domingo, 18 de junho de 2017

O direito à educação feminina


 
Quadro que Malala pintou aos 12 anos: Harmonia entre as religiões.

Terminei de ler "Eu sou Malala - a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã", publicado pela Cia. das Letras, de autoria da própria Malala e de Christina Lamb.
Em tom intimista, Malala Yousafzai, menina natural do vale do Swat, no Paquistão, narra sua história e  de sua família: pai professor, dono de escolas de inglês em sua terra; mãe dona de casa, em uma província pobre.  O que os impulsiona é o grande desejo pela democracia e pelo direito de as meninas também poderem estudar, assim como os meninos já fazem.
Descreve os lindos lugares onde morava, os vales, as montanhas, a paisagem, as amigas, a família e os valores que os movem, assim como os acontecimentos políticos de seu país e do mundo.
Percebe-se, por serem pessoas amigas de livros, de conhecimento, de dedicação, seus anseios pela paz, a compreensão e a tolerância para com outras pessoas, outras religiões, outras formas de pensar.
Entretanto, aqueles que dominam ou dominaram seu país não pensam da mesma forma.  E por discordarem, foram invadindo o território, e matando pessoas.  Tentaram acabar com Malala, mas não conseguiram; ela foi salva e vive na Inglaterra.
Excelente e emocionante história, que nos faz entender um pouco mais de cultura diversa da nossa. Ótima leitura.

Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã. com Christina Lamb. 1ªed.- São Paulo:Cia das Letras, 2013, 342p.

domingo, 4 de junho de 2017

Conhecendo o mundo de um comunista declarado


 

 Meus professores sempre diziam: para poder criticar alguma coisa, você tem que conhecer; não pode dizer: não li e não gostei.
Agora, posso dizer: li, e continuo não gostando. Explico:
Já havia lido diversos artigos, relatos, comentários, livros a respeito de Luís Carlos Prestes. Já li o livro "Olga" de Fernando Morais, também vi o filme. Na biografia de Getúlio Vargas,  mencionada neste blog, igualmente há referências ao político, à sua primeira mulher e aos comunistas. 
Todos sabem meu posicionamento: conservadora. Já havia concluído que a Coluna Prestes não tinha sido um bom movimento, mencionando neste post o que ele e seus correligionários haviam feito com a família de minha avó.
Então, para poder falar de cadeira, como diz a linguagem popular, encontrei em uma feira do livro a biografia Luís Carlos Prestes um revolucionário entre dois mundos, de  Daniel Aarão Reis.  O autor é carioca, durante o regime militar esteve exilado na Argélia e na França, onde graduou-se e fez mestrado em História, doutorando-se em história social pela Universidade de São Paulo.

Óbvio que o historiador valeu-se de extensa bibliografia, documentos, reportagens e demais informações inerentes ao trabalho.

Luís Carlos Prestes

Gaúcho de Porto Alegre, Prestes nasceu em fins do século XIX, filho de uma família abastada, descendente de nobres. Seu pai era militar, homem de cultura, sua mãe falava francês, tocava piano e tinha grande formação cultural. Os livros de seu pai mostravam a cultura do materialismo e positivismo francês, de Comte, escola de Benjamin Constant.
Como militar, o pai de Prestes mudava de residência com frequência.  "Em 1901, o casal estava de volta ao Rio Grande do Sul com a designação de Antônio para trabalhar em Alegrete, no oeste do estado, a pouco mais de quinhentos quilômetros de Porto Alegre, Luís Carlos Prestes tem dessa época uma das mais antigas recordações, quando teria ido com o pai, numa carroça de colono, a Ijuí, onde se construía, sob sua supervisão, uma estrada de ferro entre Cruz Alta e Porto Lucena." 
 Depois da doença do pai e várias peripécias, aos 6 anos de idade Prestes chegou ao Rio de Janeiro. Em 1911, com 13 anos, ingressou no Colégio Militar, onde fez o ensino  médio, concluído em 1916, indo para a Escola Militar do Realengo, onde formou-se em 1919 engenheiro militar, sendo promovido a segundo-tenente de Arma e Engenharia. Suas notas sempre excelentes, aluno brilhante, estudioso; a titulação conquistada era bacharel em Ciências Físicas, Matemáticas e engenharia Militar. Pena que não soube aproveitar os estudos e todo o conhecimento que adquiriu.

A grande marcha

"A saga da Grande Marcha chefiada por Miguel Costa e Luís Carlos Prestes, que atravessou o país durante dois anos, teve origem numa rebelião desfechada na cidade de São Paulo, em 5 de julho de 1924." (p.43) O objetivo era derrubar Artur Bernardes da Presidência  da República, "os governos de nepotismo, de advocacia administrativa e de incompetência técnica" (p.46), e "se apresentavam como patrocinadores dos direitos do povo."
 E o povo fora consultado sobre o assunto?
Prestes tinha sido designado para atuar em Santo Ângelo, e por lá começou a maldita marcha, que iniciou-se 29 de outubro.
O autor da biografia descreve todos os movimentos pelos quais passaram os revoltosos.  E conclamavam o povo:
"É chegada a hora solene de contribuirmos com o nosso valoroso auxílio para a grande causa nacional", dirigidas ao povo gaúcho. 
"Não queremos perturbar a vida da população , porque amamos e queremos a ordem como base do progresso. Podem estar todos calmos que nada acontecerá de anormal.""Mas a situação estava longe da "normalidade", pois todos os proprietários de automóveis, carroças e cavalos deveriam imediatamente pô-los à disposição do 1º Batalhão Ferroviário. Por outro lado, que adiantava asseverar: "Todas as requisições serão documentadas e assinadas sob a responsabilidade do Ministério da Guerra?" É mais do que provável que aquelas garantias soassem como promessas vãs. Assinava o manifesto, "pelo governo revolucionário do Brasil", o capitão Luís Carlos Prestes". (p.52/53).
E a narrativa do autor dessa biografia revela e confirma o que minha avó havia narrado em seu livro "Memórias da Vó Deza", mencionados acima em post publicado neste blog:
"O problema é que a revolta não conseguira empolgar todo o estado, e mesmo na Região das Missões havia muita resistência - e ativa. Tentativas de ampliar o raio de ação do processo iniciado falharam em sequência: não foi possível tomar Itaqui, onde morreu o tenente Aníbal Benévolo, grave baixa, pois se tratava de um dos principais cérebros da insurreição; mais reveses seriam registrados em Ijuí e Alegrete. Além disso, numerosas tropas de insurretos, incluindo unidades militares, comandada pelo caudilho Honório Lemes, sofreria outra derrota desastrosa em Guaçu-Boi.  Os governistas, civis e militares, estavam bem armados, municiados e com disposição de luta. O levante, a princípio promissor, enfrentava desafios inesperados." (p.53)
"Dias depois, Prestes comemorou o 27º aniversário comandando as tropas no violento combate da Ramada, em campo aberto, de oito da manhã às quatro da tarde, quando os rebeldes perderam cerca de 150 homens(...) Entre os dias 25 e 31 de janeiro, a coluna guerrilheira atravessou, em Porto Feliz, o rio Uruguai, entrando em Santa Catarina." Rumo ao norte, como falou minha avó.  Rumo ao desconhecido, rumo a uma revolta que ceifou milhões de vidas, assaltou cidades, casas, famílias, gastou um dinheiro inutilmente, e não chegou a resultado algum.
O autor descreve em 536 páginas a marcha de Prestes e seus loucos devaneios político/militares. Até este ponto, ele ainda não era comunista.  Ele foi ler e informar-se sobre o comunismo quando de seu primeiro exílio, na Bolívia.

Prestes nunca desistiu de sua revolução.  Sucintamente: teve vários exílios; viveu, sozinho ou com seus filhos, na Europa e, principalmente, na Rússia.  Depois de ser expulso do exército, nunca teve emprego formal. Sempre foi sustentado pelo "movimento revolucionário", com verbas obtidas de amigos políticos, ou seja, do bolso do povo.  Foi durante os vários anos em que viveu na Rússia, sustentado pelo Partido Comunista russo.  Assim é fácil viver e "fazer a revolução".
Esteve preso por vários períodos; teve um relacionamento e uma filha com Olga Benário, Anita Prestes, que também morou na Rússia e em vários outros países, e é Doutora em História.
Teve um relacionamento com outra mulher, Maria, com quem teve 6 filhos.  Essa mulher, também revolucionária e comunista, teve que virar-se sozinha para criar os filhos na maior pobreza, sempre longe do pai, que sempre manteve-se distante, solto ou preso,  por estar permanentemente envolvido em política e querendo revolucionar e tornar nosso país comunista.
Foi amigo de Fidel Castro e de outros grandes líderes do comunismo mundial.  Ajudou a fundar o partido comunista brasileiro.
Morreu em 1990, em meio à desunião da própria família, e longe do partido que ajudou a formar e que esteve, por diversas vezes, como ele, fora do mundo político, nas trevas e subterrâneos.

