Mostrando postagens com marcador romance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador romance. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

A VIDA NUMA ALDEIA INDÍGENA; CONTOS DE UM GAÚCHO; PROSA E VERSO FEMININOS E UM ROMANCE.

 


Em Joinville conheci uma turma bastante legal: A Confraria dos Escritores.

Embora tenha ido somente a uma reunião, por motivos alheios a minha vontade, considerei a turma muito bacana, acolhedora, incentivadora das pessoas que "gatinham" na escrita, como eu.

E conheci uma pessoa maravilhosa, Marlete Cardoso, que, não por acaso, é a responsável pela organização dos Autores que querem participar da Feira do Livro de Joinville.

Também escritora, e vivenciadora de atividades magníficas junto a aldeias indígenas, é dela o livro "Aldeias Reais", que passo a comentar.

Marlete é Professora e Escritora , e Indigenista desde 2016.

Natural de Itajaí/SC, vive em Joinville.

Faz parte da Pastoral Indigenista da Diocese,  e frequentemente dirige-se às aldeias existentes na região, onde exerce suas atividades.

Em "Aldeias Reais" ela narra a história de um povo guarani. Entre frutas, a família, brincadeiras os meninos vão discutindo algumas ideias.

São relatadas a rotina do povo indígena, atividades escolares das crianças, pensamentos, a cultura dos ancestrais, e todo o trabalho que vem sendo realizado junto a eles.

Apresenta uma excelente capa, e o livro todo com ilustrações de Wanessa Ribeiro.

Excelente livro para conhecimento da realidade do povo  guarani.

Leitura recomendada.

CARDOSO, Marlete. História baseada em aldeias reais.-São Paulo:Paulus, 2023.





OUTRO colega da ALPAS-21, o Confrade Alexandre Meyr, de Canoas/RS,  traz ao conhecimento do público leitor seu livro de contos "Mosaico de Contos".

Nele ficção, realidade, memórias nos distraem, nos alegram, nos fazem rir.

Uma leitura leve, vocabulário cuidadoso, com algumas expressões típicas do sul do Brasil.

Destaque para o conto "Segunda aula de leitura", achei magnífico!

Vale a leitura!

MEYR, Alexandre. Mosaico de contos- Cruz Alta/RS: Ed. Gaya, 2020.





Mais um colega da Academia ALPAS-21 brinda o público com sua obra "Um sonho além da vida".

Nelson Carús, do Alegrete/RS, escreve um romance cheio de emoções, cultura geral, conhecimentos da Medicina e do Direito, além do Magistério, suas áreas de atuação como profissional.

Um romance instigante, cheio de fatos que nos sugerem ter acontecido, com muitas sensações que são transmitidas pelas personagens, e cheio de suspense.

Leitura que recomendo.

CARÚS, Nelson Ribeiro. Um sonho além da vida.- Alegrete/RS. Ed. Gaya, 2023.




Outro livro que trouxe da Feira do Livro de Santa Maria/RS, traz as vozes femininas daquela região.

"A voz das primaveras - Elas por elas" é uma Antologia em prosa e verso escrita só por mulheres, com organização de Denise Reis.

Excelentes textos, inspiração, vocabulário qualificado, trazendo o mundo sob o olhar das mulheres gaúchas.

Alguns destaques:

- Nostalgia, de Christiane Branco A. Barbosa;

- Amor que dói, também de Christiane;

- Fome emocional, também dessa autora;

- Pregnância, de Denise Reis;

- Infância, de Denise;

- Florescência, de Jacira Pedroso;

- Esvoaçar-se ao vento, de Lygia Marques;

- Encontro, de Maria Lucia Mattos;

- A voz das Primaveras, de Sandra Rebelato;

- Lua cheia, de Sílvia M. Buss.

Claro que cada leitor vai ter os textos preferidos conforme seu gosto.

Por tal motivo é que recomenda-se a leitura, e cada um chega às suas próprias conclusões.

A VOZ DAS PRIMAVERAS: antologia, elas por elas. Denise Reis, org. Santa Maria/RS: CAPOSM, 2022.







segunda-feira, 27 de março de 2023

“A CASA DA PAIXÃO”, DE NÉLIDA PIÑON.

