terça-feira, 16 de outubro de 2012

Às crianças, e aos mestres, com carinho.








Para nós, professores da ativa e inativos, mas que já tiveram muita atividade!
 Imagem: https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTPMv8ab-H4i2bxCMMUX4XAS8PjsfWUsvzV7viNrfFU16brjwnj 








O MESTRE E AS CRIANÇAS

         Coube-me, certo dia, falar em um local para várias pessoas, em uma instituição religiosa.  Como sempre me escapo das atividades das senhoras, pois não sou de pintar e bordar, muito menos de crochetar ou tricotar, digo: só sei falar, ler e escrever, isto faço bem, e cada um com seus dons. Então me intimaram a mostrar meus dons.  Vamos ver se me desincumbi à altura do esperado ou se sou uma mentira!
         Portanto, hoje falo das crianças, pois seu dia foi dia 12, e dos professoras, que seu dia foi ontem, 15.
         Não se separam professores e crianças/adolescentes/jovens.
         Comecemos pelos professores ou mestres.
         Se formos ao dicionário ver o que significa Mestre, diz-nos o Aurelião: “Homem/mulher que ensina; professor ou professora; a pessoa que é perita numa arte ou ciência; quem é superior; grande, extraordinário; que é mais importante; que serve de BASE ou de GUIA.
         Então, ser professor, é tentar ser maior – não mais orgulhoso – que os demais; mas maior no conhecimento; é alguém estudar, especializar-se em uma arte ou ciência, depois ensinar.  É servir de base, é servir de guia.  Para quem? Para quem precisar: crianças, adolescentes, jovens, e por que não adultos? Há muitos adultos que precisam de alguma orientação; há muitos que não tiveram oportunidade de educar-se quando crianças ou jovens, e que podem fazê-lo agora.
         Nós, cristãos, tivemos o mestre dos Mestres, como Jesus é considerado: é o guia dos cristãos, a base do cristianismo, a nossa viga-mestra.  É quem nos orienta, nos guia; por isto, também, a figura de Jesus ser a da luz para os caminhos: se caminharmos em um lugar escuro e surgir uma lâmpada, uma lanterna ou uma vela, todos por ela se guiarão.  A luz é o conhecimento, a sabedoria, a fé, o poder que vem de Deus.
         Nós, professores – embora aposentada, sempre serei professora – se quisermos ser Mestres verdadeiros, devemos seguir o exemplo do nosso Mestre: deixar que venham as crianças até nós para que possamos auxiliá-las em seu desenvolvimento físico, psíquico, intelectual, espiritual e moral.  Devemos ter a sabedoria que vem do Pai, a sua paciência, o seu amor; manter uma característica que vem das crianças, que é a curiosidade, para nos atualizarmos sempre, e ajudar a manter a curiosidade das crianças sempre acesa, pois é esta que move o mundo.  Sem curiosidade não haveria ciência, cultura, lazer, nenhuma atividade seria feita, e estaríamos ainda na idade da pedra.
         Podemos fazer uma interpretação diferente das palavras de Mateus: as crianças de que ele fala, não são só literalmente crianças; se nós, adultos, mantivermos a alma como a das crianças – na medida do possível, pura, sem malícias, sem preconceitos, na simplicidade, aceitando o que vem do Pai, pedindo perdão de coração aberto, e nos arrependendo de verdade, sendo humildes ou com corações puros, continuaremos sendo as crianças que podem vir ao Pai e Ele nos receberá de braços abertos em seu reino.
Numa sociedade como a nossa, é muito difícil conseguirmos ser esta criança, bem como ser próximos do que é ou foi o Mestre Jesus. Já naquele tempo não eram todos que aceitavam as idéias, a sabedoria, a forma de atuar do grande Mestre.
         Para os que atuam hoje no magistério é mais difícil ainda.  Embora a situação seja diversa, ensinar hoje é muito complicado.
         Escutei esta semana no noticiário da TV uma reportagem na qual informam que estão sobrando vagas nos diversos cursos de licenciaturas, que são os cursos que autorizam as pessoas a lecionar.  Ninguém mais quer fazer cursos que resultem em magistério; ninguém mais quer ser professor ou professora.  Muitas faculdades já fecharam seus cursos.
         Se a sociedade – QUE SOMOS NÓS- não se mobilizar, não vai demorar muito tempo e nossos filhos e netos não terão mais seus mestres.  A profissão foi literalmente abandonada pelos responsáveis diretos – pela nossa Constituição Federal: Prefeitos, Governadores e Presidenta da República, participantes dos 3 níveis do Poder Executivo – que ninguém mais, das novas gerações, se interessa em ser professor ou professora.  Alguns poucos sonhadores devotos, que têm muito alto o dom do magistério, ainda fazem os cursos, seja o secundário normal ou os superiores.  A maioria dos estudantes, ao fazer vestibular, escolhe outras profissões mais rentáveis e mais respeitadas.
         No tempo de Jesus o ensinar era gratuito; hoje é remunerado, mas muito mal, quase não sendo suficiente  para a pessoa sobreviver e dar boas condições de vida à família, numa sociedade em que não é a pessoa que produz que vai consumir os produtos e tudo tem que ser comprado e pago.
         Para podermos continuar mantendo estas duas classes unidas – dos professores/mestres e das crianças -  a sociedade, que SOMOS TODOS NÓS, deve fazer um barulhão EXIGINDO dos que são eleitos pelos nossos votos a boa qualificação dos Mestres, sua boa e suficiente remuneração, as condições necessárias a um bom trabalho (prédios, escolas, bibliotecas, quadras para educação física, etc) , e daí, sim, cobrar resultados visíveis do trabalho dos mestres.  Com estas condições, todos os mestres serão verdadeiros guias e bases para uma sociedade justa e igualitária.
         Se continuarmos cada um na sua vidinha, achando que quem tem que fazer algo são os outros, vai chegar um momento, e ele não está longe, em que não haverá mais mestres; e as crianças terão que curtir sua infância na ignorância, ou seus pais/responsáveis terão que providenciar, eles mesmos, a instrução de seus filhos.  Nas escolas pública já ouvimos, há anos, que faltam professores desta ou daquela disciplina. A continuar assim, faltarão mestres em todas.
         Para encerrar, um dos provérbios que casa bem nosso tema de hoje que são as crianças e os mestres, mas que também serve para os pais, ao dar-lhes a educação familiar:
Provérbios, 22:6: “Educa a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.
 
