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terça-feira, 24 de março de 2026

Crônica do dia

 

 

 

 

 

 PORTUGAL

 


 

 

  ESPANHA

 


PORTUGAL

 

 

PORTUGAL

 

 

 


                                                             

 

                                                                 CRÔNICA DO DIA

 

Há tempos não publico aqui.

A vida vai me levando aos tombos, como qualquer mortal .

Aos trancos e barrancos, como diz  o ditado popular, vou levando a vida.

2025 foi um ano de muitas atividades: publiquei meu livro de poemas "PULSAÇÃO". Com ele e com meus outros livros participei de Feiras de livros, da Bienal do Livro do RJ, e de muitas outras atividades.

Fiz muitas viagens, inclusive fui conhecer Portugal  e Espanha.  Em outra ocasião comentarei esta viagem.

Recebi prêmios, certificados literários, passei a fazer parte de Academias, tornei-me, novamente, Comendadora por uma Academia, também falarei sobre isto.

Meu irmão Marcos ficou doente em julho e faleceu em dezembro.  Tive muita tristeza com esta morte, ainda estou me recuperando disto.

Tive muitas alegrias, felicidades genuínas.

Tive muitas tristezas, tristezas genuínas.

Fiquei encantada com algumas pessoas que passaram a fazer parte da minha vida.

Fiquei decepcionada com outras. 

Estive doente, precisei fazer uma cirurgia.  Ainda me recupero. 

Como dizia Nietzsche , somos "humanos, demasiado humanos."

Assim vamos vivendo, um dia depois do outro, realizando o que nos cabe, ajudando quem precisa, recebendo ajuda quando precisamos. 

Ainda bem que temos nossa fé , é o que nos dá forças, energia, coragem para enfrentar a dura realidade da vida.

E agradecer pelas coisas maravilhosas.

Pedir ajuda quando as coisas não estão tão maravilhosas assim.

C'est la vie, mon amour! 

 

terça-feira, 26 de março de 2024

CÂNCER

 

                    






 

Viver está sendo muito difícil neste momento.

O ano de 2020 trouxe à humanidade a pandemia do coronavírus, a covid-19.

Trouxe a mim o pânico, o medo, a angústia, o medo de morrer, a ansiedade. Isso em fevereiro/março.

Dia 22 de maio trouxe o diagnóstico do câncer de pâncreas do meu amor, do Gilberto.  O meu homem, o homem da minha vida. O pai dos meus filhos, o avô de meus netos. O “genro preferido” como dizia a mãe (ele é o único genro.)

Trouxe tristeza, muito medo, insegurança.

Angústia de vê-lo definhando dia a pós dia.

Enfraquecendo, perdendo as forças, não conseguindo mais ficar de pé.

Não conseguindo mais se alimentar.

A quimioterapia. O desespero nos olhos dele. O olhar de pedido de socorro.

O emagrecimento, ferida no pé, ferida nas costas. Dificuldade para engolir. Feridas na boca.

Os medicamentos para o Parkinson.

O tratamento para o diabetes, que estava com taxas enlouquecidas, ora perto de 600, ora perto de 60.

O câncer com Ca-19 em 17.000.

Anemia. Injeção de ferro.  Transfusão de sangue, duas.

Mal-estar, internações, febres, exames de sangue, exames de sangue, exames de sangue, antibióticos, internações, internações. Todo tipo de exame: dos pulmões, do tórax, do abdômen, biópsias.  Introdução de cateter no tórax.  Introdução de aparelho na vesícula, para o líquido descer...

Medo, medo, medo! Que eu via nos olhos dele e, com certeza, ele via nos meus.

Consultas com oncologista cirurgião; com oncologista clínico; clínicos gerais; oncologista radiologista para radioterapia. Enfermeiros, enfermeiras, técnicos, injeções, soros,...

Pés inchados, pés levantados para circular melhor o sangue.

Desmaios. Pressão alta. Pressão baixa...

Falta de ar.

Cansaço, exaustão, pânico, e a morte rondando.

Ela chegou em 22 de novembro. Exatos 6 meses.

 

 

 

Lorení.

26/3/2021

sexta-feira, 15 de março de 2024

"CUIDA BEM DE MIM...”

