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domingo, 21 de maio de 2017

Momento delicado, povo brasileiro assustado.







Talvez as pessoas de  outros países que me lêem, não entendam o porquê de andarmos assustados. Resumindo, sobre política, pois esta afeta a vida de todos nós, povo brasileiro, principalmente aqueles que trabalham, são honestos, honrados, e se sentem prejudicados pelos políticos que nos governam:

1. 2014 - Campanha política para eleição do Presidente da República; ficaram para segundo turno Dilma Roussef e Aécio Neves. Comentei sobre isto aqui.
Foi eleita Dilma Roussef, por uma pequena margem de diferença.
Logo em seguida, seu opositor entrou na Justiça, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando abuso de poder econômico e poder político, uso da máquina administrativa durante a campanha. O processo está em fase de julgamento.
2. 2015 - Dilma assume seu segundo mandato, e começou a remexer em tudo - economia, educação, direitos trabalhistas e previdenciários, bolsa-família e outros tantos "benefícios" e/ou direitos das pessoas consideradas povo, baixa renda, trabalhadores.  Tudo aquilo que ela mesma, durante a campanha, tinha dito que o opositor ia fazer; mas ela falava que ele ia fazer, pois sabia o resultado de seu mau governo de 2010/2014.  Tudo que, eventualmente, havia sido construído antes, ela foi estragando e derrubando, DESTRUINDO,  um atrás do outro. Uma derrocada. 
Iniciam-se os  encaminhamentos para o processo de impeachment.
3. 2016 - a economia agoniza, inflação e dólar em alta, desemprego, bagunça na política, uns podres acusando outros de podres,  E O POVO TRABALHANDO E SUSTENTANDO TODOS ELES.
Em 31 de agosto de 2016 Dilma Roussef é "apeada" do poder, como dizia minha avó. O processo de impeachment é concluído, OBEDECENDO RIGOROSAMENTE O QUE É DETERMINADO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, e o Vice Presidente, Michel Temer, assume a Presidência da República.
4.  A Lava Jato. Desde março de 2014 se desenrola no país a Operação Lava Jato, promovida pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, juntamente com a Justiça Federal de primeira e segundo instância, com Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. Muitos políticos e megaempresários foram presos. Muitos já foram condenados, muitos têm seus processos em curso nas várias instâncias judiciais e outros estão a caminho.
Sobressaem o trabalho, principalmente, do Juiz Sérgio Moro, a quem cabe os processos em primeira instância, por ser um juiz prevento - aquele a quem os processos são encaminhados, quando não há foro especial em razão da função (foro privilegiado)-, ou seja, o juiz que trata desses processos por ser o que primeiro tratou sobre o assunto, conforme determina a legislação. Mais informações sobre a Lava Jato aqui.
Igualmente do Ministério Público e da Polícia Federal, num trabalho conjunto.
5. 2017 -  Continua a bagunça na política. Continua inflação em alta, desemprego em alta, povo sofrendo e economizando o que não tem.
Políticos e mais políticos, empresários de grande porte são presos, conduzidos para depoimentos; denúncias, escândalos, o povo cada vez mais estupefato, e sem entender como foi movimentado tanto dinheiro, sem que os Tribunais de Contas, a Receita Federal e outros órgãos de controle não viram nada.
E O POVO TRABALHANDO, E SUSTENTANDO TODOS ELES, E SEM CONSEGUIR ENTENDER.
AGORA, POR ESTES DIAS, mais um tsunami político vem atingir em cheio o Presidente em exercício, Michel Temer. Ele, que sempre quis separar sua eleição como vice da chapa Dilma, é denunciado por um megaempresário que, sarcasticamente, aproveitando-se da possibilidade da 'delação premiada', mostra que ele não é o santinho que dizia ser, que rolou muito dinheiro de caixa 2 na sua campanha, e que tentou obstruir a justiça, frear a Lava Jato, para não ser atingido.
NOSSOS IMPOSTOS, PAGOS COM O SUOR DE NOSSO TRABALHO, foram parar nas mãos dos politiqueiros, dos empresários safados; enquanto isto, os adeptos da linha esquerdista nervosa brasileira, lado do Lula/Dilma continuam defendendo seus políticos, como se não tivessem se beneficiado da ladroeira toda; e o outro lado, que alguns consideram a direita, mas que eu considero a esquerda mansa, vêem, com olhos esbugalhados, parecendo aquela personagem do famoso quadro "O grito", que seus políticos, à frente Aécio Neves, também não são santos.  E brigam entre si, ofendem-se mutuamente, ao invés de perceber que TODOS FORAM MANIPULADOS POR TODOS OS LADOS POLÍTICOS, DA EXTREMA ESQUERDA RAIVOSA, À EXTREMA DIREITA MANSA.