 Imagem: https://www.google.com.br/search?q=crian%C3%A7as&hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=R0X&rls=org.mozilla:pt-BR

domingo, 23 de setembro de 2012

Alcancei mais de 3.000 leituras!













No dia que eu alcançasse 3.000 acessos queria comentar; mas estou tão envolvida em meus afazeres, que hoje, quando vi, tinha 3.016.
Agradeço muito às pessoas que lêem meus modestos textos. Sou uma brasileira comum, trabalhadora, que já passou pela ditadura militar dos anos 60\80 no Brasil e sobreviveu.  Tenho uma família normal, com pais - que vão completar 60 anos de casados no próximo dia 27 -, marido, filhos e netos.  Sou 'metida a intelectual' como diz um irmão meu, pois, como já falei em outro post, adoro ler e escrever.
Por esta razão, tenho um desejo secreto: gostaria de saber - se possível - quem são os meus leitores! Tem os mais próximos que sei quem são - meu irmão, primo, tia, sobrinhos, filhos, marido...mas os de outros lugares, os desconhecidos, fico muito curiosa para saber o que atrai nos meus escritos.
Gente, fico feliz ao saber que tenho leitores no Reino Unido, Alemanha, Portugal (terra de meus ancestrais); China, Rússia, Japão, Holanda, Letônia; em meu  Continente, Argentina, Estados Unidos, meu Brasil, é claro, e alguns outros países que não recordo, mas que não deixam de ser importantes.
O mérito deve ser do blog, que dá acesso ao mundo inteiro; creio que me lêem por curiosidade, para conhecer o pensamento de uma brasileira comum. Fico feliz e honrada, mas gostaria de receber alguma mensagem de meus leitores de outras plagas, algum comentário, ou só um 'oi'.
Meu texto mais lido é um técnico, sobre educação, em que comento a norma culta da Língua Portuguesa x linguagem coloquial.  Percebo que meus leitores gostam de textos bem escritos, sobre algo sério ou importante, e não gostam de texto mais leves, poemas, etc.
Vou rebuscar mais meus textos.  É o que amo fazer.
A todos os meus leitores, fico agradecida, e espero que não deixem de vir aqui ler de vez em quando.