 


 

 

 

 

 

 

 


Referência: música “Muito estranho”, de Dalto..

 

A música toca no rádio.

Meu amor passa por mim e me diz, repetindo o refrão:

“cuida bem de mim”...

Ele está com câncer.  Paralelamente, tem o Mal de Parkinson e Diabetes.

Sua sentença já foi assinada, embora seja inocente: pelos resultados dos exames; pelos diagnósticos dos médicos, pelas suas condições de saúde, pelo pouco resultado dos tratamentos!

Seguro o choro, disfarço, olho em seus olhos, que são suplicantes.

Ele não fala.  Eu não falo.

Mas eu sinto que ele sabe que está no fim.

Ele me diz que quando me enxerga, fica mais tranquilo. 

Precisa me ver, para sentir-se bem.

Eu preciso dele, inteiro.

Ficamos dentro de um abraço bem apertado.

 

Recordando.

24/9/21.

 

sábado, 24 de junho de 2023

Vazio

 

 

 

                                        
FOTO DA AUTORA. PROIBIDA A REPRODUÇÃO/CÓPIA SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.

 

 

 

 

 

Os meus braços estão vazios

Já não estás mais aqui a preenchê-los.

A "indesejada das gentes" te levou, irremediavelmente!

Sem recursos, sem apelação!

A vida está vazia

Do teu amor

Do teu sorriso

Do teu carinho

 

Meu peito está vazio

Do teu calor

Do frêmito do teu coração

Das carícias das tuas mãos

 

Minhas mãos permanecem vazias

De te percorrer

De te sentir

De te acariciar

 

Minha boca está vazia

Dos teus beijos

Das palavras de amor e carinho

 

Meus ouvidos estão vazios

Dos teus sussurros nas noites de luar

E nas sem luar também...

 

Meus olhos estão vazios de ti

Do teu olhar intenso

Que não precisava de palavras

 

Meu corpo está vazio de ti

Minha vida está vazia!

 

 

 

 

Joinville, 5/3/23.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

A morte não deveria existir






Foto da autora. Itapema/SC, 2018


 A luz da aurora surge...

Descerro os olhos

Só vejo a saudade

Que invade meu coração

Minh'alma está repleta

 de ti

Incompleta

Clama por teu amor

Só dor!...

Sobrou a réstia

da luz da manhã

a invadir meu quarto

a minha vida

dolorida

sem teu amor...

meu pranto é de dor

Essa dor intensa

que persiste em me preencher

A morte não deveria existir

para os amantes...

a saudade dói tanto

que machuca

pesa como chumbo

e nos derruba!


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os 80 anos de minha mãe

     








