domingo, 19 de maio de 2013

LUTO.

As pessoas que acompanham meu blog devem estar estranhando meu silêncio.
Meu pai esteve doente nos últimos meses e faleceu em 3 de maio.
Estou sem condições de escrever por algum tempo.
Quando puder, volto.
Mas não me abandonem, meus leitores. Só me dêem um tempo.
Saudações.






domingo, 24 de fevereiro de 2013

Descanso anual - viagens III

Todos os anos, após o período regular de aulas da minha filha, e após as festas de fim de ano, saímos alguns dias de nossa rotina para tentar descansar.
Este ano não foi diferente.
Entretanto, junto com nossa vontade de espairecer, viajou  uma preocupação: minha tia e madrinha estava severamente adoentada, com o que chamo mal do século: câncer.  Como escrito na última postagem, ela faleceu depois de nosso retorno.
No entanto, como  gostamos de curtir as férias na beira do mar, fomos para Itapema/SC, e tivemos dias muito bons.  Alguns dias de sol, em que aproveitamos para sentir seu calor tocar em nossas peles, fazer um dia bonito, com nuvens brancas e mar azul, e outros carregados de nuvens de chuva, também necessárias, em que aproveitamos para dormir (até parece que não temos cama em casa!), assistir tv, ler, passear.
Num destes passeios, no qual contamos com a companhia agradável e carinhosa de meu filho, sua namorada e filhinha, fomos conhecer a praia de Camboriú, e realizar um dia de aventuras. O mais emocionanate, e que nos causou pânico, a mim e a meu marido - a pequena só vibrava - foi de teleférico, entre uma ponta da praia e um morro da Mata Atlântica, e depois desta para outra praia, de Laranjeiras, muito bonita, fora o retorno.  Andamos por sobre o mar e a mata, pendurados por cabos elétricos.  Com pânico, mas fui - eu sou assim, com medo, mas enfrento.  Foi um dia maravilhoso, paisagens lindíssimas, restaurante com comida gostosa, sobremesa idem, e umas lojinhas pra alegrar a mulherada, com quinquilharias.
Passeio de teleférico pela Mata Atlântica - Camboriú/SC




Vista de Camboriú do teleférico.
 
Vista do Restaturante, Praia de Laranjeiras.




Praia de Laranjeiras, vista do teleférico.



Dos dias chuvosos, guardo a lembrança das leituras, meu único vício.
Ganhei de Natal do meu filho "Diálogos Impossíveis", do Luís F. Veríssimo; um livro de crônicas publicado em 2012; parece-me que recobrou a mão para escrever, crônicas bem divertidas.
Já tinha lido comentários sobre "A Queda", do Diogo Mainardi, em que ele relata, de forma inusitada, mas não sem emoção, raiva, denúncia, o que ocorre em termos de saúde não só no Brasil, mas também na Itália, Veneza, onde nasceu seu filho, em um parto apressado pela obstetra italiana, que deixou-o com deficiência mental. Emocionante; ele pára de narrar quando sai a sentença que condena a médica e o hospital, a pagar uma bela indenização ao menino por erro médico, o que permitirá que ele tenha tratamento por toda a vida, e uma vida confortável.
Já comentei outro livro do Juremir Machado da Silva em outra postagem; li agora "A orquídea e o serial killer", um livro de crônicas.  E aproveito para corrigir um erro da outra postagem: ele publica suas crônicas diariamente no Correio do Povo, e não na Zero Hora, como coloquei.  É culpa dos muitos anos fora do Rio Grande do Sul, a gente assimila as coisas pela metade.
Nestas crônicas Juremir mostra toda sua linha de pensamento, sua crueza de linguagem, sua acidez, seu olhar crítico sobre a sociedade, o país e o mundo.  Excelentes crônicas, das quais destaco uma , por eu pensar parecido com ele, por ter exercido a profissão de professora de Português durante muitos anos: "Saudades do trema", em que ele comenta que Portugal quer rever o acordo ortográfico, e que muitas palavras, tanto aqui, quanto lá, ficaram sem sentido ou mudaram de sentido, por causa da acentuação.  Tem todo meu apoio.  Como suas críticas são como uma arma rotativa, que gira atirando pra todo lado, em alguns textos estou do lado do escritor, em outros estou no extremo oposto.  Todos nós somos antagônicos e não temos um lado só. C'est la vie!.
E, segundo um desejo bem meu, que me propus ler toda a obra de Honoré de  Balzac, por gostar da cultura francesa, e para conhecer um dos maiores escritores de todos os tempos - e aprender com ele - encontrei na pequena livraria da praia "Estudos de mulher e Eugênia Grandet". São dois livros que li, cada um, numa pegada; são pequenos, fáceis de carregar e de ler. Eugênica trata de uma 'pobre menina rica", criada pelo pai numa severidade e pobreza extremas, para economizar sempre, embora o pai fosse um homem de negócios e riquíssimo.  Apaixona-se por um primo falido, que vai embora, a mãe morre, o pai morre e ela fica solteira a vida inteira.  Falando assim parece simplista e desinteressante; a forma como Balzac narra é fantástica.
Nos Estudos de mulher, ele narra as suas concepções sobre as almas femininas de seu tempo, em que o que valia era o dinheiro - embora digam que o capitalismo veio depois; os títulos de nobreza, os saraus, as discussões filosóficas, os casamentos arranjados, as traições  os divórcios, tudo na linguagem da metade do século XIX.  São dois exemplares que fazem parte d"A Comédia humana" , em que ele analisa a sociedade francesa de vários ângulos, desnudando-a para os de sua época e para nós, curiosos do século XXI. Bons livros, a chuva passou rapidinho...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os pobres e os analfabetos são mais felizes...

