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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

GRITO DE PAZ






 GRITO DE PAZ

Já está dito:
menos mísseis
mais poemas
sensibilidade
harmonia
fraternidade
elevação do espírito
emoção
Não! à emoção
da bomba explodindo
de pessoas se estraçalhando
de conferir a eficiência bélica
de comprovar a competência do trabalho da indústria de armas
Não! à elevação do espírito para a pesquisa de novas armas e equipamentos...
Não! à fraternidade dos homens com instinto guerreiro
Não! à harmonia das fileiras dos exércitos
Não! à sensibilidade dos equipamentos de combate - radares, satélites, botões, robôs, computadores, raios laser...
Não! ao poema da "Guerra Santa"
ao poema que fala dos malditos
como se benditos fossem
Não! aos mísseis que rasgam a carne
o cérebro
a mão
o tanque
o caminhão
dilaceram e embrutecem a alma humana
transformando-a em não-razão.
(27/8/1990).



(Crédito da Imagem: https://observatorio3setor.org.br/noticias/alem-da-guerra-na-ucrania-mundo-vive-28-conflitos/ )

sábado, 3 de junho de 2023

HUMANA NATUREZA

 

                                                                  Rio Uruguai, 2020.

(Foto da autora, proibida a reprodução sem autorização.)

 


Cerro as pálpebras.

O motor do barco ronrona suavemente.

A aragem toca levemente minha face.

Num instante, compreendi meu pai que amava ir pescar.

Tinha sua canoa rústica, movida a remos.

Só levava meus irmãos.

Privou-me desse prazer,

Sentido agora,

De flutuar sobre as águas,

Aspirar o cheiro do rio,

Escutar o ruído das ondas

Formadas pelo deslizar do barco.

O ar fresquinho envolve meu ser neste verão.

O sol abana, lá ao longe, num vermelho majestoso,

Recolhendo-se,

Após mais um dia de brilho soberbo, imponente,

Entranhando-se no rio,

Indo dormir com os peixes.

A paisagem acalma-me,

Evoco meu ser primitivo,

União de corpo e natureza.

Um bem-estar toma-me por inteiro.

Paz,

Rio Uruguai,

Humana natureza.



(Fevereiro/2020.)

quarta-feira, 25 de março de 2020

TEMPOS SOMBRIOS OU OPORTUNIDADE?

Imagem de gripe espanhola, 1918. Crédito abaixo do texto.







"Em fins de 1918 começou grassar a epidemia terrível "influenza espanhola"; dava medo na gente, morria dois ou três  numa casa.  Em casa, só eu e o papai fomos atingidos; estivemos mal, mas graças a Deus vencemos.  E no fim de 1918 terminou a guerra que tanto afligia as nações."  (Maria Augusta dos Santos Carvalho.  Memórias da Vó Deza. Ijuí:Unijuí, 1987, p. 32.

Em tempos de comunicação no ciberespaço, estamos todos conectados e medrosos, alguns em pânico, outros debochando, dizendo que é manipulação da informação, sobre o Covid-19.

Há quem diga, e são os responsáveis pelos Ministérios da Saúde ao redor do mundo, assim como a OMS,  seguido por médicos locais em todos os países, que esse vírus é perigoso, mata mesmo, que é necessário recolher-mo-nos às nossas residências, deixando as ruas livres para o vírus circular e não encontrar ninguém onde inocular-se.

Há os incrédulos, falam em teorias da conspiração, que não vão deixar de trabalhar, que não vão ficar em casa, que a pandemia é um instrumento de poder e manipulação sobre os povos.

Há tempos adotei a seguinte posição: espero o tempo passar, as notícias consolidarem-se para posicionar-me.

Entretanto, quando os noticiários de todos os canais televisivos, das rádios, dos meios de comunicação através da internet, os médicos próximos da gente, o Prefeito da nossa cidade, o nosso Governador tomam medidas enérgicas de prevenção e cuidado, eu prefiro cuidar-me a arriscar a pele que meus pais me deram.  Vou verificar a veracidade dos fatos recolhida em minha casa, onde também estão minha filha e meu marido.

Meu marido e eu fazemos parte do que se convencionou chamar grupo de risco para coronavírus: ambos somos diabéticos, ele ainda carrega o Mal de Parkinson.  Pelas informações dos meios comunicativos, eu sou ainda mais frágil: hipertensão, doença celíaca (que é uma doença autoimune), intolerância à lactose e hipercolesterolemia.  

No dia 16 de março, segunda-feira passada, antes que o governo municipal, estadual e federal ditassem a regra do recolhimento - FIQUE EM CASA! - aqui no Brasil, eu já tinha me auto-recolhido, junto com meu esposo.  Estava assustada.
No dia seguinte, minha filha, que tem alergias respiratórias, espirrou.  Decretei que não iria mais à escola.  Dois dias depois a escola mandou todo mundo ficar em casa.