D. Noemi cortando seu bolo de 80 anos. Fotos da autora, proibida a reprodução sem autorização.


Já escrevi em outro post sobre minha mãe. Noemi é seu nome.
      Agora pretendo comentar o que sei sobre seus 80 anos.  Completar esta idade não é fácil, se quisermos ter saúde. Ela se encontra razoavelmente bem.
      Alguns dados já se encontram na postagem "Minha mãe"; perdoem-me se estou repetindo.  É a emoção por tê-la como minha mãe e por ter ajudado a preparar uma comemoração digna dela, como fizemos quando meu pai completou seus 80 anos também.
      Como já mencionei alhures, ela nasceu na cidade de Santa Rosa/RS, em 12 de março de 1935, na localidade de distrito de Tucunduva, que hoje é município.  Como era difícil o acesso à cidade, meu avô aguardou mais de um ano para efetuar seu registro; como minha tia Ruth também ainda não estava registrada, para não pagar multa, meu avô registrou-as como gêmeas, em 2 de julho de 1936.  E a tia era mais velha que a mãe uns dois anos.
Meus avós já tinham a filha mais velha, Eva; eram 3 meninas pequenas.  As condições de vida eram precárias, meu avô fazia o trabalho de agrimensor; também eram agricultores; ele acompanhava os engenheiros na abertura e construção de estradas por este Rio Grande de Deus. A vó era originária de Ijuí/RS, e meu avô de Santana do Livramento, mas estiveram um período por lá, tentando melhoria de vida, pois ouviram anúncios de que o governo daria terras para cultivar; entretanto, esta benesse não os alcançou e, diante das dificuldades, retornaram para Ijuí.
     Meu avô foi trabalhar na Prefeitura Municipal; era o responsável pela força e luz em toda a cidade.  Minha avó era dona de casa; além de cuidar da prole, que se multiplicava a cada dois anos - tempo durante o qual  minha avó amamentava os filhos - cuidava da casa, fazia doces, pães, bolos, conservas, e cultivava, além de uma enorme horta aos fundos da casa, árvores frutíferas e um belo jardim à frente da casa. Isto já comentei no post sobre lembranças da infância.
     Minha mãe foi crescendo junto com os irmãos, que foram sete no total. Oito filhos Maria e Bento tiveram, que se criaram, além dos dois que faleceram pequenos ainda.  Naqueles tempos, doenças que hoje têm cura, para tanto não tinha, e as crianças viravam anjinhos.
     Frequentou a Escola Estadual Ruy Barbosa, que hoje é uma escola somente de ensino fundamental e fica a meia quadra de onde moro, enxergo seu telhado todos os dias, e acompanho a balbúrdia da criançada sempre. 
     Segundo minha mãe conta, meu avô tocava violão e cavaquinho; esta parte também já comentei lá atrás; ele deve ter aprendido "de ouvido", pois frequentar aulas de música era um luxo a que não se poderiam dar.  Minha mãe gostava muito quando meu avô sentava-se, à tardinha, puxava um dos instrumentos musicais e cantava, reunindo em torno de si os filhos e a mulher. Ela já tinha o dom da música, mas nem pensar em ir atrás dele e estudar.
     Começou a trabalhar enrolando balas na Fábrica de Balas Soberana, com 13 anos; depois trabalhou em uma padaria, indo, posteriormente, para a empresa Bernardo Gressler, onde fazia o fechamento das vendas à vista e a prazo, auxiliando na contabilidade.  Era exímia nas contas, achava diferenças com facilidade, e era amada e admirada, com seus lindos cabelos pretos ondulados, por todos os colegas do escritório. Também já mencionado no outro post.
     Foi nesta época que conheceu meu pai.  Ela contava 15 anos, ele 23.  Foi na inauguração do tempo da Igreja Metodista de Ijuí.
     Dois anos depois estavam casados, e fixaram residência em Santo Ângelo/RS.
     Em 1954 nasceu meu irmão Marcos; em 1955 eu; em 1956 meu irmão Paulo; logo após  houve um menino natimorto; em 1962 o Moacir nasceu; em 1975, outro menino natimorto.  De seis, criamo-nos 4.
     Minha mãe, além de dona de casa, dedicou grande parte de sua vida aos trabalhos voluntários na Igreja Metodista de Ijuí.  Dentro da hierarquia da igreja, exerceu diversas funções, quais sejam: foi Secretária da Escola Dominical, Presidente, Tesoureira, Secretária da Sociedade Metodista de Mulheres; foi agente da Voz Missionária, do No Cenáculo e de outras revistas da instituição. Durante toda sua vida, até uns cinco a dez anos atrás, quando começou a ter problemas de saúde, foi ativa tanto na igreja quanto na sociedade de mulheres, participando das mais variadas promoções; liderava quando decidiam fazer a famosa "sopa de mocotó", prato típico gaúcho, em que era exímia.  As pessoas só compravam os cartões se fosse ela que fizesse.
     Sua vida se resumia em cuidar da família e participar das atividades da igreja.
      Como já falei no outro post, depois que saímos de casa, foi estudar música, realizar o seu sonho.  Além do deleite próprio e da família, pretendia tocar na igreja, para que as pessoas não cantassem tão desafinadas e fora do contexto musical correto.  Criou o primeiro coro da igreja local.  Também participou do Coral Municipal de Ijuí, que existiu durante algum tempo.
     Entretanto, uma pessoa que faz parte da congregação local, por ocasião do batizado de sua filha, exigiu - como se alguma autoridade tivesse - que ela não tocasse, pois não gostava de hinos tradicionais e da música do órgão.  Demonstrando crueldade, ignorância e estultícia, feriu profundamente minha mãe, com palavras duras e humilhantes.  Depois deste fato, ela nunca mais tocou na igreja.  Embora esteja com as características do mal de Alzheimer, nunca esqueceu deste fato, e fala dele diariamente, em suas repetições.  A pessoa que cometeu esta insanidade nem sonha o mal que fez a ela.  A família espera que Deus faça justiça com relação à mesma.
     Minha mãe cuidou de meu pai até sua morte, em 2013.  Foram quase 61 anos de vida em comum. No post "Bodas de Diamante" comento este fato.
     Muitas pessoas mais jovens não sabem o que é ter um casamento duradouro, nem conseguem imaginar a beleza da cumplicidade deles, o respeito que tinham um com o outro, e o carinho através do apelido carinhoso "negrinha/negrinho".
     Quando meu irmão mais novo faleceu, tive que, juntamente com meu irmão mais velho, comunicar a ela e a meu pai o que tinha acontecido.  Foi o pior dia da minha vida, fiquei desesperada; mas tivemos que enfrentar.  A todas as vicissitudes da vida enfrentou de cabeça erguida, embora muitas vezes abaixasse a cabeça para chorar e pedir forças  ao Deus da sua fé, para logo em seguida seguir, encarando a vida de frente.
     Ela ainda nos conhece, e a todas as pessoas mais chegadas - parentes, amigos - mas, aos poucos, sua memória está se retraindo, mostrando-nos muitos fatos de sua infância e juventude, mas esquecendo às vezes de pentear o cabelo, quem a visitou ontem ou hoje, que dia da semana ou do mês é, e em que ano estamos.  Assim como foi com meu pai, e duas irmãs dela, aos poucos a luz da vela está se apagando, bem devagarinho, para que a gente não sinta.  Já não consegue manter uma conversa, perde o fio da meada, e volta para as suas repetições.  Fixa alguns pensamentos ou acontecimentos que são fortes: não esqueceu a visita do neto, que trouxe o bisneto para conhecer; que a irmã e a sobrinha vieram de Porto Alegre para seu aniversário; que tinha bastante gente na festa, porém não sabe dizer quem. A incomodá-la, ainda, o diabetes, que prejudica seu prazer pelos doces, e a impede de comer o que gosta.
     Apesar de todos os pesares, vai levando a vida, com o auxílio dos três filhos que lhe sobraram, e com as cuidadoras que, além de desempenharem suas funções, tornaram-se amigas de minha mãe, por sua bondade e forma de tratar as pessoas.
     Aqui fica minha homenagem a ela, com um grande abraço e um beijo gostoso.
     Amo a senhora, mãe!


