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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

37 anos de Magistério - e a dignidade da pessoa humana?





Ensinando a amar a leitura, literatura, alto conhecimento


Ao concluir a faculdade de Letras, sentia-me insegura para ser professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Eu tinha 22 anos, fizera um pequeno estágio NÃO REMUNERADO, e não tinha, a meu ver, condições de lecionar.  Meus professores da FAFI disseram literalmente: " Não estamos aqui para ensiná-los a dar aulas, isto vocês se virem para aprender.  Estamos aqui para ensiná-los a pensar" - a pensar como eles, época da ditadura, professores esquerdistas.  Alguns, após a aula, iam dormir no quartel.
Desde os 16 anos eu trabalhava durante o dia - 8 horas - e estudava à noite.  Creio que já falei sobre isto. Pobre, não tinha situação financeira que me permitisse só estudar, e meus pais também não tinham esta disponibilidade de recursos.  Trabalhei como secretária de um advogado, e, depois em uma Companhia de seguros; posteriormente, secretária em uma empresa de revenda de tratores e implementos agrícolas.  Então, não tive como fazer o curso Normal, que ensina a lecionar.  Fiz o Curso Técnico de Contabilidade, e o Curso de Letras, que era o mais perto do que eu queria - Jornalismo.  Porém, este último só tinha em Santa Maria ou Porto Alegre o que, por motivos óbvios, não me permitia cursá-lo.
Era 1977.  Casei no último dia do ano.  Fomos morar em outra cidade, perdi meu emprego.  Procurei em várias empresas para trabalhar no que eu mais entendia, mas não consegui.  E surgiu a oportunidade para lecionar em uma escola particular e numa pública - ambas sempre carentes de profissionais. Criei coragem e fui me candidatar.  As duas vagas eu preenchi.
Desnecessário dizer da minha angústia nos primeiros tempos, pois desconhecia a burocracia que os professores têm que dominar, além de seus conteúdos.  Precisei aprender a lidar com cadernos de chamada e suas peculiaridades, reuniões pedagógicas com a Supervisora Pedagógica.  Reuniões de área, com os colegas de Língua Portuguesa.  Reuniões da Diretoria da Escola e Supervisão Escolar com todos os professores.  Distribuição de turmas, horários, etc, etc, etc Atividades extra-classe, sem remuneração, provas, boletins, atendimento aos pais, e assim vai.
Mas o que mais me angustiava eram as aulas.
Tive a sorte grande de ter duas colegas maravilhosas - Maria Mercedes Cavalheiro e Ilca Laskoski.  Ambas praticamente me ensinaram a preparar aulas, o preenchimento correto dos cadernos, a escolher textos, a preparar provas.  Devo isto a elas, e reconhecerei por toda minha vida.  Como sempre tive facilidade para aprender, e aliado aos conhecimentos teóricos da faculdade, tornei-me uma ótima professora, sem modéstia nenhuma.  Resultado obtido do trabalho a três.
Durante dois anos trabalhei nas duas escolas: na particular, fiquei até o fim da licença-gestante de minha primeira filha.  Na escola pública, como contratada até o nascimento de meu segundo filho, oportunidade em que fiz concurso e passei a ser professora efetiva concursada.
Desde 1978 eu luto junto com meus colegas de profissão pelo que eles chamam de  "valorização do magistério".  Eu cansei de ouvir esta expressão.  Nossos salários, desde aquele tempo, são os piores possíveis.  Para 20 horas semanais, o que se entende por meio turno, um professor ganha pouco mais do que o salário mínimo brasileiro.
Na década de 80 tivemos a implantação do plano de carreira do magistério estadual.  Até ali, os professores eram contratados por indicação; se tivessem divergência política com a direção da escola - que era escolhida por acordo político - o professor era demitido.  Era um troca-troca de professores infernal.  Então os professores, junto com o poder público - Legislativo e Executivo- implantaram um plano de carreira. E os professores, a partir de 1988, com a Constituição Cidadã, somente deveriam ser admitidos por concurso público, para evitar as perseguições políticas.
Neste plano de carreira, os mestres, no decorrer do tempo, e de acordo com sua capacitação por estudos, devidamente comprovada através de cursos universitários, passa  do nível 1 até o 6, com as seguintes características, numa Progressão vertical:  
    N1 – Ensino Médio                                                                                               
    N2 – Ensino Médio com estudos adicionais
    N3 – Licenciatura Curta
    N4 – Licenciatura Curta com estudos adicionais
    N5 – Licenciatura Plena
    N6 – Pós-Graduação.
Também os professores são submetidos às Classes, que vão da "A," a "F", assim:
Progressão horizontal: Se dá através do sistema de promoções de classes (A, B, C, D, E e F), tanto por antiguidade, como merecimento, todas definidas por um percentual de 10% sobre o valor da Classe A. A avaliação é periódica, e valoriza a formação permanente através de cursos de aperfeiçoamento e atualização.
 Quando ingressei no magistério, entrei na classe A, nível 3. Depois de cursar a Licenciatura Plena - já com dois filhos pequenos, morando em uma cidade distante 40km da faculdade, consegui ser promovida para o nível 5.  Depois de alguns anos, não sem dificuldade - NUMA FACULDADE PARTICULAR, SEM NINGUÉM QUE BANCASSE MEUS ESTUDOS - concluí o Curso de Pós-graduação, conseguindo atingir o nível 6. 