 Estatísticas do meu blog:

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domingo, 26 de agosto de 2012

Educação - uma resposta à "O rombo da educação é o cabide de empregos de 46 bilhões de reais"

greve na educação

 

   Agora estou aposentada, nem faço mais parte das estatísticas.  Mas, uma vez professora, sempre professora.
        Este ano, como em anos anteriores, tivemos problemas com greves em escolas, de todos os níveis, em escala municipal, federal e estadual.  Os problemas da educação no Brasil são eternos e insolúveis, pelo que constato há 35 anos.
         Encontrei em meus arquivos um texto que eu tinha escrito sobre um comentário de um senhor, há mais de um ano, que escreveu em uma revista semanal brasileira, e fez meu sangue ferver  e tentar responder; mas eu estava me sentindo tão agredida na minha profissão, que acabei perdendo uma parte do texto.  Fiz, inclusive, algumas pesquisas, fugindo ao meu estilo de escrita.  Se este texto terá alguma repercussão, não sei; é quase o mesmo que comentar um assunto do jornal velho, que anda voando pelas ruas; entretanto, o assunto é sempre atual, visto que as autoridades competetentes só se lembram dos professores, dos alunos e das escolas, em ano de eleição, como este ano.  Ao texto, então:

     Semana passada, na Revista Veja, páginas 116 e 117, Gustavo Iochpe, economista que se diz conhecedor profundo da educação brasileira, desceu a lenha nos professores brasileiros; não só nos professores, mas também nos funcionários de escolas e, por tabela, nas direções, coordenações pedagógicas, coordenações de turnos, de professores e tudo o mais. Disse que são mais de 5 milhões de funcionários na área de educação no Brasil, pouco mais de 4 milhões na rede pública.  Que gasta-se demais na educação; que o salário mensal do professor na rede pública é de R$ 2.262,00. Ainda mandou ter "cuidado com os discursos do pessoal que fala do "salário de fome"".
     Não disponho de todos os dados que sua excelência dispõe, mas alguma coisa consegui pesquisando na internet:
- média nacional da remuneração dos professores R$ 1.777,86  -salário em início de carreira; ensino básico; rede pública\set.2009.  R$ 23,112,18\anual cada professor, já com 13º  salário. (fonte:http://www.apeoc.org.br/extra/pesquisa.salarial.apeoc.pdf). 
     Qualquer pessoa com conhecimento mediano, sabe que um salário destes dá condições mínimas de vida para uma família de 4 pessoas, o que sempre vejo nas estatísticas.  
     Há alguns anos, li nesta mesma revista,   reportagens de como os tigres asiáticos, Estados Unidos e outros países tornaram atrativa a profissão de professor:  remunerando bem estes profissionais, para angariar os melhores cérebros, que só viriam para este trabalho se  fosse compatível à das maiores empresas multinacionais, pois ninguém, de acordo com este pensamento, em sã consciência,  que tenha alta qualificação, conhecimento científico e ambição, vai para o magistério para ganhar salário de fome.  Por tabela, este pensamento coloca todos os professores num nível de interesse profissional, inteligência e anseio vivencial abaixo da média.
     Não sou estatístico, nem economista, detesto fazer cálculos; minha praia são as letras; então, vocês, curiosos blogtores, façam as contas se vale a pena ganhar o salário MÉDIO NACIONAL (seria até interessante acessar o link acima que faz um comparativo do salário do professor em todos os estados brasileiros), para trabalhar com:

alunos no 1º grau.......51,5 milhões (censo escolar 2010 - www.brasil.gov.br)
alunos no ensino médio: 8.357.675 alunos
alunos no 3º grau.......5,95 milhões
em 2010 os investimentos em educação foram de 5% do PIB;
Professores............1,97 milhão de professores em sala de aula (censo escolar 2009).
Dá pra encarar?
     Fala o autor do famigerado texto, que os professores têm padrinhos e são utilizados como instrumento político pelos mesmos.  Onde? Quando? Se para ter acesso, pelo menos nas escolas estaduais ou municipais, é necessário concurso público?  São acusações levianas. Fala em cabide de emprego - onde?  A impressão que tenho é que este senhor nunca esteve dentro de uma sala de aula, nunca acompanhou o cotidiano de uma escola; não sabe como se organiza um ano letivo, como se preparam as aulas, como se faz a distribuição de alunos por série\turno\idade\nível de conhecimento; não entende de reuniões pedagógicas, nem de currículo escolar, nem trabalho da secretaria, merenda escolar, biblioteca, educação física, reunião com pais e com a comunidade, manutenção do espaço físico, entre outras demandas.  Também, economistas só entendem de números...
     Compara aquele autor dados do Brasil com o de países desenvolvidos; qualquer pessoa de médio conhecimento sabe que, onde há excelência, não há desperdício;  se temos tantos funcionários por escola que não são professores, ou estão aposentados - o que também gera um gasto para os estados-, é por que as administrações estaduais, municipais ou federais não estão sabendo administrar.  Quem sabe, para reduzir os gastos com a educação, não se mate todos os professores e funcionários aposentados?  Não seria uma boa idéia?  Afinal, já não estão mais 'produzindo', e inflam as folhas de pagamentos dos órgãos públicos... Até fico com medo de dizer isto, pois temo que mandem me assassinar.
     Há alguns anos li que no Japão a única pessoa para quem o Imperador faz reverência é para o professor.  Também soube que D.Pedro II teria dito o seguinte: "Se eu não fosse Imperador, desejaria ser professor.  Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências juvenis e preparar os homens do futuro."
     Para encerrar,  só uma idéia de quanto se gasta com os nossos ilustres parlamentares, que não dão aulas, não trabalham como merendeiros ou em secretarias de escolas, mas custam ao nosso bolso bem mais do que os poucos milhões de professores\funcionários de escolas, e roubam dinheiro que deveria ser investido na educação, na saúde, na segurança, e em outros destinos:

- Temos 513 deputados (wikipédia)- custo médio anual: por parlamentar - R$10.200.000,00
(fonte org transparência brasil);
cada parlamentar, R$ 11.545,00\minuto.
- Temos 81 senadores -  R$ 33 milhões\ano.
     FORA O QUE PEGAM POR FORA, EM PROPINAS, DESVIOS DE VERBAS, CORRUPÇÃO....
     Nada mais a declarar, por agora.













Mais uma do Luis Fernando Veríssimo


 Os Espiões



 O livro que menciono abaixo li em maio do ano passado; fiz o comentário, e  esqueci o arquivo em meu netbook, pois estava por demais atarefada para publicá-lo. É mais um livro do LFVeríssimo, nosso autor gaúcho mais importante entre os vivos; comentei estes tempos sobre um outro livro dele; creio que, pelos seus escritos, deve estar, mesmo que inconscientemente, pensando em se aposentar, ou está ficando doente da cabeça, pois a qualidade está decaindo. Entretanto, ainda está valendo a pena lê-lo. Ao livro, pois.
·     
   VERÍSSIMO, Luís Fernando. Os Espiões.

Neste romance, Veríssimo destila seu humor magnificamente.  Relata a vida e a história de um editor em uma Editora que sempre está em dificuldades financeiras, por isto seu maior cliente é uma Revenda de adubos, com seus informativos e calendários.  Este editor recebe obras literárias para publicações de vários pretendentes a escritor ou escritora.  Tece críticas contundentes aos pretensos escritores, ridiculariza os moradores do interior do Brasil que, segundo ele, não teriam condições de escrever; achei muito ácida esta parte, de um preconceito sem fim; é o bairrismo daqueles que moram nas capitais, achando que não existe vida inteligente longe das metrópoles.  Veríssimo se esquece que seu pai, o grande Érico Veríssimo, saiu de Cruz Alta, no interior do Rio grande do Sul, (aqui pertinho) e isto não o impediu de ser um grande escritor.  Também transparece uma crítica enorme às mulheres que escrevem, no mesmo estilo de Nietzsche e outros autores idiotas, que acham que não existe vida inteligente no interior de uma mulher.  Minha admiração por Veríssimo caiu por terra, mesmo que estas palavras tenham sido colocadas na boca de um personagem.
       O romance trata de uma mulher do interior que quer publicar um livro e o envia em capítulos.  Apensar dos senões, é ótimo, como tudo que Veríssimo escreve.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cartas a um jovem poeta