Resultado de imagem
"O Grito", de Edvard Munch


O QUE FAZER

Já disse que sou conservadora. 
Como mencionei no post sobre as eleições, que escrevi em 2014, não acredito em políticos há tempos.
Mas também não gosto quando pessoas, de qualquer nível intelectual, dizem que o brasileiro não sabe votar.  Como? Hã? Não sabe votar por quê?
No Brasil o voto é obrigatório; caso não votemos, sofremos várias sanções, e temos que nos justificar.
Os partidos políticos formados depois da ditadura militar, e depois da Constituição Federal de 1988, são os que para nós se apresentam: desde os antigos PMDB, PSDB, PC do B, e vários outros, grandes ou nanicos. Os políticos que se apresentam, são sempre os mesmos, que estão na política, senão eles diretamente, membros de sua família, há mais de 50 anos.  Se os políticos que se apresentam são esses, como alguém dizer que não sabemos votar?  Que diferença faria votar em Dilma ou Aécio, nessa última eleição?  Todos compraram votos, pediram favores, se venderam, e nos venderam?
Alguém sabe me dizer O QUE É "SABER VOTAR"?

1. Na minha modesta opinião, de trabalhadora aposentada, de quem paga todos os seus impostos, cuida de sua família, trabalhou com educação em escolas públicas, veio de família humilde, formou-se trabalhando e estudando, sustentando seus próprios estudos, creio que uma das soluções, que pode parecer simplista, seria não existir a possibilidade de reeleição. Não existir carreira política.  A pessoa se elege para um mandato, executa seu mandato e acabou, dá oportunidade para outras pessoas exercerem a função, não se perpetuando no poder, e não tendo oportunidade de fazer falcatruas. Rodízio.
2. As campanhas políticas devem ser sustentadas pelo próprio candidato.  Não tem dinheiro? Não se candidata.  Isto diminuiria esses escândalos de patrocínio de campanha.  Voltem no tempo, usem o rádio; tem meio mais barato que a internet?  Hoje está tudo tão rápido...E o corpo a corpo, o palanque, o discurso...sempre vai ter quem ouça e acredite...
3. Aceito outras sugestões.  Quem souber mais (não sou filósofa, cientista política ou outra especialidade - apenas uma voz popular), sugira nos comentários.

Concluo dizendo que Aristóteles tinha razão. Um mandato não deve passar de um ano.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Educação, filosofia, cursos universitários, esquerda, direita, conservador.






Introdução.

