sábado, 3 de junho de 2023

HUMANA NATUREZA

 

                                                                  Rio Uruguai, 2020.

(Foto da autora, proibida a reprodução sem autorização.)

 


Cerro as pálpebras.

O motor do barco ronrona suavemente.

A aragem toca levemente minha face.

Num instante, compreendi meu pai que amava ir pescar.

Tinha sua canoa rústica, movida a remos.

Só levava meus irmãos.

Privou-me desse prazer,

Sentido agora,

De flutuar sobre as águas,

Aspirar o cheiro do rio,

Escutar o ruído das ondas

Formadas pelo deslizar do barco.

O ar fresquinho envolve meu ser neste verão.

O sol abana, lá ao longe, num vermelho majestoso,

Recolhendo-se,

Após mais um dia de brilho soberbo, imponente,

Entranhando-se no rio,

Indo dormir com os peixes.

A paisagem acalma-me,

Evoco meu ser primitivo,

União de corpo e natureza.

Um bem-estar toma-me por inteiro.

Paz,

Rio Uruguai,

Humana natureza.



(Fevereiro/2020.)

quinta-feira, 30 de março de 2023

MAIS TARDE

 



 

 

Mariana sentiu que chegava ao fim.

- “Por que as pessoas se encontram, parecem ter afinidades que depois somem?”

Pensava nisto enquanto terminava de arrumar a pequena e luminosa casa onde morava. Lembrou-se dos primeiros tempos; é bem verdade que a sintonia nunca foi cem por cento. Por exemplo, ela gostava de esportes, ele de leitura, que ela não suportava; ele gostava de cozinhar e ela – não podia nem pensar, preferia pintar seus quadros – que ele não entendia. Ela gostava de dançar e ele preferia ficar em casa dormindo. Mas nas festas, na política e na cama eles fechavam.

Eram muito bons amigos em quase tudo.

Após terminar sua obrigação – que fazia pensando em outras coisas por não gostar – passou para a pequena saleta que chamava de atelier. Olhou para o quadro que pintara ontem, sem vê-lo. Seus pensamentos turbilhonavam. Flashes de várias épocas, de lances diferentes, palavras, olhares; não sabia o que fazer de si. Olhou pela janela e o sol, que irradiava uma claridade etérea, aqueceu seu coração. Um passarinho chilreou na parreira em frente, seu gatinho angorá enroscou-se em sua perna.

-Enquanto as coisas estão acontecendo ao meu redor, eu penso. Será todo mundo assim? Será que Flávio também passa por isso? Nunca transpareceu, parece tão seguro de si, não aparenta ter dúvidas, ansiedades, incertezas... Só se preocupa com coisas práticas... serei somente eu quem vive pensando, ruminando sobre as coisas?

Distraidamente, pegou o pincel e começou a jogar com as cores, lançando à tela imagens disformes. Vermelho, azul, verde, amarelo gritante, preto... seu pensamento estava longe. Da casa do lado, vinha indistintamente – conforme a brisa se agitava – o baticum de um samba de Paulinho da Viola. Num sobressalto, lembrou-se que tinha hora marcada no dentista, que deveria ir ao banco fazer alguns pagamentos; rapidamente, passou pela frente do espelho, ajeitando-se de relance, pegou a chave da moto, colocou a bolsa à tiracolo e saiu. O trânsito, o sol, o cheiro de flor que havia na rua, o próprio fato de fazer algum movimento, bloqueou seus pensamentos. Enquanto aguardava na fila do banco, chocou-se com a lembrança remota de separação; mas, como era sua vez na fila, deixou para mais tarde...








Imagem: https://myloview.com.br/fotomural-mulher-pintor-artista-no-parque-silhueta-pintura-no-904DA8


Década de 80.

segunda-feira, 27 de março de 2023

“A CASA DA PAIXÃO”, DE NÉLIDA PIÑON.

 


 



      Nós, os amantes da leitura, conhecemos Nélida Piñon. Conhecemos seu estilo, sua linguagem, sua forma de nos surpreender, de nos inquietar, de sentir que fomos tocados e mexidos pela sua literatura, pela alma da escritora. Impossível não ter algum tipo de reação, sentimento ou emoção ao ler seus livros.

       Há algum tempo mencionei aqui sobre o último livro dela que tinha lido nas férias que culminaram com o início da pandemia do covid-19; publiquei neste blog um comentário, dia 25 de fevereiro de 2020, sobre “Vozes do deserto”.  Ela é simplesmente fantástica, magnífica!

       “A casa da paixão” foi publicado em 1978, e eu o adquiri algum tempo depois; chega estar meio amarelado.  Li-o, e me lembrava que tinha ficado impressionada com a força, a coragem, a linguagem, os relatos, o vocabulário deste romance que descreve a iniciação amorosa e sexual da personagem principal, Marta.  Mas não lembrava da história em si.