Vale a pena a leitura.  Ótimo livro, para conhecer e poder criticar à vontade um homem que não acrescentou nada de bom ao povo brasileiro.


 






segunda-feira, 29 de maio de 2017

Mulheres que me influenciaram - parte I - Senhora Einstein








A par das mulheres (e homens) que fizeram ou fazem parte da minha vida, há as pessoas importantes, influentes, famosas por sua profissão, posição social ou política mas, principalmente, as mulheres que considero inteligentes, intrépidas, à frente de seu momento de vida, que não baixaram sua cabeça nem se submeteram à condição subalterna que tanto homens quanto mulheres, pelo pensamento e/ou período da história, sempre quiseram impor às mulheres.
Em minha adolescência meu pai comprou um livro  com a biografias de pessoas importantes para a História Mundial.  Comentá-lo-ei em próximo post, visto que  se encontra na casa de minha mãe.  Naquela época, naquele livro, chamou minha atenção Marie Curie, a cientista polonesa que descobriu o rádio.  Na minha inocência ou ignorância, fiquei confusa.  Não tinha sido outro quem descobriu o rádio? Fiquei na dúvida entre Thomas Edison, Hertz e o padre Landel de Moura.
Depois descobri que era outro rádio,  a radioatividade.
Hoje, entretanto, tenho em mãos uma biografia romanceada, escrita por Marie Benedict, "Senhora Einstein, a história de amor por trás da Teoria da Relatividade".

Com base em todas as informações a que teve acesso, a autora reescreveu a história de Mileva "Mitza" Maric Einstein, a primeira mulher de Einstein.
Nascida no interior da Sérvia, a menina com um problema de nascença em uma perna, que a tornara manca, fora incentivada pelo pai a estudar, como a única alternativa que teria na vida, uma vez que era praticamente impossível que arrumasse marido.
Fez seus estudos preliminares na cidade natal, destacando-se na Matemática. Posteriormente, conseguiu uma vaga na Universidade Politécnica Federal Suíça, onde matriculou-se no programa de Física e Matemática, sendo a quinta mulher a integrar a Section Six.  Para os parâmetros da época, uma insolência da parte dela. Nesta turma conheceu Albert Einstein, seu colega de classe, com grandes dificuldades em matemática, e mais quatro alunos.  Ela destacou-se por conseguir resolver os problemas complexos que o titular da cadeira propunha, e carregava Einstein e seus colegas nas costas.
Após um período de namoro, que as duas famílias não aceitaram, ela engravida antes do casamento, por pressão, é óbvio, do considerado gênio.  Que não assume a filha, a qual é escondida do mundo, e vem a falecer antes de casarem.
Após o casamento, Einstein a submete a abandonar a carreira; em virtude da prematura gravidez e dos problemas de saúde decorrentes, Mileva não consegue concluir a graduação.  Porém, continua, após as tarefas domésticas a que é submetida pelo marido, a auxiliá-lo nas pesquisas e estudos, tarde da noite.  Ele a humilha publicamente em várias oportunidades, e a obriga a andar atrás dele na rua ou em situações públicas, homenagens, palestras, apresentações,  nunca ao lado. 
Ela formula a teoria da relatividade, ele promete que vai publicar o artigo científico em nome dos dois, mas omite o dela.  Outros estudos que ela faz, novamente ele publica em nome dele. Sua ascensão é meteórica, seus artigos são publicados pelo mundo, as homenagens e convites para palestras se multiplicam, mas Mileva nunca aparece. Apropriação indébita.
Ao final de muitos anos de sofrimento e humilhações, após o nascimento de mais dois filhos, partos dificílimos nos quais ela quase morre, eles acabam separando-se, e ele casa-se com uma prima, que foi sua amante durante muito tempo.
A raiva que dá ler este livro.  Como ela, quantas foram e são humilhadas e enganadas? Milhares, milhões.

Vale a pena a leitura, seja pelas informações científicas, seja para conhecermos aquele que é considerado um gênio da humanidade, e que ganhou o prêmio Nobel pela teoria da relatividade.  Nas condições do divórcio, ficou estabelecido que, se ele ganhasse esse prêmio, entregá-lo-ia a Mileva inteiro, por ser ela a autora. E foi o que aconteceu.

Benedict, Marie. Senhora Einstein: a história de amor por trás da Teoria da Relatividade. Trad. Amanda Moura.- SP:Ed. Gente, 2017, 288p.

domingo, 21 de maio de 2017

Momento delicado, povo brasileiro assustado.







Talvez as pessoas de  outros países que me lêem, não entendam o porquê de andarmos assustados. Resumindo, sobre política, pois esta afeta a vida de todos nós, povo brasileiro, principalmente aqueles que trabalham, são honestos, honrados, e se sentem prejudicados pelos políticos que nos governam:

1. 2014 - Campanha política para eleição do Presidente da República; ficaram para segundo turno Dilma Roussef e Aécio Neves. Comentei sobre isto aqui.
Foi eleita Dilma Roussef, por uma pequena margem de diferença.
Logo em seguida, seu opositor entrou na Justiça, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando abuso de poder econômico e poder político, uso da máquina administrativa durante a campanha. O processo está em fase de julgamento.
2. 2015 - Dilma assume seu segundo mandato, e começou a remexer em tudo - economia, educação, direitos trabalhistas e previdenciários, bolsa-família e outros tantos "benefícios" e/ou direitos das pessoas consideradas povo, baixa renda, trabalhadores.  Tudo aquilo que ela mesma, durante a campanha, tinha dito que o opositor ia fazer; mas ela falava que ele ia fazer, pois sabia o resultado de seu mau governo de 2010/2014.  Tudo que, eventualmente, havia sido construído antes, ela foi estragando e derrubando, DESTRUINDO,  um atrás do outro. Uma derrocada. 
Iniciam-se os  encaminhamentos para o processo de impeachment.
3. 2016 - a economia agoniza, inflação e dólar em alta, desemprego, bagunça na política, uns podres acusando outros de podres,  E O POVO TRABALHANDO E SUSTENTANDO TODOS ELES.
Em 31 de agosto de 2016 Dilma Roussef é "apeada" do poder, como dizia minha avó. O processo de impeachment é concluído, OBEDECENDO RIGOROSAMENTE O QUE É DETERMINADO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, e o Vice Presidente, Michel Temer, assume a Presidência da República.
4.  A Lava Jato. Desde março de 2014 se desenrola no país a Operação Lava Jato, promovida pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, juntamente com a Justiça Federal de primeira e segundo instância, com Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. Muitos políticos e megaempresários foram presos. Muitos já foram condenados, muitos têm seus processos em curso nas várias instâncias judiciais e outros estão a caminho.
Sobressaem o trabalho, principalmente, do Juiz Sérgio Moro, a quem cabe os processos em primeira instância, por ser um juiz prevento - aquele a quem os processos são encaminhados, quando não há foro especial em razão da função (foro privilegiado)-, ou seja, o juiz que trata desses processos por ser o que primeiro tratou sobre o assunto, conforme determina a legislação. Mais informações sobre a Lava Jato aqui.
Igualmente do Ministério Público e da Polícia Federal, num trabalho conjunto.
5. 2017 -  Continua a bagunça na política. Continua inflação em alta, desemprego em alta, povo sofrendo e economizando o que não tem.
Políticos e mais políticos, empresários de grande porte são presos, conduzidos para depoimentos; denúncias, escândalos, o povo cada vez mais estupefato, e sem entender como foi movimentado tanto dinheiro, sem que os Tribunais de Contas, a Receita Federal e outros órgãos de controle não viram nada.
E O POVO TRABALHANDO, E SUSTENTANDO TODOS ELES, E SEM CONSEGUIR ENTENDER.
AGORA, POR ESTES DIAS, mais um tsunami político vem atingir em cheio o Presidente em exercício, Michel Temer. Ele, que sempre quis separar sua eleição como vice da chapa Dilma, é denunciado por um megaempresário que, sarcasticamente, aproveitando-se da possibilidade da 'delação premiada', mostra que ele não é o santinho que dizia ser, que rolou muito dinheiro de caixa 2 na sua campanha, e que tentou obstruir a justiça, frear a Lava Jato, para não ser atingido.
NOSSOS IMPOSTOS, PAGOS COM O SUOR DE NOSSO TRABALHO, foram parar nas mãos dos politiqueiros, dos empresários safados; enquanto isto, os adeptos da linha esquerdista nervosa brasileira, lado do Lula/Dilma continuam defendendo seus políticos, como se não tivessem se beneficiado da ladroeira toda; e o outro lado, que alguns consideram a direita, mas que eu considero a esquerda mansa, vêem, com olhos esbugalhados, parecendo aquela personagem do famoso quadro "O grito", que seus políticos, à frente Aécio Neves, também não são santos.  E brigam entre si, ofendem-se mutuamente, ao invés de perceber que TODOS FORAM MANIPULADOS POR TODOS OS LADOS POLÍTICOS, DA EXTREMA ESQUERDA RAIVOSA, À EXTREMA DIREITA MANSA.

