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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

DIA DO IDOSO




A autora, lendo um poema de sua autoria, num Sarau.
Proibida cópia ou reprodução sem autorização.







Comemoramos, há poucos dias, o dia do Idoso, no mês de outubro.
A legislação nos protege a partir dos 60 anos, idade considerada perfeita para o "debut" na turma considerada da melhor idade.
Esta expressão "melhor idade" parece-nos um deboche, pois bem sabemos que não é bem assim.
Nosso corpo tem um declínio vertiginoso, os hormônios que mantêm nosso interesse em diversos assuntos vão declinando, quando não, sumindo, deixando-nos abismados.
As mulheres, após a menopausa, têm uma perda considerável de hormônios, o que faz com que vá desaparecendo, aos poucos ou rapidamente, o desejo sexual, a libido, o interesse em vários assuntos deles dependentes.
Os homens, ao entrarem na andropausa, também têm essas quedas hormonais, o que pode acontecer de afetar, igualmente, a libido, a potência e demais assuntos a eles ligados.
Melhor idade? Há quem diga: faz-me rir!
Dores, dificuldades para caminhar, algumas doenças, deficiências vitamínicas, quando não afetados por problemas mais graves.
Entretanto, como tudo na vida, há várias formas de encararmos as consequências de vivermos mais (a outra possibilidade, é a morte - interessa?...)
Estamos carecas de saber que atividade física, alimentação adequada, controle das doenças, visita aos médicos com mais frequência, exames preventivos, RIR MUITO! CANTAR! DANÇAR! VIAJAR! ESCREVER! LER! E muitas outras atividades que nos mantenham ativos, auxiliam muito para que tenhamos qualidade de vida.
Sair com amigos, conversar muito e dar gargalhadas nos auxiliam a manter o bom humor e não sermos velhos ranzinzas.  E, o mais importante, fazer de tudo para manter a autonomia e a lucidez, não depender de ninguém, e fazer o possível (muito difícil!) de incomodar filhos e netos só em último caso.
E amar!  Quem disse que os idosos não podem apaixonar-se se estão livres, solteiros, viúvos, divorciados?  O amor aquece a alma, faz bem ao coração e ao corpo, mantém a saúde, o brilho nos olhos e a pele bonita.  Amemos, pois!
Assim penso.
Feliz dia do Idoso para quem já chegou nesta idade!  E para quem há de chegar, também!


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

FUGA DO BAILE

 






O velhinho de camisa vermelha dançou durante um bom tempo. Um pé-de-valsa, desde seus tempos áureos, na juventude, quando era o primeiro a chegar aos bailes e o último a sair.

Chegou ao salão onde ocorrem bailes vespertinos da terceira idade junto com os colegas do asilo, levados pela pessoa responsável pela diversão.

Todos prometeram sentar perto uns dos outros, e todos na vista da responsável.  Poderiam dançar com quem quisessem, pelo tempo que quisessem.  Mas no horário combinado, todos iriam embora juntos.

O velhinho de camisa vermelha não gostava de morar no asilo.  Preferia ter ficado na sua casa, com seus móveis, seus livros, seus LPS, seu papagaio e o cachorrinho Rex, sem raça definida, mas seu grande amigo. Com o falecimento da esposa, os filhos decidiram que ele não deveria ficar sozinho, pois esquecia de tomar os medicamentos.  Entretanto, sua cabeça estava boa, tinha boa memória, lia muito, fazia caminhadas, jogava damas com os amigos, era um velhinho ativo.  Os esquecimentos dos medicamentos eram propositais, pois não gostava de tomar remédios.

Mas os filhos ignoraram sua vontade, não respeitaram seu desejo de ficar em sua casa. 

Alugaram a casa do pai e, com a renda, pagavam a estadia no asilo, chamado pomposamente de casa de repouso.  Tudo o que os moradores do local não queriam era descansar.

