domingo, 7 de agosto de 2011

Mas a gente ria, ria, ria tanto....e às vezes nem sabíamos o porquê.

     Gosto de recordar da minha adolescência.  Naquele tempo..., nem vou falar a década pois vocês já sabem, e dirão que o alemão está tomando conta da minha cabeça (o Alzheimer...), pois fico me repetindo...  Paciência, a vida é assim mesmo, chega um momento em que a adolescência e a juventude firmam em nossa mente como o melhor dos tempos.  Às vezes é verdade, mas às vezes é uma falácia.
     Nauele tempo havia uma espécie de vestibular para sair do curso primário - 1º ao 5º ano-, para o ginásio, e a gente fazia um exame para ver se estava capacitado, que era o "Exame de admissão ao ginásio".  Como eu estava em uma escola pública, o Grupo Escolar Nossa Senhora da Penha,  já em setembro do 5º ano comecei a acompanhar, à tarde, as aulas no CEAP, para estar no mesmo nível dos alunos de lá. Mas, porém, todavia, contudo, surpresa!!!!! : nós já estávamos à frente,  tínhamos visto toda a matéria que eles estavam estudando.  Pra mim foi fichinha passar por esta primeira grande avaliação.  Muitos alunos que não passavam no exame, não repetiam o 5º ano, mas repetiam o exame no ano seguinte, e perdiam um ano de estudos.


(Imagem: http://www.google.com.br/imgres?q=exame+de+admiss%C3%A3o+ao+gin%C3%A1sio&um=1&hl=pt-BR&client=firefox-a&sa=N&rls=org.mozilla:pt-BR:official&biw=1366&bih=598&tbm=isch&tbnid=zjnQAWtD5sCSuM:&imgrefurl=http://blcamargo.blogspot.com/2009/09/imagens-escola-livro-admissao-ao.html&docid)

      Mas o que ficou depois, durante os 4 anos do ginásio, foram as grandes amizades que fiz com algumas colegas, pois éramos companheiras na aula, nos grupos de pesquisa - a gente ia pra biblioteca, à tarde, fazer pesquisa; fazer ginástica e paquerar, contar piadas, e a gente ria, ria tanto que era uma maravilha!


 (Acima a quadra de esportes onde ganhamos e perdemos muitos jogos, porém nos divertimos muito).

     Tem uma amiga em especial, a Lúcia, de quem sou amiga até hoje, embora moremos em estados diferentes, pois ela permaneceu no RS; lembro-me de nós, entrando nas livrarias pra comprar material, conversando muito e rindo alto; nas aulas de educação física em que ela, mesmo sendo pequenininha, tinha um potente saque nos jogos de voleybol, enquanto que eu, magra e comprida, tinha um saque pífio que, quando chegava até a rede e a transpunha, todo mundo vibrava.  Mas eu adorava jogar.  E nos saltos em altura, a pequerrucha pulava mais que sua altura, e eu...quando alcançava a primeira marca, sem derrubar a vara, ficava muito feliz.  Eu gostava mesmo era de salto em distância, pois caía na areia fofa...mas ríamos muito de tudo isto.


     Assim era a escola à época em que fizemos o ginásio; as fotos foram copiadas dos arquivoss da escola, em seu endereço eletrônico. Ao redor desta quadra nós fazíamos as corridas de 400m, e a professora com o cronômetro; quando saíamos do alcance do olhar dela, caminhávamos ao invés de correr, e conversávamos muito dando risada alto.  E os meninos gostavam de nos ver fazer ginástica, pois o uniforme era um saiotinho, tipo de jogar tênis antigamente, com um calçãozinho por baixo; mas as pernas ficavam de fora, e a gurizada vibrava. 

                                             Era parecido com este nosso uniforme de educação física.
(Imagem:http://manequim.abril.com.br/moda/figurinos-na-tv/figurinostv_301390.shtml?page=page4).

     Muitas vezes saíamos da aula às 11 horas, e ficávamos em uma esquina perto da escola conversando muito, contando piadas, tinha uma amiga, a Maria, que sabia todas, eu só escutava, nunca soube contar piadas.  E ríamos à solta, período bom, sem preocupações na cabeça, só música, os quase-namorados, nossos cantores e atores favoritos, a tv que estava aparecendo, os filmes que passavam no cinema, os bailes a que íamos e dançávamos a noite inteira, sem descansar nem cansar.  Tempo bom, que ficou marcado na memória ...
     Geralmente minha amiga Lúcia sentava à minha frente, em sala de aula, pois era mais baixa, e, quando não podíamos falar, pois os profes estavam explicando matéria, a gente passava bilhetinhos, com comentários sobre aula, colegas, gatinhos, qualquer assunto, e a gente ria, mas ria muito mesmo. Tempos atrás estava fazendo uma faxina nos meus livros e materiais que guardava desde sempre, e encontrei alguns destes bilhetes.  Diverti-me dobrado, lembrando aquela fase gostosa.
     Estes tempos, estava conversando com minha mãe, e ela me disse que também em sua juventude ria muito mais do que agora; e raciocinou que depois vêm os problemas, filhos pra cuidar, casa, trabalho, e a gente acaba esquecendo de rir, embora haja um ditado que diz que rir é o melhor remédio, faz bem para tudo.
     Outro tempo que me lembro em que ria muito, ainda, era quando estava na faculdade de Letras, 18\20 anos.  As colegas eram outras, tínhamos um grupo de 4 amigas pra tudo: trabalhos, pesquisas, auxílios, cuidar se os namorados saíam sem nós, etc...falar dos bailes, de quem víamos nos cinemas, nos passeios, moda, roupas e sapatos, bolsas, e também ríamos pra valer, tanto, que um dia, jamais esquecerei, nosso professor de Linguística, uma das matérias mais difíceis do curso... mandou-nos sair da aula e só voltar quando conseguíssemos parar! quatro moças, na faculdade....que feio! mas era bom, muuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiito bom! e hoje faz parte das boas lembranças.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A média de livros lidos pelos brasileiros

