Mostrando postagens com marcador homenagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador homenagem. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de agosto de 2019

OS HOMENS DA MINHA VIDA

Em um post que publiquei há algum tempo, mencionei as mulheres da minha vida: minhas avós, minha mãe, tias, filhas, nora, neta, sogra.  São pessoas fundamentais na minha existência.
Hoje, no dia dos pais de 2019, escreverei sobre os homens que estiveram ou estão presentes em meu tempo.  São exemplos de lutadores do dia-a-dia, pessoas simples, que compuseram ou compõem o meu círculo familiar. A eles, pois:

                               JOÃO (Vô Guta).
O vô guta, como o chamávamos,pai do meu pai, nasceu em 1892, creio que em São Borja/RS, faleceu em 1973. Filho de Paulino Carneiro da Fontoura e Amabilia Castilho da Fontoura.  Não tenho a informação de sua cidade natal, ando pesquisando.  Sei que era agricultor e carreteiro, no começo do século XX.  Depois, praticando o êxodo rural, foi morar em São Luiz Gonzaga, finalizando em Santo Ângelo/RS.
Junto com minha avó teve 15 filhos, dos quais 13 sobreviveram.  De estatura não muito alta, quando o conheci já era um velhinho alegre, com sua risada curtinha e repetida. Nas férias, contava-nos histórias de assombrações com muito suspense; e histórias dos tempos das guerras gaúchas de antanho.  Gostava de fumar seu cigarro de palha, que tinha um cheiro adocicado, ficando como lembrança da casa dos avós.  Faleceu com 81 anos, deixando extensa descendência; tanto que, nas bodas de ouro, tinha mais de 150 pessoas, contando filhos, netos, genros e noras.  Uma lembrança doce.



                                     BENTO (vô Bento). 
Nasceu em Santana do Livramento/RS, na fronteira com o Uruguai, em 10 de fevereiro de 1903, filho de Francisco Menezes de Carvalho e de Tolentina Menezes de Carvalho, ela natural de Rivera/Uruguai. Era pai da minha mãe.
Sua maior alegria, como contava minha mãe, era que eu nasci no dia do seu aniversário.  Enquanto foi vivo, comemoramos juntos esta data.
Vô Bento foi agricultor e, depois que vieram morar na cidade de Ijuí, praticando o êxodo rural, trabalhou na força e luz da Prefeitura Municipal, exercendo suas funções até aposentar-se.
Era um homem alto, forte, mulato, gostava muito de churrasco - tanto assar quanto comer -, teve 10 filhos junto com minha avó, sendo que 8 sobreviveram.  Tinha bom humor, estava sempre brincando comigo, que era sua companheirinha no chimarrão da tardinha, em frente a sua casa, quando "via o movimento". Segundo minha mãe, gostava de tocar violão e cavaquinho.
 Muito benquisto por todos na cidade, era muito conhecido, sendo nome de rua hoje, em Ijuí. Faleceu novo, com 60 anos, deixando-nos com muitas saudades.

                                                          

                                                                  JOSÉ, meu pai.
Já escrevi alguns posts sobre ele.  A pessoa mais importante, na minha vida, junto com minha mãe. 
Era alto, magro, cabelos crespos, gostava muito de andar bem apresentável, sempre que podia usava terno e gravata, e estava sempre bem perfumado e alinhado.
Nasceu em 17 de setembro de 1927, em São Borja/RS.  Conheceu minha mãe quando já contava com 25 anos.  Ele morava em Santo Ângelo e a mãe em Ijuí. Casaram-se em 1952 e, depois de muitas andanças, estabeleceram-se em Ijuí.
Gostava de ler e pescar; trabalhou na Prefeitura Municipal de Ijuí até aposentar-se, tendo trabalhado em empresas privadas em Santo Ângelo, Porto Alegre, São Luiz Gonzaga e Ijuí. Era maçom.
Exemplo de homem de fé, de força, de honra e ética, educou-nos na maior severidade e exigências, incutindo-nos a ideia de que estudar e ler bastante era o que de mais importante poderíamos fazer por nós mesmos.  Um exemplo de homem correto, idôneo, que amamos até hoje. Faleceu em 2013, aos 85 anos.


