sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Mais leituras, meu único vício

 

Tenho lido vários colegas escritores e poetas que compõem as academias das quais participo. Além de lê-los através de trabalhos em Coletâneas nas quais somos vizinhos de páginas, alguns  comigo trocam livros, e lemos uns aos outros.  Também é uma forma de ajuda mútua, um comenta e expõe os livros dos outros, e vice-versa. Fraternidade e divulgação.

É o caso do confrade Carlos Frederico, Professor de Língua Portuguesa e Literatura no Rio de Janeiro, músico e compositor, colega da ALPAS-21.

 Dele, dois livros, lidos com muito prazer:




SENTIMENTOS SEMÂNTICOS, 1ªed.-SP, 2022, 96P. Ed.Versejar. Poemas

O autor utiliza-se de uma linguagem acessível, na maioria versos livres, expressando suas emoções, observações do quotidiano, aspirações e sonhos. Em alguns há métrica e rima, em outros os versos são livres ou brancos. É uma poética cheia de lirismo, algumas figuras de linguagem, carregados de emoções e sentimentos, tudo muito suave.  Alguns poemas têm uma linguagem hermética, deixando o leitor em dúvida se refere-se ao amor da amada, ao fraterno ou religioso.  Dúvida boa: leia mais para compreender melhor! Capa maravilhosa, com paisagem sugestiva.

Destaco:

"Encanto

No frescor da manhã, lembro-me do todo ocorrido

e mesmo antes do sol ter nascido,

creio ter te conhecido, talvez na suavidade da lã.

Percebo que a estrada é longa,

acabo por caminhar sem rumo

e no futuro penso, planejo.

Vejo clarear tudo a minha volta

É a tua presença que retorna.

Flui rapidamente o rio de paixões,

carrego a alegria de muitos corações,

sigo nos trilhos do Mestre, Senhor Deus,

embora também amplie a cultura através da Mitologia

Grega de Zeus.

No teu perfume surge a nuance das flores,

no céu lácteo vislumbra-se o arco-íris com suas cores.

É a comemoração de um bonito encontro

e a natureza confunde-se com o teu encanto.

No sideral espaço cósmico, o brilhar da estrela espelha,

o amor que o canto espalha,

emanando-se pelo vasto mundo."



O LAPIDAR DE SONHOS. Contos, Minicontos, Crônicas e Poemas. SP:Scortecci, 2014.

Num caleidoscópio literário, o autor delineia contos, crônicas e poesias cujos temas são abrangentes: A amizade; A sina sertaneja; animais, crianças, pássaros, a natureza,  eventos científicos e tecnológicos, Natal, a produção literária e a saga de uma família de retirantes nordestinos rumo ao Rio de Janeiro, que compreendi ser sua família.

Os temas são diversificados, interessantes, a escrita flui espontânea, de fácil e deliciosa leitura, o vocabulário é acessível, denotando o professor expert em Literatura e arte. Leitura que deleita, de boa essência literária,  com muito lirismo, prende o leitor desde a primeira linha, o que garante a qualidade do texto.  Vale a leitura, além de uma linda capa.

Excerto:

"Uma só alma.

    O sol carrega consigo o brilho do teu olhar que percebo na noite quando então a lua o torna ainda mais belo e singelo.  No seu caminhar, os pensamentos devem fluir na sua imaginação, na sua mansidão e no colorir do tempo com os brilhos originais terminando pelos sorrisos e gritos colegiais.  Assim, o dia-a-dia demonstra a lírica percorrendo o teu ser.  Sou um homem feliz porque amo-te e seremos eternamente namorados do tempo da felicidade e da harmonia sem importar-se com a época, nem mesmo com as mudanças em nossos semblantes e organismos com o passar dos anos.

    O cérebro resolve fazer parte do coração e pulsar esse sentimento.  Por fim, o amor cativa em situações diferentes, deixando com belo prazer as nossas mentes."


Os livros podem ser adquiridos com o Autor, nos endereços eletrônicos:

ferreira200776@gmail.com 

www.facebook.com/boletimiberico

ou twitter:@9cfrederico


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

MINA DE AMOR

 



           Para Nicolle, Vittorio e Rafaello

 

Dois pares de olhos azuis

Um par de olhos castanhos.

Mãozinhas macias, irrequietas,

Agito no corpo.

Energia

Vitalidade

Curiosidade

Inteligência

Muito carinho

Muito amor

Muitos afagos!

Ternura sem fim!

Meus netos!

 

Joinville, 28/9/22.

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

O LIVRO ME SALVOU



 Com o livro aprendi

Com o livro me informei

Com o livro sonhei

...sofri

...sobrevivi

...lutei

...abri minha mente

 

Vislumbrei um futuro

...esperança

...fé

...possibilidades

...conhecimento

...erudição

...multiplicidade

...variedade

 

Na dúvida, na depressão, no medo

O livro me salvou!