   

(Imagem:  http://www.google.com.br/imgres?q=pessoa+lendo&um=1&hl=pt-BR&client=firefox-a&sa=N&rls=org.mozilla:pt-BR:official&biw=1366&bih=598&tbm=isch&tbnid=rL6j15Oh1nNLuM:&imgrefurl=http://manuangelo.oxente.org/tag/desenho-colorido/page/11&docid=OT_l0wTMrEJ1YM&w=874&h=756&ei=utI7Tu-TA4y_gQfb1YHPBg&zoom=1&iact=hc&vpx=179&vpy=275&dur=1544&hovh=209&hovw=241&tx=154&ty=147&page=8&tbnh=132&tbnw=153&start=146&ndsp=19&ved=1t:429,r:13,s:146)



     Em informaçõesm obtidas em julho, soube que os brasileiros lêem  em média 4,7 livros por ano, incluídos didáticos. Procurei no site do IBGE e não encontrei nenhuma informação, então passeei na net e, por diversas fontes, obtive estes dados, inclusive na Câmara Brasileira de Livros.  Soube que os europeus lêem de 8 a 10 por ano, assim como alguns outros sulamericanos.
     Por que isto é importante? E qual a razão de retornar sempre sobre este assunto?  Óbvio, povo que lê tem mais conhecimento, não se deixa enganar e tenta conduzir o próprio destino, eliminando políticos indesejáveis, incompetentes e corruptos. Já diziam meus mestres, há algum tempo: "quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê."
     Já ultrapassei de longe esta média brasileira e também a européia, e estou ajudando a elevar a média dos outros....mas é óbvio que o lucro é meu.
     Abaixo mais um comentário sobre leituras:

·        HOSSEINI, Khaled. O CAÇADOR DE PIPAS. Trad. Maria Helena Rouanet. RJ, Nova Fronteira, 2005. 365p.
 
Romance maravilhoso deste escritor afegão, nascido em Cabul, que eu via na lista dos mais lidos de Veja, mas sempre ficava adiando a leitura, pois ignorava sua beleza.
Narra a história de Amir e seu pai;  ele é órfão de mãe; e de  Hassan, seu amigo e irmão; descreve paisagens afegãs, costumes, sentimentos, relações familiares e amizades, problemas políticos, guerra, coragem , covardia, tudo misturado e muito humano.
Linguagem acessível, romance muito bem escrito, história maravilhosa que vale a pena ler.
Excelente! Não só ler por ler, mas o instante maior do prazer de ler algo que vale a pena, repetindo!




     

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Curtindo a lareira.

     Embora tenha nascido no estado mais frio do Brasil, detesto o inverno.  Só os masoquistas ou quem nunca precisou sair para estudar ou trabalhar curtindo chuva fina e gelada, vento minuano cortante na orelha e que penetra nos ossos, pode gostar disto.  Resumindo: turistas.  
     A cidade em que nasci nem é a mais fria do Rio Grande; as cidades da serra gaúcha, como Canela, Gramado e Caxias do Sul dão de 10 a zero nas cidades do Planalto Médio ou noroeste do estado.  Mas lá, quando faz frio, faz frio; e quando faz calor, faz calor de mais de 30 graus, no verão.
     A primeira vez que nevou no RS eu devia ter uns dez anos, creio que foi em 65.  As aulas foram suspensas, minha mãe não nos deixou sair pra fora, com exceção do irmão mais velho, creio que para rachar lenha para o fogão.


 Esta imagem é a mais conhecida daquele dia, por todos os ijuienses da época, do tempo em que o Trem (uma maria fumaça) ainda rodava frequentemente pela cidade, trancando o trânsito na Rua do Comércio.
Esta outra achei no google, e mostra o centro da cidade coberto de neve.  Meu pai foi trabalhar, e tirou fotos na Praça da República (na foto), que estão lá com ele. E, observem: em preto e branco; na minha terra, fotos coloridas surgiram na década de 70.






Imagens:
(http://www.google.com.br/imgres?q=ijui&um=1&hl=pt-BR&client=firefox-a&rls=org.mozilla:pt-BR:official&biw=1366&bih=598&tbm=isch&tbnid=Kxtxuv-KCI-spM:&imgrefurl=http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php%253Fcod_subsecao%253D32%2526cod_texto%253D208&docid=XfX8_JUtlyCiBM&w=500&h=366&ei=Y7M5TorCHcqSgQeimrHPBg&zoom=1&iact=hc&vpx=915&vpy=229&dur=2935&hovh=192&hovw=262&tx=165&ty=149&page=5&tbnh=132&tbnw=174&start=75&ndsp=18&ved=1t:429,r:16,s:75).


     E se tem uma coisa que me traz boas recordações é o fogão à lenha, no inverno.  Sentávamos, toda a família, à noite, em roda do fogão quentinho, para ouvir histórias que meu pai contava: meu irmão menor no colo da mãe, o mais velho na cadeira dele, eu na minha, e meu terceiro irmão no colo do pai;  às vezes a gente revezava o colo do pai, mas o da mãe era do nenê.
     Tem alguma coisa que me atrai no fogo; gosto de ficar olhando a chama, quanto maior melhor, mas não se assustem, não tenho o espírito do Nero...
     Quando construímos a casa em que moramos hoje, mesmo sendo numa região não muito fria, mandamos fazer uma lareira, pois pelo menos por uma ou duas semanas, de junho ao fim de agosto, faz frio de lascar.  Hoje é um dia destes, então após cumprir minha agenda, cheguei em casa e tentei acender o fogo, porém a lenha estava úmida.  Chorou, chorou que nem viúva, como dizem os gaúchos, mas acabou pegando fogo.  Minha filha disse - que graça tem ficar olhando o fogo?  este filme é chato... já não se fazem filhos como antigamente!   ou já não se contam histórias ao redor do fogo, afinal, temos livros, revistas, tv, computador, e pouco tempo para contar histórias.  Como já falei em outro post, a oralidade nos acompanhou durante a infância, visto que a tv só apareceu mais tarde. 
     Vejo no noticiário que está nevando no sul, inclusive no sul do Paraná; este ano é uma exceção.  Onde está o aquecimento global, num frio destes? 
Nem minha casa aquece toda, somente a sala onde está a lareira.