Chega um momento da vida da gente em que não é possível se omitir.  A pessoa simples, do povo, pode passar sua vida sem conhecer a literatura brasileira ou mundial; sem conhecer os clássicos, sem ter alta cultura e viver bem.  Suas convicções são poucas, simples e definidas.  Não há interrogações, dúvidas, angústias, ansiedades que só quem lê, procura a Verdade, o que é bom para si e, consequentemente, creia ser bom para toda a humanidade, tem.
Como já dito em outro post, lá no comecinho deste blog, quando criança eu queria ler todos os livros do mundo.  Minha necessidade de conhecimento era tamanha, que minha ingenuidade infantil me permitia este pensamento.
Quando fui para o primeiro ano escolar, alfabetizada em dois meses, começou a minha alegria e, paradoxalmente, a minha angústia.
Como não tinha quem orientasse minhas leituras, fui lendo a esmo.  Ao ler todos os livros da biblioteca da escola em pouco tempo (e não eram muitos, diga-se de passagem), fui conduzida - maravilha das maravilhas - à biblioteca pública municipal pelas mãos do meu pai. Lá, havia uns dois ou três armários, com a "biblioteca para as moças", os quais fui lendo, um a um, até chegar seu final.  Aí comecei a saber, paralelamente aos estudos escolares, que existia uma literatura em outros países.  Conheci alguns escritores ingleses, franceses, alemães, americanos, e assim por diante.
Quando frequentava o ensino técnico (depois segundo grau, hoje ensino médio brasileiro), à medida que nosso professor ia comentando sobre a formação da literatura brasileira - que ia cair no vestibular -, fui lendo-os, concomitantemente às aulas. Nesta época conheci Jorge Amado, Érico Veríssimo, os demais famosos das diversas escolas literárias brasileiras, desde o barroco até o modernismo, 1922.  Tanto que, um dia, em uma aula de história, enquanto o professor falava na frente, eu tinha um livro embaixo da classe;  me empurrava um pouco para trás, e lia; o professor veio, repentinamente, e me perguntou sobre o que ele estava falando.  Claro que eu não soube explicar, e ele mandou-me guardar o livro, para ler depois.  Até hoje tenho dificuldades em história e algumas outras áreas do conhecimento, em virtude deste "vício".
Ao cursar a primeira faculdade, Curso de Letras, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ijuí, que depois passou a chamar-se FIDENE, e hoje é UNIJUÍ, ocorreu algo que afetou minha vida de leitora para sempre. Descubro-o agora, em 2015.
No primeiro semestre do curso tivemos aquelas disciplinas generalistas, que tem em qualquer curso: filosofia, sociologia, antropologia, pesquisa bibliográfica e, como era nos anos 70, se não me engano, organização social e política do Brasil. 1973.
No primeiro dia de aula de filosofia, professor Dinarte Belatto, o Dino (um hippie que se vestia de bata, pantalonas, sandálias, bolsa a tiracolo, cabelão, barba e óculos escuros), fez um risco bem no meio do quadro e nos disse:
- À esquerda deste traço, está tudo o que vocês leram, estudaram, ouviram de seus pais, dos padres, dos pastores, das pessoas da comunidade. Passem uma borracha encima e esqueçam.  Seu pensamento agora está limpo, livre para aprender o que realmente interessa e vale, o saber científico. 
O primeiro autor de quem falou foi Antonio Gramsci. Vieram depois Lenin, Marx, Engel, Trotski, Vigotski, Pavlov, Freud, etc, etc, etc.
Segundo este professor, deveríamos esquecer a religião, a família, os valores sociais e morais que tínhamos ouvido falar até ali.  O que valia, a VERDADE era o que ele pregava em sala de aula.
E não foi só em filosofia: todas as disciplinas seguiam as cartilhas da esquerda comunista mundial.
Como sobreviver?  Como não ser reprovada nas disciplinas, se não tivesse assimilado, introjetado todos os ensinamentos? 
Mas o camaleão muda de cor conforme as necessidades. No Brasil das ditaduras - a militar e a comunista, dentro da faculdade- ou você dá os seus pulinhos, ou não sobrevive.
Meus professores da época da ditadura militar, e início da ditadura de esquerda, me ensinaram a dançar conforme a música, a escrever a resposta que o professor queria ler, a responder conforme o texto.  Ou eu não seria uma professora de português e literatura brasileira.
Não deixei de frequentar minha religião e ter minha fé.  Não coloquei de lado, pessoalmente, os valores que minha família me ensinou.  Balancei quanto a posições políticas, sim.  Nosso país, infelizmente, tem muitas incongruências, e muitas dúvidas ficam em nossa cabeça. Vacilei entre a direita - que meu pai e minha mãe sempre defenderam - e a esquerda, induzida e tentativa de fazer "lavagem cerebral" pelos professores.  Um dia uma amiga esquerdista me posicionou: vocês está encima do muro, é do psdb.  Não sou, o psdb é a esquerda mansa, e o pt é a esquerda revolucionária e raivosa xiita.  No Brasil que tirou a ditadura militar do poder, e uma possível direita, não existe oposição política.  Quem for conservador, não tem onde segurar-se. E eu não tenho nenhuma obrigação de ser filiada, aficcionada ou adepta de qualquer partido político.

Por que digo isto.

Acabei de ler um livro que mexeu com meu orgulho de devoradora de livros.  Mexeu com meus brios.
Descobri - e ainda falta comprovar se é verdade, terei que aprofundar minhas leituras, não acredito em amor à primeira vista - que a esquerda raivosa xiita que prevalece EM TODAS AS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS, a INTELIGENTZIA, a nata da nata da intelectualidade brasileira, sempre omitiu dos alunos a alusão a autores que não rezassem pelas suas cartilhas.  Não deram aos seus alunos o poder se decidir para que lado ir, ter o livre arbítrio, mesclar suas vidas, seus anseios, seu meio social, sua cultura, religião e valores com o conhecimento de outros autores que não os da esquerda mundial.  É como se não existissem.  Quando não se sabe de sua existência, não se lê, e, tendo só um lado dos fatos da vida, da história, da cultura e do conhecimento, não se pode decidir com tranquilidade, razão e consciência de que lado eu quero ficar.  Só existe um lado.
Conheci, agora pela mão do meu filho, jornalista por formação, um autor, um pensador de direita, um conservador, que - pasmem! - existe e escreve há muitos anos.  Era professor universitário.  Mas a grande mídia, as editoras, as universidades, nunca mencionaram seu nome.  Tenho 60 anos, fiz três graduações e um curso de pós-graduação, em duas faculdades diferentes, uma do Rio Grande do Sul, e outra do Paraná, e NUNCA, nenhum professor mencionou seu nome.