Neste meio-tempo, fui lecionando para alunos de ensino fundamental, a partir da 5ª série, e para alunos de ensino médio.
Tornei-me, ao lado dos meus colegas, uma lutadora. Filiei-me ao sindicato dos professores estaduais gaúchos, o CPERS/SINDICATO. 
Nossa luta nunca foi sossegada.
Apesar do plano de carreira, nossos salários sempre foram muito baixos, aviltados mesmo.  Comparando com a pessoa que eu pagava para cuidar de minha casa e meus filhos enquanto eu trabalhava, quase tudo que eu ganhava ia para ela, se não considerasse o pagamento do INSS.  Mas com carteira assinada, eu ficava no déficit.
Por que não mudei de profissão, como muitos me diziam?
As pessoas que sugerem a um professor que mude de profissão nunca entraram numa sala de aula repleta de pessoinhas que  aguardam ansiosamente, com rostos curiosos por saber de que vais falar. 
Desconhecem o prazer que é quando um aluno diz "agora entendi, professora", e fica radiante diante de sua evolução e aquisição de conhecimento. Não conhece o brilho dos olhos dos alunos pelo prazer de aprender.
Desconhecem o que é adquirir o conhecimento, através do estudo, repassar o mesmo aos alunos, e instigá-los a buscar mais, não ficar somente com aquilo que é passado na escola.
Nunca vi alguém dizer a um médico, advogado, engenheiro, banqueiro, empresário, odontólogo, e profissionais de outras áreas do conhecimento: "Não está satisfeito? Procura outra profissão."
O que vi, durante o período em que me dediquei ao magistério: alunos que entravam no começo do ano com muitas dificuldades de escrita, vocabulário, conhecimentos gerais, temas da atualidade; desconhecimento da literatura, tanto brasileira quanto estrangeira; desconhecimento de fatos históricos, que muitas vezes são narradas literariamente; com dificuldades de leitura e compreensão de textos simples, os quais, a todos eles, dediquei-me com vontade, lucidez, persistência, mania de perfeição, alegria e vontade de vê-los melhor, no fim do ano, do que entraram.  Ensinei-lhes o que é o conto, o prazer da poesia, da leitura em voz alta, da escrita nos vários estilos adequados às séries, a conhecerem o romance, e os vários estilos e autores.  E quando chegava o fim de ano, pegando uma redação dos primeiros dias e uma dos últimos - eu era louca, fazia uma redação por semana em cada turma - dava prazer comparar e verificar a evolução. E o Brasil precisa de professores. Já pensaram quando todos abandonarem a profissão?
Mas... por que falo tudo isto?
Por que durante todo o tempo em que fui professora, tive que brigar com os governadores do Rio Grande do Sul.  Todos, sem exceção, desde 1978, achataram e achacaram nossos vencimentos, considerando-nos profissionais de segunda classe, se comparados com mestres de outros países.  Sempre estivemos correndo atrás da máquina, fazendo reivindicações, greve, viajando do interior do Rio Grande a Porto Alegre para bater às portas do Palácio Piratini, esmolando aumento. E esmolando a construção, manutenção de escolas; a criação de bibliotecas, laboratórios, quadras esportivas, nem se fala em auditórios. E merenda escolar, pois são alunos de escola pública, a grande maioria pobres.
Hoje, não esmolamos aumento, nem isto. Muito menos a manutenção da escola.
Aposentados, ao lado dos que estão na ativa, mendigamos o simples pagamento dos vencimentos, o que, muitas vezes, com vários governadores, tivemos que correr atrás. E muitos nos agrediram, dizendo que o que pesa na folha de pagamento são os aposentados.  Depois de tantos anos dedicados ao afã de ensinar, somos considerados pesos! Muitos de nós, com idade avançada, com diversas doenças que precisam ser tratadas, atendidas, vêem-se à mercê de governadores inescrupulosos que, não duvidamos, teriam vontade de liquidar-nos para não ter que nos pagar.
 Mas o atual governador conseguiu superar os demais: além de parcelar os vencimentos, está ameaçando não pagar.  É o cúmulo do ABUSO DE PODER E DE AUTORIDADE.  Os professores e os funcionários públicos trabalharem e não receberem seus vencimentos, que são considerados ALIMENTOS! 
É UM DESRESPEITO À DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, insculpido na nossa Constituição Federal.
O presente texto, além de repudiar a decisão do governador Sartori, é uma DENÚNCIA sobre o que governadores incompetentes administrativamente vêm fazendo com o Magistério Estadual do Rio Grande do Sul, no decorrer do tempo. E descumprindo, reiteradamente, o que é de sua competência como Poder Executivo Estadual, ou seja, manter os percentuais legais para a educação, incluindo neste percentual o pagamento dos vencimentos dos professores- nem se fala em cumprir Lei Federal sobre o Piso do Magistério- e a manutenção das escolas.
O orçamento do Estado está comprometido?  Quando a pessoa adere a funções políticas, sabe que vai ter que dar seus pulinhos para resolver os problemas do Estado.  Já dizia   um ditado popular muito antigo: quem não tem competência, não se estabeleça.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Direito à educação - parte II