No asilo tinha horário para tudo, de forma que uniformizaram a vontade de todos, desconhecendo as peculiaridades e idiossincrasias de cada indivíduo.  Hora para levantar, para tomar café, para tomar banho, para passear, fazer exercícios, dormir, almoçar, ver tv, etc.  As individualidades ficaram em casa.

Já tinham ido a vários bailes.  Era uma das poucas coisas que ele  gostava de fazer.  Ficava feliz com as músicas, com o fato de ter novamente uma mulher em seus braços, dançando, recordando sua juventude.  O prazer de dançar, rodopiar pelo salão, sentir a música penetrar em seus sentidos, deixava-o muito feliz.  Ainda mais quando encontrava uma parceira que soubesse dançar e flutuasse em sua mãos, que a conduziam com leveza.

Já tinha participado de vários bailes.

Mas, aquele dia, ia colocar  em prática o plano que arquitetara.

Não ia voltar mais para o asilo.

Enquanto todos se distraíam dançando, e quando a responsável foi ao toilette, saiu discreta e silenciosamente pela porta dos fundos e sumiu.

Ao final do baile, chamaram a polícia, pois a responsável, ao contar os velhinhos e fazer a chamada, verificou sua ausência.

Até hoje ninguém sabe onde o velhinho foi parar.




Imagem: https://pt.coolclips.com/m/vetores/vc009710/casal-dan%C3%A7ando/#  



Lorení/Joinville, 2/8/2023.

domingo, 21 de outubro de 2012

Bodas de diamante.

Nos nossos dias, coisa mais difícil é encontrar um casal que esteja casado há mais de um ano, dois.  Meu marido e eu já somos raridade, pois estamos casados há quase 35 anos.  Já somos vistos como animais em extinção, pelo menos aqui no Brasil.
Mas mais raro, creio que raríssimos, quase 'ets', são meus pais: conquistaram a glória de estar casados há 60 (sessenta) anos.  Há uma lista que nos informa que tipo de bodas cada ano de casados representa, que é de domínio público.  Os 60 anos são Bodas de Diamante.
Creio que pessoas ricas que alcançam esta data se presenteiem mutuamente com anéis de diamante, para representar realisticamente esta data, para eles importante.  Nós, pobres mortais, conseguimos colocar um brilhante, não menos expressivo em sentimentos, nas alianças de nossos pais.
Não que este tempo todo tenha sido de brancas nuvens, ou de morangos e chantilly no café da manhã.  Enfrentaram eles ventos e tempestades durante todos estes anos, sinalizando o fato de serem brasileiros e pobres; sinalizando a dificuldade de criar e educar quatro filhos, desde o tempo das ditaduras que passaram por nosso país, à época atual, em que se vive uma democracia aparente (nós, povo, temos o sentimento de ditadura branca do PT sobre nossas cabeças).  Também sinalizando vitórias e derrotas sobre doenças que se abateram sobre os componentes da família; mais vitórias, pois meus pais estão aí, firmes, ele com 85 anos e ela com 77.  Embora meu irmão mais novo tenha falecido este ano, os demais mantém-se unidos, cuidando de seu tesouro, seus velhos pais.
Aqui minha homenagem a eles, que souberam tão bem contornar estes 60 anos de vida, tanto sorrindo nos dias de sol, perfume das flores e primavera, como chorando nos dias de tempestade e turbilhões.  Ensinaram-nos a viver a vida com tudo que ela  apresenta, sorrindo e chorando, conforme a circunstância. Este tempo representa para nós uma lição sobre amor, perseverança, não desistir do outro, enfrentar dificuldades, comemorar alegrias, respeito, união, companheirismo,  felicidade.
Aos meus pais, meu abraço carinhoso, e o orgulho de ser sua filha.










Meus pais e suas alianças com brilhantes, símbolo de seus 60 anos de casados. (Imagem de
Athena, reprodução proibida)