Resultado de imagem
"O Grito", de Edvard Munch


O QUE FAZER

Já disse que sou conservadora. 
Como mencionei no post sobre as eleições, que escrevi em 2014, não acredito em políticos há tempos.
Mas também não gosto quando pessoas, de qualquer nível intelectual, dizem que o brasileiro não sabe votar.  Como? Hã? Não sabe votar por quê?
No Brasil o voto é obrigatório; caso não votemos, sofremos várias sanções, e temos que nos justificar.
Os partidos políticos formados depois da ditadura militar, e depois da Constituição Federal de 1988, são os que para nós se apresentam: desde os antigos PMDB, PSDB, PC do B, e vários outros, grandes ou nanicos. Os políticos que se apresentam, são sempre os mesmos, que estão na política, senão eles diretamente, membros de sua família, há mais de 50 anos.  Se os políticos que se apresentam são esses, como alguém dizer que não sabemos votar?  Que diferença faria votar em Dilma ou Aécio, nessa última eleição?  Todos compraram votos, pediram favores, se venderam, e nos venderam?
Alguém sabe me dizer O QUE É "SABER VOTAR"?

1. Na minha modesta opinião, de trabalhadora aposentada, de quem paga todos os seus impostos, cuida de sua família, trabalhou com educação em escolas públicas, veio de família humilde, formou-se trabalhando e estudando, sustentando seus próprios estudos, creio que uma das soluções, que pode parecer simplista, seria não existir a possibilidade de reeleição. Não existir carreira política.  A pessoa se elege para um mandato, executa seu mandato e acabou, dá oportunidade para outras pessoas exercerem a função, não se perpetuando no poder, e não tendo oportunidade de fazer falcatruas. Rodízio.
2. As campanhas políticas devem ser sustentadas pelo próprio candidato.  Não tem dinheiro? Não se candidata.  Isto diminuiria esses escândalos de patrocínio de campanha.  Voltem no tempo, usem o rádio; tem meio mais barato que a internet?  Hoje está tudo tão rápido...E o corpo a corpo, o palanque, o discurso...sempre vai ter quem ouça e acredite...
3. Aceito outras sugestões.  Quem souber mais (não sou filósofa, cientista política ou outra especialidade - apenas uma voz popular), sugira nos comentários.

Concluo dizendo que Aristóteles tinha razão. Um mandato não deve passar de um ano.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Despedida do verão


 
Outono em minha terra

 
Eis que os últimos dias de calor intenso desta região meridional brasileira se aproximam. À noite já começou-se a sentir o frescor do outono se aproximando; o abafamento noturno e o mormaço diurno dão seus últimos suspiros, manifestam seus estertores. Consegue-se dormir de forma mais tranquila, sem precisar acionar o aparelho condicionador de ar.
A vegetação começa a mudar sua roupagem, retirando-se o verde reverberante do verão, dando entrada aos tons de amarelo, cor de laranja e vermelho característicos da estação entrante. Brindemos, pois, ao amenizar das sensações ambientais, mais favoráveis a quem não ama o verão, e a quem detesta o inverno, como esta que vos escreve.

Apesar do famoso "efeito cebola", de todos conhecido, a par dos afazeres que nos achacam todos os dias, e de outros que nos dão prazer, aproximamo-nos cada vez mais daquele período menor da nossa existência, do qual só nos damos conta quando já tenhamos, teoricamente, percorrido mais de dois terços de nossa provável totalidade da existência, e estejamos a dobrar o famoso cabo da boa esperança.  A leitura faz parte da segunda parte, ou seja, do prazer.
Quem me acompanhou nos últimos dias:

1. Luis Fernando Veríssimo, "As mentiras que as Mulheres contam", Objetiva, 2015.
No meu modesto entendimento, os primeiros textos são os melhores do livro.  Textos que comecei a ler ainda no local em que comprei o livro, e tive que conter-me para não rir em voz alta.  A veia do LFV esteve intacta, seu humor característico, suas sacadas geniais, sua ironia ferina. Sempre é bom lê-lo.





2. Eça de Queirós, "A Relíquia",  Ediouro, 1997,  254p.
Redescobri o Eça há pouco tempo.  Em outro post já me manifestei pela grandeza de seu vocabulário, pelo rigor de sua escrita, pelo elevado conhecimento que expõe, pela sua cultura.
Este livro relata a vida de um órfão criado pela tia beata, no Portugal dos 1800.  Embora tenha se formado em Direito, nunca exerceu a profissão; aliás, trabalhar nunca foi o objetivo do personagem central, Teodorico Raposo, que submeteu-se durante toda a infância e juventude às ações, rezas, comportamento, mesmo que disfarçado, de beato, com o fito único de convencer a tia de que era um rapaz de comportamento ilibado, e receber, depois da morte dela, a herança.  Para tanto, sujeitou-se a uma viagem a Jerusalém, paga por ela,  e a locais sagrados para o catolicismo, com o objetivo de trazer uma relíquia santa para a tia.  O livro trata dessa viagem, descreve os locais, várias personagens que o acompanham, e o desfecho final é inesperado.  Deveras interessante, embora descrições cansativas, muito minuciosas e vocabulário bastante elevado.  Eça é Eça.




 3. Moacyr Scliar, "Um sonho no caroço do abacate". Ed. Global, 2000, Literatura infanto-juvenil.
Há muito não lia o Moacyr.  Este livro, dedicado aos adolescentes, relata, de uma forma criativa, direta, linguagem acessível, os problemas de racismo nas escolas e na sociedade, em relação a judeus e negros, o famoso bullying.  Uma história comovente que, se todos os adolescentes lessem, seria ótimo para ajudá-los a entender que só existe a raça humana, e que a cor da pele ou a religião não são marcadores do caráter e da personalidade de uma pessoa.  Direto na veia, como falam os jovens.

quarta-feira, 8 de março de 2017

As mulheres fundamentais da minha vida


Todas nós temos pessoas que nos influenciaram na vida. Algumas de forma fundamental, outras um pouco menos; mas todas fazem parte do nosso coração e da nossa mente. As que comentarei abaixo ou deram origem à minha vida, ou dela participaram e/ou participam de uma forma essencial. Posso já ter comentado sobre elas em algum post, mas aqui, agora, estou especificando, neste dia Internacional da Mulher, para homenageá-las.

Felicidade (vó Dadade)


 Nascida em 26 de fevereiro de de 1902, a mãe do meu pai foi uma mulher de seu tempo: uma guerreira em todos os sentidos da palavra. Casou-se com 16 anos - o normal para a época; teve 15 gestações, sendo que dois bebês faleceram, criando 13 filhos e filhas. Morou em uma fazenda, no meio do mato, onde plantava e colhia alimentos para a família sobreviver, auxiliada por meu avô, que saía a vender a produção (carreteiro) e demorava muito a voltar; cortava lenha; matava animais para alimentar a prole (porcos, galinhas, etc); fazia toda a lide doméstica, posteriormente ajudada pelos filhos mais velhos; costurava, bordava, fazia crochê,  ah, inclusive, matava cobras e outros animais peçonhentos que aparecessem e colocassem em perigo seus filhos.  Olhando para ela, tinha uma aparência frágil;  calma, alta, magra, a pele muito branca e muito fina.  Uma fortaleza.

Maria Augusta (vó Deza) 

 Nascida no dia internacional da mulher, em 8 de março de 1904, vó Deza, como a chamávamos, teve capital influência sobre minha vida. Ao  contrário de minha avó paterna, não casou tão jovem para a época, pois contava com mais de 20 anos. Teve 10 filhos, 2 faleceram ainda pequenos, criou 8 filhos; batalhadora, foi criada na roça, plantava, colhia, organizava e cuidava da casa e dos filhos; foi alfabetizadora durante muitos anos; era leitora voraz dos mais variados tipos de livros, revistas e jornais; fazia doces, pães, bolos e cucas como ninguém, além de crochê, costura e outras tantas atividades. Magra, altura mediana, estava sempre alegre e adorava conversar. Na minha adolescência bati longos papos com a vó, pois adorava quando contava as histórias de antigamente, histórias estas que registrou no livro "Memórias da Vó Deza", da Coleção Centenário da Unijuí Editora, que ajudei a publicar. 

Noemi, minha mãe.

Já escrevi bastante sobre ela em outros posts; desnecessário dizer da relação de amor e carinho que temos até hoje uma com a outra; minha companheira de papos, minha orientadora e educadora na vida, não só com relação à educação em geral, como também aos cuidados que teve comigo desde sempre, inclusive depois de adulta, quando passei por dificuldades, quando tive meus filhos e ela me ajudou, em tudo. Minha mãe é minha base, junto com meu pai; sem ela, eu não seria quem sou.
Agora é quase minha filha, pois o mal de Alzheimer a acompanha diariamente e, juntamente com meus irmãos, invertemos o papel. Mas mantém o bom humor, está sempre brincando, cantando, não é ranzinza.  Até há pouco tempo atrás, estava sempre pronta para fazer um passeio, uma viagem, e sempre adorou festas e comemorações, sentimento que passou-me e que cultivo com alegria.