...me curou

...me esclareceu

...me elevou

...abriu meus olhos

...abriu meu coração

...abriu meu id, ego e superego

...manteve permanente a curiosidade

...me instruiu.

O livro é tudo!

 

 

Dia do livro

29/10/21

Lorení.

A cidade das viúvas

 









Em uma cidade na região meridional da América Latina, perto de onde foram as   Missões Jesuíticas, no lado argentino,  descobriu uma repórter de revista feminina de grande circulação que, em um de seus distritos de nome Nhú-Porã, havia trinta e nove viúvas.

É um número elevado considerando-se a população local, de baixa densidade demográfica.

Curiosa, tentou de diversas formas entrevistar essas viúvas, para descobrir a razão da morte de seus maridos, por qual razão nunca mais se casaram, como viviam, e sobre suas famílias.  Suas tentativas eram infrutíferas.

Conversando com uma senhora que tinha em torno de setenta anos, professora aposentada e agricultora nas horas vagas, de nome Elizabeth,  descobriu que ninguém queria falar nada por questões de segurança, pois havia muitos malandros que se aproximavam das mulheres para tentar levar vantagens, tanto pessoalmente, quanto pela internet ou outras formas de comunicação. E, também, para evitar assaltos.

A repórter não se deu por vencida.

Devagarinho, conversando, demonstrando que não identificaria o lugar, não daria o nome das pessoas, que manteria o sigilo das fontes,  que elas não correriam risco nenhum, foi amolecendo a resistência da mulher, até que obteve uma pequena vitória:

- Tudo bem.  Vamos fazer o seguinte: dia 23 é meu aniversário.  És minha convidada, vou te apresentar como minha amiga.  Mas não dirás para ninguém que o teu objetivo é entrevistar a turma, vais conversando normal, como quem quer fazer amizade e conhecer as pessoas.

- Combinadíssimo!

- Mas sem gravadores, microfones, nem computador, nem anotações.  Vais te fiar na tua memória.  Senão ninguém abre a boca.

- Certo, farei como dizes.

No dia marcado, a casa de Elizabeth começou a encher-se das amigas e vizinhas em torno das 17 horas. Abraços, beijos,  presentes, apresentação da nova amiga, conversas, música animada, algumas dançando, tagarelice, alvoroço, como são as reuniões de mulheres.  Algumas trouxeram as crianças, filhos e netos, a bagunça tomou conta.

Num canto, a repórter conversava animadamente com um grupinho, contando a todas como era a vida na cidade grande, o movimento, os grandes shoppings centers, as tentativas de assaltos, o trabalho, as grandes lojas, as livrarias, a vida dinâmica que levava. E, principalmente, o stress.

Muitas viajavam uma vez por ano para um canto do Brasil ou do exterior, a passeio, e conheciam o que ela descrevia.  Outras, não.  Tudo era novidade.

Perguntaram se era casada, ela disse que sim, que tinha uma filha de 15 anos que ficava com o pai quando ela viajava a trabalho.  E que estava no local por conta de uma palestra que daria na área de comunicação da Universidade local. Ela perguntou se eram solteiras ou não, se tinham filhos.  Algumas se retraíram.  Outras, já mais leves depois de algumas taças de vinho, disseram que eram viúvas. Mas que ela não espalhasse a notícia por questão de segurança delas e das famílias.

Ela disse que não abriria o bico.  Daí perguntou se eram muitas pessoas com este estado civil, uma disse que não, outra disse que trinta e nove, outra poucas, outra muitas... E ninguém mais quis  se casar de novo?

 Disse Maria, uma loira de 30 anos, muito bonita:

- Não.  A grande maioria das viúvas daqui perdeu seus maridos para doenças severas, como o câncer.  Eram trabalhadores rurais, empregavam venenos em suas lavouras de soja e trigo. Câncer no cérebro, no pâncreas, intestino... terrível!  Algumas, como eu, ficaram sozinhas em torno dos trinta anos.  Outras mais tarde, outras mais cedo.  Quase todas tiveram que assumir o trabalho na lavoura, além de suas profissões.  E terminar de criar os filhos sozinhas.

(Repórter) - E nunca nenhuma voltou a pensar em casar de novo?

(Maria) - A Fulana, assim que ficou viúva, vendeu suas terras e foi morar na cidade, não quis saber de ficar sofrendo com o trabalho árduo da lavoura.  Mas a grande maioria ficou por aqui. Parece que ela tem um namorado.

Entre uma rodada de salgadinhos e docinhos, taças de vinho, cerveja e refrigerante, a conversa foi ficando solta:

(Repórter) -  E vocês, que estão morando aqui, não se sentem sozinhas, não acham que é muito compromisso e responsabilidade para encararem sozinhas?  Não sentem solidão, não têm falta de um aconchego, carinho, companheirismo, sexo?

