo seu dia com a mãe, que cuidava do pequeno.
E, cansados,
felizes,
rostos afogueados,
suados e sujos da poeira,
disputávamos o chuveiro.

Noite chegando,
janta na mesa,
lassidão no corpo,
alma leve,
noite boa de sono.

Infância, infância...
impossível não sentir nostalgia.

Lorení Dalla Corte
12/10/2017


(Imagem: http://www.fazfacil.com.br/lazer/como-jogar-queimada/)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Escritura





             Quem poemeia
             quer ser diferente de todo mundo
             quer escrever algo além
             do que todo mundo já pensou
             quer ter a ideia original.
             Coisas que pensa, encontra escritas em                 livros, 
             livros de autores que são de outras épocas
             ou de outros lugares
             ou de outras gerações
             ou de outras culturas
             ou...

             Quem escreve, e pensa,
             pensa e escreve igual?
             raciocina na mesma direção?
             É influência, referência, cultura,                     registro?

             É difícil o estalo.

             Escrever é um caso de orgasmo 
                             de letras
                             de signos
                             de ícones.

                                 Difícil, às vezes, de se chegar.
              Outras vezes....!
              Saltam as palavras abruptamente.



Lorení Dalla Corte.
Maio/87 - abril/88 - set.90

domingo, 8 de outubro de 2017

MEUS VERSOS







Eu quero fazer meus versos
não como quem morre,
mas como quem ama a vida.

Eu quero fazer meus versos,
não para homenagens póstumas.

Eu quero fazer meus versos
mesmo que sejam a única arma de que disponha
para expor uma realidade
um ponto minúsculo da história
o momento do meu tempo

Eu quero fazer meus versos
mesmo que você não os leia
mas para que saiba que,
apesar:
da energia nuclear perigosa
da liquidação do ecossistema,
da cultura atrofiada do meu povo,
da fome, da doença, dos casebres,
dos sem-terra, dos sem-teto, dos sem-emprego, 
dos sem escola, dos sem comida, 
do salário magro, dos políticos corruptos,
dos governantes poderosos e cruéis,
dessa horrenda realidade
que me envolve e me angustia,
eu parei um instante
e fiz estes versos.

Os poetas - dizem há séculos - são loucos.
Viva esta loucura!

A poetisa é a pessoa que pára, no meio da guerra,
para fazer anotações
ao lado da metralhadora, do míssil, do botão vermelho,
da chuva amarela caindo em sua cabeça.

É a mensagem da garrafa.
Alguém lerá.
E sorrirá, pois haverá compreensão
e comunhão de ideias.



Lorení Dalla Corte.
Abril 1987/1988.

(Imagem: http://www.canaanoticias.com.br/entretenimento/casal-encontra-a-mais-antiga-mensagem-em-garrafa-da-historia/)
 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FRATERNO



"FRATERNO
Verbalizar te amo eu não consigo.


Eu digo te amo
quando te dou atenção
quando filosofamos
quando sofres e te estendo
a invisível mão.


Eu digo te amo
quando leio teus poemas
admiro teus quadros
parabenizo os concursos
em que és entre os primeiros aprovado.


Eu digo te amo
quando olho tua fotografia,
e vejo que és a cara minha.
Somos muito semelhantes
Na nossa lucidez, na nossa insensatez,
na estranheza que vemos
nos turbilhões que vivemos,
                                           meu irmão."


Este poema fiz para meu irmão Moacir, que faleceu há justos dois meses.  Foi publicado na 3ª Antologia Caxiense de Poetas, 1º Concurso caxiense de poesias; Misturas e bocas produções, 1990.

A dor de perder um ente querido não some, vai ficando mais fraca, mas tem seu lugarzinho guardado no nosso coração e nas nossas mentes.  Nunca vamos esquecê-lo.  Porém a vida nos empurra e continuamos a viver e trabalhar, e resolver problemas, e amar, e ter momentos felizes, misturados aos tristes.  Isto é a vida.  Que vamos vivendo enquanto Deus permitir, fazendo dela o melhor possível.

À época em que fiz o poema talvez tivesse dificuldades de verbalizar "te AMO"; mas ao cuidar dele no hospital, e muitas outras vezes anteriormente, tinha dito a ele que o amava, o que o deixava muito feliz.  Ele morreu sabendo que era amado.




domingo, 4 de dezembro de 2011

Janelas II - fundo de gaveta 2

   




Embora eu tenha batido esta foto nas férias deste ano, vejo que meus temas são recorrentes.
  Continuando minha faxina, encontrei um poema que fiz em dezembro de 1990, provavelmente na praia, pelo assunto.  Dividindo:

Janelas II

Daqui onde estou agora
Vejo prédios, casas
em cujos telhados
observo a ação da maresia.
Lá, mais longe,
dois prédios gêmeos de estrutura,
mas de cores diferentes.

Por detrás de tudo isto,
o mar.

O mar dos verdadeiros tubarões,
em seu hábitat perfeito;
o mar que sorveu tantas vidas;
o mar que alegra as crianças
que querem surfar...

O mar que bate
para todo o sempre
suas águas na areia
que, de quente, fica gelada.

O mar com murmúrios de amor,
do vento renitente,
a bater, a bater, a bater...

O mar, que,com seu sal
mais o sol
bronzeia os corpos
de todos os feitios.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Palavra de criança, no dia da criança.

     Aqui no Brasil comemora-se hoje o dia da criança.  Nada melhor que dois pequenos poemas escritos por minha filha, Heloísa, de 10 anos, no 4º ano do fundamental I: um de auto-avaliação do 3º bimestre, outro ao fim dos estudos sobre o Paraná:

"Neste bimestre fiz coisas muito legais,fração,
verbos, mapas, coisas muito especiais  .
Criei textos grandes ou pequenos fiz diversas operações e problemas de montão
mas nada me surpreendeu tanto quanto a maravilhosa fração.
Obrigada professora por me ensinar tudo isso
você merece a minha homenagem
agora vamos observar uma bela paisagem."

(A bela paisagem foi a excursão feita pelo Paraná, conhecendo pontos turísticos, o porto de Paranaguá, entre outros, com a querida Professora).

"Paraná

Paraná, terra boa
de viver, quando
faz sol ou dá garoa.

A população 
sempre feliz da vida
e vivendo em união."

Parque de Vila Velha - Pr - Um dos locais que ela adorou! Amou!
(Imagem:http://www.google.com/search?q=pontos%20turisticos%20paran%C3%A1&biw=1360&bih=611&tbm=isch)







quinta-feira, 23 de junho de 2011

Menininha na pré-escola

                               Dedico estes versinhos à minha filhinha Heloísa.

De manhã, bem cedinho
Ainda caindo de soninho,
Vou contente pra escola
aprender, brincar, jogar bola.

Alegremente, vou todos os dias
Descobrir o mundo da escrita,
dos sonhos, das fantasias,
do teatro, mundo que me agita,

e que deixa meus olhos brilhantes,
meu coração palpitando
minha alma feliz, cantando,
ao desvendar tantas coisas interessantes.

Com os amigos corro, brinco,
salto, pulo corda, jogo amarelinha,
deslizo no escorregador, e sinto
muita felicidade ao brincar de casinha.

Como é bom ser criança!
E guardar na lembrança
tantos momentos gostosos
em dias tão radiosos!

13.09.2007.