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domingo, 12 de março de 2023

SÍNDROME DO NINHO VAZIO III






É certo que os filhos, um dia, vão sair de casa.

Quando os recebemos das mãos da obstetra, passados pelas mãos do pediatra, na hora do nascimento, já sabemos disto.

Já comentei sobre este assunto   quando meus filhos mais velhos saíram de casa.  Hoje é a caçula que alça voo rumo ao futuro.

Entretanto, passamos por todas as etapas do desenvolvimento de um filho evitando de pensar neste dia, uma vez que sabemos ser uma ocasião em que nossos sentimentos ficam ambíguos, embaralhados, desarrumados: temos certeza que será maravilhoso este levantamento de voo, temos plena confiança que demos a melhor educação, passamos nossos valores, nossas crenças, nosso entusiasmo, fizemos tudo que foi possível para que nossos filhos tenham uma vida plena. Mas temos o receio que os males do mundo possam vir a prejudicá-los, que o que demos não tenha sido suficiente, que o mundo está mudando muito rapidamente e será que terão condições de acompanhar?

Sobra a nós, pais, confiar na educação, amor, carinho, senso de responsabilidade, alegria de viver, plenitude, tudo o que ensinamos, a par do aprendizado cognitivo nas escolas formais e universidades.

Resta, também, confiar em seu juízo, discernimento, esforço e criatividade.

E...orar, pois só Deus pode mostrar os melhores caminhos a serem percorridos pelos filhos.

Ah, e repetir, ad aeternum, com bom humor: não esqueça do casaco e do guarda-chuva.



(Acesse o outro texto sobre o mesmo assunto, embora diferente: https://athenasminerva.blogspot.com/2011/06/nao-esqueca-do-casaco-e-do-guarda-chuva.html )  

















domingo, 27 de novembro de 2022

ANGÚSTIA

                                                                    Foto da autora.
 


 

 

        Noite dessas eu sonhei com ele.

        Vínhamos de mãos dadas, meu amor e eu.

        Estávamos alegres, felizes, entusiasmados.

    Chegamos à beira de um rio.  Fiquei com receio de atravessar, mas ele estava tranquilo.

        Não era um barco o que nos transportava.

        Era uma coisa comprida na qual a gente se agarrava com as mãos, em umas alças, e impulsionava com os pés.

        Tinha bastante gente fazendo o mesmo.  Eu não conhecia ninguém, nem ele.

        Não foi difícil a travessia, ao contrário, foi muito fácil e rápido.

     Fomos rindo e conversando, percebia-se a leveza de nosso estado de espírito, a tranquilidade e segurança. Confiança.

        Ao chegar no outro lado, o povo dispersou.

       Eu fiquei sozinha.  Mas sabia que ele estava por perto, estava segura disso.

        O dia foi passando, já chegava o anoitecer.

        Eu carregava uma sacola meio esfarrapada, e dela caíam as coisas que eu carregava.

        Perguntei por ele.  Estava apreensiva.  E ele não vinha.

        De repente, surgiu uma mulher, de quem eu não via o rosto, que me disse:

        _ Põe este vestido vermelho, põe tuas coisas nesta outra sacola e vamos. Vou te ajudar a chegar ao rio para voltares.

        Eu procurava por ele.

        As coisas caíam da sacola.

        Escureceu.

        Eu não via nada.  Caminhava no escuro.

        A mulher segurava minha mão e tentava me tranquilizar.

        Seguimos caminhando no escuro, eu ansiosa e com medo, procurava por ele e dizia:

        _ Como que ele foi na minha frente e não me esperou?  Deixou-me aqui, sozinha? Ele não podia fazer isto comigo...!

        Continuamos caminhando, a mulher e eu.  Sei que era uma mulher pela voz, e estava com um vestido longo, não sei a cor.

        Quando fomos chegando perto do rio, vi uma pequena claridade, e o ruído das águas e das  pessoas conversando.

        A mulher sumiu.

        Atravessei o rio?

 

 

Lorení.

Sonho em 8/8/2021.