(Marta, 68 anos) - A Beltrana conheceu um ciclano num evento na cidade.  Ele veio aqui algumas vezes.  Até ela descobrir que ele era casado, e que queria passar a mão nas terras e no dinheiro dela... Mandou ele passear.

(Joice, 55 anos) - Eu me sinto muito sozinha, já que meus filhos são crescidos e estão estudando fora.  Até a gente se sente muito carente, em todos os sentidos...Mas a liberdade que a gente aprende a ter, depois que conseguimos vencer o luto, não tem preço que pague.  Fazemos o que queremos, sem prestar contas a ninguém.  Temos grupos de viagens, de passeios, de estudos, coral na igreja....a gente se vira... 

Elizabeth, que circulava entre as convidadas, e verificava se não estava faltando nada, perguntou:

 - Como está a conversa aqui?

- Está ótima!

Mais uma rodada de vinho e cerveja.

(Berta, 45 anos) - A Beltrana conheceu um rapaz muito bonito pelos sites de relacionamento.  Pesquisou na internet sobre ele, depois de assistir a uma reportagem na tv, em que os delegados de polícia aconselhavam as mulheres solteiras, separadas ou viúvas, que ficassem alertas aos relacionamentos através destes sites.  Sugeriam que pesquisassem na polícia antes, para ver se não era nenhum malandro.  Ela tem uma amiga  que é Delegada na Delegacia de mulheres. Pediu para ela verificar.  Minha nossa... o cara não mentiu o nome nem estado civil, mas mentiu a profissão, que era nenhuma.  Era acostumado a dar golpes em mulheres desavisadas, começava na manha, na fala mansa ao pé do ouvido, ia conquistando, depois pedia dinheiro emprestado e assim por diante.  Ela deu um pé na bunda e mandou ver as estrelas.

(Repórter) - Nossa!  Vocês moram no interior do interior, mas estão bem alertas.  E sabem se virar sozinhas.  E o sustento de vocês, como fazem?

(Elizabeth) -  Aprendemos a administrar nossas terras.  Temos alguns funcionários para a hora da planta e da colheita, fazemos mutirões, umas ajudam as outras.  As que têm filhos, estes ajudam administrar. E algumas, mais velhas, têm aposentadorias.  Não é muito, mas ajuda.

(Repórter) - E o estudo dos filhos e netos, como fica?

(Dandara, 50 anos) - Aqui no distrito temos escolas municipais e estaduais de ensino fundamental e médio.  Quando querem ir para a faculdade, damos um jeito de mandar para a cidade; às vezes conseguimos bolsa de estudos, alguns passam em universidades públicas em outras cidades, então vão trabalhar e estudar.  Todo mundo se vira.

Pasteizinhos recém fritos fizeram outra rodada. Os famosos docinhos giravam nas bandejas.  E a encarregada da bebida não deixava faltar nem vinho, nem cerveja, nem água, cada uma conforme seu gosto.

O papo foi rolando cada vez mais solto.  Foi uma noite memorável.

A repórter ficou conversando com a mulherada, dançando, beliscando salgadinhos e docinhos até às 2 horas da manhã. 

Matou a curiosidade.  Ficou deslumbrada com a capacidade das mulheres de se virarem, cuidarem umas das outras, viverem em comunidade, e conduzirem suas vidas sozinhas. Lembrou-se do matriarcado de tempos de outrora.

Mas, o que muitas disseram: que não são contra os homens, muito antes pelo contrário.   Algumas disseram: lavar cuecas, nunca mais!  Entretanto, se conhecessem algum companheiro que valesse a pena, poderiam pensar no assunto.  Afinal, eram todas muito normais,  tinham sonhos e desejos como qualquer mulher, independente da idade. Apenas não queriam mais compromissos, responsabilidades e um patriarca a querer mandar em suas casas.

A repórter voltou para sua cidade. Fez a reportagem, como combinado, sem identificar nada nem ninguém.  Recebeu um prêmio pela reportagem e continuou tocando sua vida.






(os nomes foram trocados para preservar as pessoas).

(Imagem: https://www.facebook.com/reisman.aliancas/photos/modelo-santo-amaro-compre-aqui-httpswwwreismancombraliancas-de-casamento-ouropar/581780215280527/?paipv=0&eav=AfYYHSeM5l2OyMmnnm5ONbzs6N19yXvfSYcjoa2egVFKpqNfXRZnzm4OPCfyubcinnQ&_rdr )



Pretinho básico

 




Neguinho, te amo!

Logo ao amanhecer, sinto falta de ti

bem como no decorrer do dia;

teu cheiro te precede

estimula meus sentidos

impulsiona meus neurônios

através das sinapses

deixa-me alerta

uma mulher de fé:

não vivo sem ti, café!

A morte não deveria existir






Foto da autora. Itapema/SC, 2018


 A luz da aurora surge...

Descerro os olhos

Só vejo a saudade

Que invade meu coração

Minh'alma está repleta

 de ti

Incompleta

Clama por teu amor

Só dor!...