       Logo após o falecimento de Nélida, e os comentários acerca de suas obras, evidenciando este livro, procurei-o em minha pequena biblioteca e retomei a sua leitura. Impressionei-me novamente com a coragem de Nélida ao descrever minuciosamente os sentimentos, as sensações, o ardor, o desejo, o fogo, a paixão, e a plenitude de Marta no anseio de conhecer biblicamente seu homem. E a primeira relação sexual.  É fantástico se levarmos em consideração que, em muitas obras literárias em todos os tempos, quem descrevia as emoções e sensações femininas eram escritores, do ponto de vista masculino.  

    Nélida foi uma desbravadora, neste sentido. Tem que ser muito mulher para isto.  Mulher à mais alta potência.

 

PIÑON, NÉLIDA. A casa da paixão, 3ª edição, RJ, Record, 1978, 120p.

 

 

 

terça-feira, 21 de março de 2023

OUTONO

 


           



Ijuí/RS - foto da autora, proibida reprodução sem autorização.

            

             Transição.             

             Assim vejo a mudança das estações.

            A cada três meses sentimos na pele os efeitos dessa transição.  Ora é o calor que chega, com as chuvas fortes do verão, ora é o frio que bate às nossas portas, seguido do vento minuano e da chuva fina e gelada, no inverno.

            Vejo a primavera como a consequente mudança do inverno para o verão, sendo que as flores e frutos explodem na natureza com sua exuberância, perfume e sabores.

            O outono traz a cor laranja ou avermelhada de diversas espécies vegetais, e a perda das folhas em consequência do processo de renovação da natureza, tão necessário para a concretização das etapas dele decorrentes.

         Às nossas vidas aplicamos, por analogia, o conceito das diversas estações, curiosamente chamado de etapas, ciclos, períodos ou fases.

         São de todos conhecidas as diversas designações para as nossas estações: primavera para a infância e juventude; verão para a vida dos adultos jovens; outono para a meia-idade e inverno para a velhice.

                Todos os ciclos são necessários, tanto para as plantas, quanto para os animais e pessoas.

               Contudo, para que não se percam os efeitos dessas etapas, necessário se faz que não desapareça a cor da nossa vida, o calor dos afetos, o perfume do carinho e o frio que tudo conserva, seja com um vento forte e arroubos da paixão pela vida, ou a brisa suave que transporta o pólen da fé, da esperança e do amor.

 






Lorení

Palmeira das Missões/RS

21/03/2023.

domingo, 19 de março de 2023

NOBEL DE LITERATURA 2022: ANNIE ERNAUX – O ACONTECIMENTO





         Sempre que possível, procuro ler pelo menos um livro dos ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura. Isto se torna uma tarefa um pouco difícil para mim, pois moro longe dos grandes centros, e, a maioria dos livros, tenho que encomendar pela internet.
         Mas, desta vez, não só no interior não consegui encontrar algum livro desta autora. Em Joinville/SC, uma cidade de porte médio, considerada a maior de Santa Catarina, também estava difícil. Eu passeava por lá. Precisei passar por duas ou três livrarias, e o único exemplar que encontrei foi este: O acontecimento.
    
         Quem é Annie Ernaux?
    
         De acordo com as orelhas do livro, “Annie Ernaux nasceu em 1940, em Lillebone, na França. Estudou na universidade de Rouen e foi professora do Centre National d’Enseignement par Correspondance por mais de trinta anos. Seus livros são considerados clássicos modernos na França. Em 2022, Ernaux recebeu o prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra.” 

O ACONTECIMENTO 

        Neste livro a autora relata o que aconteceu com ela quando tinha 23 anos e era estudante universitária, e acontece com muitas moças na juventude: engravidou do namorado, no meio do curso que fazia. Obviamente, como uma grande maioria de homens faz ao redor do mundo, ele não assumiu o filho e disse para ela se virar. 
         Na época, 1963, era proibido abortar na França, como na grande maioria dos países. A lei era severa com mulheres que “cometiam” o aborto, e os médicos também eram penalizados. 
        Annie relata todo o seu sofrimento, toda a peregrinação em busca de uma solução para o seu problema. Não podia contar para sua família, o que causaria um escândalo. 
        Numa linguagem compreensível facilmente, direta e uma narrativa dinâmica, expõe suas peripécias em busca de médicos, farmácias, conversas com amigos e amigas, até encontrar uma fazedora de anjos que a ajuda.
         Traumatizada com a situação a que foi lançada por seu comportamento e do namorado – inconsequente, porém, numa época que os anticoncepcionais ainda não eram largamente usados – enfrentou sozinha a situação, o aborto, a hemorragia e o atendimento que teve que receber num hospital. 
        Como ela, milhões de mulheres, no mundo inteiro, enfrentam sozinhas um aborto clandestino, uma gestação não planejada e a condenação da sociedade. A mesma sociedade que não lembra que uma criança não se faz sozinha, nem a mulher não consegue autogestação: precisa da participação de um homem. Seja pessoalmente ou, atualmente, com doação de esperma para inseminação artificial. Mas, aí, já é uma outra situação. 
        Elas são condenadas sempre, eles absolvidos eternamente. Pela omissão, descompromisso, vaidade, pela não assunção de responsabilidades ou pela sociedade.
         Vale a leitura. 