                                      GILBERTO, meu marido.
O amor da minha vida conheci aos 20 anos; ele tinha 22.  De origem italiana, natural de Silveira Martins/RS, conquistou meu coração com seu jeito tímido, sua honestidade, sua inteligência e bom humor.  Mas, principalmente, por seu amor, carinho e dedicação. 
Dividimos a vida há 41 anos e meio, e, nesse meio tempo, tivemos nossos três filhos, os filhos mais velhos já nos deram quatro netos, e vamos levando a vida para ela não nos levar.
Gilberto tem altura mediana, cabelos lisos e castanhos, gosta de um bom vinho e de churrasco, infelizmente é torcedor do Grêmio, mas é uma pessoa do bem...risos...
Esforçado, foi persistente para conseguir formar-se em Engenharia de Operação Mecânica, profissão que exerceu durante toda a vida, até aposentar-se. Para tanto, após trabalhar todo o dia em uma fábrica, em Panambi, percorria diariamente em torno de 200 km para fazer a faculdade.  Fez curso de Pós-Graduação em Segurança do Trabalho, na UEL, quando morávamos em Londrina/PR . 

GÉRSON, filho, e VITTORIO, neto.
O meu segundo filho deu-me um grande susto ao nascer, pois tinha duas voltas do cordão umbilical enroladas ao pescoço, tendo sido levado às pressas para oxigênio, pois estava roxo.  Mas sobreviveu, graças a Deus e ao pronto atendimento do pediatra. 
Meu filho é muito parecido com meu sogro, pois nasceu bem branquinho, olhos azuis e cabelos dourados. A genética vai longe.
É muito alto, era mais gordinho mas, agora, está mais magro em vista da frequência à academia de ginástica e alimentação mais saudável.  É formado em Jornalismo, fez Pós-graduação na Área de Comunicação. 
Esteve três anos na Itália, onde e quando praticou o italiano e o inglês que havia estudado.  Trabalhou em um hotel na cidade de Pisa, e realizou mais um curso de Pós-graduação em tradução inglês-italiano na Universidade de Pisa. Hoje é gerente de negócios no Banco do Brasil, e faz MBA em assuntos bancários.
Era um menino arteiro, inteligente, fazia suas tarefas escolares com rapidez para poder brincar. 
É pai de VITTORIO, meu neto mais novo, também loiro, de olhos azuis, só que o cabelo e as sobrancelhas são vermelhos, e estão começando a pintar sardas em seu rostinho.  Lembra o Pimentinha, personagem de HQ.
Muito vivaz, elétrico, arteiro, brincalhão, inteligente, é a alegria na vida desses avós, junto com os demais netinhos.

MARCOS E MOACIR, irmãos.
Marcos, o mais velho, Moacir, o mais novo.
Marcos foi meu companheiro de brincadeiras na infância, pois temos um  ano e um mês de diferença - ele é mais velho. Também foi companheiro de bailes, cinema e shows, na adolescência, por imposição de meus pais - se não me levasse junto, não tinha autorização pra sair.  Tadinho... risos...
É quem me ajuda a cuidar da mãe, hoje.  Formado em Administração de Empresas, é professor da rede estadual de ensino - outra coisa que dividimos, a profissão de professor.
Altura mediana, meio gordinho, moreno com cabelos embranquecendo, é minha força nos dias atuais.
O Moacir, nosso irmão mais novo, foi, como já publicado em outro post, o que mais estive perto, por causa de sua doença mental.  Era uma pessoa afável, carinhosa, preocupado com  a família.  Infelizmente faleceu em 2012, deixando-nos muito tristes.