 
     
    
       O fogo de longe...
     

e de perto...






Imagens de Athena.



     A outra vez que nevou em minha cidade, que me lembro foi em 1975.  Daí eu já era moça, trabalhava e estudava e já conhecia meu namorado, atual marido.  O fogo que me interessava era outro...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Viajando pela Região Sul do Brasil: o desperdício salta aos olhos.

     Estive ausente desde o dia 12 de julho; era o início das férias de inverno de minha filha.  Entretanto, não só por ela estar em férias "descemos" para o Rio Grande do Sul: meu pai, de 83 anos, havia caído, em casa, em virtude de uma tontura, quebrado duas vértebras e estava no hospital.  Ansiosa e temerosa, arrumei apressadamente as malas e nos tocamos, na tarde mesmo do dia 12, rumo ao 'sul maravilha', como eu chamo.

      Porém, nossa viagem, que em sua parte inicial deveria durar de 3 a 4 horas,  durou 5 e meia, mais ou menos.  E todos nós, brasileiros, sabemos os motivos, que saltam aos nossos olhos, e nos agridem no noticiário televisivo/escrito: a buraqueira nas estradas.  São panelas, frigideiras, panelões, quando não banheiras, os buracos nas estradas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.  Para chegarmos ao nosso destino, andamos, normalmente, em torno de 1500km.
  Por causa dos buracos, encontramos três acidentes neste trajeto de ida, mais duas batidas leves: dois carros de passeio, não digo de pernas pra cima, mas de rodas pra cima; um caminhão idem, e dois carros de passeio batidos.  A gente vai desviando dos buracos, saindo de uns e caindo em outros; às vezes, somente na pista contrária não há buracos, e o risco é muito maior.
     Bem a propósito, está acontecendo nos altos escalões de Brasília, o escândalo do DNIT - Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes. A roubalheira é grande, e não só nos altos escalões.  Por isto não sobra dinheiro para fazer estradas decentes com os impostos que nós pagamos, nem para repará-las adequadamente quando prejudicadas pela chuva e pelo movimento intenso e incessante de caminhões de carga, outro erro das políticas brasileiras no último século.
     O incentivo à indústria de caminhões, a construção de estradas em quantidade insuficiente para o escoamento de safras e de todo tipo de produto industrializado, a não utilização do transporte ferroviário e aquático, num país cheio de rios e de dimensões continentais, é uma burrice deslavada que vem desde o século XX.  Sabe-se que as estradas de ferro existentes no país - se estiver errada, me corrijam, e me indiquem a verdade - foram construídas ainda no tempo do Império; posteriormente, foram desativadas e sucateadas.  Acabaram com o transporte ferroviário de passageiros, e pouca carga é transportada por este meio, e pelo que se sabe,  por empresas privadas. Este meio de transporte aliviaria as estradas, tirando os caminhões das mesmas, estes que são os maiores causadores de acidentes por estas vias de locomoção.  E por que não utilizar os meios aquáticos?  Tanto rio no Brasil, o incentivo deste meio de transporte também tiraria das estradas os caminhões; daí dirão: os caminhoneiros ficarão desempregados.  Não, pois os outros meios de transporte exigirão esta mão de obra especializada, em uma forma mais segura de transporte.
     Além dos buracos, atrasa a viagem de quem precisa se locomover por este Brasilzão, os consertadores de estradas, os tais pare/siga: assim como estão tapando os buracos, já estão liberando as pistas, não dando tempo do asfalto secar; além de não durar o conserto, há desperídico de material, e de grudar na pintura do carro, o que a estraga.  Perdemos por todos os lados possíveis: refazer eternamente o conserto das estradas, malfeitos; pagar eternamente pelo material utilizado, que não dura pois não conserva a estrada, e a pintura do veículo.  Ando cansada de pagar tanto imposto e não receber a devida contrapartida.  Quando teremos um governo decente, com funcionários honestos e serviços condizentes com a carga tributária que pagamos?

  
E ainda pensam em Copa do mundo; se nem o feijão-com-arroz não conseguem fazer, que dirá algo de tamanho porte?  Tenho vergonha do Brasil!

domingo, 10 de julho de 2011

Aumentando minhas estatísticas.

     Quando iniciei minhas leituras, na infância, não tinha noção nenhuma de o que ler, como ler, por que ler.  Fui lendo o que me aparecia, o que me era autorizado.
     Estudando no Grupo Escolar Nossa Senhora da Penha, li todos os livrinhos infantis que tinha lá, e que eram pouquíssimos, tendo em vista ser uma escola pública e com parcos recursos.
      Então pedi a meu pai que comprasse livrinhos pra mim; ganhei alguns poucos, a situação da família não permitia.
      Brilhantemente meu pai teve a idéia de levar-me à Biblioteca Pública Municipal; foi o que fez, e me lembro dele me levando pela mão à Biblioteca, no andar superior da Prefeitura, me senti muito importante! E me apresentou à Bibliotecária, Dona Margarida, dizendo que era sua filha e que eu gostava muito de ler.  Ela então me levou a um armário, me deu uma chave, e me disse: deste armário, podes ler o que quiseres.  Fiquei encantada, deslumbrada com tanto livro! Lembro-me até hoje o que dizia nos livros: Biblioteca das Moças.  Eu devia ter uns dez ou onze anos.  Então eu pegava dois ou três livros, lia tudo de um dia para o outro, ou da manhã à tarde, e ia trocar.  Ela achava que eu nem lia, e dizia para trocar no dia marcado; então eu insistia, dizia que já tinha lido e que queria outros.  Assim eu ia.