                              




 Ela era a mais velha. Exerceu à altura da autoridade concedida pela mãe seu direito da primogenitura: junto com os pais, orientava os irmãos mais novos, repreendia-os, aconselhava-os, cuidava deles.  Esta era a tônica das pessoas nascidas no começo do século passado; como sua mãe era muito religiosa, levava a sério o que estava prescrito na Bíblia, inclusive pondo-lhe o nome da primeira mulher, segundo o Gênesis, e um segundo nome, o qual uma de suas afilhadas herdou.
E não foram somente seus irmãos que receberam seu apoio, também o receberam sobrinhos e sobrinhas, cunhada, amigos, com certeza.  Muito lhe devem seus familiares.
Como ela mesma dizia, não casou muito cedo, como era hábito na sua juventude.  Estava um pouco mais madura, preparada para encarar os compromissos e construir uma família com seu companheiro de vida.
Foi uma das precursoras da mulher trabalhadora: trabalhava de dia e estudava à noite, cursando o antigo ginásio e, posteriormente, o Curso Técnico de Contabilidade; foi uma excelente contabilista, exercendo suas funções na Prefeitura Municipal, numa Associação de Funcionários; também fazia a escrita de algumas empresas.
À medida que o tempo ia passando, iam vindo os filhos: três meninos, um mais lindo que o outro, e ao tanto  de beleza correspondia o mesmo tanto de inteligência. O mais velho formado em Medicina, o do meio em Jornalismo e Comunicação Social e o mais novo em Engenharia Elétrica.  Educou-os no maior rigor e ética, mostrando a todos sua retidão de caráter.
Disse-me certa vez que gostaria de ter cursado jornalismo, também, mas à sua época era inviável, pois não havia este curso em sua cidade, nem condições de efetivar os estudos; neste sentido, sentia-se frustrada.  Porém, era uma devoradora de livros, como muitos da família; lembro da sua coleção de livros do Honoré de Balzac - obras completas-, entre muitos outros.  Quando fez seus estudos, tinha condições tranquilas de ler em inglês e francês.
Conversamos muitas vezes sobre o sentido da vida, sobre política - uma permanente descrença sua neste sentido -, religião, a vida em geral.  Numa destas conversas me disse que as pessoas ignorantes eram mais felizes, pois não tinham conhecimento de muitas coisas, nem da podridão do mundo, das coisas erradas feitas por políticos, das coisas que o povo pode reclamar e exigir das autoridades, etc, sendo, por tais razões, mais felizes, pois o pouco era suficiente ou muito.  Não tinham as angústias da classe média, nem o sofrimento por não poder alterar muita coisa no mundo.
Teve suas dificuldades, suas angústias, seus sofrimentos, sendo o maior deles, o que, cremos, aniquilou sua vida, o acidente de carro, no qual um louco bêbado bateu seu carro contra o do seu filho mais velho, matando-o, juntamente com sua nora, seu netinho de 3 anos e dois sobrinhos da nora.  A partir de então, sua vida se transformou.
Teve também muitos momentos de alegria, a formatura dos filhos, realização de todas as mães, a vinda dos netos, suas viagens e passeios, pequenas pílulas de alegria que se permitia, entre outras.
Sempre gostava de ir em nossa casa, e visitou-nos em todos os lugares em que moramos: Panambi, Caxias do Sul, Cambé e nossa cidade.  Gostava de um churrasco e cerveja, mas nem precisava dela para ser alegre, sempre o fora.
Vestia-se com esmero, sempre com roupas clássicas, colares, brincos, cabelo arrumado, unhas feitas, um grande capricho consigo mesma, o que sempre causou-me admiração e, junto com sua personalidade forte e persistência na vida em busca de objetivos, serviu-me como um dos modelos de mulher para eu seguir na minha vida.
Tive oportunidade de dizer-lhe que a amava muito, bem antes de ficar doente.  E o fiz novamente quando se encontrava adoentada.
Que Deus amenize suas dores e sofrimentos, e que a tenha recebido em seu colo, curando todas as suas feridas, as visíveis e as invisíveis.
Quando a deixamos em seu lugar definitivo, caiu uma chuva bem forte, molhando-nos até os ossos, lavando nossas e suas tristezas e sofrimentos.  Foi uma mensagem do Pai.
 