As primeiras referências que tive de Rainer Maria Rilke foram em um livro do nosso amado Mário Quintana, que  o mencionou em um seu poema; se não me falha a memória, era também seu tradutor.
Como muitos outros autores, este era um que eu tinha curiosidade de ler.  Passando em um caixa de supermercado, agradeci mais uma vez às editoras que estão facilitando a nossa vida para que tenhamos um pouco mais de cultura através dos "pocket" livros.
"Cartas a um jovem poeta" relata a correspondência entre um jovem poeta que escreve ao famoso autor pedindo conselhos e opiniões sobre seus escritos.  Pelo que captei, a primeira reação do Rilke foi tentar 'cair fora', dizendo ao autor que não deveria ir pela cabeça dos outros, que cada um tem seu estilo, etc, e aquelas coisas todas que os famosos dizem para os iniciantes.  Mas o rapaz insistiu, ele acabou gostando da obra e mantiveram correspondência durante um bom tempo, as quais estão publicadas neste livrinho.
Gostoso, fácil de ler, os conselhos vigoram para todos os pretensos escritores até hoje (universais).  Apesar de ter sido escritor do fim do séxulo XIX e início do XX, este  austríaco permanece atual.  Segundo as notas de apresentação do livro, feitas por  seu tradutor Pedro Süssekind, é um dos poetas europeus que mais influenciou os intelectuais brasileiros do século XX.
Para quem gosta de leitura e literatura, um prato cheio, bem servido e saboroso.

Rilke, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta. trad. Pedro Süssekind.-Porto Alegre:L&PM pocket plus, 2010.

terça-feira, 3 de julho de 2012

"Em algum lugar do paraíso"


 

Este é o título do livro  de crônicas do Luís Fernando Veríssimo que li há pouco tempo.
Aliás, este ano começou tão turbulento, tão tumultuado em minha vida, que já passamos a metade do ano e ainda estou me achando perdida, desorientada, fora do meu eixo.
Não há de ser nada, vai passar.
Mas, voltando às leituras: o que acendeu a chama da curiosidade neste livro, foi uma frase chamativa na contracapa:
 "O tempo não foi a única novidade trazida por Eva ao jardim do Paraíso.  Foi ela que, dias depois, colheu o fruto proibido, que os tornou, de uma só mordida, sexuais e mortais.  E foi depois de comer o fruto proibido, quando a Terra entrou na sombra da noite e os dois se deitaram lado a lado, que Adão sentiu seu membro, que ele pensara que fosse só para fazer xixi, se mexer.  E avisou à Eva:
-É melhor chegar para trás porque eu não sei até onde este negócio cresce."
Este excerto de crônica é o chamariz do livro, assim como, quando vamos comprar um cd (ou íamos, agora as pessoas baixam música na internet!) o que nos movia era a música carro-chefe.
Mas Veríssimo já foi melhor, muito melhor.  Eu continuo insistindo, comprando seus livros quando saem, em nome do que já foi; mas acho que ele esgotou o repertório.  Também, manter o humor, a ironia, o espírito vivaz e atilado o tempo todo, não é fácil.
Apesar de tudo, um bom livro, com algumas boas tiradas do velho Veríssimo.

Veríssimo, Luís Fernando. Em algum lugar do paraíso, RJ: Objetiva, 2011, 195p.




domingo, 1 de julho de 2012

Minha mãe.