     Outro fato engraçado, (para mim, é claro), é que eu sempre ajudava minha mãe nas tarefas de casa - lavava louça, passava o pano na casa, varria, dobrava as roupas, e assim por diante, uma vez que não tínhamos empregada.  Quando eu lavava a casa, e chegava no quarto dos meus irmãos, deixava o pano no meio do quarto, o balde perto da porta, e me entretinha lendo as revistas e livros deles: Capitão América, Zorro, Tarzan, Mandrake e uma infinidade de outras revistas.  Lá pelas tantas minha mãe vinha - já aprontou teu serviço?  Eu levava um susto e corria concluir a tarefa.
      No armário que eu podia ler, na Biblioteca Pública, tinha uma coleção de romances que creio ter lido todos, ou quase; eram escritos por M. Delly, que eu achava ser Madame Delly.  Este ano, recordando disto, fui pesquisar na internet e descobri que quem os escrevia era um casal de irmãos franceses que usava este pseudônimo.  Eram romances melosos, açucarados, que eu adorava ler naquela idade.
      Quando comecei a lecionar, e também ainda estava na faculdade, dei-me conta de quão pouco havia lido, e que tinha pouco conhecimento dos clássicos.  Aos poucos venho tentando aprimorar meu gosto, lendo pelo menos o básico considerado pela humanidade.  Se pudesse, leria pelo menos um livro de cada autor...este já é um critério.  Ou todos os livros de alguns autores...é outro.  Na medida do possível, hoje vou lendo o que vejo na frente, me chama a atenção e me dá prazer.
      Abaixo, mais um comentário para melhorar minhas estatísticas e as do IBGE.
          
         
·        KEROUAC, Jack. VIAJANTE SOLITÁRIO. L & PM POCKET. Trad. Eduardo Bueno. Porto Alegre, 2010, 220p.

Este é o 1º livro que leio deste cara; é um escritor franco-americano ,– nasceu nos EUA, mas é descendente de franceses.
        Ele narra suas aventuras meio malucas, de uma pessoa que quer viajar pelo mundo, tendo às costas a sua mochila – mochileiro; pouco dinheiro no bolso, nenhum compromisso, dormindo em qualquer lugar e comendo pouco, o mínimo para sobreviver. Não se fixa em nada, convive com vagabundos, com gente de todas as espécies.
Na primeira parte, narra suas aventuras como um ferroviário, viajando pelo oeste dos EUA, pela Southern Pacific, quando conhece várias comunidades americanas, descreve paisagens muito bonitas; seu escrito segue o fluxo do pensamento, forma de escrita que se tornou moda da década de 50 do séc. XX em diante, se não me engano.
Depois, descreve suas viagens pelo mar, trabalhando em navios; a seguir volta a viver com a mãe por um tempo, trabalha mais um pouco, junta uns trocos e vai viajar pelo norte da África e pela Europa.
Posteriormente foi vigilante de incêndios no Serviço Florestal americano, quando foi viver solitariamente em uma montanha, numa cabana, por mais ou menos 3 meses. Gostei mais desta parte do livro, em que ele faz descrições muito belas das paisagens, tem belas tiradas literárias, reflexões dignas de serem lidas sobre a vida, o motivo de viver, a solidão, a natureza, o trabalho, e muitas outras coisas. “A escuridão baixou, incompreensível”, merece ser citada. Várias frases poéticas, de efeito, ele produz nesta parte do texto.
Suas descrições, posteriormente, das viagens e passeios pela Europa são magníficas, gostei muito. Ler por ler, o prazer de ler, que me ajuda a viver.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A casa dos avós maternos.

          Como não sou uma pessoa importante, uma celebridade como se diz hoje, que os jornalistas ou escritores vão querer fazer minha biografia ou escrever minhas memórias, vou relatando, eu mesma, coisas que me recordo e que tiveram alguma importância para mim.  Se alguém lê meu blog, é por que gosta dos meus escritos.        
          
            Meus pais moravam na cidade de Santo Ângelo e minha mãe veio, com meu irmão mais velho, visitar os pais antes do meu nascimento, e eu me apressei, nascendo em outra cidade que não a da residência deles.  O dia era 10 de fevereiro, aniversário de meu avô, Bento.  Ele ficou muito feliz, conta minha mãe, e todos os anos, enquanto ele viveu, comemoramos juntos o aniversário, com um churrasco. 

           Fiquei dez dias sem nome, até que meu pai viesse me conhecer e decidir com a mãe que nome eu teria; o pai queria um, a mãe outro, no fim decidiram pelo segundo nome de minha madrinha.  Naquela época, as viagens entre Santo Ângelo e Ijuí demoravam muitas horas, embora distem em torno de 50km;  eram  feitas de ônibus, em estradas não asfaltadas – estradas de terra ou de chão, onde levantava muita poeira em dias secos, ou os ônibus atolavam se chovesse, devido ao barral; ou de trem Maria Fumaça, e também levava muitas horas para chegar ao destino.

            Na casa de meus avós sempre tinha muita gente; minha mãe tinha 7 irmãos, alguns já estavam casados.  Minha avó tinha muitas vizinhas, e estas também tinham muitos filhos.  Era uma quadra cheia de crianças e jovens de todas as idades; todos se conheciam, eram amigos, brincavam e faziam artes juntos.