Sobrou a réstia

da luz da manhã

a invadir meu quarto

a minha vida

dolorida

sem teu amor...

meu pranto é de dor

Essa dor intensa

que persiste em me preencher

A morte não deveria existir

para os amantes...

a saudade dói tanto

que machuca

pesa como chumbo

e nos derruba!


domingo, 8 de janeiro de 2023

AS PESSOAS TEMEM MULHERES INDEPENDENTES

 

            

Super vovó - assim meu neto me vê.

           Só fui entender esta frase depois de ficar viúva.

         Logo que meu amado esposo faleceu, todas as pessoas que vinham me abraçar, comentar o ocorrido, expressar seus sentimentos, seus pêsames, já vinham também, com as palavras: “agora tu tens que...” e seguiam-se as mais variadas afirmações, conselhos, sugestões, dicas.  Até o dia em que tive que ser clara: eu fiquei viúva, não incapaz.  Da minha vida cuido eu; tomo minhas decisões, faço o que tenho que fazer, assumo minhas responsabilidades e as consequências dos meus atos; aliás, o que fiz a vida inteira. Apenas, agora, tenho outro estado civil. E ninguém tem nada com isso!

            Entretanto, passei a perceber que toda vez que entro em um recinto em que há muitas pessoas, em que há casais, lugares que, antigamente, não era habitual uma mulher estar desacompanhada, havia olhares esquisitos, mulheres me olhando de soslaio, homens me inspecionando discreta ou descaradamente, observando se tinha aliança em minha mão esquerda: restaurantes, cinemas, clubes, postos de gasolina indo abastecer, eventos, viagens e consequentemente estações rodoviárias, aeroportos, etc.

     Conversando com outras mulheres viúvas, divorciadas, separadas ou solteiras, percebi que o mesmo ocorre com elas. Nós somos os perigos, as disponíveis, mesmo fechando a cara e não dando trela aos mais afoitos que são puxadores de conversa, palpiteiros, paqueradores, curiosos, etc.

         Quando fui a um evento há pouco tempo, na volta uma pessoa perguntou-me: e daí, achou um namorado? – Resposta na lata: - não estou procurando.

         Nossa sociedade tem dificuldades de ver uma mulher que trabalha ou trabalhou estar ou ficar sozinha, sem uma companhia masculina.  A mulher não pode conduzir sua vida de forma independente?  Pode e deve.

         Isso não quer dizer que fechou as portas do coração para um eventual amor que possa vir a ocorrer; mas não necessariamente.

         Falo por mim, e cada mulher que fale por si: fui tão feliz em meu casamento, meu marido e eu nos dávamos tão bem, a ponto de um completar o pensamento e a frase do outro.  Sintonia perfeita.  Sinto saudades? Obviamente! Choro ainda pela sua morte? Evidente que sim! Tivesse sido um casamento infeliz não teria lembranças, saudades, datas a comemorar, família, filhos, netos, recordações de passeios, viagens, músicas preferidas, acontecimentos.

         Em pleno século XXI ainda precisamos falar disso, pois a sociedade ainda não reconhece o direito de uma mulher ser independente, autônoma, senhora de si e do seu destino.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Alma desnuda

 A alma está desnuda

Alma de poeta

Algumas palavras agudas

Caluda!


Sentimentos

Pensamentos

Sensações

que se expõem.




29/12/2022

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Pandemia, leituras...


                            

 Muito pouco anotei sobre os livros que li antes, durante e depois da pandemia.  Há quem diga que ela ainda não terminou.

Entretanto, já estamos mais calmos, após 4 doses de vacina, que foram disponibilizadas pelo Governo Federal brasileiro.

Tenho notícias de que na Alemanha a grande maioria das pessoas não fez nenhuma dose de vacina.  Não que o governo não tivesse disponibilizado; as pessoas que não quiseram correr o risco de vacinar-se com produtos experimentais.  Li a mesma coisa a respeito do Japão, país que nem tinha começado a vacinação quando já estávamos fazendo a segunda ou terceira dose.  Conclusão: fomos as cobaias do mundo.  E os "cumpanhero" que fizeram campanha para a eleição do Presidente da República que irá nos governar a partir de 2023, condenaram severamente e fizeram muitas críticas ao atual Presidente da República por ter demorado a fornecer vacinas para os brasileiros, em um tempo em que nem cientistas, pesquisadores e médicos sabiam o que fazer com o coronavírus.

Mas não é disto que quero falar ou escrever.

Vou anotar para não esquecer que já li os livros a seguir, os quais também podem servir de sugestão para quem ama a leitura como eu.  Aos livros, pois.

1.Tancredo Neves, o príncipe civil, de Plínio Fraga, 647p.

    Este livro li bem no começo da pandemia.  Lá por março/abril/maio de 2020. 

    "O Tancredo é político capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos", comentário de José Bonifácio, opositor político de Tancredo.