OLAVO DE CARVALHO, ex-esquerdista que acordou e viu que a coisa não vai bem quando existe só um lado da moeda, está abrindo meus olhos.  E um pouco do que escrevi, CORAJOSAMENTE, acima, e no título deste post, embora já tenha percebido anteriormente  muito do que ele diz, mas não tenha encontrado eco, foi através do seu livro "o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", Editora Record (parabéns pela ousadia!), 2014, 613 páginas. Páginas esta que li em menos de um mês (demorei muito? leio com calma, sublinhando, e tenho outras atividades).
Só para ter uma idéia, um excerto sobre o que ele fala a respeito do conhecimento,  da busca da verdade, do povo brasileiro, da (in)cultura brasileira:
"Desejo de conhecer. (p.37):
"É natural no ser humano o desejo de conhecer." Quando li pela primeira vez esta sentença inicial da Metafísica de Aristóteles, mais de quarenta anos atrás, ela me pareceu um grosso exagero.  Afinal, por toda parte onde olhasse - na escola, em família, nas ruas, em clubes ou igrejas - eu me via cercado de pessoas que não queriam conhecer coisíssima alguma, que estavam perfeitamente satisfeitas com suas idéias toscas sobre todos os assuntos, e que julgavam um acinte a mera sugestão de que se soubessem um pouco mais a respeito suas opiniões seriam melhores.
Precisei viajar um bocado pelo mundo para me dar conta de que Aristóteles se referia à natureza humana em geral e não à cabeça dos brasileiros.  De fato, o traço mais conspícuo da mente dos nossos compatriotas era o desprezo soberano pelo conhecimento, acompanhado de um neurótico temor reverencial aos seus símbolos exteriores: diplomas, cargos, espaço na mídia.(...) Até mesmo professores universitários, uma raça que no Brasil é imune a tentações cognitivas, mostravam querer aprender alguma coisa.
Aristóteles tinha razão: o desejo de conhecer é inato.  O Brasil é que havia falhado em desenvolver nos seus filhos a consciência da natureza humana, preferindo substituí-la por um arremedo grotesco de sabedoria infusa."
"O poder de conhecer. (p.38 e seguintes):
"Experimentai de tudo, e ficai com o que é bom", aconselha o apóstolo. (...) "Veritas filia temporis", dizia São Tomás de Aquino: a verdade é filha do tempo. (...) O aprendizado é impossível sem o direito de errar e sem uma longa tolerância para com o estado de dúvida. (...) Infelizmente, a classe intelectual está repleta de indivíduos que não conhecem, da inteligência, senão seu aparato de meios - a lógica, a memória, os sentimentos (...) mas não têm a menor idéia do que seja a inteligência enquanto tal, a inteligência enquanto poder de conhecer o real."
"Somente aquele que é senhor de si é livre (...)"
"Nossa ciência social, atada com cabresto marxista e cega às realidades psicológicas mais óbvias da nossa vida diária, jamais se deu conta da imensa tragédia vocacional brasileira, que condena milhões de pessoas a viver como animaizinhos, entre a dor inevitável e o prazer impossível."
"Com relação ao segundo ponto, isto é, à situação atual da cultura brasileira, o que é preciso enfatizar é o seguinte:
1) Em quinhentos anos de existência, a cultura deste país não deu ao mundo um único registro de experiência cognitiva originária. (...) Toda nossa "produção cultural" consiste apenas de prolongamentos e ecos de registros absorvidos de culturas estrangeiras. (...) toda a história da nossa cultura é a do eco de um eco, da sombra de uma sombra. Todos sabemos disso e temos vergonha disso. (...)
3) Considerando-se nossos cinco séculos de história, a extensão física e o volume populacional deste país, a nulidade da nossa contribuição espiritual chega a ser um fenômeno espantoso, sem paralelo na história do mundo."
"Língua, religião e alta cultura são os únicos componentes de uma nação que podem sobreviver quando ela chega ao término da sua duração histórica."
"A origem da burrice nacional. (p.67 e seguintes):
"Repetidamente um fenômeno tem chamado a atenção de professores estrangeiros que vêm lecionar no Brasil: por que nossas crianças estão entre as mais inteligentes do mundo e nossos universitários entre os mais burros?  Como é possível que um ser humano dotado se transforme, decorridos quinze anos, num oligofrênico incapaz de montar uma frase com sujeito e verbo?"