Continuando com a publicação do Trabalho de Conclusão de Curso: (reprodução proibida; caso queira citar trechos do que encontrar aqui, favor citar a fonte)


"Capítulo 1 – A educação no Brasil

            1.1. Conceito de educação
            Para uma maior compreensão e alcance de tudo quanto                                     vai ser explanado neste trabalho, necessário se faz estabelecer um conceito sobre o tema proposto, ou seja, educação. Entre tantos disponíveis, um encontra-se no Dicionário “Aurélio”[1], que explicita:
“Educação: (do lat. Educacione) 1. Ato ou efeito de educar(-se).  Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social: educação da juventude; educação de adultos; educação de excepcionais;(...)”, entre outras definições.
            Segundo esta definição, educação é um processo que dá-se no transcorrer de um tempo durante o qual ocorre uma aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de todas as capacidades e potencialidades do educando.
            Ampliando esta definição, encontra-se em Regina Muniz [2] que
“o conceito de educação, na sua etimologia, sempre foi afetado por uma dupla influência: ou entendiam-no como desenvolvimento das possibilidades interiores do homem, onde o educador apenas as exteriorizava (nativismo), ou consideravam-no como conhecimento humano adquirido pela experiência (empirismo).  Os dois vocábulos latinos educare e educere, origem etimológica do verbo educar, encerram esta dupla concepção.  O termo educare compreende um processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano em geral, visando sua melhor integração individual e social. (...) Educere possui o sentido etimológico inclinando-se por uma educação em que o mais importante é a capacidade interior do educando, cujo desenvolvimento só será decisivo se houver um dinamismo interno.”[3]
            Ainda, segundo Regina Muniz, a finalidade da educação “é tornar os homens mais íntegros, a fim de que possam usar da técnica que receberam com sabedoria, aplicando-a disciplinadamente. Instrução e educação (...)necessariamente devem caminhar juntas e integrar-se”.[4]
            Complementando, esta autora  expõe que “um homem educado saberá distinguir com mais critério o que é bom para si e para a humanidade, saberá descobrir e colocar em prática os princípios universais que já se encontram nele em potência, fazendo-o brilhar em ato dentro do direito positivo.”  
            Ainda, para clarear a concepção de educação  e/ou de indivíduo educado, que se pretende viceje neste trabalho, outro autor, Emerson Garcia[5], expõe:
“educação (...) indica a ação de criar, de alimentar, de gerar um arcabouço cultural. (...) possibilita o pleno desenvolvimento da personalidade humana e é um requisito indispensável à concreção da própria cidadania.  Com ela, o indivíduo compreende o alcance de suas liberdades, a forma de exercício de seus direitos e a importância de seus deveres, permitindo a sua integração em uma democracia efetivamente participativa. (...) Além disso, é pressuposto necessário à evolução de qualquer Estado de Direito, pois a qualificação para o trabalho e a capacidade crítica dos indivíduos mostram-se imprescindíveis ao alcance desse objetivo.”
            Tem-se, então, por certo,  que a educação proporciona ao indivíduo   melhores condições de viver em sociedade, de realizar-se profissionalmente, de progredir como ser humano, de relacionar-se com outras pessoas de seu nível e/ou inferior ou superior; ter mais criatividade, possibilidade de discernimento das diversas situações que se lhe apresentem na vida, enfrentamento de todo o tipo de vicissitude que lhe possa ocorrer,  escolher adequadamente seus representantes políticos, debater em pé de igualdade com outras pessoas que tenham o mesmo cabedal de conhecimentos, entre outros fatores.
            Para fins deste trabalho, concorda-se que a educação possibilita o desenvolvimento pleno do ser humano, tanto das aptidões psíquicas, mentais, físicas e morais, quanto científicas e tecnológicas, bem como de  todas as suas potencialidades e exercício  absoluto da cidadania.  Educado, o indivíduo terá formas de contribuir para uma vida melhor em seu meio  social, e estimular o desenvolvimento do seu país.