 


 



      Nós, os amantes da leitura, conhecemos Nélida Piñon. Conhecemos seu estilo, sua linguagem, sua forma de nos surpreender, de nos inquietar, de sentir que fomos tocados e mexidos pela sua literatura, pela alma da escritora. Impossível não ter algum tipo de reação, sentimento ou emoção ao ler seus livros.

       Há algum tempo mencionei aqui sobre o último livro dela que tinha lido nas férias que culminaram com o início da pandemia do covid-19; publiquei neste blog um comentário, dia 25 de fevereiro de 2020, sobre “Vozes do deserto”.  Ela é simplesmente fantástica, magnífica!

       “A casa da paixão” foi publicado em 1978, e eu o adquiri algum tempo depois; chega estar meio amarelado.  Li-o, e me lembrava que tinha ficado impressionada com a força, a coragem, a linguagem, os relatos, o vocabulário deste romance que descreve a iniciação amorosa e sexual da personagem principal, Marta.  Mas não lembrava da história em si.

       Logo após o falecimento de Nélida, e os comentários acerca de suas obras, evidenciando este livro, procurei-o em minha pequena biblioteca e retomei a sua leitura. Impressionei-me novamente com a coragem de Nélida ao descrever minuciosamente os sentimentos, as sensações, o ardor, o desejo, o fogo, a paixão, e a plenitude de Marta no anseio de conhecer biblicamente seu homem. E a primeira relação sexual.  É fantástico se levarmos em consideração que, em muitas obras literárias em todos os tempos, quem descrevia as emoções e sensações femininas eram escritores, do ponto de vista masculino.  

    Nélida foi uma desbravadora, neste sentido. Tem que ser muito mulher para isto.  Mulher à mais alta potência.

 

PIÑON, NÉLIDA. A casa da paixão, 3ª edição, RJ, Record, 1978, 120p.

 

 

 

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Pandemia, leituras...


                            

 Muito pouco anotei sobre os livros que li antes, durante e depois da pandemia.  Há quem diga que ela ainda não terminou.

Entretanto, já estamos mais calmos, após 4 doses de vacina, que foram disponibilizadas pelo Governo Federal brasileiro.

Tenho notícias de que na Alemanha a grande maioria das pessoas não fez nenhuma dose de vacina.  Não que o governo não tivesse disponibilizado; as pessoas que não quiseram correr o risco de vacinar-se com produtos experimentais.  Li a mesma coisa a respeito do Japão, país que nem tinha começado a vacinação quando já estávamos fazendo a segunda ou terceira dose.  Conclusão: fomos as cobaias do mundo.  E os "cumpanhero" que fizeram campanha para a eleição do Presidente da República que irá nos governar a partir de 2023, condenaram severamente e fizeram muitas críticas ao atual Presidente da República por ter demorado a fornecer vacinas para os brasileiros, em um tempo em que nem cientistas, pesquisadores e médicos sabiam o que fazer com o coronavírus.

Mas não é disto que quero falar ou escrever.

Vou anotar para não esquecer que já li os livros a seguir, os quais também podem servir de sugestão para quem ama a leitura como eu.  Aos livros, pois.

1.Tancredo Neves, o príncipe civil, de Plínio Fraga, 647p.

    Este livro li bem no começo da pandemia.  Lá por março/abril/maio de 2020. 

    "O Tancredo é político capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos", comentário de José Bonifácio, opositor político de Tancredo.

    Sagaz, maneiro, inteligente, um dos melhores políticos brasileiros, sua história é narrada desde o nascimento, os estudos, o casamento, a família, e o seu envolvimento com a política, desde os tempos de Getúlio Vargas até sua morte, em 1985.  Livro magistral que deve fazer parte de sua mesa de cabeceira com o objetivo de entender um pouco mais a nossa História.

2.A Peste, de Albert Camus, 287p.

    Já tinha lido este livro na década de 80, quando lecionava na Escola Poncho Verde, de Panambi.

    O assunto é semelhante à pandemia pela qual nós passamos, e mostra a realidade de tempos soturnos que acabam transformando o comportamento das pessoas diante do desconhecido, como uma peste que surge e vai matando pessoas. É um livro dolorido, como foi a pandemia da Covid-19 para todos nós.  Excelente leitura.