 ERNAUX, ANNIE. O acontecimento; tradução Isadora de Araújo Pontes.-1ª ed- São Paulo: Fósforo, 2022.74 p.

domingo, 12 de março de 2023

SÍNDROME DO NINHO VAZIO III






É certo que os filhos, um dia, vão sair de casa.

Quando os recebemos das mãos da obstetra, passados pelas mãos do pediatra, na hora do nascimento, já sabemos disto.

Já comentei sobre este assunto   quando meus filhos mais velhos saíram de casa.  Hoje é a caçula que alça voo rumo ao futuro.

Entretanto, passamos por todas as etapas do desenvolvimento de um filho evitando de pensar neste dia, uma vez que sabemos ser uma ocasião em que nossos sentimentos ficam ambíguos, embaralhados, desarrumados: temos certeza que será maravilhoso este levantamento de voo, temos plena confiança que demos a melhor educação, passamos nossos valores, nossas crenças, nosso entusiasmo, fizemos tudo que foi possível para que nossos filhos tenham uma vida plena. Mas temos o receio que os males do mundo possam vir a prejudicá-los, que o que demos não tenha sido suficiente, que o mundo está mudando muito rapidamente e será que terão condições de acompanhar?

Sobra a nós, pais, confiar na educação, amor, carinho, senso de responsabilidade, alegria de viver, plenitude, tudo o que ensinamos, a par do aprendizado cognitivo nas escolas formais e universidades.

Resta, também, confiar em seu juízo, discernimento, esforço e criatividade.

E...orar, pois só Deus pode mostrar os melhores caminhos a serem percorridos pelos filhos.

Ah, e repetir, ad aeternum, com bom humor: não esqueça do casaco e do guarda-chuva.



(Acesse o outro texto sobre o mesmo assunto, embora diferente: https://athenasminerva.blogspot.com/2011/06/nao-esqueca-do-casaco-e-do-guarda-chuva.html )  

















sábado, 11 de março de 2023

O PRAZER DA LEITURA E DA ESCRITA



Foto da autora, proibida a reprodução sem autorização.

A título de introdução, um poema de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, a respeito dos versos publicados:

Alberto Caeiro, n’O guardador de rebanhos:

XLVIII

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.”

PESSOA, Fernando. Os melhores poemas de Fernando Pessoa. Seleção de Teresa Rita Lopes.-9ªed.-SP:Global, 1997, 171p.

           
           A leitura e a escrita são muito pessoais, quase íntimas.

          O escritor expõe a sua alma, põe sua visão visceral do mundo, da vida, dos acontecimentos, pensamentos e sensações, pesquisas, trabalhos científicos, teses.

           O leitor faz sua leitura a partir das suas vivências, de igual forma em relação às suas emoções, sensações, percepções e conhecimentos.

         O prazer da leitura acontece quando a alma do escritor toca a alma do leitor.

            Entretanto há, também, o desencontro... o escritor escreve uma coisa, e  o leitor entende outra...

          Às vezes são necessárias várias leituras até haver a compreensão e o toque de almas.

         E essa intimidade do leitor com o escritor também dá-se conforme a forma e o lugar da leitura: em relação a livros ou textos científicos ou técnicos, há um tipo de compreensão, e a leitura geralmente é feita em lugares, digamos assim, adequados: salas de aula, escritórios, mesas de trabalho.  Mas se for uma leitura de deleite, a intimidade torna-se maior à medida que o leitor lê num sofá, descansado; numa rede, à sombra de árvores ou numa varanda; à beira da praia ou da piscina;ou quando o leitor leva o escritor para a cabeceira da cama.  O escritor nem sonha quanta intimidade há entre os seus escritos e os milhares ou milhões de receptores, que se encontram em vários lugares do mundo.  Como quem escreve, pensar nisto me deixa meio constrangida. 

         E a forma de escrita também é bem peculiar, conforme a pessoa: há quem tenha a facilidade de escrever, ou fazer anotações que depois são incorporadas às suas obras, em qualquer lugar e de qualquer forma: anotações em bilhetes, pedaços de papel, em notebook ou celular, beiradas de livros, no metrô, em sala de aula, enquanto faz tarefas domésticas, etc... De outro lado temos os metódicos, que só conseguem escrever em seus escritórios ou bibliotecas, ou simples escrivaninhas num canto de casa, em cadernos (os mais antigos e analógicos), em computadores; num determinado horário e em determinadas circunstâncias.  