Voltarei a comentar o livro.  Ele é extenso, profundo, provocativo, esclarecedor, insinuante.  Falarei do genocídio cultural.  Me aguardem.
Meu irmão, duvido que tenhas coragem de lê-lo, embora me tenhas pedido emprestado.  Também duvido que minha prima e minha afilhada tenham coragem de fazê-lo.  É muito perigoso.





domingo, 30 de outubro de 2011

Não me ponham rótulos!

     Este título está há tempos me aguardando em "editar postagens".  Estava esperando para que todas as idéias estivessem congruentes.  Desisti.  Sou mesmo uma incongruência ambulante.
     Enquanto aguardo o final dos jogos pan-americanos para colocar a tabela final - pelo que soube Cuba nos passou, estamos em 3º lugar - vou maquinando meus pensamentos.  Enquanto dirijo, faço atividades rotineiras, faço pilates, escuto música, leio, meus pensamentos montam textos inteiros; discuto com noticiários televisivos e radiofônicos, com notícias de jornais, manchetes de revistas, artigos desta ou daquela revista, escrito por tal e qual pessoa.  Mas não é este o ponto, já estou tergiversando...
     "Ai como sua filha é magrinha, ela não come? tão miudinha...", ouvi a vida inteira na infância, por ser magra demais, quase esquelética! e os apelidos dos meus irmãos: lingüiça (naquele tempo era com trema...), saracura... alta e com pernas finas... Minha mãe comentava que as pessoas de pernas finas eram mais trabalhadeiras do que as de canelas grossas; coisas de antanho.  Creio ser uma verdade, pelo menos pelo que me toca.
     Pelos cabelos crespos, na escola, me chamavam de bombril, esta já contei.  Se não gostava do que falei no parágrafo anterior, muito menos deste; cabelo a gente não escolhe, é que nem família; mas da minha eu gosto, não trocaria por nenhuma outra. 
     Nasci e fui educada em uma família evangélica, protestante, os Metodistas. Para quem desconhece, o Metodismo nasceu na Inglaterra, uma das religiões protestantes derivadas da Igreja Católica.  Por ser evangélica, grudado na testa crente. Ora, nada mais de demonstração de ignorância do que chamar os evangélicos de crente; quem são os crentes?  Em princípio, os que crêem em alguma coisa, logo, se os católicos também crêem em Deus, também são crentes; mas pronunciam num tom pejorativo, como se minha religião fosse menor do que as outras, ou menos verdadeira. Ou todas possuem a mesma verdade, ou nenhuma o é, pois as religiões foram criadas pelos homens; o que foi criado por Jesus, no caso o cristianismo, foi o próprio cristianismo.
     Quando estudava na escola de elite de minha cidade, com bolsa de estudos, pobre. "Ah, não pode ir à excursão pois é pobre; não pode fazer vestido longo para formatura pois é pobre; olha o sapato que a criatura comprou, credo!  e a calça, então...ah, tu não vais debutar? eu vou...(naquele tempo havia o baile de debutantes na cidade, o maior acontecimento social do ano);  não pode isto, não pode aquilo..." Este é um dos que dói muito, muito mesmo, por quem passa por tais humilhações feitas por colegas melhor colocados no mundo e sem um pingo de educação e respeito pelos outros. Mostra o que é valorizado, o que é importante para aqueles que consideram que "têm berço". Mas berço todos nós temos, ninguém nasce e vai dormir no chão!
     Quando morava num bairro de minha cidade, suburbana.  Só era bom quem morava no centro, coisas piegas de pessoas com pensamentos pequenos.  Eu morava no bairro, sim; mas era um lugar lindo, com a horta que meu pai plantava; as uvas que ele cuidava com muito carinho, e que cada cacho pesava, com certeza, mais de 1kg - tinha da preta e da branca.  Minha mãe criava galinhas, comíamos ovo quente todo dia antes do café da manhã, gemada, e a mãe fazia pães, cucas e bolos maravilhosos. Na escola estadual em que estudei, me destaquei sempre em primeiro lugar na classificação da turma - naquele tempo não era pecado, ainda, dar menções honrosas e classificar os alunos pelo aproveitamento escolar; ao contrário, era um estímulo para estudar cada vez mais.  E quando fui para a escola de elite, estava sempre entre o 1º e o 4º lugar, entre 30 a 40 alunos; só tinha 2 meninos com os quais eu brigava na classificação, e nenhuma outra menina me alcançava, muito menos as que só viviam pensando  nos vestidos de festa e bailes de gala.  Só peguei 1 exame na primeira série, como disse, desenho...nas demais, passei sempre por média, o que não era fácil.