3. Ensaios íntimos e imperfeitos, de Luiz Antonio de Assis Brasil, 130p.

    Neste livro o autor faz várias reflexões sobre a vida e a humanidade, trazendo "perplexidades", os paradoxos, e a multiplicidade da natureza dos homens e mulheres.  Vale a pena a leitura.

4.O marido complacente, do Marquês de Sade, 201p.

    Comprei este livro em maio deste ano, para ler enquanto aguardávamos o nascimento do meu neto.

    Várias historietas e contos deste escritor.

    No prefácio, o tradutor, Paulo Hecker Filho,  já faz o "Convite ao prazer".  E diz: "Nenhum outro escritor foi tão indomável nem tão condenado quanto o Marquês de Sade.

    Como muitos, ele só pensa em sexo, e um sexo, o seu, bem antissocial, a usar, discricionariamente, os parceiros, anulando-os como individualidades (...)"

    Excelente leitura para quem quer conhecer esse famoso escritor francês nascido em Paris em 1740.  Leitura imperdível.

5. Paixão Índia, de Javier Moro, 389p.

    Ganhei este livro de minha amiga e comadre, leitora inveterada, como eu. Presente fantástico!

    Este maravilhoso romance do escritor espanhol narra a história verídica, romanceada, de uma bailarina espanhola que conhece um marajá indiano; ele veio a apaixonar-se por ela, e a levou para casar e viver um romance maravilhoso, até ela descobrir que, em determinado momento, passaria a fazer parte do harém.  História incrível que nos mostra a cultura indiana e a luta de uma mulher pela liberdade. 

6/9. Velhos textos presentes; Eu era assim; Fios invisíveis; Enfim juntos, de Ildo Carbonera, diversas datas.

    Ildo Carbonera, escritor gaúcho natural de Sananduva/RS, foi Professor de Literatura e Teoria Literária, na Unioeste/Foz do Iguaçu/PR e é Mestre e Doutor em Literatura pela UFRGS.  Antes disso, foi meu colega na Escola Estadual Poncho Verde, de Panambi/RS, em aulas de Língua Portuguesa e Literatura para alunos do Ensino Fundamental e Médio.

 Em belas crônicas e inspirados poemas, o autor delineia sua contemporaneidade, seu olhar aguçado e profundo sobre a vida; sobre nós, os seres humanos, o trabalho, a política, a politicalha e o comportamento comezinho de algumas pessoas em instituições públicas, dentre outros assuntos.  Assim como seu olhar, penetrante  e agudo, intimidador, quando visto pessoalmente, são seus textos um corte profundo  na literatura e na vida.  Magníficos!

.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

E o mundo continua girando...

                                                

                                                          Resultado de imagem para carlos ruiz zafón o prisioneiro do céu




        Nos últimos anos minhas férias têm repetido o roteiro.
       Visito meus filhos e suas famílias, mato só um pouquinho da saudade deles e dos netos, estes seres que entraram em nossas vidas para alegrá-las, movimentá-las e nos estimular a nos mantermos vivos.
      Nesse ínterim, exercitei meu vício com bastante frequência, com as leituras mais variadas. Ei-las:

  •          A quadrilogia de Carlos Ruiz Zafón “O cemitério dos livros esquecidos” encheu-me de prazer de ler um bom romance, bem escrito, com linguagem poética de destaque, uma inserção temporal magnífica que percorre os anos que antecederam, durante e sucederam as guerras espanholas e europeias.