Sílvia e Heloísa, minhas filhas.

A primeira deu-me a dimensão primeira do que é ser mãe; primogênita, seus lindos olhos negros e seus longos cabelos pretos e lisos me enchem de orgulho e alegria. Seu jeito de ser, inteligente, seu temperamento cuidadoso e responsável, seu lindo sorriso alegram meus dias. Junto com meu genro, trouxe-me dois lindos netinhos, que amo de paixão.
A segunda, minha caçula, fez-me recordar, após 20 anos do nascimento do meu filho, as alegrias da gestação e da maternidade, em um momento mais tranquilo da minha vida. Seus lindos olhos e cabelos castanhos, cabelos rebeldes e volumosos como os meus, seu temperamento adolescente, sua inteligência e agudeza de pensamentos alegram minha vida; seu sorriso me encanta e é um bálsamo para minha alma. Ótima estudante, esforçada, estudiosa, carinhosa ao extremo, é companheira minha e do pai, neste momento em que estamos a dobrar o cabo da boa esperança...

Phatsy, nora, e Nicolle, neta

Esta linda morena entrou na vida do meu filho e na nossa para trazer mais luz, alegria, vivacidade, gentileza e dois lindos netos. Minha nora é uma grande mulher - não só na altura física, pois quase acompanha a altura do meu filho - mas também na maneira de encarar a vida. Lutadora desde nova, como são as mulheres desde sempre, trabalhou e estudou para sobreviver em um mundo que exige muito de todas nós, como todas as mulheres que mencionei. 
Junto com  meu filho, presenteou-me com dois lindos netinhos, sendo que a Nicolle faz parte das mulheres fundamentais da minha vida. Menina linda, meiga, carinhosa, inteligente, ganha da vovó nos jogos de memória, foi no cinema com a vovó e a titia, dança balé e estuda, prevendo-se um futuro agitado e maravilhoso para ela.

Madrinha Eva

Também já mencionei-a em um post.  Mulher batalhadora, de personalidade forte, estudiosa, inteligente, responsável, o exemplo da mulher que começou a trabalhar no meio do século passado, e ainda cuidava da família, como todas nós.  Para mim, foi um exemplo de mulher que tem seu trabalho fora de casa, tem a sua renda, suas responsabilidades, compromissos e não abaixa a cabeça nunca; a primeira feminista que conheci.

Tia Nara

A irmã mais nova de minha mãe é poucos anos mais velha que eu; praticamente crescemos juntas, somos amigas desde a minha infância; quando adolesci, foi minha companheira de bailes, festas, shows; também fomos colegas de trabalho, madrinhas de casamento uma da outra, e somos madrinhas de nossas filhas.  Uma companheira da vida inteira, amizade que não tem fim.

Ana Leonida, minha sogra.

Outro exemplo de mulher lutadora. Casou já madura com meu sogro, e deu-me, como ela mesma me disse, um dos mais belos presentes da minha vida: meu marido. Italiana de origem, começou cedo nas lides domésticas; atendia a cozinha, no hotel que seu pai tinha, juntamente com as irmãs.  Posteriormente, dedicou-se à vida familiar e à cultura agrícola;  teve 4 filhos, os quais criou na mais severa cultura italiana e católica; trabalhava na roça parelho com meu sogro, mas era a primeira a levantar, para tirar leite das vacas às 5 da matina, e a última a descansar, depois de todas as tarefas domésticas, costura, crochê, entre outras atividades.

Mulheres fortes, trabalhadoras, resistentes, de fé, de lutas, de coragem, de ânimo, de alegria, de felicidade, de tristeza, de tudo que compõe um ser humano. Exemplos de vida.

 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Encantamentos

Festas e férias 


 As festividades de fim de ano já passaram há dois meses, aqui no hemisfério sul.
Já curtimos o Natal com nossa família, já passamos a virada do ano com minha mãe. Ela ficou muito feliz quando, à meia noite, acordâmo-la para o brinde, pois com sua idade, já ceia mais cedo e deita mais cedo.
Já tiramos nossas três semanas de férias.  Eu estava com receio, pois no ano passado minha mãe passou mal, e tivemos que retornar antes. Desta vez, não. Passamos dias memoráveis brincando com nossos netinhos na casa de meu filho e minha nora.  Foram dias de extrema alegria, contentamento, encantamentos.
Logo após partimos para outros dias agradabilíssimos em casa de minha tia mais nova e sua família, em uma praia do sul do Brasil. Dias radiantes de sol, de camaradagem, de amizade, de conversas, risos e gargalhadas. Tudo o que faz bem para a vida. Agradeço a Deus e às pessoas queridas por nos proporcionarem estas coisas benditas. Inclusive meu esposo, que está adoentado, ficou mais corado e alegre.

Leituras



 Antes do Natal, curiosa pelo conteúdo de um livro que havia comprado há tempos, e estava em minha mesa de cabeceira aguardando, pacientemente, sua vez, li "Um conto de Natal", de Charles Dickens. Fiquei fascinada por este escritor inglês que nasceu em 1812, e cujo livro publicou em 1843; a edição que tenho em mãos é de 2014 pela L&PM Pocket.
Narra a história de um senhor, o velho Scrooge, um homem de negócios solteirão, que vivia sozinho na Londres daquela época. Mão fechada, sempre carrancudo, nem sempre honesto; antes do Natal, recebe a visita do fantasma de seu ex-sócio Marley, que o leva voando por vários locais, para conhecer as mais cruas e dolorosas realidades, o que o transforma.  Mas vale a pena ler, não ficar com minhas impressões.  

Também fez parte do meu cardápio de paixão,  Balzac, que continuo lendo, firme em meu propósito de aprendizado. Desta vez, outra parte da Comédia Humana, "O Pai Goriot". Este escritor francês, como já comentei alhures, nasceu em 1799; publicou este livro em 1835, sendo que o volume que tenho é de 2011, também publicado pela L&PM Pocket. 
O velho Goriot foi rico em uma época em que as famílias valiam pelo dote que tinham para dar às filhas; naquela época, na França, existiam os condes, condessas, duques, etc; e ser rico era mais vantagem do que ter um título de nobreza, às vezes.  Porém, ele vivia numa pobre pensão. Lá ninguém sabia que ele era rico e tinha duas filhas que casaram com nobres.  Elas o escondiam de seus maridos, e gastaram a fortuna do velho em luxos e festas.  Interessante os romances que permeiam a história, as diversas personagens, assim como o final, bastante inesperado. Vale a pena a leitura.

Já em janeiro, outro livro adquirido na feirinha do livro de minha cidade encheu meus olhos da sabedoria de Eça de Queirós, em "A cidade e as serras".  Creio que ainda não comentei Eça (na minha adolescência eu achava que era uma mulher; depois fui descobrir que seu nome é José Maria Eça de Queirós); que nasceu em 1845 em Póvoa do Varzim, fez seus primeiros estudos em Porto, e formou-se em Direito (colega) em Coimbra, Portugal. Este livro foi publicado originalmente postumamente - ele faleceu em 1900.
Admiro a forma de escrita elegante, culta, brilhante do Eça; fico entusiasmada com seu estilo, seu vocabulário, seus conhecimentos, que nos fazem sempre aprender mais.  Neste romance, narra a história de Jacinto,  um homem da civilização, da cultura, do conhecimento, da engenharia e arte; português que vivia em Paris, enfastiava-se com tanta tecnologia - tinha em sua casa telégrafo, telefone, elevador particular e outras tecnologias novas para aquela época, assim como enfastiava-se também com as festas, a nobreza, as fofocas sociais, as mentiras e a forma de vida dos parisienses em geral, e de seus amigos, bem como dele próprio.  Revê um amigo, e ambos vão visitar o casarão da família em Portugal, que estava em reforma e recebera de herança.  Desde então, desenrola-se um excelente romance, que vale a leitura.


E, voltando aos nossos dias brasileiros, de angústias, incertezas políticas, econômicas e sociais, fiquei sabendo um pouco mais sobre um juiz brasileiro por quem tenho muita admiração pela técnica, transparência, lucidez e honra com que usa sua toga, julgando processos contra poderosos que estão sendo bem investigados pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal, e que tem dado um pouco de alegria ao povo brasileiro, em meio a tanta corrupção.
Luiz Scarpino, Advogado, escreveu "Sérgio Moro - O homem, o juiz e o Brasil"; Editora Novo Conceito, 2016, 208 páginas. 
Neste livro, o autor conta a vida do Juiz, Dr.  Sérgio Moro; a forma como trabalha; comenta os processos em que já houve sentença e os que estão em andamento. Compara com o processo "Mãos limpas" da Itália. fala de sua formação profissional, seus estudos, suas especializações, traça o perfil completo.  Muitas pessoas o criticam, assim como criticam outras pessoas, sem ter conhecimento.  Fazem o que Moro não faz: pré-julgamento.  Excelente para  quem se interessa pelo direito, justiça, combate à corrupção, entre outros assuntos.
Importante frisar que os processos no Brasil são públicos, por isto a possibilidade de qualquer pessoa a eles ter acesso, ler e comentar. Apenas alguns têm segredo de justiça, e a Lei estabelece quais são e em quais circunstâncias isto ocorre.  Entretanto, tudo o que for de interesse público, não possui segredo de justiça.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"A tribo jornalística de Érico Veríssimo", por Eduardo Ritter

A TRIBO JORNALÍSTICA DE ERICO VERISSIMO
Livro escrito por meu primo, Dr. Eduardo Ritter.