[1] Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa,2ª ed. revista e ampliada, Nova Fronteira, 1995,     p.619.
[2] O Direito à educação-RJ:Renovar,2002, p.7.
[3] Muniz, Op. cit. p.8.
[4] Muniz, Op. cit. p.9 e 69, 71.
[5] O direito à educação e suas perspectivas de efetividade. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n.480, 30 out 2004. Disponível em http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id-5847, acesso em 07/11/2008."


domingo, 26 de agosto de 2012

Educação - uma resposta à "O rombo da educação é o cabide de empregos de 46 bilhões de reais"

greve na educação

 

   Agora estou aposentada, nem faço mais parte das estatísticas.  Mas, uma vez professora, sempre professora.
        Este ano, como em anos anteriores, tivemos problemas com greves em escolas, de todos os níveis, em escala municipal, federal e estadual.  Os problemas da educação no Brasil são eternos e insolúveis, pelo que constato há 35 anos.
         Encontrei em meus arquivos um texto que eu tinha escrito sobre um comentário de um senhor, há mais de um ano, que escreveu em uma revista semanal brasileira, e fez meu sangue ferver  e tentar responder; mas eu estava me sentindo tão agredida na minha profissão, que acabei perdendo uma parte do texto.  Fiz, inclusive, algumas pesquisas, fugindo ao meu estilo de escrita.  Se este texto terá alguma repercussão, não sei; é quase o mesmo que comentar um assunto do jornal velho, que anda voando pelas ruas; entretanto, o assunto é sempre atual, visto que as autoridades competetentes só se lembram dos professores, dos alunos e das escolas, em ano de eleição, como este ano.  Ao texto, então:

