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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

AMAR DESARRUMA.





Chove lá fora!...

Na penumbra do dia

Retornas com presença insistente:

- posso largar a mochila?

...


Um vento forte

Bate de lado

Sacode os cabelos

Borra o batom

Revira os lençóis

Bagunça o lugar...

E a vida!

Amar desarruma!





2024, Joinville/SC


Imagem: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2022/08/10/escolas-do-litoral-do-parana-suspendem-aula-por-causa-de-chuva-e-ventos-fortes-video.ghtml  

sábado, 24 de junho de 2023

INVERNO

 

Praça Getúlio Vargas - imagem da autora.


 

As folhas avermelhadas já caíram, todas.

Estão nus os galhos das árvores, esticados, eretos rumo ao céu,

Como a lamentar a ausência do sol.

O resto de calor que ainda resistia, foi sendo empurrado pelo vento minuano... para onde?

Chegaram os dias nublados.

As nuvens lastimam a entrada do frio, derramando-se sobre as cidades.

A neblina manifesta-se de manhãzinha, tirando de nós, humanos, a visão da aurora bela.

Acendem-se as lareiras, os fogões à lenha, os aquecedores, os aparelhos de ar condicionado.

Acendem-se os corações, com a proximidade,

O aconchego e a busca de calor para aquecer os corpos enregelados.

Saltam, sorridentes, do fundo das gavetas,

Toucas coloridas, luvas, cachecóis, botas, meiões, cobertores, edredons, mantas.

O quentão e o vinho,

O café e o chá,  quentinhos,  ajudam a enviar o frio para fora de nossos lares.

A sopa asperge seu aroma delicioso por todo o ambiente,

Antevendo o prazer do alimento que,

Além de nutrir, aquece os corpos e as almas.

Nos dias de ventania, chuva renitente, trovões e temporais,

O lar é a nossa caverna, o nosso refúgio,

Onde nos sentimos seguros,

Onde guardamos nossos amores, protegendo-os.

Onde vivemos nosso tempo de recolhimento, de meditação,

De busca do eu-interior.

O  inverno é introspectivo.

Viramos eremitas.

 

 

Lorení

Palmeira das Missões, 21/6/23.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Janelas II - fundo de gaveta 2

   




Embora eu tenha batido esta foto nas férias deste ano, vejo que meus temas são recorrentes.
  Continuando minha faxina, encontrei um poema que fiz em dezembro de 1990, provavelmente na praia, pelo assunto.  Dividindo:

Janelas II

Daqui onde estou agora
Vejo prédios, casas
em cujos telhados
observo a ação da maresia.
Lá, mais longe,
dois prédios gêmeos de estrutura,
mas de cores diferentes.

Por detrás de tudo isto,
o mar.

O mar dos verdadeiros tubarões,
em seu hábitat perfeito;
o mar que sorveu tantas vidas;
o mar que alegra as crianças
que querem surfar...

O mar que bate
para todo o sempre
suas águas na areia
que, de quente, fica gelada.

O mar com murmúrios de amor,
do vento renitente,
a bater, a bater, a bater...

O mar, que,com seu sal
mais o sol
bronzeia os corpos
de todos os feitios.