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terça-feira, 24 de março de 2026

Crônica do dia

 

 

 

 

 

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                                                                 CRÔNICA DO DIA

 

Há tempos não publico aqui.

A vida vai me levando aos tombos, como qualquer mortal .

Aos trancos e barrancos, como diz  o ditado popular, vou levando a vida.

2025 foi um ano de muitas atividades: publiquei meu livro de poemas "PULSAÇÃO". Com ele e com meus outros livros participei de Feiras de livros, da Bienal do Livro do RJ, e de muitas outras atividades.

Fiz muitas viagens, inclusive fui conhecer Portugal  e Espanha.  Em outra ocasião comentarei esta viagem.

Recebi prêmios, certificados literários, passei a fazer parte de Academias, tornei-me, novamente, Comendadora por uma Academia, também falarei sobre isto.

Meu irmão Marcos ficou doente em julho e faleceu em dezembro.  Tive muita tristeza com esta morte, ainda estou me recuperando disto.

Tive muitas alegrias, felicidades genuínas.

Tive muitas tristezas, tristezas genuínas.

Fiquei encantada com algumas pessoas que passaram a fazer parte da minha vida.

Fiquei decepcionada com outras. 

Estive doente, precisei fazer uma cirurgia.  Ainda me recupero. 

Como dizia Nietzsche , somos "humanos, demasiado humanos."

Assim vamos vivendo, um dia depois do outro, realizando o que nos cabe, ajudando quem precisa, recebendo ajuda quando precisamos. 

Ainda bem que temos nossa fé , é o que nos dá forças, energia, coragem para enfrentar a dura realidade da vida.

E agradecer pelas coisas maravilhosas.

Pedir ajuda quando as coisas não estão tão maravilhosas assim.

C'est la vie, mon amour! 

 

sábado, 18 de janeiro de 2025

Primeira Leitura 2025: "Se você me entende, por favor me explica."

 

Mesmo sem dizer "Feliz ano novo" já estou no terceiro texto de janeiro.

Então digo a todos que me leem: FELIZ 2025!

Meus desejos de paz para todos nós, que alcancemos nossos sonhos, tenhamos muito amor que é moto da vida, muito carinho, dinheiro no bolso, resultado de nosso afã diário.  E que tenhamos resultados em nossos esforços, a companhia das pessoas amadas, muitas viagens, passeios, etc, etc... , além de muita leitura.

Muito obrigada aos que me leem desde 2011!

 

Hoje vou comentar um livro de poesias que ganhei de presente de Natal da minha primogênita Sílvia. Como ela me conhece bem, sabe do meu prazer pela leitura, e deu-me o livro "Se você me entende, por favor me explica", do poeta brasileiro Pedro Salomão. Fiz a leitura em dois dias, nas férias, na praia.

Eu não o conhecia, e verifiquei que é um jovem que escreve muito bem.  

Na orelha, temos a informação: "Pedro Salomão é formado em Geografia, liderou um grupo de palhaços no Hospital do câncer de Presidente Prudente em 2017 e espalha suas palavras de transformação em suas redes sociais e nos palcos, seja com músicas, poesias ou palestras pelo Brasil. Pela Planeta, publicou em 2018, o best-seller "Eu tenho sérios poemas mentais".

Uma leitura leve, breve, mas cheia de humanidade, liberdade de expressão, vocabulário simples, enxuto mas de gabarito.

Destaco alguns versos que me chamaram a atenção, e um texto que me marcou; os textos não têm título:


"Muito do que me tornei

eu aprendi a ser.

Mas a parte do que sou

é porque é.

Como a árvore é porque é,

sem nunca ter aprendido a ser.

Como o vento é

e soa,

eu sou

e sempre fui."p.20.


"Você nunca vai conseguir sair de dentro de você.

Então o quanto antes arrumar a bagunça de seu coração,

mais tempo de qualidade terá,

convivendo consigo mesmo

na sala de estar que é ser você.

Enquanto você não resolver suas questões

isso te acompanhará.

Quanto tempo mais você está disposto a aguentar?". p.37.

 

"Tentar matar a saudade

pelo Whatsapp 

é como beber água salgada,

só aumenta minha sede

de você.".p.72

 

"Seu sotaque

é um mel a mais que sua voz tem.

Seu sotaque

é um ponto turístico na sua fala.

Seu sotaque 

tem gosto de comida típica.

Seu sotaque

me faz carinho quando você fala.

p.s. seu sotaque me dá vontade de viajar em você.".p.80

 

"Em sua pele perfeita,

a minha barba malfeita

é desfeita e bagunçada.

 

A minha barba é arranhada

enquanto as palavras saem,

a sua pele é macia,

nossos opostos se atraem.

 

Em seu corpo

minha boca é abelha,

que paira com calma e calor.

Na sua espinha, eu sou espinho,

e no seu corpo, eu sou um caminho,

até encontrar a flor.

 

Você se deita de costas na cama,

e se entrega para eu te descobrir,

te descubro e cubro com beijos,

cada passo em seu corpo é sorrir...

 

Pelos pés eu começo e me perco,

me encontro em locais de parada,

e com a cama já desarrumada,

arrepios de pele atiçada...

 

Em seu pescoço,

a minha barba é encaixada,

seu alvoroço,

seu tudo, e mais nada...

 

Seu corpo é tela,

minha boca é pincel,

seu corpo é poema,

é palavra,

é papel." p.92/93.

 

O único texto com título é uma crônica: "Fazendo as pazes com a vida", em que narra o falecimento de seu grande amigo num acidente de carro.

Faz comentários sobre o período doloroso do luto, que é um chumbo nas pernas e no coração de todos nós.  Narra o processo, e o dia em que entendeu, através de suas reflexões, o porquê dos acontecimentos. Suas palavras ao fim do texto: "Hoje, quando eu vejo os lugares onde minha arte tem chegado, percebo que a poesia que plantei em meu coração germinou, virou jardim, e depois cresceu tanto que perdeu o controle e virou floresta.  E passarinhos vêm comer de minhas frutas e levar as sementes para outros campos.  E pessoas vêm passear nessas trilhas e cachoeiras que se formam nos meus versos.  Eu virei floresta porque aceitei o fim e entendi o ciclo.  Obrigado por se perder comigo."p.95/99.

 

Vale a leitura, com muita emoção à flor da pele.

 

Salomão, Pedro. Se você me entende, por favor me explica.-SP:Planeta do Brasil, 2020, 160p.