 (Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisa0vP3jFSJqajN_EkYPdFZNssKXBYhrQG69N-ggc29E4RkLNwviFs59jcXrhs_laUI2QId56YJfystv8x89AZnuwzNnCu7StxeSlMTWPvCr7y7OTBRaXcMPxhATm_WUDuO9Lo6-7Qs4Im/s1600/pomba_branca_ceu_espirito.jpg&)

domingo, 20 de janeiro de 2013

Viagens II

Hotel Meliá, Maceió/AL.
 Em 1995, quando já morávamos no Paraná, fomos finalmente conhecer uma parte do Nordeste Brasileiro.  Foi, também, a primeira vez que viajei de avião.  É claro que 'aeroviária' de primeira viagem, entrei em pânico.  Fomos de Londrina a Curitiba de carro, deixamos o mesmo no Hotel e partimos para o aeroporto; a excursão seria em vôo fretado pela empresa turística, um pacote para Maceió/Alagoas.
Entrei no avião, sentei-me no banco, segurei a mão do meu marido, e não me mexi mais. Quando o avião taxiou e se posicionou para levantar vôo, meu coração disparou. Quase quebrei a mão do meu marido, coitado! Meus filhos admirados e alegres, iam comentando as novidades, pois também era seu primeiro vôo. A hora que o avião tirou as rodas do chão, e eu enxerguei à minha frente as nuvens branquinhas, fiquei extasiada! Que bom que estávamos voando e não tinha acontecido nada de ruim...


As nuvens e pequenas paisagens fotografadas por meus filhos.

Passamos por vários locais, mas recordo perfeitamente quando sobrevoamos o Rio de Janeiro, o piloto nos informou; fomos subindo, em relação ao mapa do Brasil, e costeando a orla brasileira; meus filhos, felizes, olhavam pela janelinha e iam admirando a paisagem...e a medrosa aqui nem se mexia, com medo que balançasse o avião; não dei nenhuma espiadinha pela janela; não consegui nem comer o lanche oferecido pela aeromoça, que repassei ao meu filho, então um adolescente...os adolescentes parecem estar sempre com fome!
Fizemos uma parada em Belo Horizonte, aguardamos para trocar de avião, se não me engano. Sei que saímos de Curitiba às 6h da manhã e chegamos em Maceió ao meio dia. Graças a Deus, tudo tranquilo!
Ficamos o primeiro dia pelo hotel, um ótimo 4 estrelas (que chique! eu nunca tinha ido num destes...) maravilhoso, um apartamento conjugado com sacada, piscina, o café da manhã completo, com frutas diversas, sucos que nunca tínhamos tomado de frutas características daquela região.
Passeamos pela praia, tomamos sol, alugamos um carro e fomos conhecer a cidade de Maceió, alguns pontos turísticos...e até um hospital, pois minha filha comeu um fruto do mar que lhe fez mal.
Centro de Maceió visto de uma parte alta da cidade.

Adorei andar, à noite, pelas barraquinhas das rendeiras nordestinas; comprei uma linda toalha de mesa, toda rendada, que tenho até hoje, e muitas outras quinquilharias que a gente compra em viagens.
Conhecemos a praia do francês, visitamos a praia da sereia, onde tem uma estátua representando a mesma,   passeamos de barco pelo rio... e conhecemos a vegetação típica da região chamada mangue, onde o pessoal ribeirinho caça caranguejos das mais variadas cores e tamanhos.
Praia da sereia
 Em outro dia fomos dar um passeio de jangada, que achei estupendo! Não sei como os jangadeiros têm coragem de andar nestas pequenas e inseguras embarcações; mas que foi bonito, foi; paramos num local que eles chamam piscina natural, no mar, onde havia um bar flutuante, telefone flutuante (era um orelhão, os celulares recém estavam começando a aparecer no Brasil), muito gostoso.
As jangadas

A jangada telefônica.

 Em outro dia fizemos um passeio para um outro local, a Ilha da C'roa; fomos com um barco maior, descemos na ilha, almoçamos por lá e voltamos no fim do dia; outro passeio foi a outra ilha, diziam que era propriedade de um político famoso, nem lembro seu nome.
Na praia do Gunga,-naquele tempo era novidade- andamos de banana boat, passamos o dia nos divertindo e tomando sol, retornando ao anoitecer.
Também fizemos um passeio por diversos lugares, como Riacho Doce (teve uma novela ou uma mini série com este nome); passamos pela casa do Monteiro Lobato...
Riacho Doce
 Fizemos diversos passeios, conhecemos parte daquela região e, ao fim do período combinado, embarcamos de volta.  Agora já sabendo mais ou menos como a coisa funcionava,  não me assustei tanto; mas me sobressaltei quando parecia que o avião andava em estrada de chão - fiquei, então, sabendo o que eram as famosas turbulências, e que não eram nada agradáveis.
Retornamos a Curitiba e à nossa casa, faltando, agora, conhecer como é viajar de navio, um passeio que ainda quero fazer por este mundão de Deus.