     
Minha mãe, meu irmão mais velho e eu.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Retornando aos poucos

A vida

Muitas coisas aconteceram desde a última postagem.
Mas não farei o relato, ficaria por demais cansativo; como diria um autor da década de 70, Roberto Athayde, que escreveu "Apareceu a margarida", peça de teatro que também foi publicada, são os 'fatos da vida'. Mas eu não sou tal qual era esta professora, que defendia a ditadura militar.  Só me ficou na cabeça a tal frase.
Apenas dois, para pessoas importantes do meu relacionamento: minha mãe fez uma cirurgia no cérebro, e está bem.  Minha sogra faleceu em dezembro.

As férias

Todos os anos para nós, brasileiros/latinoamericanos, o verão é de dezembro a março; então aproveitamos, já que moramos em um quadrante do Brasil que não tem mar, e é quente demais, para ir à praia.
Este ano voltamos a Bombinhas, na cidade de Bombas/SC, o quintal dos gaúchos...

Foto do meu filho, a caminho do mar.

Bombinhas

O suco da minha filha, morango com leite, uma delícia!

Praia lotada, calorzão, aguinha morna, uma delícia!

Vista do céu e mar. Fotos da autora, proibida a reprodução sem autorização.


A estadia esteve ótima, só no último dia, já em viagem de retorno, ao pararmos para almoçar no RESTAURANTE E PIZZARIA RODEIO, em Bombinhas, tivemos nosso carro ARROMBADO, de onde furtaram meu notebook.  Então, aconselho quem for para aquelas paragens, tomar todo o cuidado possível, de preferência não levar celular, máquina fotográfica e outros apetrechos eletrônicos, que a bandidagem está de plantão.