        Cada um tem seu método de trabalho, como bem percebido em várias entrevistas de vários escritores que observamos .

       A forma de escrita e de leitura torna-se secundária.  O que é importante é que haja escritores, leitores e livros.





21/1/2023, diálogo com colega escritor.

OSCILAÇÃO

 



Imagem da internet, endereço ao pé da página.





No vai e vem da rede

Colhes meus pensamentos.

Ao embalo ritmado

Invades minh'alma

Perscrutas meus segredos 

Os mais íntimos desejos...

O teu olhar capta meu olhar

É o suficiente...





11/01/2023



Crédito imagem: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-2077220403-rede-de-dormir-descanso-balanco-casal-tambaba-life-reforcada-_JM#position=5&search_layout=grid&type=item&tracking_id=4ef9bac4-e666-4611-b0b9-8d9fd97f964c&gid=1&pid=1  

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Mais leituras, meu único vício

 

Tenho lido vários colegas escritores e poetas que compõem as academias das quais participo. Além de lê-los através de trabalhos em Coletâneas nas quais somos vizinhos de páginas, alguns  comigo trocam livros, e lemos uns aos outros.  Também é uma forma de ajuda mútua, um comenta e expõe os livros dos outros, e vice-versa. Fraternidade e divulgação.

É o caso do confrade Carlos Frederico, Professor de Língua Portuguesa e Literatura no Rio de Janeiro, músico e compositor, colega da ALPAS-21.

 Dele, dois livros, lidos com muito prazer:




SENTIMENTOS SEMÂNTICOS, 1ªed.-SP, 2022, 96P. Ed.Versejar. Poemas

O autor utiliza-se de uma linguagem acessível, na maioria versos livres, expressando suas emoções, observações do quotidiano, aspirações e sonhos. Em alguns há métrica e rima, em outros os versos são livres ou brancos. É uma poética cheia de lirismo, algumas figuras de linguagem, carregados de emoções e sentimentos, tudo muito suave.  Alguns poemas têm uma linguagem hermética, deixando o leitor em dúvida se refere-se ao amor da amada, ao fraterno ou religioso.  Dúvida boa: leia mais para compreender melhor! Capa maravilhosa, com paisagem sugestiva.

Destaco:

"Encanto

No frescor da manhã, lembro-me do todo ocorrido

e mesmo antes do sol ter nascido,

creio ter te conhecido, talvez na suavidade da lã.

Percebo que a estrada é longa,

acabo por caminhar sem rumo

e no futuro penso, planejo.

Vejo clarear tudo a minha volta

É a tua presença que retorna.

Flui rapidamente o rio de paixões,

carrego a alegria de muitos corações,

sigo nos trilhos do Mestre, Senhor Deus,

embora também amplie a cultura através da Mitologia

Grega de Zeus.

No teu perfume surge a nuance das flores,

no céu lácteo vislumbra-se o arco-íris com suas cores.

É a comemoração de um bonito encontro

e a natureza confunde-se com o teu encanto.

No sideral espaço cósmico, o brilhar da estrela espelha,

o amor que o canto espalha,

emanando-se pelo vasto mundo."



O LAPIDAR DE SONHOS. Contos, Minicontos, Crônicas e Poemas. SP:Scortecci, 2014.

Num caleidoscópio literário, o autor delineia contos, crônicas e poesias cujos temas são abrangentes: A amizade; A sina sertaneja; animais, crianças, pássaros, a natureza,  eventos científicos e tecnológicos, Natal, a produção literária e a saga de uma família de retirantes nordestinos rumo ao Rio de Janeiro, que compreendi ser sua família.

Os temas são diversificados, interessantes, a escrita flui espontânea, de fácil e deliciosa leitura, o vocabulário é acessível, denotando o professor expert em Literatura e arte. Leitura que deleita, de boa essência literária,  com muito lirismo, prende o leitor desde a primeira linha, o que garante a qualidade do texto.  Vale a leitura, além de uma linda capa.

Excerto:

"Uma só alma.

    O sol carrega consigo o brilho do teu olhar que percebo na noite quando então a lua o torna ainda mais belo e singelo.  No seu caminhar, os pensamentos devem fluir na sua imaginação, na sua mansidão e no colorir do tempo com os brilhos originais terminando pelos sorrisos e gritos colegiais.  Assim, o dia-a-dia demonstra a lírica percorrendo o teu ser.  Sou um homem feliz porque amo-te e seremos eternamente namorados do tempo da felicidade e da harmonia sem importar-se com a época, nem mesmo com as mudanças em nossos semblantes e organismos com o passar dos anos.