Tomo a liberdade de comentar o livro escrito pelo Dr. Eduardo Ritter, jornalista, professor universitário, Doutor em Comunicação Social, Mestre em Comunicação Social, entre outros títulos.
Neste livro, Dr.Eduardo tece considerações sobre a "tribo" de jornalistas que compuseram personagens dos livros de Érico Veríssimo.  Analisou o Autor toda a obra de Érico Veríssimo, escritor gaúcho natural de Cruz Alta, cidade perto da minha, na Região do Planalto Médio.
Do "tempo e o Vento" a "Incidente em Antares", obras muito conhecidas e lidas, aos primeiros e últimos títulos do autor analisado, bem como literatura infantil, dissecou Dr. Eduardo as obras, caracterizando os vários tipos de jornalistas que, além de se encontrarem na obra de Érico, também são conhecidos e reconhecidos  em sedes de Jornais e outros ambientes de Literatura e escrita.
Com uma linguagem acessível, mas escorreita, transformou Dr. Eduardo sua tese de Doutorado em livro palatável para especialistas e leigos; com a análise profunda que faz da obra de Érico, lida e relida de cabo a rabo, conhecemos as várias caracterizações que podem existir entre os jornalistas, tipos caracterizados por Érico em suas obras, fundamentados em colegas de profissão, eis que jornalista e escritor, como sabemos.
 Da descrição física, psicológica, comportamental, política, econômica e social dos componentes da tribo, embasou Dr. Ritter seu profundo trabalho em Livros e textos de especialistas na Área de Comunicação, Literatura, Escritores e demais entendidos em sua área de conhecimento.
Uma obra que dá prazer  ler, envolve desde a primeira linha, um texto que flui, prende, agrada e encanta. Vale a pena a leitura.
Maravilhosa a homenagem que fez a sua mãe, Nara Mirian Ritter (minha tia), e ao pai, Nabucodonosor Ritter.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O lado de lá do balcão do banco

      
 

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Sempre pensava que os bancários tinham uma vida folgada; afinal, os bancos, no Brasil, abrem para atendimento ao público em geral às 10 horas da manhã e fecham às 15 horas. Maravilha, trabalhar poucas horas, ganhar um ótimo salário e ter bastante tempo à disposição para fazer outras coisas.
     Tentei concurso para o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal; no primeiro não consegui aprovação, na segunda consegui, mas nunca fui chamada.  Posteriormente, fiz concurso para o antigo banco Meridional - era um banco público, e fui aprovada entre os primeiros classificados na minha região.
     Muitas pessoas tentam entrar para um banco com a mesma ilusão que eu; a grande maioria não consegue aprovação por: não estudar o suficiente (nos programas, matemática, português, conhecimentos gerais, lógica, matemática financeira, contabilidade, legislação, etc, com pequenas variações); por não ter quociente de inteligência que permita ingressar no serviço -  e não estou falando no famoso "q.i." quem indica; concurso público é por conhecimento, por mérito e competência. A maioria das pessoas não estuda, chuta, não passa, e fica criticando os "nerds" que são aprovados.
     Uma pessoa para ingressar no serviço público deve submeter-se a concurso, previsto na CONSTITUIÇÃO FEDERAL e nas Leis Federais, Estaduais ou Municipais que regem os concursos. O edital prevê toda a matéria a que vai ser submetido o candidato, a lei que rege o concurso, todas as possibilidades para o cargo, função, salário, a titulação que é exigida (ensino médio, graduação, especialização, mestrado, doutorado...) etc. Concurso público não é para qualquer um!   As pessoas que se submetem a um concurso não é a um "concursinho", e depois fazem o que querem. Não é assim que funciona.  Depois de aprovado, o candidato deve submeter-se a exames médicos, e passa, durante 2 ou 3 anos, conforme o cargo, por um período chamado ESTÁGIO PROBATÓRIO, em que é avaliado diariamente por seus superiores, para verificar se a pessoa tem os conhecimentos suficientes e necessários à função que vai exercer, e a sua competência. Por isto os políticos preferem fazer política: não precisa estudar, não precisa provar que tem conhecimentos, não tem estágio probatório...
     A legislação brasileira que rege os concursos públicos é bem rigorosa; como funcionários públicos não têm FGTS e outras vantagens que o funcionário da iniciativa privada tem, ele adquire, depois do estágio probatório, SE APROVADO, a estabilidade. Tudo previsto em LEI. E o funcionário público só pode fazer, dentro de sua área de atuação, aquilo que a lei estabelece e permite.
     Mas, voltemos aos bancos. Há bancos públicos e privados, e os que são considerados públicos, mas regidos pela CLT.
     Voltando à vaca fria: quando passei no concurso para ser bancária, fiquei feliz: 6 horas diárias... previstas.  Duas horas extras obrigatórias, diariamente, SEM PAGAMENTO DE HORAS EXTRAS. Atendimento ao público, no meu caso, com um gerente pisando no meu calcanhar o dia inteiro.  Atendimento a uma velocidade louca, tudo para ontem.  Como era 1993, ainda tínhamos uma inflação doida, com muitos números a serem digitados.  O trabalho do bancário novato: somar os documentos de seis caixas, contabilizar, conferir, achar diferenças (só vão embora depois de achar as diferenças!) E diferença, dá todos os dias.  Era difícil chegar em casa antes das 8 da noite. Atendimento a telefone, receber malotes, tirar extratos, ensinar clientes, orientar e ajudar em terminais de autoatendimento...
     O ALMOÇO. Creio que poucas pessoas sabem que o bancário tem 15 minutos para almoçar, previstos EM LEI. Isto mesmo, alguém de vocês almoça em 15 minutos? Mal dá para começar, já deu a hora, tem que bater o ponto, voltar ao trabalho que os clientes estão esperando. Dor no estômago, dor de cabeça, enjôo,.... detalhes, que ninguém sabe. Quem sabe almoçar antes de ir para o trabalho? Para evitar problemas estomacais, muitas pessoas almoçam as 9 da manhã - sim, isto acontece, e muito. Ou levar marmita, com comida caseira. Ou comer só uma fruta, e almoçar quando volta do trabalho.... vida mansa....
     Quando ingressei no banco, recebi várias apostilas para estudar (ainda mais, além do concurso): como funciona, os objetivos, as metas, formas de avaliação, plano de carreira, etc. Primeira lição: o objetivo de um banco é o LUCRO! Todos nós sabemos disto, desde remotos tempos. E para obter lucro, tudo vale.  O funcionário, em qualquer lugar da hierarquia interna, tem que VENDER, tudo que for do interesse do patrão.  Além de funções habituais, sempre oferecer alguma coisa para o cliente; e tem METAS a serem alcançadas; caso não sejam, o funcionário é punido e ridicularizado. Mas...nem todos têm o dom da venda... Bobagem! Vire-se.
     A maioria  dos bancários sofre, além da pressão interna, a pressão externa, dos clientes, que nunca estão satisfeitos e acham que os bancários são seus empregados.  E o cliente sempre tem razão...
     Como muitas outras profissões, mas em especial aos bancários estão reservadas as lesões por esforços repetitivos, entre outras doenças ocupacionais, que os levam para tratamentos longos e doloridos, quando não à aposentadoria por acidente do trabalho, uma vez que obrigados a trabalhar sem tempo para ir ao banheiro, para alimentar-se adequadamente, e sem direito à pausa para descanso, prevista na legislação trabalhista - a cada 50 minutos digitando, 10 minutos para alongamentos e ginástica laboral.  Isto, só em sonhos e na letra fria da CLT.  Na realidade, nunca!
     E o salário? Na iniciativa privada, quem determina o salário é o empresário, dono do empreendimento.  O salário mínimo é determinado pelo governo.  E o salário do bancário?  Como a maioria das profissões tem um salário considerado piso, também o bancário o tem.  E todos os anos, em setembro, é a data-base para negociação dos bancários; é previsto pela Lei que os patrões e empregados entrem num acordo sobre os reajustes salariais.  No caso dos bancários, a Federação Nacional dos Bancos- FENABAN- representa os patrões banqueiros, e os Sindicatos representam os bancários.  Como sempre, os patrões querem dar o mínimo de reajuste, ou nenhum, apesar de seus lucros exorbitantes, e os funcionários precisam garantir pelo menos a inflação do ano, tudo dentro do que estabelece a legislação.
     E a população?  A população não conhece os banqueiros, conhece os bancários.  Os donos dos bancos nunca estão em suas agências, quem está é o empregado.  Para o povo, que se utiliza dos serviços bancários, a culpa das greves é de quem eles enxergam todos os dias - dos funcionários.  Assim como, nas greves dos professores, ou de qualquer categoria, o povo mantém contato com a parte mais fraca, pois prefeitos, governadores, presidentes, banqueiros, ou outros grandes patrões, nem são conhecidos.
     Uma greve atrapalha a vida das pessoas?  Sim, podem crer que atrapalha muito mais a vida dos funcionários grevistas do que da própria população, pois, apesar de paralisar temporariamente os serviços, toda a carga horária tem que ser recuperada, caso as pessoas queiram receber seus salários.  A greve é uma forma de tentar fazer com que os empregadores entendam a situação financeira de seus empregados, pois com os salários defasados, a inflação retornando a galope,o que recebem não é suficiente para ter uma vida digna, solver seus compromissos, manter a saúde, a educação e a alimentação sua e de suas famílias. 
     O bancário, o professor, e outros profissionais são trabalhadores como quaisquer outros.  Não são a elite, infelizmente.  A elite são os banqueiros.  É a eles que deve ser dirigido todo e qualquer protesto pelas greves anuais.  Qualquer coisa em contrário, revela a ignorância da pessoa, que desconhece como as coisas funcionam.
    
