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domingo, 9 de junho de 2019

ENVELHECER



                        Dedicado a quem já envelheceu,
                        A quem está envelhecendo
                        E a quem envelhecerá.









Minha mãe, pegando um pouco de sol. Proibida a reprodução desta foto. Direitos reservados.

Perguntei a uma jovem: o que é envelhecer?
- É falar de dores, de remédios, de médicos,
Dos filhos, dos netos,
“no meu tempo”....
“não esqueça o casaco e o guarda-chuva...”
“está frio...”

Sob a ótica da juventude,
E de acordo com as vivências observadas,
Talvez seja este um ponto de vista válido.

Mas...reflitamos:
O passear pela vida,
Quando não se parte mais cedo,
Pode ser entendido
Como algo sem medo.

Ao invés da pressa, a calma;
Ao invés da arrogância, a afabilidade;
Ao invés de decisões irrefletidas, a ponderação;
Ao invés de instigar, pacificar;
Ao invés da parcialidade, a imparcialidade;
Ao invés do desperdício, a parcimônia;
Ao invés do sofrimento, o contentamento;
Ao invés da vingança, o perdão;
Ao invés da temeridade, a prudência.

Tiremos a audácia, substituindo pela pusilanimidade;
A quimera, pela realidade;
A insensatez, pela razão;
A afoiteza, pela moderação;
A crueldade, pela misericórdia...

Envelhecer nos deixa mais leves
Nos leva a reconhecer as faltas cometidas
E a aprendermos a nos absolver
E a relevar os erros que cometeram contra nós.

Nos deixa mais cuidadosos
Conosco e com os outros.
Vamos nos purificando lentamente,
Nos despindo do desnecessário,
Da tralha toda que carregamos, pesadamente,
E alimentamos durante nossas vidas.



Lorení/14/10/2018.

domingo, 23 de março de 2014

E o outono vem chegando, de mansinho...

Ficheiro:Vermont fall foliage hogback mountain.JPG
Outono. Foto da  Wikipédia.


     E o outono vem chegando de mansinho, como cabe a uma meia-estação chegar.  Meia-estação nós costumamos nominar em virtude de não ser mais tão quente, e ainda não ser tão frio; a diferença da outra meia-estação, a primavera, é que não tem a robusteza daquele verde, nem o perfume nas flores e árvores, que deixam a cidade com cara de mel, pois enche de abelhas.
Amo o verão; prefiro suar litros a tiritar de frio, no inverno. E a gente não precisa se encasacar tanto.  Porém o outono e a primavera são as "melhores" estações, pois não estão nos extremos. Mas cada uma tem suas vantagens e desvantagens, como qualquer coisa na vida.

     Voltando às leituras, fiz um comentário muito superficial, no outro post, sobre a trilogia "Cinza".  Na realidade, apesar de ser bem escrito, de manter o fio condutor do texto do começo ao fim, e manter a curiosidade do leitor até o final - o que são poucos escritores que conseguem fazer - concluí ser um trio de livros muito machistas, o personagem principal um devasso que, por ser poderoso financeiramente, pensa dominar todas as pessoas que encontra pela frente; principalmente as mulheres, que se transformam em suas escravas.  Com a desculpa de ser imensamente rico, comete as maiores insanidades em todos os sentidos, e muitos leitores acharam a série maravilhosa, pois no final ele se redime, casa com a personagem principal e tem filhos.  Pensando bem, é uma história repugnante.

    No último mês ganhei de aniversário do meu irmão, o livro Perdas & Ganhos de Lya Luft.  Não é nenhum segredo que admiro muito esta nossa escritora gaúcha; se não li todos os livros dela, li a maioria. 
Perdas e ganhos é um livro baseado em um trabalho que Lya fez com algumas mulheres - e alguns homens, posteriormente- visando fazer um balanço das perdas e ganhos que podemos ter na vida.  Discutiram em várias reuniões sobre os assuntos pertinentes, que podem gerar perdas ou ganhos na vida das pessoas.  É um livro bastante interessante, com várias colocações, comentários, reflexões, decisões; principalmente enfocando as desculpas que as pessoas inventam durante suas vidas, para não terem um pouco de calma, paz, felicidade, tranquilidade. Pra não curtirem o amor que têm. E que muito disto, as pessoas vão encontrando à medida que adquirem maturidade, vão ficando mais lúcidas e vendo que, muitas vezes, corremos atrás do vento forte, quando a brisa suave está passando pela nossa janela e não percebemos. E um pensamento original, colocado no início do livro, vale a pena ser transcrito:
"Desde a idade de seis anos eu tinha mania de desenhar a forma dos objetos. Por volta dos cinqüenta havia publicado uma infinidade de desenhos, mas tudo o que produzi antes dos sessenta não deve ser levado em conta.  Aos setenta e três compreendi mais ou menos a estrutura da verdadeira natureza, as plantas, as árvores, os pássaros, os peixes e os insetos.  Em conseqüência, aos oitenta terei feito ainda mais progresso.  Aos noventa penetrarei no mistério das coisas; aos cem, terei decididamente chegado a um grau de maravilhamento - e quando eu tiver cento e dez anos, para mim, seja um ponto ou uma linha, tudo será vivo". (Katsuhika Hokusai, sécs. 18-19)

Lya Luft. Perdas e Ganhos. 36ª ed. RJ, Record, 2012.