    O cérebro resolve fazer parte do coração e pulsar esse sentimento.  Por fim, o amor cativa em situações diferentes, deixando com belo prazer as nossas mentes."


Os livros podem ser adquiridos com o Autor, nos endereços eletrônicos:

ferreira200776@gmail.com 

www.facebook.com/boletimiberico

ou twitter:@9cfrederico


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

MINA DE AMOR

 



           Para Nicolle, Vittorio e Rafaello

 

Dois pares de olhos azuis

Um par de olhos castanhos.

Mãozinhas macias, irrequietas,

Agito no corpo.

Energia

Vitalidade

Curiosidade

Inteligência

Muito carinho

Muito amor

Muitos afagos!

Ternura sem fim!

Meus netos!

 

Joinville, 28/9/22.

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

O LIVRO ME SALVOU



 Com o livro aprendi

Com o livro me informei

Com o livro sonhei

...sofri

...sobrevivi

...lutei

...abri minha mente

 

Vislumbrei um futuro

...esperança

...fé

...possibilidades

...conhecimento

...erudição

...multiplicidade

...variedade

 

Na dúvida, na depressão, no medo

O livro me salvou!

...me curou

...me esclareceu

...me elevou

...abriu meus olhos

...abriu meu coração

...abriu meu id, ego e superego

...manteve permanente a curiosidade

...me instruiu.

O livro é tudo!

 

 

Dia do livro

29/10/21

Lorení.

A cidade das viúvas

 









Em uma cidade na região meridional da América Latina, perto de onde foram as   Missões Jesuíticas, no lado argentino,  descobriu uma repórter de revista feminina de grande circulação que, em um de seus distritos de nome Nhú-Porã, havia trinta e nove viúvas.

É um número elevado considerando-se a população local, de baixa densidade demográfica.

Curiosa, tentou de diversas formas entrevistar essas viúvas, para descobrir a razão da morte de seus maridos, por qual razão nunca mais se casaram, como viviam, e sobre suas famílias.  Suas tentativas eram infrutíferas.

Conversando com uma senhora que tinha em torno de setenta anos, professora aposentada e agricultora nas horas vagas, de nome Elizabeth,  descobriu que ninguém queria falar nada por questões de segurança, pois havia muitos malandros que se aproximavam das mulheres para tentar levar vantagens, tanto pessoalmente, quanto pela internet ou outras formas de comunicação. E, também, para evitar assaltos.

A repórter não se deu por vencida.

Devagarinho, conversando, demonstrando que não identificaria o lugar, não daria o nome das pessoas, que manteria o sigilo das fontes,  que elas não correriam risco nenhum, foi amolecendo a resistência da mulher, até que obteve uma pequena vitória:

- Tudo bem.  Vamos fazer o seguinte: dia 23 é meu aniversário.  És minha convidada, vou te apresentar como minha amiga.  Mas não dirás para ninguém que o teu objetivo é entrevistar a turma, vais conversando normal, como quem quer fazer amizade e conhecer as pessoas.

- Combinadíssimo!

- Mas sem gravadores, microfones, nem computador, nem anotações.  Vais te fiar na tua memória.  Senão ninguém abre a boca.

- Certo, farei como dizes.

No dia marcado, a casa de Elizabeth começou a encher-se das amigas e vizinhas em torno das 17 horas. Abraços, beijos,  presentes, apresentação da nova amiga, conversas, música animada, algumas dançando, tagarelice, alvoroço, como são as reuniões de mulheres.  Algumas trouxeram as crianças, filhos e netos, a bagunça tomou conta.

Num canto, a repórter conversava animadamente com um grupinho, contando a todas como era a vida na cidade grande, o movimento, os grandes shoppings centers, as tentativas de assaltos, o trabalho, as grandes lojas, as livrarias, a vida dinâmica que levava. E, principalmente, o stress.

Muitas viajavam uma vez por ano para um canto do Brasil ou do exterior, a passeio, e conheciam o que ela descrevia.  Outras, não.  Tudo era novidade.

Perguntaram se era casada, ela disse que sim, que tinha uma filha de 15 anos que ficava com o pai quando ela viajava a trabalho.  E que estava no local por conta de uma palestra que daria na área de comunicação da Universidade local. Ela perguntou se eram solteiras ou não, se tinham filhos.  Algumas se retraíram.  Outras, já mais leves depois de algumas taças de vinho, disseram que eram viúvas. Mas que ela não espalhasse a notícia por questão de segurança delas e das famílias.

Ela disse que não abriria o bico.  Daí perguntou se eram muitas pessoas com este estado civil, uma disse que não, outra disse que trinta e nove, outra poucas, outra muitas... E ninguém mais quis  se casar de novo?