       Refere-se a escritores, livreiros, editores, bibliotecas, a vida de quem escreve, de famosos, de políticos,  de familiares e muitas outras pessoas.
As personagens, as paisagens de Barcelona e Madri, Paris e outras cidades europeias, estimularam a minha veia viajante; quero conhecer essas paragens; os acontecimentos lúgubres, macabros até, mas outros de um lirismo ímpar, nos embebem do prazer de ler, de ficar preso ao livro (mesmo pesado), às palavras mágicas e perfeitas, nos lugares certos; os diálogos fantásticos; a imaginação do autor, ligada a um vocabulário esplêndido, descrições criteriosas, desenvolvimento do texto com um envolvimento fantástico.  Obras que valem cada minuto, cada hora, cada segundo dedicado à sua leitura.  Recomendo!
Um pequeno trailer, só para aguçar a vontade da leitura:
“ (O jogo do anjo) Quando saí, fui surpreendido por uma brisa fria e cortante, que varria as ruas com impaciência e fiquei sabendo que o outono tinha entrado em Barcelona na ponta dos pés. (...) A chuva não chegou antes do anoitecer e, quando começou a cair, desmoronou em cortinas de gotas furiosas que em apenas alguns minutos cegaram a noite e afogaram telhados e becos sob um manto negro que batia com força em paredes e vidros. (...)
As palavras e as imagens brotaram de minhas mãos como se estivessem esperando com raiva na prisão da alma. (...)
Lembrei que o velho livreiro sempre tinha dito que os livros tinham alma, a alma de quem os tinha escrito e de quem os tinha lido e sonhado com eles. (...)
(O prisioneiro do céu) Quando Martín declarou em juízo que o único bom costume que defendia era o de ler e que o resto era problema de cada um, o juiz acrescentou mais dez anos à longa pena que já ia receber. (...) Tudo se perdoa nessa vida, menos dizer a verdade.
(O labirinto dos espíritos). Uma caneta não é de ninguém.  É um espírito livre que fica com alguém enquanto precisar dela. (sobre um presente raro e caro recebido pela personagem).

ZAFÓN, Carlos Ruiz. A sombra do vento. Trad. Marcia Ribas.-2ªed.-RJ:Suma de Letras, 2017, 462p.
        Idem. O jogo do Anjo. Trad. Eliana Aguiar.-2ªed.- RJ:Suma de Letras, 2017,    517p.
      Idem. O prisioneiro do céu. Trad. Eliana Aguiar.-1ªed.-RJ:Suma de Letras, 2017, 270p.
         Idem. O labirinto dos espíritos. Trad. Ari Roitman, Paulina Wacht.- 1ªed.- RJ: Suma de Letras, 2017, 679p.
  •          O livro de Fernando Pessoa, “Melhores poemas” aguardava há uns três anos a sua leitura (até considero releitura, uma vez que muitos desses poemas já havia lido em outras obras do autor).  Para mim, ler Pessoa tem que estar com o espírito preparado, não pode haver estresse, preocupações, compromissos, pois Pessoa, escrevendo poemas, é leitura reflexiva, meditativa, profunda, que me leva a um estado de imersão nas palavras que considero muito intenso.

    Nesse livro, há poemas selecionados por Teresa Rita Lopes;  poemas de Fernando Pessoa ele mesmo; de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.
Como apaixonada por sua literatura, amo todos, e viajo em sua imaginação fértil, suas descrições poéticas, que relatam – datadas – sua vivência, suas observações, os países por onde andou, o que fez, sobre o que refletiu. Pessoa...é Pessoa. Nada mais a acrescentar.
     Só para relembrar, uma pequena amostra do heterônimo Alberto Caeiro, n’O guardador de rebanhos:

XLVIII
DA MAIS ALTA janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.”

PESSOA, Fernando. Os melhores poemas de Fernando Pessoa. Seleção de Teresa Rita Lopes.-9ªed.-SP:Global, 1997, 171p.

  •          No retorno da viagem, organizando minha biblioteca (serviço interminável em minha vida, porquanto estou sempre a comprar livros...), encontrei um livrinho do Mário Quintana, que tinha dado a meus filhos quando pequenos.

   Esconderijos do Tempo trouxe-me a leveza desse nosso maravilhoso poeta gaúcho, com sua linguagem quase coloquial, suas palavras acessíveis, suas imagens poéticas deliciosas, seus quase enigmas em poucas palavras. Releitura prazerosa, aconchegante, contentamento incrível. Aconselho!
Destaco, aqui, um pequeno poema que está no imaginário de todos os seus leitores:

ENVELHECER
Antes, todos os caminhos iam,
Hoje, todos os caminhos vêm...
A casa é acolhedora, os livros poucos
E eu mesmo sirvo o chá para os fantasmas...

                   Silêncio. Solidão. Serenidade.

Quero morrer na selva de um país distante...
Quero morrer sozinho como um bicho!
         Adeus, Cidade Maldita!
Que lá vai o teu Poeta.