JOSÉ LUÍS, meu genro, MATEUS E GABRIEL, meus netos.
Este moço moreno, de olhos azuis, conquistou o coração de minha filha Sílvia.  É agricultor dedicado, muito trabalhador, sempre preocupado com a família.  Como todos os agricultores, inicia seu dia de madrugada, e só volta para casa à noite, não tendo domingos e feriados; estes, são nos dias de chuva. Junto com minha filha, deu-me os netos mais velhos, amores da vovó.
MATEUS, menino lindo, com grandes olhos castanhos, como a mãe, é o neto mais velho.  Quando nasceu, e fui vê-lo, encontrei a seu lado minha filha.  Eu não sabia se a pegava no colo, pois eu sabia o que era o parto, ou pegava o neto.  Foi uma das maiores emoções da minha vida.
É inteligente, ama a leitura, como a avó, gosta de escrever e desenhar.  Um grande futuro o aguarda.
GABRIEL, meu segundo neto, pregou-nos um grande susto na hora do nascimento, pois teve que ser feita uma cesárea de emergência.  É um menino muito doce, meigo, inteligente, vivaz, que adora bichinhos.  Talvez um futuro biólogo ou veterinário? Só o futuro dirá o que este menino, de lindos olhos castanhos espertos, será.

VITÓRIO, meu sogro.
Este italiano nascido no Brasil foi, junto com minha sogra, o autor do melhor presente da minha vida: meu marido.
Era loiro, altura mediana, olhos azuis, que distribuiu a genética para neto e bisneto.  Agricultor, marceneiro, pai dedicado, que esforçou-se ao máximo para dar uma boa educação aos filhos.  Enquanto a planta germinava no solo, não ficava parado, trabalhava construindo muitas das casas que ainda existem em Silveira Martins/RS.  Amava o vinho, falava o italiano arrevesado, misturado com português, e contava muitas histórias da fundação da Quarta colônia, no coração do Rio Grande do Sul, onde ascendentes vindos da Itália fundaram uma cidade e trouxeram sua cultura e perseverança para agregar ao povo gaúcho.





domingo, 13 de maio de 2018

DIGNIDADE DE MULHER



Um dia eu me vi
Minha mãe ao piano.
do jeito que comecei a ser
e por esta vida vivi
durante todo o meu crescer.
Ao meu lado, apoiando
Vi uma mulher que,
sorrindo, às vezes chorando,
acompanha-me desde o nascer.

Esta mulher, pouco mais que uma criança,
ao encontrar seu amor, muito jovem,
assumiu obrigações
de uma casa cuidar;
com pouca idade ainda, começou a função
de muitas bundinhas lavar...

Com amor, muito carinho,
sofrimento, dificuldades,
as criaturas geradas foi ajudando
 a escolher seus caminhos.

Houve problemas - e quantos!
Houve angústias - aos montes!
Houve receios - inúmeros!
Inseguranças - às fartas! 

Aparentemente fraca e submissa,
profundamente humana, compreensiva
muitas vezes usou seu carisma
para, pelos filhos, interceder.

No fundo do seu ser,
no âmago da criatura,
apesar da falta de cultura
(dessa de faculdade)
um sentimento, uma necessidade
de um objetivo maior,
da realização ao lado
da maternidade.

Os rebentos cresceram,
desenvolveram suas capacidades
por ela e pelo companheiro
apoiados, estimulados.
E então, eles se espalharam.

Esta criatura,
com o dom e o fino sentido musical
aguçado, incentivado afinal,
começou a brotar, crescer,
florescer e desabrochar.

Na meia-idade,
já com alguns netos ao redor,
com muitas emoções vividas,
começou a frequentar aulas de música.

As mãos meio emperradas,
alguma lerdeza motora,
mas ela não desistiu;
e a música entrou em sua alma
através das mãos
e nunca mais saiu.

Mulher...minha mãe,
quanta emoção eu sinto
e orgulho de falar
que ela persistiu em seu sonho,
ao mesmo tempo em que
outros problemas da vida
vieram lhe perturbar.

Tenho certeza que a pessoa que tiver
muita força de vontade
a par da lutas incessantes
merece a dignidade
de ser chamada MULHER!


Fiz este poema para minha mãe em 04 de maio de 1986.  Era uma homenagem ao dia das mães e o publico hoje, também no dia das mães, em sua homenagem.
O mal de Alzheimer já não lhe permite mais tocar piano; mas colocando para ouvir músicas que ela ama, canta junto, relembra as letras, seus olhos brilham.