 Disse Maria, uma loira de 30 anos, muito bonita:

- Não.  A grande maioria das viúvas daqui perdeu seus maridos para doenças severas, como o câncer.  Eram trabalhadores rurais, empregavam venenos em suas lavouras de soja e trigo. Câncer no cérebro, no pâncreas, intestino... terrível!  Algumas, como eu, ficaram sozinhas em torno dos trinta anos.  Outras mais tarde, outras mais cedo.  Quase todas tiveram que assumir o trabalho na lavoura, além de suas profissões.  E terminar de criar os filhos sozinhas.

(Repórter) - E nunca nenhuma voltou a pensar em casar de novo?

(Maria) - A Fulana, assim que ficou viúva, vendeu suas terras e foi morar na cidade, não quis saber de ficar sofrendo com o trabalho árduo da lavoura.  Mas a grande maioria ficou por aqui. Parece que ela tem um namorado.

Entre uma rodada de salgadinhos e docinhos, taças de vinho, cerveja e refrigerante, a conversa foi ficando solta:

(Repórter) -  E vocês, que estão morando aqui, não se sentem sozinhas, não acham que é muito compromisso e responsabilidade para encararem sozinhas?  Não sentem solidão, não têm falta de um aconchego, carinho, companheirismo, sexo?

(Marta, 68 anos) - A Beltrana conheceu um ciclano num evento na cidade.  Ele veio aqui algumas vezes.  Até ela descobrir que ele era casado, e que queria passar a mão nas terras e no dinheiro dela... Mandou ele passear.

(Joice, 55 anos) - Eu me sinto muito sozinha, já que meus filhos são crescidos e estão estudando fora.  Até a gente se sente muito carente, em todos os sentidos...Mas a liberdade que a gente aprende a ter, depois que conseguimos vencer o luto, não tem preço que pague.  Fazemos o que queremos, sem prestar contas a ninguém.  Temos grupos de viagens, de passeios, de estudos, coral na igreja....a gente se vira... 

Elizabeth, que circulava entre as convidadas, e verificava se não estava faltando nada, perguntou:

 - Como está a conversa aqui?

- Está ótima!

Mais uma rodada de vinho e cerveja.

(Berta, 45 anos) - A Beltrana conheceu um rapaz muito bonito pelos sites de relacionamento.  Pesquisou na internet sobre ele, depois de assistir a uma reportagem na tv, em que os delegados de polícia aconselhavam as mulheres solteiras, separadas ou viúvas, que ficassem alertas aos relacionamentos através destes sites.  Sugeriam que pesquisassem na polícia antes, para ver se não era nenhum malandro.  Ela tem uma amiga  que é Delegada na Delegacia de mulheres. Pediu para ela verificar.  Minha nossa... o cara não mentiu o nome nem estado civil, mas mentiu a profissão, que era nenhuma.  Era acostumado a dar golpes em mulheres desavisadas, começava na manha, na fala mansa ao pé do ouvido, ia conquistando, depois pedia dinheiro emprestado e assim por diante.  Ela deu um pé na bunda e mandou ver as estrelas.

(Repórter) - Nossa!  Vocês moram no interior do interior, mas estão bem alertas.  E sabem se virar sozinhas.  E o sustento de vocês, como fazem?

(Elizabeth) -  Aprendemos a administrar nossas terras.  Temos alguns funcionários para a hora da planta e da colheita, fazemos mutirões, umas ajudam as outras.  As que têm filhos, estes ajudam administrar. E algumas, mais velhas, têm aposentadorias.  Não é muito, mas ajuda.

(Repórter) - E o estudo dos filhos e netos, como fica?

(Dandara, 50 anos) - Aqui no distrito temos escolas municipais e estaduais de ensino fundamental e médio.  Quando querem ir para a faculdade, damos um jeito de mandar para a cidade; às vezes conseguimos bolsa de estudos, alguns passam em universidades públicas em outras cidades, então vão trabalhar e estudar.  Todo mundo se vira.

Pasteizinhos recém fritos fizeram outra rodada. Os famosos docinhos giravam nas bandejas.  E a encarregada da bebida não deixava faltar nem vinho, nem cerveja, nem água, cada uma conforme seu gosto.

O papo foi rolando cada vez mais solto.  Foi uma noite memorável.

A repórter ficou conversando com a mulherada, dançando, beliscando salgadinhos e docinhos até às 2 horas da manhã. 

Matou a curiosidade.  Ficou deslumbrada com a capacidade das mulheres de se virarem, cuidarem umas das outras, viverem em comunidade, e conduzirem suas vidas sozinhas. Lembrou-se do matriarcado de tempos de outrora.

Mas, o que muitas disseram: que não são contra os homens, muito antes pelo contrário.   Algumas disseram: lavar cuecas, nunca mais!  Entretanto, se conhecessem algum companheiro que valesse a pena, poderiam pensar no assunto.  Afinal, eram todas muito normais,  tinham sonhos e desejos como qualquer mulher, independente da idade. Apenas não queriam mais compromissos, responsabilidades e um patriarca a querer mandar em suas casas.