     Semana passada, na Revista Veja, páginas 116 e 117, Gustavo Iochpe, economista que se diz conhecedor profundo da educação brasileira, desceu a lenha nos professores brasileiros; não só nos professores, mas também nos funcionários de escolas e, por tabela, nas direções, coordenações pedagógicas, coordenações de turnos, de professores e tudo o mais. Disse que são mais de 5 milhões de funcionários na área de educação no Brasil, pouco mais de 4 milhões na rede pública.  Que gasta-se demais na educação; que o salário mensal do professor na rede pública é de R$ 2.262,00. Ainda mandou ter "cuidado com os discursos do pessoal que fala do "salário de fome"".
     Não disponho de todos os dados que sua excelência dispõe, mas alguma coisa consegui pesquisando na internet:
- média nacional da remuneração dos professores R$ 1.777,86  -salário em início de carreira; ensino básico; rede pública\set.2009.  R$ 23,112,18\anual cada professor, já com 13º  salário. (fonte:http://www.apeoc.org.br/extra/pesquisa.salarial.apeoc.pdf). 
     Qualquer pessoa com conhecimento mediano, sabe que um salário destes dá condições mínimas de vida para uma família de 4 pessoas, o que sempre vejo nas estatísticas.  
     Há alguns anos, li nesta mesma revista,   reportagens de como os tigres asiáticos, Estados Unidos e outros países tornaram atrativa a profissão de professor:  remunerando bem estes profissionais, para angariar os melhores cérebros, que só viriam para este trabalho se  fosse compatível à das maiores empresas multinacionais, pois ninguém, de acordo com este pensamento, em sã consciência,  que tenha alta qualificação, conhecimento científico e ambição, vai para o magistério para ganhar salário de fome.  Por tabela, este pensamento coloca todos os professores num nível de interesse profissional, inteligência e anseio vivencial abaixo da média.
     Não sou estatístico, nem economista, detesto fazer cálculos; minha praia são as letras; então, vocês, curiosos blogtores, façam as contas se vale a pena ganhar o salário MÉDIO NACIONAL (seria até interessante acessar o link acima que faz um comparativo do salário do professor em todos os estados brasileiros), para trabalhar com:

alunos no 1º grau.......51,5 milhões (censo escolar 2010 - www.brasil.gov.br)
alunos no ensino médio: 8.357.675 alunos
alunos no 3º grau.......5,95 milhões
em 2010 os investimentos em educação foram de 5% do PIB;
Professores............1,97 milhão de professores em sala de aula (censo escolar 2009).
Dá pra encarar?
     Fala o autor do famigerado texto, que os professores têm padrinhos e são utilizados como instrumento político pelos mesmos.  Onde? Quando? Se para ter acesso, pelo menos nas escolas estaduais ou municipais, é necessário concurso público?  São acusações levianas. Fala em cabide de emprego - onde?  A impressão que tenho é que este senhor nunca esteve dentro de uma sala de aula, nunca acompanhou o cotidiano de uma escola; não sabe como se organiza um ano letivo, como se preparam as aulas, como se faz a distribuição de alunos por série\turno\idade\nível de conhecimento; não entende de reuniões pedagógicas, nem de currículo escolar, nem trabalho da secretaria, merenda escolar, biblioteca, educação física, reunião com pais e com a comunidade, manutenção do espaço físico, entre outras demandas.  Também, economistas só entendem de números...
     Compara aquele autor dados do Brasil com o de países desenvolvidos; qualquer pessoa de médio conhecimento sabe que, onde há excelência, não há desperdício;  se temos tantos funcionários por escola que não são professores, ou estão aposentados - o que também gera um gasto para os estados-, é por que as administrações estaduais, municipais ou federais não estão sabendo administrar.  Quem sabe, para reduzir os gastos com a educação, não se mate todos os professores e funcionários aposentados?  Não seria uma boa idéia?  Afinal, já não estão mais 'produzindo', e inflam as folhas de pagamentos dos órgãos públicos... Até fico com medo de dizer isto, pois temo que mandem me assassinar.
     Há alguns anos li que no Japão a única pessoa para quem o Imperador faz reverência é para o professor.  Também soube que D.Pedro II teria dito o seguinte: "Se eu não fosse Imperador, desejaria ser professor.  Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências juvenis e preparar os homens do futuro."
     Para encerrar,  só uma idéia de quanto se gasta com os nossos ilustres parlamentares, que não dão aulas, não trabalham como merendeiros ou em secretarias de escolas, mas custam ao nosso bolso bem mais do que os poucos milhões de professores\funcionários de escolas, e roubam dinheiro que deveria ser investido na educação, na saúde, na segurança, e em outros destinos:

- Temos 513 deputados (wikipédia)- custo médio anual: por parlamentar - R$10.200.000,00
(fonte org transparência brasil);
cada parlamentar, R$ 11.545,00\minuto.
- Temos 81 senadores -  R$ 33 milhões\ano.
     FORA O QUE PEGAM POR FORA, EM PROPINAS, DESVIOS DE VERBAS, CORRUPÇÃO....
     Nada mais a declarar, por agora.