 (Imagem:https://www.google.com.br/search?q=banc%C3%A1rio&client=firefox-b-ab&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjRhYewyJzPAhWKjJAKHREtDKcQ_AUICSgC&biw=1138&bih=503&dpr=1.2#tbm=isch&q=banc%C3%A1rio+charge&imgrc=DMrtcrppMpxoTM%3A)   
     

domingo, 22 de maio de 2016

Mudança 2 - encontrando o cantinho que todos procuramos



 Em quatro anos, fiz duas mudanças. A anterior, entre dois estados da federação, andamos quase mil km.  A última, dentro da cidade de destino, de um imóvel alugado a um adquirido, depois de 60 anos de trabalho e lutas.
Como já falei no post anterior sobre o assunto, as mudanças são benéficas, pois nos permitem fazer uma seleção da "cacaria" que mantemos conosco.  E constatei que, mesmo só depois de quatro anos, já juntei muitas coisas desnecessárias, a seleção de coisas inúteis é mais severa; descobri que tinha mais roupas do que precisava; doei as que estavam sobrando;  desfiz-me de móveis que não caberiam no novo apartamento, menor três vezes do que o anterior, e outras tantas da casa que ocupei antes. Livros, revistas, jornais foram para a lixeira, pois a biblioteca pública de minha cidade (pasmem) não aceita doações, assim disse a bibliotecária. Brinquedos e tantas outras coisas foram doadas; para institutos que cuidam de crianças, velhinhos, etc.
Na mudança anterior, já havia incinerado montanhas de escritos que mantinha - não sei por quê - desde a adolescência. Nunca mais seriam lidos, então... E a imaturidade da época me fez sentir ridícula...
Nesta última mudança, a pergunta era: quando eu morrer, meus filhos farão o quê com tudo isto?....Lixo!
A faxina foi grande, entrei mais leve no novo ap; como diria aquele filminho infantil: "somente o necessário"; ainda assim, minha grande paixão, os livros, precisaram receber novos armários; foi o único luxo a que me permiti; mas o espaço já está ficando pequeno...


Nossa intenção é que esta seja a última mudança, após andar ciganeando pelo RS e pelo Brasil.  Mas só o tempo dirá se isto é uma verdade.
Quando preciso fazer uma mudança, lembro do Rex, meu antigo pastor alemão que ficou conosco de 1991 a 1994: ossos, pedaços de galhos, seu pano de aquecer no inverno e muitas outras coisas ele colocava perto de sua casa; colocava a pata em cima e ficava cuidando. Somos parecidos com os cães, ou eles conosco?









domingo, 10 de abril de 2016

George Orwel e a situação política brasileira em 2016.




Imagem do livro que adquiri. da cia. das Letras.



Há tempos queria ler "A revolução dos bichos - um conto de fadas" de George Orwel.
A oportunidade apresentou-se.
Não sabia do que se tratava; mas às primeiras páginas, percebi que se tratava de política.
Orwel faz uma crítica, em 1945, à ditadura stalinista.
Resumindo, os bichos de uma fazenda revoltam-se contra o dono humano, e estabelecem a própria ditadura.  Os porcos, por serem os mais inteligentes, assumem o poder, o comando, os mandos e os desmandos.
Já no início, editam os 7 mandamentos que os bichos devem seguir; no decorrer do tempo, vão alterando-os a seu próprio favor, contra os demais bichos, os "proletários" que sustentam o poder; trabalham, passam fome, recebendo o mínimo de ração.
Garganta é o porta-voz de Napoleão, o porco-ditador. Tem uma lábia e um olhar cínico, que convence todos de que suas palavras estão sempre corretas, mesmo que hoje contradiga o que falou ontem ou anteontem.  Sempre tem uma nova interpretação para os fatos, de forma favorável aos interesses suínos, mesmo que distorcendo e destruindo a própria história.
Inevitável a comparação com o que vem ocorrendo hoje, no Brasil.  O povo vem tentando depor Dilma Roussef através do impeachment constitucionalmente previsto.  Mas Dilma e seu criador, Lula, destróem tudo o que já foi feito, dito, escrito, publicado, acontecimentos históricos, distorcendo a seu favor as leis, a Constituição Federal e tudo que possa vir contra seus interesses e de seu partido.

Geroge Orwel previu, em 1945, o que aconteceria no Brasil, hoje.  Interessante a leitura, deve fazer parte de nossos livros de cabeceira, embora ele fosse do que se chama esquerda mundial.  Mas ele próprio denunciou os erros cometidos por ela.


domingo, 6 de dezembro de 2015

A árvore e os frutos: cada um do seu jeito.







 