Restaurante Sonho Verde, na  Ponta Verde, onde almoçamos delícias.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Novas leituras.


 

 Entremeio às múltiplas atividades domésticas que venho desempenhando, aos cuidados com meus pais (junto com os irmãos, é claro!) e com meus familiares diretos, vou lendo meus livrinhos, que, afinal das contas, também sou filha de Deus e mereço um lazerzinho, além de garantir que meus neurônios não vão se apagar tão cedo (medo do alemão Alzheimer!).
Aqueles que me acompanham conhecem esta minha paixão.
Não vou encher suas paciências, entretanto, fazendo resenhas de todos os livros que li nos últimos tempos, vou apenas mencioná-los rapidamente.

Como detesto os atos e fatos politicamente corretos, li "Guia politicamente incorreto da América Latina", de Leandro Narloch e Duda Teixeira. Já havia lido do Narloch o Guia...do Brasil, conforme comentário feito há algum tempo. Este segue na mesma linha, mostrando-nos a outra versão da história e das diversas personagens ou "vultos históricos" da nossa América; vale a pena pelo desmascaramento.
"Guia politicamente incorreto da Filosofia - ensaio de ironia", de Luiz Felipe Pondé. Vejo-o com frequência, se não me engana minha memória, no Jornal da TV Educativa.  Gosto dele por não ser um filósofo tradicional, (pelo menos os que conheci há alguns anos, eram contra tudo e todos e o mundo estava errado - certos, só eles!) Gostei de sua escrita, linguagem acessível, muita ironia, conhecimento e comentários divertidos. Algumas citações necessárias:
 "Mas a sensibilidade democrática sofre quando se aponta a relação entre culto da igualdade e mediocridade. Essa questão toca fundo na natureza humana, que tende facilmente à inércia, a fim de garantir o cotidiano. Algo na natureza humana ama a mediocridade."
"Muçulmanos são lindos, índios são lindos, a África é linda, canibais são lindos, imigrantes ilegais são lindos, enfim, todos os "outros" são lindos.  Uma das áreas mais amadas pela praga do politicamente correto é a chamada "ética do outro", ou seja, uma obrigação de acharmos que o "outro" é sempre legal. "Outro" aqui significa quase sempre outras culturas ou algo oposto a Igreja, Deus, heterossexual, capitalismo ou arrumar o quarto e lavar o banheiro todo dia".  E por aí vai.
Vale a pena leitura, pois o autor viaja dos socráticos aos pós-modernos, numa linguagem simples, sem ser simplista; mesmo para quem não curte filosofia, vai dar boas risadas de si mesmo e dos outros. Isto também é bom.
Nunca tinha lido o Marquês de Sade, mas sempre tive curiosidade.
Encontrei estes dias no mercado (obrigada, L&PM pocket!), "Os crimes do amor" do Marquês de Sade. Narra, para mim em contos, romances ocorridos em sua época (França, 1740-1814), com a cultura francesa da época, vestimentas, modo de pensar etc.  Pelo tanto que tenho lido de comentários dele, nem me assustei...vou procurar outros livros, para ver se é verdade o que já li de comentários sobre ele.
E para encerrar a dose de hoje, o gaúcho Moacyr Scliar, de quem sou fã de carteirinha, também em livro de bolso um que ele escreveu em 1979, "Os voluntários".  Narra a história de moradores da Rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre, famosa pela prostituição.  Um filho de moradores e lojistas da área tinha a fixação de conhecer Jerusalém, e é em torno deste fato que a história se desenrola.
Scliar todos nós conhecemos, gaúcho do Bonfim, membro da Academia Brasileira de Letras, médico sanitarista, publicado em várias línguas, nunca nos decepciona: um texto limpo, direto, às vezes cômico, às vezes trágico, sempre emocionante. Vale a pena.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Revendo a Revolução Farroupilha

 