            Depois de algum tempo, meus pais alugaram uma casa perto da minha avó e ficamos morando ali até mais ou menos meus 7 anos.

            Minha avó amava  fazer docinhos de leite – que eu adoro comer até hoje -, de abóbora e outros doces, além de “schmier”  (um doce pastoso, cujo nome é de origem alemã,  mais denso que a geléia, feito com a polpa de frutas)  para passar no pão, além de  geléias, bolos, cucas, bolachas coloridas e muitas outras delícias que enchiam os olhos dos netos e de outras crianças, e deixava todo mundo com água na boca.
 

            Meu irmão e eu somos os netos mais velhos na família materna.  Isto trouxe-nos um encargo muito grande em relação à primaiada mais nova.  Alguns primos nem chegaram a conviver conosco pois nasceram muito depois, uma vez que os tios mais novos, com idade próxima da nossa, tiveram os filhos mais tarde.

            Mas do que queria falar era da casa da vó.  Ela plantou muitas árvores frutíferas nos fundos do lote: tinha laranja, bergamota, pêra, pêssego, figo, limão, entre outras, além de uma horta com todo tipo de verduras e legumes, pois era agricultora  na sua juventude, além de professora primária.  Num lado tinha mais bergamotas , e na frente tinha a árvore “dos netos”, que era uma laranjeira de umbigo muito alta e que dava muitos frutos; ao seu lado, tinha um pé de romã, que nunca mais vi outro igual, e nunca mais vi romã, depois que o pé morreu.  Também tinha muitas flores na frente, margaridas, rosas, cravos, amores-perfeitos, hortência e muitas outras variedades, além de um pé de primavera que, na minha lembrança, evolava perfume o ano inteiro. Toda vez que a gente chegava na casa da vó, ao passar pelo portão, sentia o perfume delicioso da primavera; era embaixo dela, em sua sombra e aspirando seu perfume,   que meu avô sentava para tomar chimarrão toda tardinha, e ver o movimento; enquanto moramos perto deles, eu pegava minha cadeirinha, minha cuia e bomba minúsculas e sentava ao seu lado, também para ver o movimento. Era sua companheirinha.  Talvez por isto os primos mais novos não entendam o amor que sinto pelo local da casa de meus avós,  que era de madeira e não existe mais; creio que nem a primavera foi mantida pelos atuais moradores.

                                                                         Romã

                    

                                     Creio ser parecida com esta a primavera perfumada.
                                                             Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://lua.weblog.com.



                                                                     Jardim
                                        Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://toaquiemcasa.files.wordpress.com

           Eu adorava passar na frente e ficar olhando para o jardim da vó, que ela cuidava com muito carinho, preparando a terra, plantando as árvores  e flores, tirando os matos e mantendo o terreno limpo e agradável aos olhos e ao olfato.

Era uma casa simples, mas que cheirava a coisas gostosas, ao carinho dos avós, ao amor da família, às árvores perfumadas e às frutas gostosas que comíamos com prazer até ficar satisfeitos. É com saudade que recordo dos meus avós, pessoas muito queridas e importantes na minha vida, que me acompanharam em uma parte da minha infância:  meu avô, até eu completar 8 anos, quando ele faleceu, o que me deixou muito triste; minha avó teve vida mais longa, e fomos muito amigas até seus 85 anos, quando, então, ela nos deixou.  Antes disso, ela escreveu suas memórias, as quais  revisei, e foram publicadas pela Livraria Unijuí Editora: “Memórias da Vó Deza”, nas quais ela relata sua vida e muitos acontecimentos históricos ocorridos na Região desde o começo do século XX.





           

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Menininha na pré-escola

                               Dedico estes versinhos à minha filhinha Heloísa.

De manhã, bem cedinho
Ainda caindo de soninho,
Vou contente pra escola
aprender, brincar, jogar bola.

Alegremente, vou todos os dias
Descobrir o mundo da escrita,
dos sonhos, das fantasias,
do teatro, mundo que me agita,

e que deixa meus olhos brilhantes,
meu coração palpitando
minha alma feliz, cantando,
ao desvendar tantas coisas interessantes.

Com os amigos corro, brinco,
salto, pulo corda, jogo amarelinha,
deslizo no escorregador, e sinto
muita felicidade ao brincar de casinha.

Como é bom ser criança!
E guardar na lembrança
tantos momentos gostosos
em dias tão radiosos!

13.09.2007.

                                   

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mais um pouco de leitura.

          Cultivando meu modesto vício, eis mais um comentário sobre leitura que a alguns vai agradar, e a outros vai chatear.  Cada um com seu cada qual.  Meus e minhas blogtores, neologismo que inventei para leitores de blog, mais literatura, agora sonetos:
        Ao deparar-me com este livro numa banca, senti-me como se tivesse retornado aos meus 20 anos, ao Curso de Letras, às aulas do Mestre, Dr. Deonísio da Silva, no auge da ditadura militar.  Hoje relembrando, e após ter-me informado do que realmente aconteceu naquele período, penso que deve ter sido muito difícil a ele dar aulas de literatura brasileira e portuguesa às alunas cabeças-de-vento, num período em que só o fato de ser professor universitário deixava-o em risco de vida.  Devo desculpas ao mestre pela minha incompreensão e ignorância do momento, vivendo nos recônditos rincões do noroeste do Rio Grande do Sul, num período em que o que eu mais gostava de fazer era ler, namorar, dançar e ir ao cinema.  Política não me interessava, e a tal da repressão acontecia nos grandes centros.

        Mas o nome da poetisa portuguesa ficou grudado em minha alma, por estranho o sobrenome: Espanca.  Por algum tempo tentei localizar algum livro dela, mas nem em biblioteca, nem em livrarias de grandes centros os encontrava, visto que, em minha pequena cidade, livraria era contrabando , e nem a biblioteca da faculdade  tinha os livros que precisávamos –  naquela época, eram objetos raros e tínhamos a maior dificuldade do mundo em lê-los para entender as disciplinas e concluir o curso.