 

quarta-feira, 8 de março de 2017

As mulheres fundamentais da minha vida


Todas nós temos pessoas que nos influenciaram na vida. Algumas de forma fundamental, outras um pouco menos; mas todas fazem parte do nosso coração e da nossa mente. As que comentarei abaixo ou deram origem à minha vida, ou dela participaram e/ou participam de uma forma essencial. Posso já ter comentado sobre elas em algum post, mas aqui, agora, estou especificando, neste dia Internacional da Mulher, para homenageá-las.

Felicidade (vó Dadade)


 Nascida em 26 de fevereiro de 1902, a mãe do meu pai foi uma mulher de seu tempo: uma guerreira em todos os sentidos da palavra. Casou-se com 16 anos - o normal para a época; teve 15 gestações, sendo que dois bebês faleceram, criando 13 filhos e filhas. Morou em uma fazenda, no meio do mato, onde plantava e colhia alimentos para a família sobreviver, auxiliada por meu avô, que saía a vender a produção (carreteiro) e demorava muito a voltar; cortava lenha; matava animais para alimentar a prole (porcos, galinhas, etc); fazia toda a lide doméstica, posteriormente ajudada pelos filhos mais velhos; costurava, bordava, fazia crochê,  ah, inclusive, matava cobras e outros animais peçonhentos que aparecessem e colocassem em perigo seus filhos.  Olhando para ela, tinha uma aparência frágil;  calma, alta, magra, a pele muito branca e muito fina.  Uma fortaleza.

Maria Augusta (vó Deza) 

 Nascida no dia internacional da mulher, em 8 de março de 1904, vó Deza, como a chamávamos, teve capital influência sobre minha vida. Ao  contrário de minha avó paterna, não casou tão jovem para a época, pois contava com mais de 20 anos. Teve 10 filhos, 2 faleceram ainda pequenos, criou 8 filhos; batalhadora, foi criada na roça, plantava, colhia, organizava e cuidava da casa e dos filhos; foi alfabetizadora durante muitos anos; era leitora voraz dos mais variados tipos de livros, revistas e jornais; fazia doces, pães, bolos e cucas como ninguém, além de crochê, costura e outras tantas atividades. Magra, altura mediana, estava sempre alegre e adorava conversar. Na minha adolescência bati longos papos com a vó, pois adorava quando contava as histórias de antigamente, histórias estas que registrou no livro "Memórias da Vó Deza", da Coleção Centenário da Unijuí Editora, que ajudei a publicar. 

Noemi, minha mãe.

Já escrevi bastante sobre ela em outros posts; desnecessário dizer da relação de amor e carinho que temos até hoje uma com a outra; minha companheira de papos, minha orientadora e educadora na vida, não só com relação à educação em geral, como também aos cuidados que teve comigo desde sempre, inclusive depois de adulta, quando passei por dificuldades, quando tive meus filhos e ela me ajudou, em tudo. Minha mãe é minha base, junto com meu pai; sem ela, eu não seria quem sou.
Agora é quase minha filha, pois o mal de Alzheimer a acompanha diariamente e, juntamente com meus irmãos, invertemos o papel. Mas mantém o bom humor, está sempre brincando, cantando, não é ranzinza.  Até há pouco tempo atrás, estava sempre pronta para fazer um passeio, uma viagem, e sempre adorou festas e comemorações, sentimento que passou-me e que cultivo com alegria.

Sílvia e Heloísa, minhas filhas.

A primeira deu-me a dimensão primeira do que é ser mãe; primogênita, seus lindos olhos negros e seus longos cabelos pretos e lisos me enchem de orgulho e alegria. Seu jeito de ser, inteligente, seu temperamento cuidadoso e responsável, seu lindo sorriso alegram meus dias. Junto com meu genro, trouxe-me dois lindos netinhos, que amo de paixão.
A segunda, minha caçula, fez-me recordar, após 20 anos do nascimento do meu filho, as alegrias da gestação e da maternidade, em um momento mais tranquilo da minha vida. Seus lindos olhos e cabelos castanhos, cabelos rebeldes e volumosos como os meus, seu temperamento adolescente, sua inteligência e agudeza de pensamentos alegram minha vida; seu sorriso me encanta e é um bálsamo para minha alma. Ótima estudante, esforçada, estudiosa, carinhosa ao extremo, é companheira minha e do pai, neste momento em que estamos a dobrar o cabo da boa esperança...