    Os 5 dedos da mão não são iguais: assim são os filhos.  Esta frase me foi dita uma vez pela minha sogra, em conversa familiar sobre filhos, educação, personalidades. E é uma verdade, sabedoria dos mais antigos.
Relembrando minha infância, tem o meu irmão mais velho, logo depois venho eu, o terceiro e o quarto.
Fisicamente não nos parecemos, quem nos olhasse, os quatro  juntos, sem saber que somos irmãos, não o diriam.  Só nossas arcadas dentárias são semelhantes.
Nossas personalidades também são muito diferentes. Embora tenhamos recebido, teoricamente, a mesma educação familiar, assumimos na vida caminhos diferentes.  Cada um do seu jeito.
Desde a infância, senti-me muito solitária por ser a única menina no meio dos guris.  E, século passado, meninos não brincavam com meninas...brincavam entre si e com os amigos.  Raras vezes curtimos brincadeiras juntos, quando eles deixavam-me participar.
Num dia de saudosismo, relembro infância e adolescência.
Quando tinha uns onze ou doze anos, situação financeira difícil da família, minha mãe, além de todo o serviço da casa, arrumou um extra: para uma litografia (na época assim  era chamada uma gráfica), fazíamos os fechamentos (colagem) de pacotinhos de sementes.  Pagavam pouco mais que nada, mas era um valor pago por cento; quanto mais colássemos, mais ganharíamos; desenvolvemos uma habilidade extrema neste trabalho manual, chegávamos a colar de 500 a mil por dia.  Toda a família - mãe e os três filhos mais velhos- nos envolvíamos nesta atividade para ajudar no orçamento.  Dizíamos "fazer saquinhos". Depois de terminadas as tarefas da escola, e da mãe concluir as atividades domésticas, dedicávamo-nos a isto.
Quando meu irmão mais velho foi estudar em Porto Alegre - chance só dada aos mais velho, os mais novos não a tiveram - continuamos a fazer esta atividade, agora destinando o resultado financeiro a  este irmão que fora em busca de novas oportunidades de estudos.
Quando éramos crianças, outra forma de aumentar a renda que minha mãe utilizou foi produzir seus deliciosos pastéis os quais meu irmão mais velho vendia nos jogos do Esporte Clube São Luís, de nossa cidade.  Para vendê-los, conseguia entrar de graça e, depois de vender os pastéis, assistia ao jogo ...
A mãe também costurava roupas de criança, e mandava-me oferecer nas casas vizinhas...meio envergonhada fui aprendendo, na prática, no rumo, sem orientação nenhuma, técnicas de venda... voltava com os troquinhos que ajudavam a família.
Meu irmão mais velho foi estudar na capital, aproveitar a oportunidade que o governo estava dando com as escolas técnicas.  Era o período da ditadura militar, e o país precisava de técnicos.  Inclusive este período, hoje, pode ser averbado à aposentadoria como tempo de serviço.  A ditadura militar não produziu só coisas ruins.
Todo o dinheiro extra que conseguíamos, mandávamos para ele. Sobreviver na capital não era fácil.
Quando estava no último ano do ginásio, além de fazer o curso de corte e costura que meu pai me obrigara - eu detestava estes trabalhos manuais - fiz o curso de datilografia, que era exigido para qualquer emprego que se procurasse no comércio ou indústria da cidade. Foi o que me deu o primeiro emprego, que me permitiu continuar estudando.
Enquanto isto, meus 3 irmãos só estudavam, sustentados pelo pai e pelos extras familiares.
Meu terceiro irmão também começou a trabalhar logo após terminar o ginásio.  Não era muito afeito aos estudos mas conseguiu cursar um pequeno período da graduação.
O mais novo era muito inteligente, porém tinha uma grave doença mental que atrapalhou sua vida; mesmo assim, conseguiu ser aprovado em vários vestibulares entre os primeiros colocados. Mas nunca conseguiu concluí-los.
O mais velho conseguiu concluir o curso superior depois de muitas dificuldades.
Somos os primeiros da família a concluir curso superior com o próprio esforço e sustento. Isto se chama mérito.  Infelizmente só depois da nossa luta de cidadãs e cidadãos a Constituição Federal de 1988 autorizou que fossem instituídos cursos superiores gratuitos em locais que não fossem grandes centros ou capitais.  Agora o acesso ao estudo está melhor. Por que lutamos, fizemos reuniões e assembléias durante a Constituinte, e enviamos nossas sugestões aos componentes do Congresso Nacional, que as aceitaram e incluíram na Constituição.  Participei de muitas destas reuniões, era professora na época.  É uma vitória do povo, do magistério e estudantes da época, década de 1980. Os que hoje têm acesso a estes estudos, que foram sendo implementados gradativamente, agradeçam a nós, à geração anterior que teve suas lutas e vitórias.  Do seu jeito.
Fisicamente também os filhos são diferentes.  Meu irmão mais velho é "rechonchudinho", assim como o mais novo era.  O terceiro é muito alto e magro, parecido com o pai.  Eu fiquei no meio-termo, nem magra nem gorda.  Mas o gene da obesidade anda se manifestando nos últimos tempos.
Quanto à personalidade e formas de encarar a vida, os quatro são totalmente diferentes e/ou antagônicos.
Meu irmão mais velho é calmo, até certo ponto.  Não mexam com ele.  Politicamente tende para o que se chama, no Brasil, esquerda. Honestíssimo, é uma pessoa que amo e admiro muito.
O terceiro tem o temperamento explosivo, e politicamente está na extrema direita.
O mais novo era um tanto impositivo, mas infelizmente fora prejudicado pela sua doença.  Politicamente era da direita, sem extremos.
Eu creio que ajo da forma que considero mais correta, dentro dos ditames da educação recebida e adquirida. Talvez um pouco impositiva, mas com diálogo.  Quando tenho que tomar decisões que envolvem outras pessoas ou a própria família, procuro argumentos e diálogos que sejam racionais.  Mas aprendi a ceder, quando necessário. (O nosso espelho interno sempre é mais benéfico...)   Politicamente, como já falei muitas vezes, sou conservadora.  Sem esquerda nem direita, sem  partido.  Pelo certo e justo, de acordo com meu entendimento.
Assim segue a vida...minha mãe às vezes se pergunta se a mistura deu certo...creio que deu.  Cada um do seu jeito, cidadãos de bem.



Numa destas aprendi datilografia e em muitas delas tirei                                                  meu sustento e da família.



domingo, 22 de novembro de 2015

Casa grande & Senzala - o Brasil de Gilberto Freyre e o atual.


O que mais me intimida em nossos grandes escritores é que, os mais ilustres, os mais cultos, os mais 'viajados', com uma visão do mundo aberta, e em condições de conhecimento e sabedoria em pé de igualdade com os 'estrangeiros', são justamente os filhos da casa grande.
Os da senzala, com raros exemplos, e os brancos pobres, também raros, não tiveram a chance, a oportunidade de, já aos 15 anos, como Freyre,  ler os grandes pensadores da civilização ocidental da antiguidade clássica, nem os de seu tempo, e muito menos poder estudar ao lado de pessoas que se tornaram ilustres no mundo científico, ou ser alunos de outros tantos, em universidades estrangeiras.
Não deixa de ser um orgulho para nós, brasileiros e brasileiras, que pelo menos as pessoas do "andar de cima" tenham tido esta chance e, como ele, pelo que sei, o único brasileiro indicado ao prêmio Nobel.
Ao ler "Casa grande & senzala", livro que Gilberto Freyre escreveu e publicou em 1933 - meu pai já havia nascido, mas minha mãe ainda não- descobre-se por que Fernando Henrique Cardoso, nesta edição comemorativa dos 80 anos da publicação, fala que é um livro perene.
Na década de 70, quando iniciei meu curso de letras, analisâ-mo-lo detidamente, nas aulas de literatura brasileira, quando estudamos o Romance de 30 - não só os romances, mas a bibliografia da época.  Entretanto, naquela época de carências da faculdade, somente tínhamos a cópia "xérox" do livro, e somente de partes que o professor considerava importantes.
Professora, pobre, sem dinheiro, somente agora consegui comprar o exemplar.  E identifiquei-me com as descrições meticulosas de Freyre, tanto quando menciona algumas características dos portugueses (tenho Silva, Trindade, dos Santos, Carvalho, Carneiro, da Fontoura, Almeida de sobrenomes ancestrais), como quando menciona algumas características indígenas quanto dos negros.  Sei que sou o que ele chama de povo "híbrido" ou "transgênico", o resultado das misturas européias, com indígenas americanos e negros/árabes/mouros africanos.
O livro, conhecido no mundo inteiro, assim como seu autor, não precisa de apresentações.
Apenas, por ter modestamente  considerado interessantes, vou destacar alguns excertos.  Quem tiver paciência, assim como tive, de ler suas 573 páginas de texto, mais biobibliografia e outras informações, sinta-se à vontade.

"A mobilidade foi um dos segredos da vitória portuguesa; sem ela, não se explicaria ter um Portugal quase sem gente, um pessoalzinho ralo, insignificante em número - sobejo de quanta epidemia , fome e sobretudo guerra afligiu a Península na Idade Média- conseguido salpicar virilmente do seu resto de sangue e de cultura populações tão diversas e a tão grandes distâncias umas das outras: na Ásia, na África, na América, em numerosas ilhas e arquipélagos.  A escassez de capital-homem, supriram-nas os portugueses com extremos de mobilidade e miscibilidade: dominando espaços enormes e onde quer que pousassem, na África ou na América, emprenhando mulheres e fazendo filhos, em uma atividade genésica que tanto tinha de violentamente instintiva da parte do indivíduo quanto de política, de calculada, de estimulada por evidentes razões econômicas e políticas da parte do Estado." 
" Os indivíduos de valor, guerreiros, administradores, técnicos, eram por sua vez deslocados pela política colonial de Lisboa como peças em um tabuleiro de gamão: da Ásia para a América ou daí para a África, conforme conveniências de momento ou de religião". p.70

Muitas outras citações poderia fazer. Considerei esta, no meu entendimento, uma síntese do que o autor expôs, posteriormente, em seu livro.

E como estou muito atarefada, sugiro que quem ainda não o leu, faça-o.  É uma ótima forma de compreender a formação populacional, a cultura, a alimentação, as doenças, a personalidade dos brasileiros.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

37 anos de Magistério - e a dignidade da pessoa humana?