        Pois estes dias, andando numa banca em Londrina,  dei de cara com a dita cuja, e lembrei-me do mestre e das aulas.  Graças ao projeto da editora que publica a obra prima de cada autor, pude então contatar tão antiga poetisa portuguesa, mencionada e nunca encontrada.

        Tal poetisa nasceu em 1894 em Vila Viçosa, Alentejo-Portugal e suicidou-se em 8 de dezembro de 1930. Este livro contém sonetos publicados em Livro de Mágoas, Livro de Soror Saudade, Charneca em Flor e Reliquiae. Transparece por todos os sonetos, um sentimento de tristeza, deslocamento, morte, depressão parece, desalento com o mundo, a vida e o amor.  Mas alguns raros versos contêm alegria, luminosidade, exuberância e cor.  Apesar de muito tristes, gostei do livro pelo fato do conhecimento de uma autora de língua portuguesa que foi, pelo que diz na biografia rápida junto ao livro, uma feminista precoce e uma poetisa de rara sensibilidade e de alto valor em sua terra natal.

        Abaixo, um dos sonetos alegres da autora, já que de tristezas e desgraças estamos todos cansados:

                        HORAS RUBRAS

Horas profundas, lentas e caladas,

Feitas de beijos sensuais e ardentes,

De noites de volúpia, noites quentes

Onde há risos de virgens desmaiadas.



Oiço as olaias rindo desgrenhadas...

Tombam astros em fogo, astros dementes,

E do luar os beijos languescentes

São pedaços de prata p’las estradas...



Os meus lábios são brancos como lagos...

Os meus braços são leves como afagos.

Vestiu-os o luar de sedas puras...



Sou chama e neve branca e misteriosa...

E sou, talvez, na noite voluptuosa,

Ó meu Poeta, o beijo que procuras!




ESPANCA, Florbela. Sonetos. SP: Martin Claret, 2002, 121p.

domingo, 19 de junho de 2011

Vamos dar uma volta no tacho?

      Tem uma coisa que sempre me perseguiu na infância, que era a dificuldade da compreensão de palavras ou expressões desconhecidas.  Não só na infância, mas pela vida afora.
     Minha querida avó materna, dona Maria Augusta, apelidada Dêza, portanto, vó Dêza, brincava comigo e com meus irmãos, quando ia sair por qualquer razão, dizia que ia dar “uma volta no tacho”, expressão usual no Rio Grande do sul da década de 60.  Na minha inocência, um dia que tinha ido junto com a vó a algum lugar, que não recordo mais onde era,  perguntei pra ela quando chegamos: - vó, aqui que é o tacho?... eu não entendia que era só uma expressão, achava que tacho era algum lugar.
       Naquela época, ainda não existia televisão, pelo menos na nossa região...é, sou antiguinha...devia haver em casa de famílias ricas, mas na nossa só chegou quando eu tinha 15 anos.  Então, ouvia-se rádio o tempo inteiro, da manhã à noite.  Ouvíamos as rádios locais, ouvíamos a Guaíba e Gaúcha de Porto Alegre (ondas médias e curtas, e freqüência modulada....nunca vou esquecer, embora não soubesse o que era isto...), ouvíamos a rádio El Mondo de Buenos Ayres, que tocava tango o tempo inteiro, e tinha umas propagandas engraçadas. Ah, a BBC de Londres e A Voz da América, não sei exatamente de onde, mas sei que era americana em língua portuguesa.

            Ouvíamos música, noticiário, futebol, muita propaganda, e...novelas!  Ouvíamos  novelas... e a imaginação fluía e viajava, na interpretação de atores que, posteriormente, se transformaram, muitos deles,  em atores televisivos e  cinematográficos.

            O direito de nascer, Redenção, A dama branca, entre muitas outras, são alguns dos títulos que recordo, da minha infância de ouvinte de novelas, por incrível que possa parecer.  E aprendia muitas palavras com isto; quando não conhecia, perguntava pra minha mãe o que que era. Tem uma que nunca vou esquecer, pois causou, fiquei sabendo depois, um trauma em uma pessoa: bastardo. Em alguma novela devo ter ouvido esta palavra, e perguntei pra mãe, que me disse ser o nome que se dava a crianças que nasciam fora do casamento, seja por a mãe ser solteira, ou se fosse, suponhamos, amante de um homem casado, este filho seria bastardo.  E mais disse minha mãe, que um filho bastardo não tinha direito a herança do pai.  Eu fiquei impressionada; conhecia uma pessoa muito próxima de mim, cuja mãe era solteira e, na minha inocência, sem malícia, achando que estava empregando bem uma palavra recém aprendida, quando a vi, disse: tu sabia que tu és bastarda?

       Continuei na minha vida de brincadeiras, e, muitos anos depois, fiquei sabendo que aquela pessoa me odiava pois a tinha chamado de bastarda. Eu não tinha, naquela época, a compreensão da extensão do que estava dizendo, nem sabia que podia magoar alguém com isto.

        Havia umas propagandas que diziam: - encontre tal coisa nas boas casas do ramo.  Lá vou eu perguntar pra mãe: - mãe, onde ficam as boas casas do ramo?...eu era ‘inotchente!’ como dizem os italianos.

         E os homenzinhos do rádio? Eu virei muitas vezes o rádio de ponta cabeça, tentei abrir, espiar pra dentro pra descobrir como eram e como viviam os homenzinhos que falavam dentro do rádio....estes tempos descobri que algum escritor, não lembro mais quem, também procurou estes homenzinhos...não tô sozinha no páreo...