     Quando cheguei à faculdade, e como não concordava com tudo que queriam me enfiar goela abaixo, era pequena burguesa, de direita, reacionária...nem eu sabia o que era isto.  Vamos lá: pequena burguesa me incomodava muito, por meus colegas petistas, já naquela época de 73 em diante, que se consideravam comunistas ou de esquerda, acharem que eu era do lado da ditadura.  Não era; nunca tive ligação nenhuma com ninguém da polícia ou dos militares ou com qualquer partido político, nem de direita, nem de esquerda nem de centro.  Mas eles demonstravam ignorância: na origem, conta-nos a História, e também o "Aurélio", burguês era quem morava nos burgos europeus, na idade média; e burgos eram pequenas cidades e aldeias; então, como eu morava em uma cidade pequena, e meus colegas também, também eles eram burgueses...mas sabemos que não é este o significado dado.  O burguês que falam em tom de deboche é o que teve ascensão social e tinha dinheiro; agora, pequeno burguês, como ofensa...eu trabalhava para me sustentar, como muitos deles; meu pai sempre trabalhou também; meus irmãos...minha mãe sempre cuidou da casa e de nós, aliás sempre com muito amor e carinho, qualidade e firmeza...esta uma questão que somente os "de esquerda" podem explicar. Aliás, ignorância não se explica. 
     "De direita" talvez por eu não concordar com tudo que queriam me impingir.  Como o que acontecia no tempo da ditadura, como já mencionei em outro post, era mais nos grandes centros e no "ABCD" paulista, que faziam as bagunças devidas e protestos políticos, assim como no Rio de Janeiro, Minas, Porto Alegre, nós, que éramos pessoas simples, querendo viver, trabalhar, ter uma vida  normal éramos obrigados a ser revolucionários com os que achavam que estavam certos?  Ninguém deve fazer nada obrigado, já garante a Constituição.  Por isto, também, o "reacionária"...ora vamos!  O que eu queria naquele momento era trabalhar - emprego não me faltava; com as qualificações que tinha, à época, podia escolher emprego; o tal milagre econômico, apesar de tudo o que soubemos depois, que foi feito de errado, não foi uma mentira.  Eram coisas concretas; quem não tinha casa, nem dinheiro,  financiava, pagava em 20 anos e tinha a escritura na mão.  Por não concordar em ser "esquerdista", nunca fui indicada para uma bolsa de estudos na faculdade particular, muito menos para intercâmbio com faculdades e cursos no exterior; para isto, não era preciso nem ser bom aluno, bastava estar no lado certo politicamente.  E isto, não era só naquele tempo, não; continua do mesmo jeito...
     Por gostar de alimentos e vida o mais natural possível, natureba; por não beber até cair, puritana; por achar que casamento ainda era uma coisa válida, na época em que eclodia o amor-livre, antiquada, careta, quadrada, e outros rótulos mais; por achar que devia cuidar da minha coluna, e manter uma postura correta, "pose de rainha"; por ter conseguido aprender um pouco de etiqueta e saber portar-me nas mais diversas situações, metida; e assim vai, mas...
     Não me ponham rótulos! Sou apenas um ser humano, demasiado humano, como dizia Nietzsche; e com todas as idiossincrasias que qualquer ser humano pode ter.


                                       
(Imagem: http://www.medinforme.com/wp-content/uploads/2009/12/duvida-300x234.jpg)




     Ah, e já ia esquecendo: quando fazia greves, paredista de esquerda, se  o governador fosse de direita; e paredista de direita, se  o governador fosse de esquerda - vá entender!

     Quando me formei e passei a lecionar, elitista, topo de pirâmide, pois somente 1% da população consegue concluir um curso superior no Brasil; quando consegui comprar um carrinho, a prestação, rica e poderosa - vê se pode! Se a gente se incomodar com todos os rótulos, fica louca; melhor  é dar uma de ignorante - ignorar.