Phatsy, nora, e Nicolle, neta

Esta linda morena entrou na vida do meu filho e na nossa para trazer mais luz, alegria, vivacidade, gentileza e dois lindos netos. Minha nora é uma grande mulher - não só na altura física, pois quase acompanha a altura do meu filho - mas também na maneira de encarar a vida. Lutadora desde nova, como são as mulheres desde sempre, trabalhou e estudou para sobreviver em um mundo que exige muito de todas nós, como todas as mulheres que mencionei. 
Junto com  meu filho, presenteou-me com dois lindos netinhos, sendo que a Nicolle faz parte das mulheres fundamentais da minha vida. Menina linda, meiga, carinhosa, inteligente, ganha da vovó nos jogos de memória, foi no cinema com a vovó e a titia, dança balé e estuda, prevendo-se um futuro agitado e maravilhoso para ela.

Madrinha Eva

Também já mencionei-a em um post.  Mulher batalhadora, de personalidade forte, estudiosa, inteligente, responsável, o exemplo da mulher que começou a trabalhar no meio do século passado, e ainda cuidava da família, como todas nós.  Para mim, foi um exemplo de mulher que tem seu trabalho fora de casa, tem a sua renda, suas responsabilidades, compromissos e não abaixa a cabeça nunca; a primeira feminista que conheci.

Tia Nara

A irmã mais nova de minha mãe é poucos anos mais velha que eu; praticamente crescemos juntas, somos amigas desde a minha infância; quando adolesci, foi minha companheira de bailes, festas, shows; também fomos colegas de trabalho, madrinhas de casamento uma da outra, e somos madrinhas de nossas filhas.  Uma companheira da vida inteira, amizade que não tem fim.

Ana Leonida, minha sogra.

Outro exemplo de mulher lutadora. Casou já madura com meu sogro, e deu-me, como ela mesma me disse, um dos mais belos presentes da minha vida: meu marido. Italiana de origem, começou cedo nas lides domésticas; atendia a cozinha, no hotel que seu pai tinha, juntamente com as irmãs.  Posteriormente, dedicou-se à vida familiar e à cultura agrícola;  teve 4 filhos, os quais criou na mais severa cultura italiana e católica; trabalhava na roça parelho com meu sogro, mas era a primeira a levantar, para tirar leite das vacas às 5 da matina, e a última a descansar, depois de todas as tarefas domésticas, costura, crochê, entre outras atividades.

Mulheres fortes, trabalhadoras, resistentes, de fé, de lutas, de coragem, de ânimo, de alegria, de felicidade, de tristeza, de tudo que compõe um ser humano. Exemplos de vida.

 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FRATERNO



"FRATERNO
Verbalizar te amo eu não consigo.


Eu digo te amo
quando te dou atenção
quando filosofamos
quando sofres e te estendo
a invisível mão.


Eu digo te amo
quando leio teus poemas
admiro teus quadros
parabenizo os concursos
em que és entre os primeiros aprovado.


Eu digo te amo
quando olho tua fotografia,
e vejo que és a cara minha.
Somos muito semelhantes
Na nossa lucidez, na nossa insensatez,
na estranheza que vemos
nos turbilhões que vivemos,
                                           meu irmão."


Este poema fiz para meu irmão Moacir, que faleceu há justos dois meses.  Foi publicado na 3ª Antologia Caxiense de Poetas, 1º Concurso caxiense de poesias; Misturas e bocas produções, 1990.

A dor de perder um ente querido não some, vai ficando mais fraca, mas tem seu lugarzinho guardado no nosso coração e nas nossas mentes.  Nunca vamos esquecê-lo.  Porém a vida nos empurra e continuamos a viver e trabalhar, e resolver problemas, e amar, e ter momentos felizes, misturados aos tristes.  Isto é a vida.  Que vamos vivendo enquanto Deus permitir, fazendo dela o melhor possível.