 Embora eu seja gaúcha (para os estrangeiros que me lêem, gaúcha é a pessoa que nasce no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil), nunca fui de frequentar CTG,  que são os Centros de Tradições Gaúchas; gosto de algumas músicas típicas, aquelas que eu acho cheias de poesia, ou que apresentem algum fator cultural, poético, do amor entre as pessoas, a parte telúrica, o que relembra as rotinas de antigamente da vida no campo, assim por diante.  Mas nunca fui muito de vangloriar-me por causa dos feitos dos guerreiros gaúchos, embora eu tenha ouvido muitas histórias antigas, contadas por meu pai e meus avós, de episódios carnicentos das guerras.  Talvez por isto não goste desta parte; sei que foi uma dificuldade imensa o povo dos tempos idos conseguirem manter as atuais divisas entre o Rio Grande do Sul, consequentemente do Brasil,  e o Uruguai, a Argentina e Santa Catarina; com o Oceano Atlântico creio que nunca brigamos...
Quando li "O tempo e o Vento" do Érico Verísssimo, em seus 8 volumes, tive uma noção, ainda que romanceada, da nossa história; e minha conclusão sobre estes eventos antigos, é que as mulheres sofriam muito,  pois seus maridos, filhos e parentes iam para a guerra e não sabiam se voltariam; elas temiam a invasão dos inimigos, pois sabiam ser possíveis vítimas de ataques, estupros, abusos, etc; e elas tinham que lutar, sozinhas, para manter casas, filhos, plantar e colher alimentos, matar animais para alimentar a família, tecer e cozer vestimentas, etc.  Sempre sobrou muito para as mulheres, enquanto os homens politicavam e guerreavam.
Mas, também, eu desconfiava um tanto dos 'grandes feitos e dos grandes heróis' gaúchos.  O livro que li, que menciono abaixo, dá um norte sobre o que ocorreu de verdade neste tempo, e trata de um assunto que sempre foi esquecido no RS, como se aqui não tivesse havido escravidão: os negros.
Aguentem firme, que lá vai: 

Juremir Machado da Silva, História regional da infâmia - o destino dos negros e outras iniquidades brasileiras (ou como se produzem os imaginários), L&PM editores, 2ª ed, POA, 2010.

Juremir é jornalista, romancista, professor universitário, ensaísta e tradutor. Conheci-o em uma palestra em Caxias do Sul/RS, nos tempos idos em que morei lá e ainda era professora. Gostei do papo dele, achei-o inteligente, acompanhei-o durante muitos anos no Jornal Zero Hora, se não falha a memória (faz muito tempo!).
Neste livro, que não é um romance, mas cresceu aos meus olhos como uma denúncia, Juremir reconta a história riograndense, principalmente os fatos da Revolução Farroupilha,  renarrando os fatos  já conhecidos e muito cantados em trovas e versos, a partir de pesquisas feitas in loco, em bibliotecas, museus, arquivos públicos, arquivos particulares das próprias personagens históricas gaúchas.  Como outros livros que tenho lido, para entender meu mundo, foi um soco no peito; porém, eu já desconfiava...
Conta a orelha do livro que  ele debruçou-se sobre 15 mil documentos com uma equipe de dez pesquisadores para trazer a lume, creio, uma versão, talvez A VERSÃO VERDADEIRA. Analisa documentos, correspondências oficiais e particulares, diários, relatos, recibos, bilhetes, outros livros de outros autores, de todos os lados, inclusive autores estrangeiros que estudaram esta revolução.  São analisados atos e fatos de Bento Gonçalves, David Canabarro, Vicente da Fontoura, Caxias, entre outros.
Nas aulas de história riograndense que tivemos na escola, todos eram "vultos históricos" dignos de glória e fama.  Neste livro, porém, vêmo-los como simples seres humanos, com suas arrogâncias, ânsias de poder e de dinheiro, cuidado na manutenção das próprias propriedades, pouca preocupação com a soldadesca que os auxiliou, principalmente os negros escravos, que foram aliciados para entrarem na guerra em troca de liberdade, e que foram massacrados por uma combinação entre o Duque de Caxias e David Canabarro.  Narra episódios terríveis, traições, assassinatos, acordos por debaixo do pano, entregas, declaração de separação do RS do Brasil, através de uma Constituição que nunca entrou em vigor; relata um acordo que nunca foi assinado, e denuncia que o fim da guerra foi negociado, sendo que os líderes 'aceitaram a paz' em troco de uma indenização para cada um deles, e a manutenção de suas próprias terras e das que desapropriaram e tomaram para si.
É um livro pesado, mas necessário. Linguagem acessível, vê-se que a pesquisa foi bem feita, há bibliografia indicada, excelente para quem quer, verdadeiramente, conhecer a sua terra, não só os louvores, mas também a banda podre, para não se ter ilusões.
Creio, porém, que os fatos cruéis da guerra não devem interferir na parte cultural da música (ritmos), trajes típicos e o amor à terra.  Estes independem das ações humanas.  O que não devemos, creio, é continuar a cantar loas a pessoas que não as merecem.
Vale a pena a leitura!
 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Ano novo