Adeus para sempre, Amigos...
Vou sepultar-me no céu!

                   E todos esses que aí estão
                   Atravancando meu caminho,
                   Eles passarão...
                   Eu passarinho!”

QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Oficina perna de pau, com financiamentos oficiais para apresentação teatral com direção de Elena Quintana & Marco Fronchetti, sd, 31p.


E... Vida que segue, como diz um comunicador em nossos dias...




terça-feira, 11 de novembro de 2014

Primavera, feira do livro, leituras, vida que vai






Flores plantadas por meu pai; esta é uma das mais doces
lembranças dele.

A primavera chegou trazendo-nos seu imperdível e inolvidável perfume.  Sensações de bem-estar, alegria, contentamento acompanham esta estação. As chuvas vêm junto, e, para os estados do Brasil que enfrentam uma das maiores secas da história, ela é benéfica.  E para todos nós, embora eu não goste de dias nublados, chuvosos e neblinosos.
Aqui na minha cidade, em novembro tem a feira do livro, como já comentei ano passado.  é uma feirinha pequena; mas pudemos fazer a cesta.  Minha filha e eu fomos no sábado à tarde em busca de alegria para nossos olhos e mentes.
Já providenciei os livrinhos que são complemento dos presentes de Natal dos meus netinhos.  Eles aguardam com ansiedade.  Meu neto mais velho puxou à avó: adora ler.  E está muito feliz pois está aprendendo a letra cursiva, na escola.  E adora escrever... puxou, mais uma vez, à avó. 
 Mesmo sem leitores que se manifestem - incrível que vejo pessoas do mundo inteiro que lêem meu blog-, mas nenhum deixa uma mensagem pra mim.
Ei, você aí que me lê, posso dizer oi, e perguntar se gosta do que escrevo e por que me lê?
Curioso: tenho leitores nos EUA, na Alemanha, França, China, Paraguai, Argentina, Portugal e outros países, mas eles nunca me dizem se gostam do que lêem e por que razão o fazem.  São brasileiros fora do Brasil?  Me diga- oi!


LEITURAS QUE ME AGUARDAM

Voltando às minhas leitura, ao par da vida que segue, como diz um jornalista brasileiro, li os seguintes livros:
Um cartão de Paris, crônicas de Rubem Braga, publicado em 1997. Aqui Rubem manteve sua característica de um dos melhores cronistas brasileiros de sua época, escrevendo e descrevendo o Brasil.
E o romance, que achei meio catatônico, não entendi muito bem, Os cadernos de Malte Laurids Brigge, de Rainer Maria Rilke.
Sobre este, considerei uma linguagem muito legal, uma prosa gostosa, grandes achados poéticos, pensamentos que achei 'estalos', a personagem central me pareceu fora do eixo, mas alguns trechos que gostei, citarei:
Sobre o medo: "Isso acontecia porque eu ainda não sabia ter medo".
Vida: " O tempo passou e nos acostumamos a coisas menores."
Um preciosista estava morrendo, e uma enfermeira falou uma palavra errada:
"Então Arvers adiou a morte. Pareceu-lhe necessário esclarecer isso primeiro.  Ele ficou inteiramente lúcido e lhe explicou que se dizia "corredor".  Então morreu.  Era um poeta e detestava a imprecisão; ou talvez lhe importasse somente a verdade; ou lhe incomodava levar como última impressão o fato de o mundo seguir adiante com tanto desleixo."
Leituras: "De algum modo, pressenti naquela época o que mais tarde senti tantas vezes: que não temos o direito de abrir um livro se não nos comprometemos a ler todos. A cada linha tirávamos um pecado do mundo."
Vida: "Deve ter sido numa dessas manhãs, tais como as há em julho; horas novas, descansadas, em que por toda parte acontece alguma coisa alegre e irrefletida.  De milhões de pequenos movimentos irreprimíveis forma-se um mosaico da mais convincente existência; as coisas se agitam, passando umas por dentro das outras e lançando-se na atmosfera, e o seu frescor torna as sombras claras e dá ao sol um brilho leve e espiritual.  Não há no jardim uma coisa principal; tudo está em toda parte e teríamos de estar em tudo para não perder nada."
"A própria vida, porém, é difícil por sua simplicidade.  Ela possui apenas algumas coisas de um tamanho que não é adequado para nós."
"E o mundo é organizado de tal forma que há pessoas que passam a sua vida inteira durante a pausa em que ele, mais silencioso do que tudo que se move, avança como um ponteiro, como a sombra de um ponteiro, como o tempo."
Mulheres, amor: "As mulheres que são amadas vivem mal e em perigo.  Ah, se superassem a si mesmas e se tornassem mulheres que amam!  Em volta das mulheres que amam há apenas certezas."