À época em que fiz o poema talvez tivesse dificuldades de verbalizar "te AMO"; mas ao cuidar dele no hospital, e muitas outras vezes anteriormente, tinha dito a ele que o amava, o que o deixava muito feliz.  Ele morreu sabendo que era amado.




domingo, 16 de outubro de 2011

DIA DOS PROFESSORES - AGRADECIMENTO ESPECIAL

     


(Imagem:     http://www.google.com/imgres?q=a+pata+nada+cartilha+sodr%C3%A9&hl=pt-BR&biw=1360&bih=611&tbm=isch&tbnid=7lNCOSk7EPuUqM:&imgrefurl=http://luizacaires.blogspot.com/2009_01_01_)

     Meu primeiro contato com uma professora foi aos 7 anos, 1º ano do então primário, Professora Dulce Penno, no Ruyzinho. Ela era uma excelente alfabetizadora, pois em maio do ano em que comecei estudar eu já lia fluentemente.  Não consigo entender como, hoje em dia, as crianças são aprovadas sem saber ler, nem como elas não aprendem.  O livro que utilizávamos, recordo ainda, dele repetíamos "A pata nada", e as demais lições, ficando triste quando terminou a "Cartilha Sodré", se não me engano este era o nome do nosso livro de alfabetização, o qual creio que deve ter caído em desuso há muito tempo.
     Professora Dulce era uma pessoa animada; baixinha, rechonchudinha, nem por isso deixava de pular e dançar conosco no inverno, para aquecermos as mãos e o corpo, antes da aula.  Tratava a todos com muito carinho, era eficiente em sua função, e fiquei muito triste, nem queria ir mais à aula, quando, no segundo ano, me disseram que era outra professora...depois, acostumei com as trocas. 
     Durante os muitos anos em que mantive contato com a escola formal, tive muitos professores. Dos mais competentes e inteligentes, dedicados, esforçados, interessados na função de ensinar, aos mais relapsos, descuidados e ignorantes.  Mas os primeiros sempre predominaram, o que os deixa em destaque e sobrepõe aos incompetentes, pois sempre os há, em qualquer profissão.
     Recordo da Escola da Penha, as Professoras Santa Nehring, de quem fui colega posteriormente, quando eu lecionava e ela era a Delegada de Educação; e Marília Brum Meirelles, entre outras.
     Do tempo do Ginásio, no CEAP, tenho as lembranças mais vivas, pois que na adolescência, período que marca sobremaneira nossas vidas.  Professor Ingo Voese, que nos deu aula de Português durante os 4 anos , e tinha uma facilidade de nos ensinar gramática e literatura, e nos incentivava muito a escrever; foi neste período que comecei a escrever contos e poemas, os quais nunca tive coragem de lhe mostrar, pois tinha vergonha.
     Professor Ary Bartholdi, de matemática, que dava estas aulas com muito bom humor, o que deixava a matéria leve; nunca achei matemática difícil por causa dele, tinha muita facilidade de nos transmitir os conceitos.
     Professor Armindo Porcher, que lecionava História, Geografia, OSPB e Moral e Cívica - afinal, era época da ditadura, e estas duas últimas eram obrigatórias.  Como ele tinha um tique nervoso, e chacoalhava às vezes a cabeça, todo mundo achava engraçado.  Eu não ia bem nestas matérias, pois sempre tive dificuldades para me achar no mundo - geografia - e no tempo - história -; porém alguma coisa do que ele falou ficou impregnado na minha cabeça, sobre História Antiga, pois quando estive no velho mundo, recordei de suas aulas ao visitar Roma, Londres, Paris e outros locais históricos.  Ele conseguiu ser mais competente do que minhas possibilidades pessoais.
     Professor Elard Dahlke, que lecionou Ciências no Ginásio, e Contabilidade Empresarial, no Curso Técnico.  Era muito competente,  divertido, brincalhão, e escreveu um livro sobre as Cabanas da Fonte Ijuí.