Comecei a raciocinar, ao mesmo tempo que desenvolvia uma estratégia para manter-me em casa em segurança, em paz, sem crises, sem pânico: um dia faço limpezas, cozinho todos os dias, noutro dia leio, noutro dia escrevo, vejo minha mãe duas vezes por semana (85 anos, grupo de risco máximo).  Tirei meu esposo de frente da TV, senão passaria o dia inteiro, cada vez mais apavorado, e tirando a temperatura mesmo sem qualquer indício de gripe.  Também eu estou tentando (às vezes sem sucesso, reconheço) acessar menos as mídias digitais, o whatsapp, o facebook, os e-mails.
Também acredito que a nossa geração, e a de nossos filhos e netos, que costumamos não ter tempo para nada, além de nossos inúmeros compromissos, podemos aproveitar este tempo de recolhimento compulsório, para fazer aquilo que estamos protelando há tempos, e está sempre no fim da lista de afazeres diários, mensais, anuais: temos, agora, a oportunidade de limpar um armário cheio de coisas inúteis que não temos coragem de pôr fora;  derrubar aquela pilha de livros que nunca temos tempo de ler; ver aqueles filmes maravilhosos para os quais nunca sobra tempo; aprender a pintar, escrever, cantar, fazer exercícios, cuidar das plantas, cozinhar aquela receita difícil e demorada, e tantas coisas mais que cada um de nós sabe o que é. Quem sabe estivéssemos esperando por essa oportunidade e nem sabíamos?  Quando a gente se der por conta, o período de quarentena passou e nem sobrou tempo para fazer tudo que queríamos.

Lembrei-me de minha avó, da citação acima, que morreu aos 85 anos, bem depois da gripe espanhola, que a acometera e a seu pai.  Eram outros tempos, quando não havia geladeira, tv, fogão a gás, SUS, um médico em cada esquina, grandes órgãos governamentais cuidando da saúde, entre outros.

Ela vivia na colônia, a forma de vida era precária, os recursos inexistentes, e só a fé em Deus, os cuidados familiares e a higiene faziam com que as pessoas sobrevivessem. Penso, também, que alguns genes mais fortes e generosos, tenham cuidado dela.  E ela sobreviveu, assim como sua família.  Tanto sobreviveu que aqui estamos nós, seus descendentes, enfrentando outra epidemia terrível.  

A minha esperança é que sobrevivamos, com fé, recolhimento, cuidados e prevenção.  E acreditando na medicina, que evoluiu muito nos últimos tempos.

Também julgo necessário mencionar que para que nós, do grupo de risco, possamos ficar em casa, em segurança, muitas pessoas que escolheram profissões consideradas essenciais à sobrevivência humana estão expostas ao vírus, exercendo suas funções com honra, galhardia, respeito à sua profissão e aos seres humanos, verdadeiros anjos escolhidos por Deus: cuidadoras de idosos, como Nair, Mari, Iloni, Alda e Clair, que se revezam cuidando de minha mãe acamada; farmacêuticos, médicos, laboratoristas, todos os funcionários de supermercados, gás, postos de gasolina, caminhoneiros, agricultores, enfermeiros, pessoas da limpeza tanto em residências como em empresas, e todas as demais pessoas que estão correndo riscos para que sobrevivamos: A TODOS, MUITO OBRIGADA!

Imagem:https://www.grupoescolar.com/a/b/gripe-espanhola-foi-provocada-por-um-virus-das-aves-2E.jpg


domingo, 18 de junho de 2017

O direito à educação feminina


 
Quadro que Malala pintou aos 12 anos: Harmonia entre as religiões.

Terminei de ler "Eu sou Malala - a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã", publicado pela Cia. das Letras, de autoria da própria Malala e de Christina Lamb.
Em tom intimista, Malala Yousafzai, menina natural do vale do Swat, no Paquistão, narra sua história e  de sua família: pai professor, dono de escolas de inglês em sua terra; mãe dona de casa, em uma província pobre.  O que os impulsiona é o grande desejo pela democracia e pelo direito de as meninas também poderem estudar, assim como os meninos já fazem.
Descreve os lindos lugares onde morava, os vales, as montanhas, a paisagem, as amigas, a família e os valores que os movem, assim como os acontecimentos políticos de seu país e do mundo.
Percebe-se, por serem pessoas amigas de livros, de conhecimento, de dedicação, seus anseios pela paz, a compreensão e a tolerância para com outras pessoas, outras religiões, outras formas de pensar.
Entretanto, aqueles que dominam ou dominaram seu país não pensam da mesma forma.  E por discordarem, foram invadindo o território, e matando pessoas.  Tentaram acabar com Malala, mas não conseguiram; ela foi salva e vive na Inglaterra.
Excelente e emocionante história, que nos faz entender um pouco mais de cultura diversa da nossa. Ótima leitura.

Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã. com Christina Lamb. 1ªed.- São Paulo:Cia das Letras, 2013, 342p.

sábado, 30 de maio de 2015

Em meio à vida, leituras.






     Entremeio ao cotidiano, leituras. Senão a vida fica por demais chata, todos temos que ter nossas fugas.
     Meus blogtores (lembram? - neologismo que inventei que mistura leitores com blog), inteirei-me das seguintes obras:

1. "A UTOPIA", de Thomas More, Martin Claret, A obra prima de cada autor, 2012.
 Há tempos encontrava-se em minha pilha; livrinho magro, numa tarde devorei-o. 
O significado de utopia já o introjetara há tempos, desde minha primeira graduação, curso de Letras. Sabia ser um sonho, algo inalcançável. Este é o livro que dá origem ao significado e ao termo, escrito no século XVI. Nele, More coloca todo seu conhecimento sobre civilizações, política, comando, povo, ideais, leis, etc.  E nos descreve como seria a vida e a civilização ideal.  Sonhou muito, o homem.


                                           


2. "A história da Princesa Isabel - amor, liberdade e exílio". Regina Echeverria, Versal, 2014.
Quando vi este livro na livraria do Shopping de Joinville, não pude resistir. Sempre tive curiosidade de saber como era, como vivia, como foi educada, os conhecimentos políticos, a maturidade e a responsabilidade de nossa única princesa, a filha do D. Pedro II, mãe dos escravos.  Um livro simplesmente maravilhoso.  Deu-me vontade de conhecer o Rio de Janeiro - que ainda não conheço- Petrópolis, os museus,  e ver de perto a cidade e seus pontos históricos.  Passei a admirá-la: estudou no Rio de Janeiro mesmo (não foi para a Europa, como iam os filhos dos ricos da época); o próprio D.Pedro dava-lhe aulas, assim como teve vários preceptores.  Falava diversas línguas, e quem organizou seu programa de estudos  e de sua irmã, foi o próprio Imperador.  Era uma mulher muito inteligente e, fato que poucas pessoas sabem, a primeira mulher a governar o Brasil, e com mão forte. Não se submetia a alguns conselhos com os quais não concordava e fazia valer sua vontade e sua palavra.
Um livro excelente, que faz-nos ficar pensando, com muitas interrogações, sobre a monarquia e a república no Brasil.

3. "Alabardas, alabardas". José Saramago, Cia das Letras, 2014.
A obra inconclusa do excelente português que não deveria ter morrido, na minha opinião.  Fiquei com gostinho de quero mais. Saramago já estava bastante doente quando iniciou o projeto deste livro, que ficou pela...? metade, 1/3, 1/4, perto do fim? Nunca saberemos, pois ele foi-se e deixou-nos a ver navios.  Mas seria um ótimo romance.  Questionaria as fábricas de armas e munições do nosso mundo; colocá-las-ia de frente aos movimentos pela paz e pela vida, através de seus personagens.  Excelente começo...

domingo, 11 de março de 2012

Nunca estamos suficientemente preparados para a morte.


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"Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.  Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma." Bíblia Sagrada, Mateus, 11-28:29.

     Dia 3 de março perdi meu irmão mais novo; perdi para a morte.  Eu estava achando que estava cansada, sobrecarregada, assim como meus familiares que estávamos, todos, cuidando dele.  Muito mais cansada e sobrecarregada me encontro agora, após seu falecimento.
    Todos sabemos que um dia vamos morrer.  Porém a dor de perder uma pessoa que amamos, e de quem, a vida toda, cuidamos por ser especial, diferente, que enxergava o mundo com olhos que não entendíamos, com uma doença mental que acabou com ele, e estraçalhou os corações de todos nós, não tem forma de medir.
    Creio que a alma de meu irmão finalmente encontrou descanso; passou a vida toda perseguido por fantasmas, alucinações, enxergando coisas que não víamos, num mundo diferente do nosso, no qual tínhamos uma dificuldade imensa de penetrar. Os médicos que sempre o acompanharam e cuidaram, bem como toda minha família, faziam o possível para amenizar isto, através de medicamentos e tratamentos que colocavam sua mente num lugar um pouco mais próximo da média humana.  Foi uma convivência difícil, em seus 50 anos, assinalados dia 1º de março sem seu conhecimento, na cama do hospital. Entretanto, sempre foi cuidado com muito amor por nossos já velhos e cansados pais, que hoje choram sua morte; por nós, seus irmãos, e pelos amados filhos, que não mediram esforços para cuidar do pai até o fim.
     Estamos todos chorando, com nossos corações e almas em luto; mas temos a esperança que Jesus tenha aliviado sua alma, que ela tenha, finalmente encontrado descanso, e seja refrigerada pelo amor do Pai, como diz o Salmo 23.
   (Imagem:https://br.freepik.com/vetores-gratis/fundo-do-dia-da-paz-com-pomba-branca_2860975.htm).