Vale a pena a leitura!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Novas leituras.


 

 Entremeio às múltiplas atividades domésticas que venho desempenhando, aos cuidados com meus pais (junto com os irmãos, é claro!) e com meus familiares diretos, vou lendo meus livrinhos, que, afinal das contas, também sou filha de Deus e mereço um lazerzinho, além de garantir que meus neurônios não vão se apagar tão cedo (medo do alemão Alzheimer!).
Aqueles que me acompanham conhecem esta minha paixão.
Não vou encher suas paciências, entretanto, fazendo resenhas de todos os livros que li nos últimos tempos, vou apenas mencioná-los rapidamente.

Como detesto os atos e fatos politicamente corretos, li "Guia politicamente incorreto da América Latina", de Leandro Narloch e Duda Teixeira. Já havia lido do Narloch o Guia...do Brasil, conforme comentário feito há algum tempo. Este segue na mesma linha, mostrando-nos a outra versão da história e das diversas personagens ou "vultos históricos" da nossa América; vale a pena pelo desmascaramento.
"Guia politicamente incorreto da Filosofia - ensaio de ironia", de Luiz Felipe Pondé. Vejo-o com frequência, se não me engana minha memória, no Jornal da TV Educativa.  Gosto dele por não ser um filósofo tradicional, (pelo menos os que conheci há alguns anos, eram contra tudo e todos e o mundo estava errado - certos, só eles!) Gostei de sua escrita, linguagem acessível, muita ironia, conhecimento e comentários divertidos. Algumas citações necessárias:
 "Mas a sensibilidade democrática sofre quando se aponta a relação entre culto da igualdade e mediocridade. Essa questão toca fundo na natureza humana, que tende facilmente à inércia, a fim de garantir o cotidiano. Algo na natureza humana ama a mediocridade."
"Muçulmanos são lindos, índios são lindos, a África é linda, canibais são lindos, imigrantes ilegais são lindos, enfim, todos os "outros" são lindos.  Uma das áreas mais amadas pela praga do politicamente correto é a chamada "ética do outro", ou seja, uma obrigação de acharmos que o "outro" é sempre legal. "Outro" aqui significa quase sempre outras culturas ou algo oposto a Igreja, Deus, heterossexual, capitalismo ou arrumar o quarto e lavar o banheiro todo dia".  E por aí vai.
Vale a pena leitura, pois o autor viaja dos socráticos aos pós-modernos, numa linguagem simples, sem ser simplista; mesmo para quem não curte filosofia, vai dar boas risadas de si mesmo e dos outros. Isto também é bom.
Nunca tinha lido o Marquês de Sade, mas sempre tive curiosidade.
Encontrei estes dias no mercado (obrigada, L&PM pocket!), "Os crimes do amor" do Marquês de Sade. Narra, para mim em contos, romances ocorridos em sua época (França, 1740-1814), com a cultura francesa da época, vestimentas, modo de pensar etc.  Pelo tanto que tenho lido de comentários dele, nem me assustei...vou procurar outros livros, para ver se é verdade o que já li de comentários sobre ele.
E para encerrar a dose de hoje, o gaúcho Moacyr Scliar, de quem sou fã de carteirinha, também em livro de bolso um que ele escreveu em 1979, "Os voluntários".  Narra a história de moradores da Rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre, famosa pela prostituição.  Um filho de moradores e lojistas da área tinha a fixação de conhecer Jerusalém, e é em torno deste fato que a história se desenrola.
Scliar todos nós conhecemos, gaúcho do Bonfim, membro da Academia Brasileira de Letras, médico sanitarista, publicado em várias línguas, nunca nos decepciona: um texto limpo, direto, às vezes cômico, às vezes trágico, sempre emocionante. Vale a pena.