Retorno à rotina

E vamos levando a vida, para que ela não nos leve, conforme música brasileira de conhecimento popular.

Leituras

Neste ínterim, entre o último post e este, li muitos livros; além dos jurídicos, que fazem parte do dia-a-dia (ainda escrevo da forma antiga, vai ser difícil mudar)  li muitos livros.  Não vou resumi-los, só mencioná-los, para não ficar cansativa:

1. Lya Luft: O tigre na sombra; excelente como tudo que a Lya escreve.
2. Carlos Ruiz Zafón: O príncipe da Névoa. Excelente.  Vou procurar outro dele, que se chama a Sombra do Vento.
3. José Saramago: Don Giovanni ou o dissoluto absolvido.  A cara do Saramago.
4. Luis Fernando Veríssimo: Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos. Pareceu-me que achou novamente a boa veia de escrever, excelente e divertido.
5. Khaled Hosseini: O silêncio das Montanhas. Maravilhoso, tão bom ou melhor que O caçador de pipas, que já comentei.
6. Laurentino Gomes: 1889.  Continuando a saga da História brasileira, excelente livro, linguagem acessível, informações precisas.  Sou fã deste escritor, e já tive oportunidade de conversar com ele pessoalmente. Vale a pena.
7. Li a trilogia dos 50 tons de cinza, de E.L. James. Achei muito interessante.  

Li ainda outros, que não recordo no momento. Por ser meu único vício, e um dos meus maiores prazeres, relato com alegria.  E ajudo, gratuitamente, a levantar a média de livros lidos pelos brasileiros.
Até mais.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os pobres e os analfabetos são mais felizes...

                              




 Ela era a mais velha. Exerceu à altura da autoridade concedida pela mãe seu direito da primogenitura: junto com os pais, orientava os irmãos mais novos, repreendia-os, aconselhava-os, cuidava deles.  Esta era a tônica das pessoas nascidas no começo do século passado; como sua mãe era muito religiosa, levava a sério o que estava prescrito na Bíblia, inclusive pondo-lhe o nome da primeira mulher, segundo o Gênesis, e um segundo nome, o qual uma de suas afilhadas herdou.
E não foram somente seus irmãos que receberam seu apoio, também o receberam sobrinhos e sobrinhas, cunhada, amigos, com certeza.  Muito lhe devem seus familiares.
Como ela mesma dizia, não casou muito cedo, como era hábito na sua juventude.  Estava um pouco mais madura, preparada para encarar os compromissos e construir uma família com seu companheiro de vida.
Foi uma das precursoras da mulher trabalhadora: trabalhava de dia e estudava à noite, cursando o antigo ginásio e, posteriormente, o Curso Técnico de Contabilidade; foi uma excelente contabilista, exercendo suas funções na Prefeitura Municipal, numa Associação de Funcionários; também fazia a escrita de algumas empresas.
À medida que o tempo ia passando, iam vindo os filhos: três meninos, um mais lindo que o outro, e ao tanto  de beleza correspondia o mesmo tanto de inteligência. O mais velho formado em Medicina, o do meio em Jornalismo e Comunicação Social e o mais novo em Engenharia Elétrica.  Educou-os no maior rigor e ética, mostrando a todos sua retidão de caráter.
Disse-me certa vez que gostaria de ter cursado jornalismo, também, mas à sua época era inviável, pois não havia este curso em sua cidade, nem condições de efetivar os estudos; neste sentido, sentia-se frustrada.  Porém, era uma devoradora de livros, como muitos da família; lembro da sua coleção de livros do Honoré de Balzac - obras completas-, entre muitos outros.  Quando fez seus estudos, tinha condições tranquilas de ler em inglês e francês.
Conversamos muitas vezes sobre o sentido da vida, sobre política - uma permanente descrença sua neste sentido -, religião, a vida em geral.  Numa destas conversas me disse que as pessoas ignorantes eram mais felizes, pois não tinham conhecimento de muitas coisas, nem da podridão do mundo, das coisas erradas feitas por políticos, das coisas que o povo pode reclamar e exigir das autoridades, etc, sendo, por tais razões, mais felizes, pois o pouco era suficiente ou muito.  Não tinham as angústias da classe média, nem o sofrimento por não poder alterar muita coisa no mundo.
Teve suas dificuldades, suas angústias, seus sofrimentos, sendo o maior deles, o que, cremos, aniquilou sua vida, o acidente de carro, no qual um louco bêbado bateu seu carro contra o do seu filho mais velho, matando-o, juntamente com sua nora, seu netinho de 3 anos e dois sobrinhos da nora.  A partir de então, sua vida se transformou.
Teve também muitos momentos de alegria, a formatura dos filhos, realização de todas as mães, a vinda dos netos, suas viagens e passeios, pequenas pílulas de alegria que se permitia, entre outras.
Sempre gostava de ir em nossa casa, e visitou-nos em todos os lugares em que moramos: Panambi, Caxias do Sul, Cambé e nossa cidade.  Gostava de um churrasco e cerveja, mas nem precisava dela para ser alegre, sempre o fora.
Vestia-se com esmero, sempre com roupas clássicas, colares, brincos, cabelo arrumado, unhas feitas, um grande capricho consigo mesma, o que sempre causou-me admiração e, junto com sua personalidade forte e persistência na vida em busca de objetivos, serviu-me como um dos modelos de mulher para eu seguir na minha vida.
Tive oportunidade de dizer-lhe que a amava muito, bem antes de ficar doente.  E o fiz novamente quando se encontrava adoentada.
Que Deus amenize suas dores e sofrimentos, e que a tenha recebido em seu colo, curando todas as suas feridas, as visíveis e as invisíveis.
Quando a deixamos em seu lugar definitivo, caiu uma chuva bem forte, molhando-nos até os ossos, lavando nossas e suas tristezas e sofrimentos.  Foi uma mensagem do Pai.
 