    Sagaz, maneiro, inteligente, um dos melhores políticos brasileiros, sua história é narrada desde o nascimento, os estudos, o casamento, a família, e o seu envolvimento com a política, desde os tempos de Getúlio Vargas até sua morte, em 1985.  Livro magistral que deve fazer parte de sua mesa de cabeceira com o objetivo de entender um pouco mais a nossa História.

2.A Peste, de Albert Camus, 287p.

    Já tinha lido este livro na década de 80, quando lecionava na Escola Poncho Verde, de Panambi.

    O assunto é semelhante à pandemia pela qual nós passamos, e mostra a realidade de tempos soturnos que acabam transformando o comportamento das pessoas diante do desconhecido, como uma peste que surge e vai matando pessoas. É um livro dolorido, como foi a pandemia da Covid-19 para todos nós.  Excelente leitura.

3. Ensaios íntimos e imperfeitos, de Luiz Antonio de Assis Brasil, 130p.

    Neste livro o autor faz várias reflexões sobre a vida e a humanidade, trazendo "perplexidades", os paradoxos, e a multiplicidade da natureza dos homens e mulheres.  Vale a pena a leitura.

4.O marido complacente, do Marquês de Sade, 201p.

    Comprei este livro em maio deste ano, para ler enquanto aguardávamos o nascimento do meu neto.

    Várias historietas e contos deste escritor.

    No prefácio, o tradutor, Paulo Hecker Filho,  já faz o "Convite ao prazer".  E diz: "Nenhum outro escritor foi tão indomável nem tão condenado quanto o Marquês de Sade.

    Como muitos, ele só pensa em sexo, e um sexo, o seu, bem antissocial, a usar, discricionariamente, os parceiros, anulando-os como individualidades (...)"

    Excelente leitura para quem quer conhecer esse famoso escritor francês nascido em Paris em 1740.  Leitura imperdível.

5. Paixão Índia, de Javier Moro, 389p.

    Ganhei este livro de minha amiga e comadre, leitora inveterada, como eu. Presente fantástico!

    Este maravilhoso romance do escritor espanhol narra a história verídica, romanceada, de uma bailarina espanhola que conhece um marajá indiano; ele veio a apaixonar-se por ela, e a levou para casar e viver um romance maravilhoso, até ela descobrir que, em determinado momento, passaria a fazer parte do harém.  História incrível que nos mostra a cultura indiana e a luta de uma mulher pela liberdade. 

6/9. Velhos textos presentes; Eu era assim; Fios invisíveis; Enfim juntos, de Ildo Carbonera, diversas datas.

    Ildo Carbonera, escritor gaúcho natural de Sananduva/RS, foi Professor de Literatura e Teoria Literária, na Unioeste/Foz do Iguaçu/PR e é Mestre e Doutor em Literatura pela UFRGS.  Antes disso, foi meu colega na Escola Estadual Poncho Verde, de Panambi/RS, em aulas de Língua Portuguesa e Literatura para alunos do Ensino Fundamental e Médio.

 Em belas crônicas e inspirados poemas, o autor delineia sua contemporaneidade, seu olhar aguçado e profundo sobre a vida; sobre nós, os seres humanos, o trabalho, a política, a politicalha e o comportamento comezinho de algumas pessoas em instituições públicas, dentre outros assuntos.  Assim como seu olhar, penetrante  e agudo, intimidador, quando visto pessoalmente, são seus textos um corte profundo  na literatura e na vida.  Magníficos!

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

ANTES QUE O ANO SE ESVAIA


 


           Este ano foi um ano de redenção para mim.

        Aos poucos estou retomando minha vida, um eixo se delineia, o coração anda calmo, inclusive as palpitações que tinham se iniciado na pandemia, estão rareando.  Estão acontecendo alguns encaixes.  Como dizia um repórter televisivo, vida que segue.

        Para coroar e encerrar com chave de outo, este ano participei de alguns concursos literários, e o Círculo de Escritores de Ijuí, Letra fora da gaveta, voltou a publicar seu livro, a Coletânea

 

ALÉM DAS PALAVRAS

 

        Neste livro os autores que compõem o Círculo deixaram suas impressões, seu testemunho, suas observações e seus sentimentos.

        Colaborei nesta publicação cooperativa, com o conto “Lampião de querosene”; a crônica “Enchentes” e a poesia “Humana natureza”.

        Vale a pena a leitura pela qualidade e beleza dos textos, e o  esforço dos escritores independentes: Artigos, Contos, Crônicas e Poemas, projeto gráfico muito bem feito.

               

        Concomitantemente, sou acadêmica correspondente da Academia Literária Internacional “A palavra do século 21”- ALPAS-21, de Cruz Alta/RS, e minha patrona é Lya Luft, grande escritora gaúcha.

