Mostrando postagens com marcador sol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sol. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de junho de 2023

HUMANA NATUREZA

 

                                                                  Rio Uruguai, 2020.

(Foto da autora, proibida a reprodução sem autorização.)

 


Cerro as pálpebras.

O motor do barco ronrona suavemente.

A aragem toca levemente minha face.

Num instante, compreendi meu pai que amava ir pescar.

Tinha sua canoa rústica, movida a remos.

Só levava meus irmãos.

Privou-me desse prazer,

Sentido agora,

De flutuar sobre as águas,

Aspirar o cheiro do rio,

Escutar o ruído das ondas

Formadas pelo deslizar do barco.

O ar fresquinho envolve meu ser neste verão.

O sol abana, lá ao longe, num vermelho majestoso,

Recolhendo-se,

Após mais um dia de brilho soberbo, imponente,

Entranhando-se no rio,

Indo dormir com os peixes.

A paisagem acalma-me,

Evoco meu ser primitivo,

União de corpo e natureza.

Um bem-estar toma-me por inteiro.

Paz,

Rio Uruguai,

Humana natureza.



(Fevereiro/2020.)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Descanso anual - viagens III

Todos os anos, após o período regular de aulas da minha filha, e após as festas de fim de ano, saímos alguns dias de nossa rotina para tentar descansar.
Este ano não foi diferente.
Entretanto, junto com nossa vontade de espairecer, viajou  uma preocupação: minha tia e madrinha estava severamente adoentada, com o que chamo mal do século: câncer.  Como escrito na última postagem, ela faleceu depois de nosso retorno.
No entanto, como  gostamos de curtir as férias na beira do mar, fomos para Itapema/SC, e tivemos dias muito bons.  Alguns dias de sol, em que aproveitamos para sentir seu calor tocar em nossas peles, fazer um dia bonito, com nuvens brancas e mar azul, e outros carregados de nuvens de chuva, também necessárias, em que aproveitamos para dormir (até parece que não temos cama em casa!), assistir tv, ler, passear.
Num destes passeios, no qual contamos com a companhia agradável e carinhosa de meu filho, sua namorada e filhinha, fomos conhecer a praia de Camboriú, e realizar um dia de aventuras. O mais emocionanate, e que nos causou pânico, a mim e a meu marido - a pequena só vibrava - foi de teleférico, entre uma ponta da praia e um morro da Mata Atlântica, e depois desta para outra praia, de Laranjeiras, muito bonita, fora o retorno.  Andamos por sobre o mar e a mata, pendurados por cabos elétricos.  Com pânico, mas fui - eu sou assim, com medo, mas enfrento.  Foi um dia maravilhoso, paisagens lindíssimas, restaurante com comida gostosa, sobremesa idem, e umas lojinhas pra alegrar a mulherada, com quinquilharias.
Passeio de teleférico pela Mata Atlântica - Camboriú/SC




Vista de Camboriú do teleférico.
 
Vista do Restaturante, Praia de Laranjeiras.




Praia de Laranjeiras, vista do teleférico.



Dos dias chuvosos, guardo a lembrança das leituras, meu único vício.
Ganhei de Natal do meu filho "Diálogos Impossíveis", do Luís F. Veríssimo; um livro de crônicas publicado em 2012; parece-me que recobrou a mão para escrever, crônicas bem divertidas.
Já tinha lido comentários sobre "A Queda", do Diogo Mainardi, em que ele relata, de forma inusitada, mas não sem emoção, raiva, denúncia, o que ocorre em termos de saúde não só no Brasil, mas também na Itália, Veneza, onde nasceu seu filho, em um parto apressado pela obstetra italiana, que deixou-o com deficiência mental. Emocionante; ele pára de narrar quando sai a sentença que condena a médica e o hospital, a pagar uma bela indenização ao menino por erro médico, o que permitirá que ele tenha tratamento por toda a vida, e uma vida confortável.
Já comentei outro livro do Juremir Machado da Silva em outra postagem; li agora "A orquídea e o serial killer", um livro de crônicas.  E aproveito para corrigir um erro da outra postagem: ele publica suas crônicas diariamente no Correio do Povo, e não na Zero Hora, como coloquei.  É culpa dos muitos anos fora do Rio Grande do Sul, a gente assimila as coisas pela metade.
Nestas crônicas Juremir mostra toda sua linha de pensamento, sua crueza de linguagem, sua acidez, seu olhar crítico sobre a sociedade, o país e o mundo.  Excelentes crônicas, das quais destaco uma , por eu pensar parecido com ele, por ter exercido a profissão de professora de Português durante muitos anos: "Saudades do trema", em que ele comenta que Portugal quer rever o acordo ortográfico, e que muitas palavras, tanto aqui, quanto lá, ficaram sem sentido ou mudaram de sentido, por causa da acentuação.  Tem todo meu apoio.  Como suas críticas são como uma arma rotativa, que gira atirando pra todo lado, em alguns textos estou do lado do escritor, em outros estou no extremo oposto.  Todos nós somos antagônicos e não temos um lado só. C'est la vie!.
E, segundo um desejo bem meu, que me propus ler toda a obra de Honoré de  Balzac, por gostar da cultura francesa, e para conhecer um dos maiores escritores de todos os tempos - e aprender com ele - encontrei na pequena livraria da praia "Estudos de mulher e Eugênia Grandet". São dois livros que li, cada um, numa pegada; são pequenos, fáceis de carregar e de ler. Eugênica trata de uma 'pobre menina rica", criada pelo pai numa severidade e pobreza extremas, para economizar sempre, embora o pai fosse um homem de negócios e riquíssimo.  Apaixona-se por um primo falido, que vai embora, a mãe morre, o pai morre e ela fica solteira a vida inteira.  Falando assim parece simplista e desinteressante; a forma como Balzac narra é fantástica.
Nos Estudos de mulher, ele narra as suas concepções sobre as almas femininas de seu tempo, em que o que valia era o dinheiro - embora digam que o capitalismo veio depois; os títulos de nobreza, os saraus, as discussões filosóficas, os casamentos arranjados, as traições  os divórcios, tudo na linguagem da metade do século XIX.  São dois exemplares que fazem parte d"A Comédia humana" , em que ele analisa a sociedade francesa de vários ângulos, desnudando-a para os de sua época e para nós, curiosos do século XXI. Bons livros, a chuva passou rapidinho...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Janelas II - fundo de gaveta 2

   




Embora eu tenha batido esta foto nas férias deste ano, vejo que meus temas são recorrentes.
  Continuando minha faxina, encontrei um poema que fiz em dezembro de 1990, provavelmente na praia, pelo assunto.  Dividindo:

Janelas II

Daqui onde estou agora
Vejo prédios, casas
em cujos telhados
observo a ação da maresia.
Lá, mais longe,
dois prédios gêmeos de estrutura,
mas de cores diferentes.

Por detrás de tudo isto,
o mar.

O mar dos verdadeiros tubarões,
em seu hábitat perfeito;
o mar que sorveu tantas vidas;
o mar que alegra as crianças
que querem surfar...

O mar que bate
para todo o sempre
suas águas na areia
que, de quente, fica gelada.

O mar com murmúrios de amor,
do vento renitente,
a bater, a bater, a bater...

O mar, que,com seu sal
mais o sol
bronzeia os corpos
de todos os feitios.