Há muito queria escrever sobre minha mãe.  Ano passado escrevi sobre meu pai, à época do Dia dos Pais aqui no Brasil, que é em agosto, e quando do aniversário dele, em setembro. Então pensei em escrever em março, aniversário dela - não tinha condições, a morte de meu irmão era recente, seu aniversário nem foi comemorado, pois nove dias depois da morte dele.  Deixei para maio, no dia das Mães.  Mas eu ainda estava sem estrutura psicológica para isto. 
O tempo, que tudo cura, ou, pelo menos, ameniza as dores, está fazendo seu trabalho.  Não que as feridas da tristeza tenham se acabado, mas estão cicatrizando, cada dia um pouco.  Vejo isto na minha mãe também, uma mulher que dizer de fibra é pouco; que dizer heroína, é pouco; que dizer valente, é pouco; que dizer persistente, calma, firme, mulher de fé, de coragem, um amor sem tamanho pelos filhos, pela família, pelo companheiro da vida inteira, é só começar a falar a verdade.
Minha mãe nasceu em Tucunduva, um distrito do Município de Santa Rosa; seus pais eram agricultores, e estavam à procura de uma vida melhor, então saíram de Ijuí, mais precisamente Alto da União, e foram em busca de um sol a brilhar em suas vidas pobres.  Lá nasceram minha mãe, e se não me engano, também a tia Ruth. Quem souber melhor a história da família, me corrija, se eu estiver errada.
Ela e esta querida tia cresceram juntas, muito unidas, brincando, estudando, fazendo artes juntas, visto que sua diferença de idade é pequena.
Minha mãe gostava de estudar, mas só estudou até o 5º ano primário; infelizmente, à época, para famílias pobres, era difícil que seus filhos e filhas continuassem estudando.  Embora ela tenha ganho uma bolsa de estudos para fazer o magistério no Colégio das Irmãs, por ter tirado o primeiro lugar na turma, meu avô não deixou que continuasse estudando pois tinha que trabalhar para ajudar a família.  Coisas da época e da situação financeira familiar - casal e 7 filhos para criar!
Conta ela que meu avô tocava cavaquinho, e, à tardinha, todo dia sentava ele, após o trabalho, tocava e cantava músicas populares, o que a deixava enlevada.  Sempre foi muito afinada, e gostava de cantar; também gostaria de ter aprendido música, quando criança, mas, infelizmente, não deu.
Minha mãe começou a trabalhar aos 13 anos, na empresa Gressler, de Ijuí; ajudava na contabilidade e serviços gerais de escritório; era exímia na matemática, fazia contas como ninguém.
Única brasileira no meio de descendentes de alemães, havia aprendido algumas palavras nesta língua, o que lhe permitia responder em português a perguntas feitas em alemão; fato engraçado, que fez com que suas colegas não mais falassem em alemão na sua presença, pois achavam que ela entendia tudo... Como ela tinha os cabelos pretos, longos e crespos, adoravam fazer penteados, nos momentos de folga, coques e ajeitar seus cabelos.
Minha mãe conheceu meu pai com 14 anos; foi no culto de inauguração da Igreja Metodista de Ijuí; ele morava em Santo Ângelo; corresponderam-se durante um tempo, depois ele veio visitá-la, firmaram namoro e, quando ela tinha 17 anos e ele 25, casaram-se, formando um casal que se ama até hoje, e irão completar 60 anos de casados em setembro.  Desta união saímos nós, eu e mais 5 irmãos homens, sendo que dois foram natimortos. 
Minha mãe enfrentou todo tipo de dificuldade: moraram em lugares de difícil acesso, onde não havia água nem luz; teve os filhos na época em que não havia praticamente assistência médica, e era atendida por parteiras - graças a Deus experientes, que a ajudaram a nos fazer nascer com competência.
Sempre nos cuidou e educou com amor, carinho, compreensão, competência e visão, incentivando-nos a estudar e encarando os problemas de frente, nunca baixando a cabeça, sempre orando e pedindo a proteção divina para toda a família.
Embora quisesse trabalhar fora e ter  sua renda, não o fez a pedido - ou imposição - de meu pai, que é um homem "às antigas", para quem a mulher deveria ficar com as atividades do lar, somente.  E desempenhou-as com amor e competência - cozinheira de mão cheia, sempre fez delícias para saborearmos, de pratos salgados a doces, bolos, tortas, salgadinhos, almoços, jantares...e cuidou da casa e de nós com mão firme.  Ajudou meu pai a enfrentar as mais diversas difi culdades, sendo a companheira fiel, o braço firme ao redor de todos nós: doenças, desemprego, condições adversas, tudo sempre encarou com garra, uma lutadora.  E, também, nos momentos de alegria, festa, confraternização, vitórias,  era a primeira a dizer: vamos festejar, que a vida é curta!
Quando crescemos e começamos a sair de casa,  minha mãe, finalmente, pôde realizar um sonho: foi aprender música!  Com as mãos já um pouco emperradas, com 45 anos, aprendeu piano.  Seu sonho era tocar os hinos na igreja lendo as partituras musicais.  Foi, com dificuldade, mas com persistência, que conseguiu realizar seu sonho: tocou em casamentos, festas, tocava em casa, em cultos, etc.  Formou um côro que cantava nos cultos, tornando-os mais alegres e emocionantes.
Quando a família descobriu que meu irmão mais novo era doente mental, foi a primeira a encarar de frente o problema, procurar tratamentos, acompanhá-lo, cuidá-lo e protegê-lo até o fim de sua vida.  Nunca esmoreceu.  Tinha fé que a medicina ia encontrar a cura para a esquizofrenia - que eu chamo de  o câncer da alma -.  Infelizmente a medicina não evoluiu para tanto.
Apesar de todas as coisas ruins que aconteceram na vida, minha mãe é otimista.  O que ela me  passou, repito para ela agora: cada dia é uma bênção de Deus, e cada vida também.
Agradeço a Deus por ter a minha mãe ao meu lado, agora que voltei pra minha terra.  Mesmo quando estava longe, a quase 1000km de distância, era só ouvir sua voz ao telefone que eu já me sentia melhor.  Estar perto dela, poder cuidá-la e do meu pai, também, é uma alegria muito grande.  
Seus ensinamentos, sua fé, sua firmeza, seus princípios norteadores de vida irão me acompanhar a vida toda, e sua maneira de viver procuro transmitir também a meus filhos e netos.
Tê-la por perto me acalma e me anima, minha mãe.  Obrigada por ser como é e por ser minha mãe.