        Este ano a Academia extrapolou, publicando vários livros. Participei de dois deles, igualmente de forma cooperativa, os quais são:

 



100 ANOS DE CULTURA NO BRASIL

        Com prefácio da Presidente, Rozelia Scheifler Rasia, este livro relembra o movimento de 1922 na Literatura Brasileira e valoriza escritores componentes na ALPAS-21 neste momento histórico.

        Os autores são identificados através de sua bio-bibliografia, e cada um publicou os textos que achou adequados.

        Participei com as minhas informações e a crônica ”O primeiro amor”.

       

        O terceiro livro do qual participei este ano também é uma publicação da ALPAS-21, Coletânea Internacional

 


INFINITO OLHAR

        Nela os autores imprimem suas impressões, suas pesquisas, seu olhar ao infinito, através de  Poesias, Contos e Crônicas, resultando numa obra magnífica de alto gabarito.

        Minha parte constou da poesia “Um novo eixo”; e o conto “A casa verde”.

        Certeza de ótimas leituras e grande satisfação, edição primorosa, capricho dos escritores e acadêmicos.

        Quem quiser adquirir exemplares, contatar os autores (que não objetivam lucro, apenas divulgar sua escritura e recuperar o investimento).

        Ao participar do 37º Concurso Internacional de Poesias, Contos e Crônicas, da ALPAS-21,  após análise e cotejo rigorosos da comissão organizadora e de avaliação, recebi o Certificado de Destaque Literário em Poesia com o poema “O livro me salvou”;  igualmente recebi o Destaque Literário em Crônica com  “A fuga da Rotina”.  Ambos serão publicados no próximo ano.  Meus queridos leitores terão que aguardar a chegada de 2023 para usufruir da leitura de ambos. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

NATAL

 

                               

 

        As primeiras lembranças que tenho do Natal são da casa de meus avós maternos.

        Morávamos em Santo Ângelo e viemos passar o fim de ano com eles. Eu  devia ter uns quatro anos, alguns de meus tios ainda eram solteiros.  A mais nova ainda era criança, pois é seis anos mais velha que eu.  Ela tinha uma boneca que andava, virando a cabeça, e dizia: mamãe.  Era a Marta. Ela não me deixava brincar com a Marta...

        Minha madrinha deu-me de presente uma bonequinha de louça, linda, de olhos azuis e cabelos castanhos. Na caixa estava escrito “Tiquinha”, pois era pequenina, assim como eu.  Embora não caminhasse, ela chorava quando a gente mexia nela.  Mas, quem tem irmãos e não irmãs, sofre! Um dia que brigaram comigo, meus irmãos atiraram a Tiquinha dentro de uma bacia cheia d’água, e ela parou de chorar e parou de movimentar os olhos; quem chorou fui eu!  Estragaram minha boneca! Tive que levá-la ao hospital de bonecas. Eles fixaram os olhos dela para sempre! Mesmo sem chorar mais, tenho-a até hoje!

        Como fazíamos parte do povo que dependia das brizoletas para fazer o Natal, meus irmãos ganharam caminhões de madeira feitos por meu pai.

        Era tradição na minha família, e fui aprendendo com o passar do tempo, na Noite de 25 de dezembro ir ao Culto de Natal na Igreja Metodista.  Eu ficava emocionada ao ouvir os membros da igreja cantarem, bem alto, com harmonia a música Noite Feliz  e muitas outras. Todas as mulheres dos pastores tocavam órgão, então ficava uma cerimônia linda.  Sempre tinha, também, a representação de Natal, sendo que os jovens e as crianças desempenhavam o papel de José, Maria, os reis magos, pastorzinho, etc. Jesus era um boneco grande, mas uma vez puseram um bebezinho na manjedoura. E tinha a música dos duendezinhos... eu fui duende, Maria, narradora, etc...

        Quando eu tinha 8 anos, e já morávamos em Ijuí, ganhei um bebezão.  Ô felicidade! Gostei tanto dele, cuidei tanto para não estragar, que minha primeira filha chegou a brincar com ele.

        O tempo foi passando.  Fui ganhando vários presentes de Natal, desde brinquedos de todos os tipos para brincar de casinha, como era a tradição.

        Quando estávamos na escola, meus pais sempre davam para nós, além dos brinquedos, um livro para quem passasse de ano.  Lembro de alguns que ganhei: O macaco trapaceiro; O califa cegonha; livros das princesas Cinderela, Branca de Neve...; Histórias que ficaram na História, entre outros.  Minha família é de leitores.  Meus pais liam muito, minha avó materna também, e muitos descendentes são leitores e alguns gostam, também, de escrever, assim como eu.

        Quando um pouco maior, ganhei um quadro para escrever.  Que alegria!  Eu repassava toda a matéria estudada no dia para meus alunos invisíveis... não sabia que assim agindo, eu estava reforçando o aprendido, e treinando para ser professora, anos mais tarde.

        O tempo foi passando, vieram os namorados, os presentes variavam de chocolate a perfume, uma blusinha aqui, uma sandália lá...