Ensinando a amar a leitura, literatura, alto conhecimento


Ao concluir a faculdade de Letras, sentia-me insegura para ser professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Eu tinha 22 anos, fizera um pequeno estágio NÃO REMUNERADO, e não tinha, a meu ver, condições de lecionar.  Meus professores da FAFI disseram literalmente: " Não estamos aqui para ensiná-los a dar aulas, isto vocês se virem para aprender.  Estamos aqui para ensiná-los a pensar" - a pensar como eles, época da ditadura, professores esquerdistas.  Alguns, após a aula, iam dormir no quartel.
Desde os 16 anos eu trabalhava durante o dia - 8 horas - e estudava à noite.  Creio que já falei sobre isto. Pobre, não tinha situação financeira que me permitisse só estudar, e meus pais também não tinham esta disponibilidade de recursos.  Trabalhei como secretária de um advogado, e, depois em uma Companhia de seguros; posteriormente, secretária em uma empresa de revenda de tratores e implementos agrícolas.  Então, não tive como fazer o curso Normal, que ensina a lecionar.  Fiz o Curso Técnico de Contabilidade, e o Curso de Letras, que era o mais perto do que eu queria - Jornalismo.  Porém, este último só tinha em Santa Maria ou Porto Alegre o que, por motivos óbvios, não me permitia cursá-lo.
Era 1977.  Casei no último dia do ano.  Fomos morar em outra cidade, perdi meu emprego.  Procurei em várias empresas para trabalhar no que eu mais entendia, mas não consegui.  E surgiu a oportunidade para lecionar em uma escola particular e numa pública - ambas sempre carentes de profissionais. Criei coragem e fui me candidatar.  As duas vagas eu preenchi.
Desnecessário dizer da minha angústia nos primeiros tempos, pois desconhecia a burocracia que os professores têm que dominar, além de seus conteúdos.  Precisei aprender a lidar com cadernos de chamada e suas peculiaridades, reuniões pedagógicas com a Supervisora Pedagógica.  Reuniões de área, com os colegas de Língua Portuguesa.  Reuniões da Diretoria da Escola e Supervisão Escolar com todos os professores.  Distribuição de turmas, horários, etc, etc, etc Atividades extra-classe, sem remuneração, provas, boletins, atendimento aos pais, e assim vai.
Mas o que mais me angustiava eram as aulas.
Tive a sorte grande de ter duas colegas maravilhosas - Maria Mercedes Cavalheiro e Ilca Laskoski.  Ambas praticamente me ensinaram a preparar aulas, o preenchimento correto dos cadernos, a escolher textos, a preparar provas.  Devo isto a elas, e reconhecerei por toda minha vida.  Como sempre tive facilidade para aprender, e aliado aos conhecimentos teóricos da faculdade, tornei-me uma ótima professora, sem modéstia nenhuma.  Resultado obtido do trabalho a três.
Durante dois anos trabalhei nas duas escolas: na particular, fiquei até o fim da licença-gestante de minha primeira filha.  Na escola pública, como contratada até o nascimento de meu segundo filho, oportunidade em que fiz concurso e passei a ser professora efetiva concursada.
Desde 1978 eu luto junto com meus colegas de profissão pelo que eles chamam de  "valorização do magistério".  Eu cansei de ouvir esta expressão.  Nossos salários, desde aquele tempo, são os piores possíveis.  Para 20 horas semanais, o que se entende por meio turno, um professor ganha pouco mais do que o salário mínimo brasileiro.
Na década de 80 tivemos a implantação do plano de carreira do magistério estadual.  Até ali, os professores eram contratados por indicação; se tivessem divergência política com a direção da escola - que era escolhida por acordo político - o professor era demitido.  Era um troca-troca de professores infernal.  Então os professores, junto com o poder público - Legislativo e Executivo- implantaram um plano de carreira. E os professores, a partir de 1988, com a Constituição Cidadã, somente deveriam ser admitidos por concurso público, para evitar as perseguições políticas.
Neste plano de carreira, os mestres, no decorrer do tempo, e de acordo com sua capacitação por estudos, devidamente comprovada através de cursos universitários, passa  do nível 1 até o 6, com as seguintes características, numa Progressão vertical:  
    N1 – Ensino Médio                                                                                               
    N2 – Ensino Médio com estudos adicionais
    N3 – Licenciatura Curta
    N4 – Licenciatura Curta com estudos adicionais
    N5 – Licenciatura Plena
    N6 – Pós-Graduação.
Também os professores são submetidos às Classes, que vão da "A," a "F", assim:
Progressão horizontal: Se dá através do sistema de promoções de classes (A, B, C, D, E e F), tanto por antiguidade, como merecimento, todas definidas por um percentual de 10% sobre o valor da Classe A. A avaliação é periódica, e valoriza a formação permanente através de cursos de aperfeiçoamento e atualização.
 Quando ingressei no magistério, entrei na classe A, nível 3. Depois de cursar a Licenciatura Plena - já com dois filhos pequenos, morando em uma cidade distante 40km da faculdade, consegui ser promovida para o nível 5.  Depois de alguns anos, não sem dificuldade - NUMA FACULDADE PARTICULAR, SEM NINGUÉM QUE BANCASSE MEUS ESTUDOS - concluí o Curso de Pós-graduação, conseguindo atingir o nível 6. 
Neste meio-tempo, fui lecionando para alunos de ensino fundamental, a partir da 5ª série, e para alunos de ensino médio.
Tornei-me, ao lado dos meus colegas, uma lutadora. Filiei-me ao sindicato dos professores estaduais gaúchos, o CPERS/SINDICATO. 
Nossa luta nunca foi sossegada.
Apesar do plano de carreira, nossos salários sempre foram muito baixos, aviltados mesmo.  Comparando com a pessoa que eu pagava para cuidar de minha casa e meus filhos enquanto eu trabalhava, quase tudo que eu ganhava ia para ela, se não considerasse o pagamento do INSS.  Mas com carteira assinada, eu ficava no déficit.
Por que não mudei de profissão, como muitos me diziam?
As pessoas que sugerem a um professor que mude de profissão nunca entraram numa sala de aula repleta de pessoinhas que  aguardam ansiosamente, com rostos curiosos por saber de que vais falar. 
Desconhecem o prazer que é quando um aluno diz "agora entendi, professora", e fica radiante diante de sua evolução e aquisição de conhecimento. Não conhece o brilho dos olhos dos alunos pelo prazer de aprender.
Desconhecem o que é adquirir o conhecimento, através do estudo, repassar o mesmo aos alunos, e instigá-los a buscar mais, não ficar somente com aquilo que é passado na escola.
Nunca vi alguém dizer a um médico, advogado, engenheiro, banqueiro, empresário, odontólogo, e profissionais de outras áreas do conhecimento: "Não está satisfeito? Procura outra profissão."
O que vi, durante o período em que me dediquei ao magistério: alunos que entravam no começo do ano com muitas dificuldades de escrita, vocabulário, conhecimentos gerais, temas da atualidade; desconhecimento da literatura, tanto brasileira quanto estrangeira; desconhecimento de fatos históricos, que muitas vezes são narradas literariamente; com dificuldades de leitura e compreensão de textos simples, os quais, a todos eles, dediquei-me com vontade, lucidez, persistência, mania de perfeição, alegria e vontade de vê-los melhor, no fim do ano, do que entraram.  Ensinei-lhes o que é o conto, o prazer da poesia, da leitura em voz alta, da escrita nos vários estilos adequados às séries, a conhecerem o romance, e os vários estilos e autores.  E quando chegava o fim de ano, pegando uma redação dos primeiros dias e uma dos últimos - eu era louca, fazia uma redação por semana em cada turma - dava prazer comparar e verificar a evolução. E o Brasil precisa de professores. Já pensaram quando todos abandonarem a profissão?
Mas... por que falo tudo isto?
Por que durante todo o tempo em que fui professora, tive que brigar com os governadores do Rio Grande do Sul.  Todos, sem exceção, desde 1978, achataram e achacaram nossos vencimentos, considerando-nos profissionais de segunda classe, se comparados com mestres de outros países.  Sempre estivemos correndo atrás da máquina, fazendo reivindicações, greve, viajando do interior do Rio Grande a Porto Alegre para bater às portas do Palácio Piratini, esmolando aumento. E esmolando a construção, manutenção de escolas; a criação de bibliotecas, laboratórios, quadras esportivas, nem se fala em auditórios. E merenda escolar, pois são alunos de escola pública, a grande maioria pobres.
Hoje, não esmolamos aumento, nem isto. Muito menos a manutenção da escola.
Aposentados, ao lado dos que estão na ativa, mendigamos o simples pagamento dos vencimentos, o que, muitas vezes, com vários governadores, tivemos que correr atrás. E muitos nos agrediram, dizendo que o que pesa na folha de pagamento são os aposentados.  Depois de tantos anos dedicados ao afã de ensinar, somos considerados pesos! Muitos de nós, com idade avançada, com diversas doenças que precisam ser tratadas, atendidas, vêem-se à mercê de governadores inescrupulosos que, não duvidamos, teriam vontade de liquidar-nos para não ter que nos pagar.
 Mas o atual governador conseguiu superar os demais: além de parcelar os vencimentos, está ameaçando não pagar.  É o cúmulo do ABUSO DE PODER E DE AUTORIDADE.  Os professores e os funcionários públicos trabalharem e não receberem seus vencimentos, que são considerados ALIMENTOS! 
É UM DESRESPEITO À DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, insculpido na nossa Constituição Federal.
O presente texto, além de repudiar a decisão do governador Sartori, é uma DENÚNCIA sobre o que governadores incompetentes administrativamente vêm fazendo com o Magistério Estadual do Rio Grande do Sul, no decorrer do tempo. E descumprindo, reiteradamente, o que é de sua competência como Poder Executivo Estadual, ou seja, manter os percentuais legais para a educação, incluindo neste percentual o pagamento dos vencimentos dos professores- nem se fala em cumprir Lei Federal sobre o Piso do Magistério- e a manutenção das escolas.
O orçamento do Estado está comprometido?  Quando a pessoa adere a funções políticas, sabe que vai ter que dar seus pulinhos para resolver os problemas do Estado.  Já dizia   um ditado popular muito antigo: quem não tem competência, não se estabeleça.