Em fins de 2011 estávamos eu e minha família envolvidos na mudança que faríamos, e que efetivamente fizemos.
Passamos o ano de 2012 nos readaptando à minha antiga cidade, nova para minha filhinha que nasceu no Paraná; uma situação não tão fácil, mas também não tão difícil.
Tivemos um ano turbulento, com alguns acontecimentos familiares que nos abalaram; mas conseguimos chegar ao fim de 2012 com saúde, trabalhando, estudando, e perto de pessoas que amamos muito, embora meu filho esteja morando em Santa Catarina, mas às vezes vem nos visitar, o que está fazendo agora com a família.
Tivemos as festas de Natal e ano novo com todos reunidos, o que foi uma alegria ímpar.
Meus pais estão bem de saúde, o que compensa qualquer trabalho.
Se Deus quiser, 2013 será melhor, nos trará alguma tranquilidade e melhorias em todas as áreas.
Desejo aos meus leitores um ano novo de realizações, alegrias, e muita força para enfrentar o que tem por vir.
Salut!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O DIREITO À EDUCAÇÃO - UM MANDAMENTO CONSTITUCIONAL - PARTE. IV


Continuando a publicação parcelada do meu TCC, se alguém se interessar pelo assunto, aí está: 
Evidencio que as citações estão ficando fora de esquadro, pois a cada recorte, tá começando de novo.  Infelizmente, como não sou 'expert' em informática, isto está ocorrendo e não sei como resolver...é triste ser ignorante em alguma coisa....


"1.3. Movimentos educacionais
            Como resultado da IV Conferência, surgiu o “Manifesto dos Pioneiros”, um longo documento dedicado ao Governo e à Nação, que defendia a escola pública obrigatória, laica e gratuita e pelos princípios pedagógicos renovados inspirados em novas teorias.
            O governo achava interessante o raciocínio dos “profissionais da educação”.  Para ele  a “questão social” havia se agravado devido à migração interna e ao inchamento das cidades.   Portanto, uma dimensão justa era  fixar o homem no campo, e para isso era interessante o discurso que enfatizava a criação de escolas técnicas.  No campo deveriam ficar as escolas técnicas rurais, nas cidades estariam os estabelecimentos profissionalizantes ao nível industrial e comercial.  Fixar o homem ao campo com escolas, acalmar o desespero do trabalhador urbano com escolas!  Mas não com qualquer escola, e sim escolas embasadas nos novos métodos e que fornecessem uma profissão ao filho do trabalhador. 
            Consta que
“as Constituições anteriores à de 1934 – a de 1824 e a de 1891 – foram omissas e superficiais em relação à educação.  A de 1934, ao contrário, incumbiu a União de “fixar o Plano Nacional de Educação,  do ensino de todos
os graus e ramos, comuns e especializados, e coordenar e fiscalizar a sua execução em todo o território nacional.  Colocou a Carta Magna que o ensino primário deveria ser obrigatório e totalmente gratuito.  Além disso, instituiu a tendência à gratuidade para o ensino secundário e superior.  A Constituição ainda tornou obrigatório o concurso público para o provimento de cargos no magistério, determinou como incumbência do Estado a fiscalização e a regulamentação das instituições de ensino público e particular, determinou dotações orçamentárias para o ensino nas zonas rurais e, finalmente, fixou que a União deveria reservar no mínimo 10% do orçamento anual para a educação, e os Estados, 20%.”   Foi neste período que “a família foi reconhecida em seu papel educativo.” [1]
            Foi nesta época que, segundo o autor,  surgiu o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova – A reconstrução educacional no Brasil – ao povo e ao governo”, assinado por intelectuais da educação à época.
            No pensamento dos manifestantes, a educação brasileira era algo
 “(...) sem unidade de plano e sem espírito de continuidade, não lograram ainda crear(sic) um systema (sic) de organização escolar, á (sic) altura das necessidades modernas e das necessidades do paiz. (sic).  Tudo fragmentario (sic) e desarticulado”. “(...) falta, em quasi (sic) todos os planos e iniciativas, da determinação dos fins da educação (aspecto philosofico (sic) e social) e da applicação (sic) (aspecto technico (sic)) dos methodos scientificos (sic) aos problemas da educação.” [2]