               E o cinema...ah, o cinema! A primeira vez que fui ao cinema devia ter uns sete anos; fui com a minha querida tia, seis anos mais velha que eu, e que tinha uma paciência de Jó comigo.  Lá pelas tantas começou a chover no meio do filme...raios, trovoadas...e eu fiquei com medo e queria ir embora! Comecei a chorar e estraguei o filme dela, que teve que me levar embora.  Quando saí lá fora, vi que continuava uma linda tarde de sol, daí que fui entender que era só o filme...  então queria voltar¸ mas daí já não dava mais.  Depois acostumei, assistia aos filmes do Jocelito,  os desenhos da Disney, morria de medo da bruxa e do dragão da Bela Adormecida...aprendi a amar o cinema.


(Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.laboratoriopop.com.br/imagensUpload/bruxa-da-bela-adormecida-a5719.jpg&imgrefurl=http://www.laboratoriopop.com.br/temporeal/malefica-bruxa-de-a-bela-adormecida-
     
       Eu adorava subir em árvores, nas ‘grimpas’, muito moleca, irmã única de três irmãos; brincávamos de avião, eu adorava sentir a brisa balançar meus cabelos nos galhos mais altos das árvores, geralmente os pessegueiros.  Eu subia com uma faquinha na cintura do short, sentava num galho grosso, escolhia os melhores pêssegos, que estavam maduros mas não bichados , primeiro aspirava aquele cheirinho gostoso de pêssego maduro, e depois comia até ficar satisfeita.  Quando a mãe via, lá vinha – menina, desce daí, que perigo!  A única coisa que eu não conseguia fazer era virar cambota no galho.  Me lembro que os guris faziam isto, mas..disso eu tinha medo!



             Quando os amigos não estavam por perto, meus irmãos me deixavam jogar bolita com eles, me emprestavam a joga, me ensinaram a nicar, acertar no tejo;  a gente jogava às brincas, por que eu era guria, eles não iam jogar as devas comigo...

Imagem do google


            Aa gente brincava de roda com a vizinhança, jogava caçador no meio da rua, eu adorava!  Pulava corda, brincava de ‘letz’, que para muitos hoje se chama ‘pega’. Diabo rengo, brincar de abóbora, de passar anel... nem lembro de tudo...bons tempos, embora pobres, não houvesse calçamento na rua, saneamento e outras coisas.  Mas isto é assunto pra outro dia.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nós, brasileiros, não somos racistas.

     Este é um tema que me é muito caro.  Antes de tudo, evidencio que, lá trás, não consegui descobrir ainda onde  nem quando, devo ter tido algum ascendente negro, pois meus cabelos são crespos, altos e grossos.  Na adolescência era muito infeliz por este fato, pois alguns colegas de origem alemã, da cidade onde nasci e vivi até a juventude, me chamavam de " bombril".  Para uma adolescente, isto era o fim.  Fiz de tudo na época para resolver o "problema" dos cabelos; a famosa touca, tentando alisá-los.  Mais tarde fiz as pazes com meus cabelos, e hoje convivo bem com eles, sabendo que têm o seu charme e que não há outro jeito, tenho que viver com eles até o fim da minha vida. Mas a cor da minha tez é branca.  Descendente de portugueses, pelo sobrenome.

 
                                          
Tem sido motivo de muita discussão nos últimos tempos, aqui no Brasil, a questão das cotas raciais.  Os  movimentos negros "criminalizam" a forma de chamar as pessoas de negros, como se fosse uma agressão.  Então chamar um descendente de japonês no Brasil de japonês ou "japa" também é crime; "alemoa", para as alemãs,  "gringo" para os italianos, "polaco" para os poloneses, enfim, todos os vocábulos que se criaram com a recepção, no Brasil, de quem quis mudar-se para cá, seja por motivos de fuga das guerras, fuga da pobreza, escravidão ou simplesmente aqueles que quiseram vir para cá pois    gostaram do Brasil.                                                                                               (Foto acima de Athena.)
    Cotas raciais:  não sou a favor.  Sou a favor, se necessário, às cotas de pobreza, ou cotas sociais.  A educação é um bem que deve estar acessível a todos, independente de raça, cor, sexo, religião, preferência sexual, etc.
     Estes dias encontrei um livro que trata disto.  E é um comentário sobre ele que você, meu blogtor, vai ler agora.  Aguenta aí:

·        Kamel, Ali. Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor. RJ: Pocket Ouro, 2009, 165p.
O autor, descendente de sírios, é jornalista /repórter da Rede Globo, que inclui jornais, revistas e tv.
Percebendo o direcionamento errôneo de alguns movimentos afirmativos, principalmente dos que querem instituir oficialmente o racismo no Brasil, fez muitas pesquisas, entrevistas, diversos trabalhos, que resultaram neste livro..
Nele o autor coloca que, originalmente, não somos racistas visto que, já na colonização do Brasil, não tiveram os europeus – portugueses, holandeses, franceses e outros que aqui aportaram – preconceitos em manter relacionamentos com as índias e, posteriormente, com as negras.  Houve o ‘branqueamento’ da raça negra, na medida em que esta miscigenação aconteceu.
Querem os atuais detentores do poder, ancorados na precedência de Fernando Henrique e seu governo, instituir o racismo para “compensar” os negros pela escravidão.  Esquecem que à margem da sociedade estão também os muitos descendentes de indígenas e os milhões de brancos, descendentes de todas as etnias que foram acolhidas no Brasil, e que se encontram na miséria.  O maior problema não é o racismo, é a pobreza.  A pobreza de brancos de toda a cartela de variantes de cores, os negros, que incluem os pardos de todos os tons; os amarelos, pois aqui  também temos japoneses, chineses e outros orientais, os indígenas, entre outros.
Sabemos que, cientificamente, não existe raça, como comprova “o geneticista  Craig Venter, o primeiro a descrever a sequência do genoma humano, “raça é um conceito social, não um conceito científico”. E quem estimula estes conceitos está retroagindo a crenças de antropólogos do século XVIII.
Analisando estatísticas do IBGE, o autor verifica que sumiram com os pardos.  Do meio branco ao meio negro, todo mundo virou negro, para fins de cotas sociais, em vantagens que retiram o princípio da igualdade insculpido na Constituição Federal Brasileira.  Chega a ser ridículo, por exemplo, recordando acontecimento de alguns anos atrás, que, para conseguirem ingressar na Universidade de Brasília, dois irmãos gêmeos inscreveram-se  através das cotas raciais; como os critérios para definição de quem é negro e quem não é não são claros e muito menos objetivos, e como cada pessoa que analisa os currículos e fotografias tem uma visão diferente das coisas, um passou como negro e o outro foi rejeitado.  Um verdadeiro absurdo, surrealismo, que acontece nestes nossos tristes trópicos.
O autor enfatiza outros programas sociais que têm erro de foco.  Ao invés de drenar recursos para os “bolsas”, se o poder público investisse em educação não haveria necessidade de tudo isto.  Os recursos que são  dragados para estes programas, e para as ditas cotas, se empregados na educação tudo estaria resolvido.  Educação de nível, de categoria para todos os brasileiros, independente da cor da tez.  Para pobres de todos os níveis e rincões do país.  Só a educação salva, resume o autor.
Um excelente livro para instigar uma reflexão sobre no que estão transformando o Brasil.
É um livro que não se baseia em opinião; se baseia em análise de estatísticas oficiais do próprio governo e em obras de vários cientistas e estudiosos de renome.  Não é achismo, é tudo comprovado.  Vale a pena ler, pelo menos para se discutir com conhecimento de causa.
 

sábado, 4 de junho de 2011

CHAMA

 


                        Teu olhar se perdeu por este tempo afora
Não vejo nele o que via outrora
Foste tu quem foi embora
Ou fui eu que fiquei cega agora?

(Julho/1988) (foto de Athena)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Não esqueça do casaco e do guarda-chuva!

      Há alguns anos, quando me aproximava da época de dobrar o cabo da boa esperança, comecei a ler alguns livros, artigos, textos, revistas, que tratassem de como reagir e como voltar a ter uma vida normal após os filhos saírem de casa, ou chegar na idade da menopausa, aposentadoria, etc.
     Um livro que li, "Quarenta A idade da Loba", de Regina Lemos, comentava sobre tudo que acontece com as mulheres neste período.  É uma segunda adolescência: transformações corpóreas, mentais,psicológicas, financeiras, trabalhistas, relacionais, entre outras.  Muita coisa que descrevia esta e outras\os autores eu já observava.  A reação de algumas mulheres neste período é diversa: umas se fecham, ficam mais em casa, curtem o recolhimento; outras mudam de profissão, vão procurar outras atividades fazer talvez algo que sempre quiseram e não puderam antes; outras resolvem ter mais um\a filha\o, para que não fique um vácuo com a saída dos filhos para estudar, trabalhar, viajar e, quem sabe, casar. Outras voltam a estudar, enfim, cada mulher reage de uma forma a este período.
    A par das transformações físicas, que para algumas mulheres são muito dolorosas ou causam grandes perturbações, há a sensação de vazio de quando os filhos dizem:  mãe, tô indo tomar as rédeas da minha vida. É a tal "Síndrome do ninho vazio".
                                     



     A gente sabe que um dia isto vai acontecer; a gente educa os filhos, espera tê-los preparado para enfrentar as vicissitudes da vida; tê-los munido de valores que os capacitem a serem cidadãs e cidadãos plenos, responsáveis, íntegros, honrados, alegres, felizes, divertidos, bem-humorados... mas no dia em que eles dizem - tô indo...- dá um choque.
     Sempre procurei brincar com meus filhos, manter um relacionamento  leve - apesar de ser um pouco exigente... mas uma brincadeira sempre digo, para qualquer deles, quando estão saindo para ir a qualquer lugar: - Não esqueça do casaco e do guarda-chuva!
     Esta brincadeira permanece entre nós, e, refletindo sobre isto, percebo que tanto o casaco quanto o guarda-chuva representam uma proteção para a pessoa;  as mães têm consciência de que não são onipresentes, mas falando isto têm a ilusão de que os filhos as estarão levando junto - as mães sempre querem o melhor para os filhos, e, se pudessem, sempre estariam com os mesmos debaixo de sua asa.  Mas não é uma coisa doentia, simplesmente sentimento de mãe.
     Quando cheguei a uma parte desta fase, resolvemos, meu marido e eu, ter mais uma filha, e foi o que fizemos.  Hoje temos nossa companheirinha que já anda falando em ir morar aqui, acolá ou adiante, pois a irmã mais velha já saiu do ninho faz tempo - o primeiro choque, os primeiros nervosismos, noites sem dormir, preocupações mil com uma moça sozinha no mundo- e o irmão está saindo agora, depois de morar por mais de dois anos na Europa.  É o segundo baque, a sensação de impotência, de receio de que algo vá acontecer aos filhos longe da gente, é terrível. 
     São as fases da vida. Sabendo que isto um dia ia acontecer, procurei voltar a estudar, diversificar minhas atividades, fazer ginástica, ler os livros que não pude ler antes, escutar muita música e, na medida do possível, viajar.  Até já renovei meu passaporte.
    Entretanto, o ninho tem dois vazios.  Um já está sendo preenchido com os netos.  O outro ainda tem o calorzinho do segundo que está levantando vôo. E o terceiro ainda vai demorar um tempo para esvaziar.
     Ainda bem que eles levaram o casaco e o guarda-chuva!