A repórter voltou para sua cidade. Fez a reportagem, como combinado, sem identificar nada nem ninguém.  Recebeu um prêmio pela reportagem e continuou tocando sua vida.






(os nomes foram trocados para preservar as pessoas).

(Imagem: https://www.facebook.com/reisman.aliancas/photos/modelo-santo-amaro-compre-aqui-httpswwwreismancombraliancas-de-casamento-ouropar/581780215280527/?paipv=0&eav=AfYYHSeM5l2OyMmnnm5ONbzs6N19yXvfSYcjoa2egVFKpqNfXRZnzm4OPCfyubcinnQ&_rdr )



Pretinho básico

 




Neguinho, te amo!

Logo ao amanhecer, sinto falta de ti

bem como no decorrer do dia;

teu cheiro te precede

estimula meus sentidos

impulsiona meus neurônios

através das sinapses

deixa-me alerta

uma mulher de fé:

não vivo sem ti, café!

A morte não deveria existir






Foto da autora. Itapema/SC, 2018


 A luz da aurora surge...

Descerro os olhos

Só vejo a saudade

Que invade meu coração

Minh'alma está repleta

 de ti

Incompleta

Clama por teu amor

Só dor!...

Sobrou a réstia

da luz da manhã

a invadir meu quarto

a minha vida

dolorida

sem teu amor...

meu pranto é de dor

Essa dor intensa

que persiste em me preencher

A morte não deveria existir

para os amantes...

a saudade dói tanto

que machuca

pesa como chumbo

e nos derruba!


domingo, 8 de janeiro de 2023

AS PESSOAS TEMEM MULHERES INDEPENDENTES

 

            

Super vovó - assim meu neto me vê.

           Só fui entender esta frase depois de ficar viúva.

         Logo que meu amado esposo faleceu, todas as pessoas que vinham me abraçar, comentar o ocorrido, expressar seus sentimentos, seus pêsames, já vinham também, com as palavras: “agora tu tens que...” e seguiam-se as mais variadas afirmações, conselhos, sugestões, dicas.  Até o dia em que tive que ser clara: eu fiquei viúva, não incapaz.  Da minha vida cuido eu; tomo minhas decisões, faço o que tenho que fazer, assumo minhas responsabilidades e as consequências dos meus atos; aliás, o que fiz a vida inteira. Apenas, agora, tenho outro estado civil. E ninguém tem nada com isso!

            Entretanto, passei a perceber que toda vez que entro em um recinto em que há muitas pessoas, em que há casais, lugares que, antigamente, não era habitual uma mulher estar desacompanhada, havia olhares esquisitos, mulheres me olhando de soslaio, homens me inspecionando discreta ou descaradamente, observando se tinha aliança em minha mão esquerda: restaurantes, cinemas, clubes, postos de gasolina indo abastecer, eventos, viagens e consequentemente estações rodoviárias, aeroportos, etc.

     Conversando com outras mulheres viúvas, divorciadas, separadas ou solteiras, percebi que o mesmo ocorre com elas. Nós somos os perigos, as disponíveis, mesmo fechando a cara e não dando trela aos mais afoitos que são puxadores de conversa, palpiteiros, paqueradores, curiosos, etc.

         Quando fui a um evento há pouco tempo, na volta uma pessoa perguntou-me: e daí, achou um namorado? – Resposta na lata: - não estou procurando.

         Nossa sociedade tem dificuldades de ver uma mulher que trabalha ou trabalhou estar ou ficar sozinha, sem uma companhia masculina.  A mulher não pode conduzir sua vida de forma independente?  Pode e deve.

         Isso não quer dizer que fechou as portas do coração para um eventual amor que possa vir a ocorrer; mas não necessariamente.

         Falo por mim, e cada mulher que fale por si: fui tão feliz em meu casamento, meu marido e eu nos dávamos tão bem, a ponto de um completar o pensamento e a frase do outro.  Sintonia perfeita.  Sinto saudades? Obviamente! Choro ainda pela sua morte? Evidente que sim! Tivesse sido um casamento infeliz não teria lembranças, saudades, datas a comemorar, família, filhos, netos, recordações de passeios, viagens, músicas preferidas, acontecimentos.

         Em pleno século XXI ainda precisamos falar disso, pois a sociedade ainda não reconhece o direito de uma mulher ser independente, autônoma, senhora de si e do seu destino.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Alma desnuda

 A alma está desnuda

Alma de poeta

Algumas palavras agudas

Caluda!


Sentimentos

Pensamentos

Sensações

que se expõem.




29/12/2022

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Pandemia, leituras...


                            

 Muito pouco anotei sobre os livros que li antes, durante e depois da pandemia.  Há quem diga que ela ainda não terminou.