terça-feira, 29 de maio de 2012


UMA REFLEXÃO SOBRE A VELHICE




Imagem: http://www.google.com.br/imgres?um=1&hl=pt-BR&client=firefox-a&sa=N&rls=org.mozilla:pt-BR:official&biw=1360&bih=596&tbm





OS DIREITOS DOS IDOSOS



                 Recordando sobre muito do que li na Bíblia sobre pessoas mais velhas,  recordei-me destas duas passagens:
                     Êxodo, 20:12: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”.
            Isto lembra minha infância e adolescência, quando decorei os 10 Mandamentos, e procurei, sempre na medida do possível, segui-los. Digo na medida do possível por considerar-me uma pessoa que comete muitos erros e que se acha humana, demasiado humana.
                  A segunda passagem bíblica é esta:
                 Eclesiastes, 3:1-8.  “Tempo para tudo. Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer;  tempo de guerra e tempo de paz.”
                 Temos dois enfoques que podem nos conduzir à reflexão sobre a velhice.  Um  nos remete diretamente a nossos pais, ou às pessoas que exercem o papel de pais em nossas vidas.  São os 10 Mandamentos que nos ordenam honrá-los.  Se formos ao dicionário, teremos o significado de honrar, que é estimar, respeitar, venerar ou reverenciar. Podemos resumir em Respeitar e ter afeto.
O outro nos faz pensar que tudo na vida tem um começo, um desenvolvimento e um fim.
                 Nós, seres humanos, nascemos, nos desenvolvemos, ficamos jovens e lindos, criamos nossas  famílias e vamos rumo ao cumprimento dos propósitos de nossas vidas, quando começamos a envelhecer.
                       Aqui no Brasil ainda não existe uma educação para o respeito às pessoas mais velhas.  Existia, até um tempo atrás, mas a forma como as pessoas vêm sendo educadas nas últimas décadas tem tirado das novas gerações o respeito por elas.  Igualmente, de parte do poder público e da sociedade como um todo, não havia  interesse pelas pessoas mais velhas.  Não havia produtos direcionados a elas, saúde, lazer, educação, trabalho, o que quer que seja. Porém, como a população vem envelhecendo, todos deram-se conta de que é necessário olhar para as pessoas que se encontram nesta fase da vida.
                   Com base nisto, e nos direitos assegurados pela Constituição Federal, entrou em vigor o Estatuto do Idoso, Lei 10741 de 2004, que estabeleceu mais claramente os direitos dos idosos.
                      Para entendermos melhor o que é  idoso, vejamos as palavras que vêm sendo usadas para o definir: velho, idoso, ancião, 3ª idade, 4ª idade, maturidade, melhor idade, idade da razão... a idade é apenas uma referência.  Não é só o processo degenerativo do corpo ou da mente que nos diz quem é velho, mas vários fatores.
                    De acordo com um autor italiano, Norberto Bobbio, a velhice pode ser compreendida de três formas:
1ª – velhice cronológica – é a idade; por exemplo, no Brasil, a partir de 60 anos, as Leis consideram a pessoa idosa;
2ª – velhice burocrática – é a partir de quando as pessoas podem começar a receber benefícios previdenciários, como aposentadoria por idade ou passes livres nos transportes públicos;
3ª – velhice psicológica – ou subjetiva, é quando a pessoa se sente velha.
                        Na nossa Constituição Federal estão assegurados os seguintes direitos às pessoas com mais de 60 anos:
“Art. 230- A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.
§1º - Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.
§2º - Aos maiores de 65 anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos”.  Na realidade, lei posterior determinou aos 60 anos.
                           O Estatuto do Idoso prevê:
“Art.3º - É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.”
Vemos que são muitos os direitos dos idosos, já assegurados a todos na Constituição Federal dentro dos direitos fundamentais dos cidadãos e cidadãs, que continuam vigorando enquanto as pessoas tiverem um sopro de vida.
                       Para concluir, algumas meditações de Pérola Braga, autora do livro Curso de Direito do Idoso.  Logo no início, ela manda uma mensagem aos seus filhos, que achei muito interessante, e pode servir de exemplo a todos nós:

“Aos meus filhos (...):
Na minha velhice
Tratem-me com carinho
E muito respeito.
E mesmo que eu perca a lucidez,
Não se esqueçam do que eu pensava
E de como eu agia enquanto era lúcida.
E façam sempre a pergunta:
O que ela decidiria se estivesse lúcida?
E ajam conforme a resposta que lhes vier à consciência
Pois ela estará alimentada pela implacável memória dos meus tempos de luta
Pelo Envelhecimento Digno!”

                     Outro texto que esta autora colocou em seu livro, é 

Uma  oração para a velhice
                                   De John O’Donohue

Que a luz da tua alma cuide de ti.
Que toda a tua preocupação e ansiedade
Por envelhecer seja transfigurada.
Que te seja concedida uma sabedoria
Com o olho da tua alma,
Para enxergar este belo tempo de colheita.
Que tenhas o compromisso de colher a tua vida
Cicatrizar o que te feriu,
Permitindo-se chegar mais perto de ti
E fundir-se contigo.
Que tenhas grande dignidade.
Que tenhas consciência do quanto és livre e,
Acima de tudo,
Que te seja concedida a maravilhosa dádiva
De encontrar a luz  eterna
E a beleza que está no seu íntimo.
Que sejas abençoado e que descubras um
Amor maravilhoso em ti por ti mesmo.”
                           
                               Esta reflexão levei para uma reunião de Senhoras evangélicas; todos temos a obrigação, profissionais ou cristãos, de ajudar a esclarecer as pessoas sobre fatos que tenham relação direta com suas vidas.  Creio ter ajudado um pouco na aquisição de conhecimento.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FRATERNO



"FRATERNO
Verbalizar te amo eu não consigo.


Eu digo te amo
quando te dou atenção
quando filosofamos
quando sofres e te estendo
a invisível mão.


Eu digo te amo
quando leio teus poemas
admiro teus quadros
parabenizo os concursos
em que és entre os primeiros aprovado.


Eu digo te amo
quando olho tua fotografia,
e vejo que és a cara minha.
Somos muito semelhantes
Na nossa lucidez, na nossa insensatez,
na estranheza que vemos
nos turbilhões que vivemos,
                                           meu irmão."


Este poema fiz para meu irmão Moacir, que faleceu há justos dois meses.  Foi publicado na 3ª Antologia Caxiense de Poetas, 1º Concurso caxiense de poesias; Misturas e bocas produções, 1990.

A dor de perder um ente querido não some, vai ficando mais fraca, mas tem seu lugarzinho guardado no nosso coração e nas nossas mentes.  Nunca vamos esquecê-lo.  Porém a vida nos empurra e continuamos a viver e trabalhar, e resolver problemas, e amar, e ter momentos felizes, misturados aos tristes.  Isto é a vida.  Que vamos vivendo enquanto Deus permitir, fazendo dela o melhor possível.

À época em que fiz o poema talvez tivesse dificuldades de verbalizar "te AMO"; mas ao cuidar dele no hospital, e muitas outras vezes anteriormente, tinha dito a ele que o amava, o que o deixava muito feliz.  Ele morreu sabendo que era amado.