            O manifesto segue nesta linha de ponderações, chegando às seguintes conclusões: a questão primordial das finalidades da educação gira em torno de uma concepção de vida; de um ideal ao qual devem conformar-se os educandos; pode ser considerado por uns abstrato e absoluto, por outros concreto e relativo, variável no tempo e no espaço.  Porém olhando para o passado da evolução da educação pelas diferentes civilizações, tem-se que o conteúdo real desse ideal variou sempre de acordo com a estrutura e as tendências sociais da época,  extraindo a sua vitalidade da própria natureza da realidade social.
            Sobre o ensino Universitário, ainda de acordo com o autor, o manifesto exprime que a educação superior deve ser inteiramente gratuita;  tender à formação profissional e técnica no seu máximo desenvolvimento e à formação de pesquisadores em todos os ramos de conhecimentos humanos;  desempenhar a tríplice função de elaboradora ou criadora de ciência (investigação), docente (ciência feita) ou popularizadora através de extensões universitárias.[3]
            Sobre as formas como resolver os problemas da educação, assim se exprime: “se os problemas da educação devem ser resolvidos de maneira científica, e se a ciência não tem pátria, nem varia, nos seus princípios, com os climas e as latitudes, a obra da educação deve ter, em toda a parte, uma “unidade fundamental”, com um caráter universal.”  
            Finalmente, conclui: “(...) as únicas revoluções fecundas são as que se fazem ou se consideram pela educação, e é só pela educação que a doutrina democrática, utilizada como um princípio de desagregação moral e de indisciplina, poderá transformar-se numa fonte de esforço moral, de energia criadora, de solidariedade social e de espírito de cooperação.”[4]
            Propõem os manifestantes, então, uma Revolução pela Educação, e que o ensino e a aprendizagem tenham um cunho universal, pois os objetivos e os fins da educação são o ser humano integral, que o é assim em qualquer país.
            Na década de 30  foram criadas as Leis Orgânicas da Educação; e  se concretizou a “Reforma Capanema”, de cunho elitista e conservadora.  Também ocorreu a criação do  Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos  INEP; o  Instituto Nacional do Livro INL ; o Serviço Nacional da Indústria –SENAI; o Serviço Nacional do Comércio - SENAC, a  Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, a institucionalização dos Sindicatos atrelados ao Estado, entre outros.
            Estas Leis Orgânicas do Ensino criaram “(...) a organização de um sistema de ensino bifurcado, com um ensino secundário público destinado às “elites condutoras” e um ensino profissionalizante para as classes populares.[5]
            Alguns partidos políticos também se preocupavam com os entraves educacionais dos brasileiros, e se envolviam com a realização de cursos de alfabetização de adultos e crianças e de cursos técnicos populares gratuitos."


[1] Ghiraldelli, op. cit. p. 45.
[2] Ghiraldelli, op.cit. p.54 e segs.
[3] Ghiraldelli, op.cit. p.71 e segs.
[4] Ghiraldelli, op. cit. p. 77.
[5] Op. cit. p.84, 107, 112, 114

domingo, 18 de novembro de 2012

O DIREITO À EDUCAÇÃO - UM MANDAMENTO CONSTITUCIONAL - Parte. III


Continuando a publicação de meu trabalho de conclusão do curso de Direito, a terceira parte do mesmo, que virá em conta-gotas, vagarosamente, entremeado de minhas crônicas. A parte de hoje é um tanto extensa, pois se eu cortá-la, ficará difícil de ser compreendida. Paciência.


"1.2.  Histórico
            Antecedendo um breve relato histórico de como vem ocorrendo o processo educacional do povo brasileiro, considera-se prudente tomar conhecimento das reflexões a seguir, de nosso maior jurista, Pontes de Miranda:
“O Estado tardou em reconhecer as vantagens da instrução e educação do povo.  Desconheceu, durante séculos, que somente se pode aumentar o valor do Estado, do país, aumentando-se o valor dos indivíduos.  Ainda hoje, há os que, dirigentes de povos, acham prudente a ignorância do povo.  Tal como tardaram em descobrir que a escravidão era o trabalho menos econômico e que dos Estados sem liberdades para os seus nacionais os outros Estados são os senhores.” (...)“O Estado contemporâneo tem de ser educativo cabe-lhe o cuidado máximo, de acordo com o seu fim valorizador do Homem, no ensino público, principalmente profissional, nas seleções e orientações profissionais, na escolha e no preparo de chefes.  Mas, se elimina a liberdade de pensar, ou a de cátedra, é um monstro. É o Leviathan de Hobbes.” (...)“A força dos povos não está no que eles aprenderam da ciência, água comum que todos bebem, ou quase todos bebem; a força deles está no que a cada momento aumentam à ciência, e visão serena da evolução e da cultura mostra-nos que poucos são os povos capazes disso. Os incapazes tendem a desaparecer, ou se fazem capazes.” (grifos nossos)[1]
            De conformidade com suas assertivas, é conveniente que os dirigentes do Brasil façam de tudo para colocar o país em lugar de realce com relação à educação de seu povo, procurando proporcionar-lhe formas de aquisição de cultura, conhecimentos, saber científico, se quiser situar-se entre os países  destaque quanto ao conhecimento científico, tecnológico, produção, pesquisa e registro do conhecimento.        
            Os dados históricos da educação brasileira, que se seguem, foram extraídos da obra de Paulo Ghiraldelli Jr[2], “História da Educação”.