        Depois que casei, vieram os filhos.  Os primeiros presentes foram brinquedos, livros de pano, livros de banho e assim por diante.

        Lembro de três presentes, em especial pedidos por meu filho: num Natal, o ponte-car, uma camionete que tinha um mecanismo que fazia girar uma ponte que passava por cima de si mesmo e ia adiante, quando o carro daí passava por cima. Não tinha pilha que chegasse! Outro foi o pogobol, ou pula-pula.  Uma bola presa numa base, onde ele colocava os pés e pulava.  Ficava pulando o tempo inteiro, até criou músculos nas pernas de tanto pular... e o skate, no qual ele subia e andava.  Este fez com que, numa arte, caísse e quebrasse um dente da frente.

        Minha filha mais velha amava as bonecas, lembro da barbie face, que vinha uma cabeça e material de maquiagem.  Além do feijãozinho e outras bonecas lindinhas que ela tinha uma coleção. Outro presente que lembro bem que demos a ela foi um gravador colorido com microfone acoplado.  Cantar e fazer apresentações passou a ser sua diversão, gravando em fitas k7.

        A filha mais nova, já muitos anos depois, pois é temporã, também amava os bebezões, teve bonecas de todos os tamanhos, coleção de barbies.  Mas um ano ela encasquetou que queria um relógio com pulseiras coloridas.  Passou o ano inteiro buzinando nos meus ouvidos.  Como foi bem aprovada na escola, ganhou o tal relógio.

Porém o que eu mais gostava nos últimos natais em que minha família pôde reunir-se eram os que passávamos com meus pais, enquanto estavam vivos.  Reuníamo-nos na casa deles a minha família, as dos meus irmãos, irmãos do meu pai e da minha mãe e fazíamos uma festa maravilhosa todos juntos.  Morávamos no Paraná, meu irmão mais velho em Porto Alegre, mas sempre dávamos um jeito de estarmos juntos, pelo menos uma vez por ano.  Meu pai, meu marido e meu irmão ficavam encarregados do churrasco.  A mãe, eu e as cunhadas ficávamos encarregadas dos complementos e da sobremesa deliciosa; cada uma fazia uma diferente e servíamos depois da ceia.

        A comida era a desculpa.  Tinha jogo de dama, de xadrez, alguns assistiam ao Roberto Carlos na tv, as crianças corriam e brincavam.  Minha mãe colocava na eletrola seus elepês de natal, e eu sempre me emocionava. O pinheirinho era armado na sala todos os anos. Depois que ela aprendeu a tocar piano, fazia um pequeno concerto para nós.

        Depois da sobremesa, sempre aparecia o papai Noel que entregava os brinquedos para a criançada, mas os adultos também gostavam de receber as lembrancinhas.

        O natal sempre nos traz lembranças carinhosas das pessoas queridas que se foram.

        Agora, a matriarca sou eu.  A comemoração do aniversário de Jesus é na minha casa, com meus filhos e meus netos.

        A celebração continua, o amor permanece, algumas tradições são mantidas.  A família encolheu, mas o amor não. Além dos meus pais, meu marido também partiu.  Confraternizamos lembrando dos momentos de alegria passados com nossos queridos cujas cadeiras estão vazias.   Recordamos os muitos abraços, os beijos, as brincadeiras, a maravilha que era estar juntos.  Entretanto, há os descendentes para ocupar essas cadeiras e manter aquecidos os corações com amor, fé, carinho, fraternidade, esperança, muitas brincadeiras e correrias, para não perder o jeito.  Sempre tem alguém jogando damas ou cartas, um bebê chorando, alguém assistindo tv... e as músicas natalinas que eu amo e continuam me emocionando agora tocadas não na eletrola pelos elepês, mas baixadas da internet direto para computadores ou celulares.  As coisas mudam, mas as emoções não.

 

 

Lorení

Dezembro 2022.

       

domingo, 27 de novembro de 2022

ANGÚSTIA

                                                                    Foto da autora.
 


 

 

        Noite dessas eu sonhei com ele.

        Vínhamos de mãos dadas, meu amor e eu.

        Estávamos alegres, felizes, entusiasmados.

    Chegamos à beira de um rio.  Fiquei com receio de atravessar, mas ele estava tranquilo.

        Não era um barco o que nos transportava.

        Era uma coisa comprida na qual a gente se agarrava com as mãos, em umas alças, e impulsionava com os pés.

        Tinha bastante gente fazendo o mesmo.  Eu não conhecia ninguém, nem ele.

        Não foi difícil a travessia, ao contrário, foi muito fácil e rápido.

     Fomos rindo e conversando, percebia-se a leveza de nosso estado de espírito, a tranquilidade e segurança. Confiança.

        Ao chegar no outro lado, o povo dispersou.

       Eu fiquei sozinha.  Mas sabia que ele estava por perto, estava segura disso.

        O dia foi passando, já chegava o anoitecer.

        Eu carregava uma sacola meio esfarrapada, e dela caíam as coisas que eu carregava.

