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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Um pé lá atrás, outro aqui na frente.

     Precisei viajar por alguns dias, retornei à minha cidade natal pois meu pai completou 84 anos bem vividos, apesar de alguns problemas inerentes à idade.  Fui sozinha, de ônibus, uma vez que meu esposo e minha filha não podiam ir junto devido a seus compromissos.  Foi uma boa oportunidade para verificar como está o transporte coletivo do Brasil, na região sul, bem como verificar como estão as estradas, tendo em vista que o ônibus perfaz um percurso diferente do nosso, que é mais rápido.  Conclusão: por todo o trajeto, repetindo informações de outro post, há buracos, estradas mal conservadas, desperdício, estradas não duplicadas e inseguras, é um risco viajar por nossa região sul, também de ônibus.
     Durante este retorno à casa paterna, à noite, após meus pais se recolherem, encontrei em meio a seus livros um de Machado de Assis que ainda não tinha lido; quando retornei pra minha casa, terminei de ler outro, que tinha começado, os quais relato aqui, meus amados blogtores.


ASSIS, Machado de. Iaiá Garcia. Ed. Edigraf. SP:sd, 190 páginas.
     Sabemos que Machado de Assis é o maior escritor brasileiro, e viveu no período entre o fim do século XIX e começo do XX.
     Este livro  relata o romance de costumes do Rio de Janeiro desse período, quando ainda havia dote para uma moça que casasse;  ainda se andava de carruagens, charretes, entre outros meios de transporte.  Narra a história da moça, Iaiá, que cresce sem a mãe, que morreu; seu pai, viúvo, casa com a moça, que é a paixão de Jorge, um jovem militar que lutou na Guerra do Paraguai, para esquecer a paixão.  Um triângulo amoroso, que desemboca no casamento de Iaiá com Jorge, muitos anos depois, após muitas peripécias.  Ótimo para conhecer a época, os costumes, a educação, os acontecimentos deste período, inclusive os acontecimentos políticos. Excelente, como tudo que Machado fez.
     O outro livro comentarei outro dia.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Viajando pela Região Sul do Brasil: o desperdício salta aos olhos.

     Estive ausente desde o dia 12 de julho; era o início das férias de inverno de minha filha.  Entretanto, não só por ela estar em férias "descemos" para o Rio Grande do Sul: meu pai, de 83 anos, havia caído, em casa, em virtude de uma tontura, quebrado duas vértebras e estava no hospital.  Ansiosa e temerosa, arrumei apressadamente as malas e nos tocamos, na tarde mesmo do dia 12, rumo ao 'sul maravilha', como eu chamo.

      Porém, nossa viagem, que em sua parte inicial deveria durar de 3 a 4 horas,  durou 5 e meia, mais ou menos.  E todos nós, brasileiros, sabemos os motivos, que saltam aos nossos olhos, e nos agridem no noticiário televisivo/escrito: a buraqueira nas estradas.  São panelas, frigideiras, panelões, quando não banheiras, os buracos nas estradas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.  Para chegarmos ao nosso destino, andamos, normalmente, em torno de 1500km.
  Por causa dos buracos, encontramos três acidentes neste trajeto de ida, mais duas batidas leves: dois carros de passeio, não digo de pernas pra cima, mas de rodas pra cima; um caminhão idem, e dois carros de passeio batidos.  A gente vai desviando dos buracos, saindo de uns e caindo em outros; às vezes, somente na pista contrária não há buracos, e o risco é muito maior.
     Bem a propósito, está acontecendo nos altos escalões de Brasília, o escândalo do DNIT - Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes. A roubalheira é grande, e não só nos altos escalões.  Por isto não sobra dinheiro para fazer estradas decentes com os impostos que nós pagamos, nem para repará-las adequadamente quando prejudicadas pela chuva e pelo movimento intenso e incessante de caminhões de carga, outro erro das políticas brasileiras no último século.
     O incentivo à indústria de caminhões, a construção de estradas em quantidade insuficiente para o escoamento de safras e de todo tipo de produto industrializado, a não utilização do transporte ferroviário e aquático, num país cheio de rios e de dimensões continentais, é uma burrice deslavada que vem desde o século XX.  Sabe-se que as estradas de ferro existentes no país - se estiver errada, me corrijam, e me indiquem a verdade - foram construídas ainda no tempo do Império; posteriormente, foram desativadas e sucateadas.  Acabaram com o transporte ferroviário de passageiros, e pouca carga é transportada por este meio, e pelo que se sabe,  por empresas privadas. Este meio de transporte aliviaria as estradas, tirando os caminhões das mesmas, estes que são os maiores causadores de acidentes por estas vias de locomoção.  E por que não utilizar os meios aquáticos?  Tanto rio no Brasil, o incentivo deste meio de transporte também tiraria das estradas os caminhões; daí dirão: os caminhoneiros ficarão desempregados.  Não, pois os outros meios de transporte exigirão esta mão de obra especializada, em uma forma mais segura de transporte.
     Além dos buracos, atrasa a viagem de quem precisa se locomover por este Brasilzão, os consertadores de estradas, os tais pare/siga: assim como estão tapando os buracos, já estão liberando as pistas, não dando tempo do asfalto secar; além de não durar o conserto, há desperídico de material, e de grudar na pintura do carro, o que a estraga.  Perdemos por todos os lados possíveis: refazer eternamente o conserto das estradas, malfeitos; pagar eternamente pelo material utilizado, que não dura pois não conserva a estrada, e a pintura do veículo.  Ando cansada de pagar tanto imposto e não receber a devida contrapartida.  Quando teremos um governo decente, com funcionários honestos e serviços condizentes com a carga tributária que pagamos?

  
E ainda pensam em Copa do mundo; se nem o feijão-com-arroz não conseguem fazer, que dirá algo de tamanho porte?  Tenho vergonha do Brasil!