Entretanto, já estamos mais calmos, após 4 doses de vacina, que foram disponibilizadas pelo Governo Federal brasileiro.

Tenho notícias de que na Alemanha a grande maioria das pessoas não fez nenhuma dose de vacina.  Não que o governo não tivesse disponibilizado; as pessoas que não quiseram correr o risco de vacinar-se com produtos experimentais.  Li a mesma coisa a respeito do Japão, país que nem tinha começado a vacinação quando já estávamos fazendo a segunda ou terceira dose.  Conclusão: fomos as cobaias do mundo.  E os "cumpanhero" que fizeram campanha para a eleição do Presidente da República que irá nos governar a partir de 2023, condenaram severamente e fizeram muitas críticas ao atual Presidente da República por ter demorado a fornecer vacinas para os brasileiros, em um tempo em que nem cientistas, pesquisadores e médicos sabiam o que fazer com o coronavírus.

Mas não é disto que quero falar ou escrever.

Vou anotar para não esquecer que já li os livros a seguir, os quais também podem servir de sugestão para quem ama a leitura como eu.  Aos livros, pois.

1.Tancredo Neves, o príncipe civil, de Plínio Fraga, 647p.

    Este livro li bem no começo da pandemia.  Lá por março/abril/maio de 2020. 

    "O Tancredo é político capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos", comentário de José Bonifácio, opositor político de Tancredo.

    Sagaz, maneiro, inteligente, um dos melhores políticos brasileiros, sua história é narrada desde o nascimento, os estudos, o casamento, a família, e o seu envolvimento com a política, desde os tempos de Getúlio Vargas até sua morte, em 1985.  Livro magistral que deve fazer parte de sua mesa de cabeceira com o objetivo de entender um pouco mais a nossa História.

2.A Peste, de Albert Camus, 287p.

    Já tinha lido este livro na década de 80, quando lecionava na Escola Poncho Verde, de Panambi.

    O assunto é semelhante à pandemia pela qual nós passamos, e mostra a realidade de tempos soturnos que acabam transformando o comportamento das pessoas diante do desconhecido, como uma peste que surge e vai matando pessoas. É um livro dolorido, como foi a pandemia da Covid-19 para todos nós.  Excelente leitura.

3. Ensaios íntimos e imperfeitos, de Luiz Antonio de Assis Brasil, 130p.

    Neste livro o autor faz várias reflexões sobre a vida e a humanidade, trazendo "perplexidades", os paradoxos, e a multiplicidade da natureza dos homens e mulheres.  Vale a pena a leitura.

4.O marido complacente, do Marquês de Sade, 201p.

    Comprei este livro em maio deste ano, para ler enquanto aguardávamos o nascimento do meu neto.

    Várias historietas e contos deste escritor.

    No prefácio, o tradutor, Paulo Hecker Filho,  já faz o "Convite ao prazer".  E diz: "Nenhum outro escritor foi tão indomável nem tão condenado quanto o Marquês de Sade.

    Como muitos, ele só pensa em sexo, e um sexo, o seu, bem antissocial, a usar, discricionariamente, os parceiros, anulando-os como individualidades (...)"

    Excelente leitura para quem quer conhecer esse famoso escritor francês nascido em Paris em 1740.  Leitura imperdível.

5. Paixão Índia, de Javier Moro, 389p.

    Ganhei este livro de minha amiga e comadre, leitora inveterada, como eu. Presente fantástico!

    Este maravilhoso romance do escritor espanhol narra a história verídica, romanceada, de uma bailarina espanhola que conhece um marajá indiano; ele veio a apaixonar-se por ela, e a levou para casar e viver um romance maravilhoso, até ela descobrir que, em determinado momento, passaria a fazer parte do harém.  História incrível que nos mostra a cultura indiana e a luta de uma mulher pela liberdade. 

6/9. Velhos textos presentes; Eu era assim; Fios invisíveis; Enfim juntos, de Ildo Carbonera, diversas datas.

    Ildo Carbonera, escritor gaúcho natural de Sananduva/RS, foi Professor de Literatura e Teoria Literária, na Unioeste/Foz do Iguaçu/PR e é Mestre e Doutor em Literatura pela UFRGS.  Antes disso, foi meu colega na Escola Estadual Poncho Verde, de Panambi/RS, em aulas de Língua Portuguesa e Literatura para alunos do Ensino Fundamental e Médio.

 Em belas crônicas e inspirados poemas, o autor delineia sua contemporaneidade, seu olhar aguçado e profundo sobre a vida; sobre nós, os seres humanos, o trabalho, a política, a politicalha e o comportamento comezinho de algumas pessoas em instituições públicas, dentre outros assuntos.  Assim como seu olhar, penetrante  e agudo, intimidador, quando visto pessoalmente, são seus textos um corte profundo  na literatura e na vida.  Magníficos!

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