        Perguntei por ele.  Estava apreensiva.  E ele não vinha.

        De repente, surgiu uma mulher, de quem eu não via o rosto, que me disse:

        _ Põe este vestido vermelho, põe tuas coisas nesta outra sacola e vamos. Vou te ajudar a chegar ao rio para voltares.

        Eu procurava por ele.

        As coisas caíam da sacola.

        Escureceu.

        Eu não via nada.  Caminhava no escuro.

        A mulher segurava minha mão e tentava me tranquilizar.

        Seguimos caminhando no escuro, eu ansiosa e com medo, procurava por ele e dizia:

        _ Como que ele foi na minha frente e não me esperou?  Deixou-me aqui, sozinha? Ele não podia fazer isto comigo...!

        Continuamos caminhando, a mulher e eu.  Sei que era uma mulher pela voz, e estava com um vestido longo, não sei a cor.

        Quando fomos chegando perto do rio, vi uma pequena claridade, e o ruído das águas e das  pessoas conversando.

        A mulher sumiu.

        Atravessei o rio?

 

 

Lorení.

Sonho em 8/8/2021.

       

sábado, 26 de novembro de 2022

SOLIDÃO

 


                                        






Perdi as palavras... (eu e o Drummond!)

Procuro-as!

(Não vale tua brincadeira, ao dizer-me: estão no dicionário!)

Eu sempre estive procurando algo, em minha vida.

Pesadelos recorrentes o disseram!

Hoje, as palavras!

 

Minhas mãos estão lisas

Tudo escorre por elas....

As palavras também ...

Coisas escorregam e caem e se quebram

Estão fugindo, se escondendo

Como as palavras

 

Sinto-me perdida!

Sozinha

 

Solidão?

Solitude?

Sensação de abandono?

Incompletude!

 

Lorení


14/10/21


Imagem: https://mysuffering.wordpress.com/tag/solidao-tristeza/  

terça-feira, 1 de novembro de 2022

ASSIM SEGUE O BARCO...






SÃO FRANCISCO DO SUL/SC

 


Amanhã faz um ano que publiquei o último post.

Este ano foi conturbado para mim: mudei de residência e cidade; fiz duas cirurgias no rim esquerdo; meu netinho mais novo nasceu; fiz algumas viagens.

Estou em período de adaptação no novo lugar. Foi a oitava vez que mudei de cidade na minha vida.

E há dois dias tivemos o segundo turno das eleições brasileiras.

Eu não faço campanha, mas tenho meu posicionamento político.  É um direito que tenho.

Fiquei do lado que perdeu as eleições por menos de 1% de diferença dos votos válidos, que, somados  aos que não votaram por estarem doentes, viajando, votaram em branco ou  anularam o voto, ou não compareceram por outro motivo qualquer, supera em 2,79% o vencedor.

Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral, seriam os seguintes os dados: 75,8% dos eleitores foram votar; houve uma abstenção de 20,56%. Votos brancos 1,43%; votos nulos 3,16%.

O candidato vencedor recebeu dos que compareceram 50,9% dos votos válidos; e o candidato perdedor, 49,1%.

Somados os votos do perdedor aos brancos e nulos, temos um total de 53,69%, contra os 50,9 do vencedor.  Uma diferença mínima de 2,79%.  Longe de ser unanimidade.  

No meu entendimento e no destes 53,69% de brasileiros, o candidato que venceu não merece estar lá a partir do ano que vem.  Ele não foi inocentado de seus crimes pelo Supremo Tribunal Federal, de acordo com informações dos próprios Ministros do STF.  Apenas foi "ajeitado" para deslocar  seus processos-crime para outras cidades, sendo uma das possibilidades do Código de Processo Penal Brasileiro: a competência jurisdicional, ou seja, o lugar onde deva ocorrer  o processo.  As provas não foram anuladas, ele não recebeu carimbo de inocente.

Mas quem somos nós, pobres mortais, para discutir com o STF?

Entretanto, eu e estes 53,69% de brasileiros, temos vergonha de saber que os outros 46,31% elegeram um condenado, uma pessoa que admitiu que apropriou-se indevidamente da coisa pública, que mentia e inventava dados, e que, muitas vezes, foi ao exterior falar mal do Brasil e dos brasileiros, além de disponibilizar nossos impostos para obras em outros países, em detrimento do povo brasileiro.  E que preferiu fazer estádios de futebol a hospitais.  Quando ocorreu a pandemia, esses hospitais fizeram falta. Além de estar, pelo que se deduziu de suas falas e comportamento em debates, fora de seu juízo perfeito; no tempo de minha avó se dizia caduco, mas esta palavra não se utiliza mais. Está fora de moda.

Esse ser não me representa.

Serei oposição ferrenha. Não só ao que estará no poder executivo com seus asseclas, mas aos seus defensores. 

Os próximos quatro anos serão de fiscalização e denúncia.