 (Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisa0vP3jFSJqajN_EkYPdFZNssKXBYhrQG69N-ggc29E4RkLNwviFs59jcXrhs_laUI2QId56YJfystv8x89AZnuwzNnCu7StxeSlMTWPvCr7y7OTBRaXcMPxhATm_WUDuO9Lo6-7Qs4Im/s1600/pomba_branca_ceu_espirito.jpg&)

domingo, 11 de março de 2012

Nunca estamos suficientemente preparados para a morte.


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"Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.  Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma." Bíblia Sagrada, Mateus, 11-28:29.

     Dia 3 de março perdi meu irmão mais novo; perdi para a morte.  Eu estava achando que estava cansada, sobrecarregada, assim como meus familiares que estávamos, todos, cuidando dele.  Muito mais cansada e sobrecarregada me encontro agora, após seu falecimento.
    Todos sabemos que um dia vamos morrer.  Porém a dor de perder uma pessoa que amamos, e de quem, a vida toda, cuidamos por ser especial, diferente, que enxergava o mundo com olhos que não entendíamos, com uma doença mental que acabou com ele, e estraçalhou os corações de todos nós, não tem forma de medir.
    Creio que a alma de meu irmão finalmente encontrou descanso; passou a vida toda perseguido por fantasmas, alucinações, enxergando coisas que não víamos, num mundo diferente do nosso, no qual tínhamos uma dificuldade imensa de penetrar. Os médicos que sempre o acompanharam e cuidaram, bem como toda minha família, faziam o possível para amenizar isto, através de medicamentos e tratamentos que colocavam sua mente num lugar um pouco mais próximo da média humana.  Foi uma convivência difícil, em seus 50 anos, assinalados dia 1º de março sem seu conhecimento, na cama do hospital. Entretanto, sempre foi cuidado com muito amor por nossos já velhos e cansados pais, que hoje choram sua morte; por nós, seus irmãos, e pelos amados filhos, que não mediram esforços para cuidar do pai até o fim.
     Estamos todos chorando, com nossos corações e almas em luto; mas temos a esperança que Jesus tenha aliviado sua alma, que ela tenha, finalmente encontrado descanso, e seja refrigerada pelo amor do Pai, como diz o Salmo 23.
   (Imagem:https://br.freepik.com/vetores-gratis/fundo-do-dia-da-paz-com-pomba-branca_2860975.htm).