     Das aulas de Alemão e Desenho (único exame que peguei na segunda série...nunca consegui segurar uma régua, ela sempre se mexia...), lembro do professor ... Era pequenininho, magrinho, e tinha um sotaque alemão muito forte.  Veja só, ia bem em alemão e mal em desenho... também, retas, segmentos de retas, mediatriz, e tudo o mais...mas consegui escapar da segunda época.
     Do inglês, a professora Dady, que morou uns anos nos EUA, e nos trazia as letras das músicas dos Beatles para cantarmos nas aulas, que eram maravilhosas; o pouco de inglês que aprendi, foi em suas alegres e divertidas aulas.
     Mas o que eu amava muito, eram as aulas de Ginástica rítmica, com a professora Terezinha; eu adorava, me sentia a própria bailarina; mais o vôlei, basquete e outros esportes.
     Do tempo do Curso Técnico, lembro do professor Olívio Hermes; li vários livros, em suas aulas; enquanto ele falava, falava, lá na frente, eu estava sempre com um romance embaixo da classe...um dia ele veio me perguntar o que tanto eu lia...foi difícil explicar por que não prestava atenção...
     No Curso de Letras se destacaram o Doutor Deonísio da Silva, que além de excelente professor de Literatura, é escritor de renome.  Frei Matias, grande filósofo e autor de muitos livros de filosofia e educação; Maria Beatriz Behr, magnífica mestra de Literatura Gaúcha, que nos emprestava seus livros para que pudéssemos ler o que era necessário, pois, como já falei em outro post, havia uma grande dificuldade de encontrá-los na biblioteca ou em livrarias.  Ela dava aula com paixão, tinha um profundo conhecimento da matéria e nos passava muito entusiasmo.
     E assim, muitos outros mestres me incentivaram, foram meus modelos, repassaram seus conhecimentos e mantiveram acesa a chama da minha curiosidade, que é infinita, e me mantém aberta à leitura e aos estudos até hoje.  Aqueles que não mencionei, nem por issto deixaram de ser importantes.
     Essenciais na minha aquisição de conhecimentos no Curso de Direito, a Professora Doutora Marlene Kempfer Bassoli, de Direito Constitucional, que dava aulas magníficas sobre a disciplina, o que nos fez ter um conhecimento profundo sobre o Estado Democrático de Direito, a Constituição Brasileira e os direitos fundamentais do cidadão, entre outros conhecimentos.  Conhecedora profunda da matéria, passou-nos entusiasmo sobre o Direito Constitucional, tanto que meu trabalho de Conclusão de Curso foi baseado em seus ensinos, sobre o "Direito à Educação", já sob orientação da não menos competente Professora Mirelle N. Buzzalaf, que, além da orientação de monografia, também passou-nos, eficientemente, conhecimentos de Direito Processual Civil e Direito Ambiental. 
     Em destaque, igualmente, a Professora Henrienne Brandão, de Direito Penal e Processual Penal; embora sempre estivéssemos em pólos opostos no posicionamento sobre os crimes e a legislação que favorece os criminosos, suas aulas eram, além de interessantes e bem fundamentadas, divertidíssimas; nunca vi uma professora com tão alto astral e bom humor, o que sempre me fez ir bem nestas disciplinas, que não gostava, mas que consegui bem assimilar. E tinha uma memória invejável; nunca veio para a sala de aula com livros ou anotações; tinha o Código Penal, o Código de Processo Penal, doutrina e jurisprudência tudo na cabeça.  É de causar inveja a uma desmemoriada como eu....inveja boa!
     Merecem menção Júnio Mangonaro, Jackson Ariukudo, Luiz Vieira, Tânia Pitsilos e tantos outros que de maneira competentíssima cumpriram seu papel na minha vida de estudante, deixando uma marca indelével.
     Aos que não consegui lembrar o nome, meu pedido de perdão e meu agradecimento penhorado.  Sem vocês, com certeza, minha vida teria sido outra, não teria o conhecimento que tenho, e não teria passado por experiências maravilhosas. Muito obrigada, mestres, de coração.