            Os estudos que a seguir serão apresentados referem-se às formas como os administradores da coisa pública, no Brasil, encararam a educação das múltiplas camadas sociais, nas diversas etapas da vida pública brasileira,  e os reflexos de suas ações, ou não-ações, no desenvolvimento pessoal dos indivíduos que compõem o povo brasileiro, bem como do próprio país.  As consequências da fuga de cientistas brasileiros e outras inteligências do país, com destino a outras nações que incentivem o alcance e divulgação do saber e estimulem a aquisição da cultura, ciência e tecnologia, são funestas. Observe-se:
                        O Brasil da primeira República viu o alvorecer de três correntes pedagógicas no país: a Tradicional, que reunia os intelectuais das Oligarquias e da Igreja; a Nova, que compunha-se da burguesia e classe média; a Libertária,formada por intelectuais dos projetos de Movimentos Sociais populares, do movimento operário e sindicatos.
            Todas enfrentaram ou assimilaram os preceitos da herança pedagógica Jesuítica, responsável pela educação no Brasil por mais de 200 anos.  “O que mostra a incapacidade do pensamento laico em superar a organização da cultura forjada pelo catolicismo no Brasil”, reforça Ghiraldelli.[3]
            Esta pedagogia era a “ratio studiorum”, e pregava disciplina rígida;cultivo da atenção; perseverança nos estudos; hierarquia do corpo discente e era  baseada na obediência e meritocracia.
            A pedagogia de Johann Friedrich Herbart seguia o  modelo da Pedagogia Tradicional,   e manifestava uma  “tendência de psicologizar a educação”, propondo uma teoria da aprendizagem, da mesma forma que princípios do positivismo e muita disciplina.
            Várias são as concepções da Pedagogia Libertária; a que mais ganhou adeptos foi do educador Francisco Ferrer y Guardia, que procurava uma nova ordem sócio-econômica, novo homem e nova sociedade, sem divisão de classes, sem hierarquia burocratizada, sem centralização do poder. No entendimento de Ferrer, “homem livre sobre a terra livre; infância livre e feliz”.  Procurava convívio menino/menina; convívio de diferentes classes sociais, o que resultaria em uma Escola Moderna, com “ensino de base racional e científica”.  
            O  Movimento da Escola Nova chegou ao Brasil  com métodos ativos de ensino-aprendizagem, objetivando conceder importância à liberdade das  crianças; buscar e incentivar os interesses do educando, o trabalho em grupo, trabalhos manuais; colocar a criança, não mais o professor, no centro do processo educacional. Tal movimento resulta do trabalho de John Dewey, filósofo da educação nos EUA.
            No lastro do entendimento de Ghiraldellli, nos anos 20 do século passado, ocorreram diversas reformas educacionais em vários estados brasileiros, as quais foram promovidas baseadas nos princípios da Pedagogia Nova.
            Segundo relato deste autor, as poucas escolas públicas existentes nas cidades eram frequentadas pelos filhos das famílias de classe média, no período da primeira e segunda Repúblicas.   Os ricos contratavam preceptores,  que ministravam aos filhos o ensino em casa, ou os mandavam a alguns poucos colégios particulares, leigos ou religiosos,  em regime de internato ou semi-internato. E esclarece:
 “Em todo o vasto interior do país havia algumas precárias escolinhas rurais, em cuja maioria trabalhavam professores sem qualquer formação profissional, que atendiam as populações dispersas em imensas áreas: eram as substitutas das antigas aulas, instituídas pelas reformas pombalinas, após a expulsão dos jesuítas, em 1763”. (...) “com a Reforma Luiz Alves Rocha Vaz, pela primeira vez se procurou estabelecer uma legislação que permitisse ao Governo Federal uma ação conjunta com os Estados da Federação no sentido do atendimento do ensino primário.” [4]
            Há a informação que, “no campo educacional, as atitudes do governo Vargas caminharam sob os mesmos parâmetros táticos de sua política trabalhista.  Desenvolveu-se um esforço governamental no sentido de controlar as duas grandes tendências do pensamento educacional esboçado nos anos 20.  De um lado estavam as diversas facções conservadoras,  e que desaprovaram alterações qualitativas modernizantes nas escolas, e não concordavam com a democratização das oportunidades educacionais a toda a população.  De outro lado estavam os grupos influenciados pelos chamados “profissionais da educação”, os liberais, que desejavam mudanças qualitativas e quantitativas na rede de ensino público.”[5]  Nesta época, Vargas  não tinha uma proposta educacional e esperava que os intelectuais que estavam na IV Conferência Nacional de Educação elaborassem “o sentido pedagógico da Revolução.” Ainda, Francisco Campos, Ministro da Educação de Vargas, promoveu uma reforma em todo o território nacional; criou o Conselho Nacional de Educação; diretrizes para o ensino superior; organizou o ensino secundário; regulamentou a profissão de contador; estruturou o ensino comercial, etc... E ignorou a escola primária."



[1] Pontes de Miranda. Comentários à Constituição de 1967. Tomo VI, 2ª ed, revista. SP: Ed. Revista dos Tribunais, 1974, p. 333/358 e 365.
7 História da Educação. SP: Cortez, 2001, 2ª ed. revista e atualizada. (Coleção magistério. 2º grau. Série formação do professor).

8 Ghiraldelli, op. cit. p. 20 e segs.

[4] Ghiraldelli, op.cit.p.26/27.
[5] Ghiraldelli, op.cit. p.41 e segs.